Como me apego ao desagradável desapego?
Como me apago ao destrutível desespero?
Procuro uma nova forma que me conforme;
Procuro uma nova fórmula que confirme
A obstrução do que me deixa inseguro,
A observação do que me deixa inóspito de vida, imagem destruída.
Se entro na minha mente, viro um intruso;
Minha alma me disse que já não pertence ao corpo que uso.
O vazio é um vaso que acolhe a planta da ansiedade;
Ânsia de flores mortas, servindo de adubo para florescer raízes tortas na sociedade.
Regada por migalhas de falhas no próprio oxigênio ácido em solidão,
Indisposição de acreditar em mim mesmo e nas pessoas desse mundo.
Não sei ao certo se me acuso;
Independentemente, não sou totalmente inocente nem independente.
Tenho assustado assuntos pendentes,
Recordações recorrentes,
Sonhos que são apenas sonhos,
Sonhos que vão após sonos,
Sonhos que me fazem dormir por sonhar demais,
Sonhos que me fazem acordar sem querer dormir nunca mais.
Quantos pesadelos serão realizados?
Quantos pesadelos ainda tendem a ser inclusos?
O que tanto recuso requer atenção;
O que tanto requer atenção, eu reflito se é necessária a atenção.
E essa tensão é a maldita benção dos que são confrontados como loucos nos olhos dos sãos.
Decepção, desculpa por te decepcionar;
Sei que você esperava mais de mim.
Recepção de culpa que ocupa toda vírgula antes de raciocinar.
Ei, ué! Vê? Errava o início e até depois do fim...
Ei, ué! Vê? Errava o início e até depois do fim.
Eu sou assim:
Hóspede da carência no quarto da crucial coerência,
Enrolado no lençol da concupiscência.
Ar-condicionado ligado ao ar concorrência;
Travesseiro da renúncia que, apesar de pesar, liberta a consciência.
Meu café da manhã é sofisticado:
A crença de vencer dentro de uma frágil xícara,
Ao sabor de um solstício fracionado.
Meu almoço é um prato de vaidades;
Nutrientes não muito importantes,
Mas que são o vislumbre de poucas verdades.
Meu lanche da tarde é um mar de objetivos conectivos que me dão coragem;
Carrego no coração os batimentos que não cabem na bagagem.
Minha janta é um prato envenenado:
A sopa do pecado.
Assopra meu passado,
Assombra a mim e até onde tenho chegado;
Incapacitado de emprestar todo o meu diálogo falado
Para o tempo, que não quer me dar ouvidos e nem ser ouvido durante o tempo.
"Eu já falei para você que isso não dá lucro..."
"Você nunca será suficiente..."
"Ninguém quer você por perto..."
"Eu tenho nojo de você..."
As piores frases eu tenho escutado.
Nas piores fases, eu tenho me escoltado de silêncio,
E esse silêncio acumulado tornou-se o ódio em mim guardado.
Nas melhores fases, percebi que o ódio
É a transferência da ira na cura.