Iêda Castro é uma poeta maranhense, natural de São Luís, cuja escrita nasce da sensibilidade, da memória e do afeto. Inspirada por sua terra nordestina, seus poemas percorrem temas como o amor, o tempo, as ausências e a beleza presente nas pequenas experiências da vida, revelando uma poesia intimista e contemplativa.
Um barco a velejar Um arco-íris cortante Ventos de polpa no ar De um canto da infância Me construo e reconstruo Nado através da esperança E volto para te buscar Sem alianças!
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ENTREGA
Um pássaro a voar Ventos distantes Momentos de uma entrega Suavizante E desse canto a desejar Momento de único prazer Em um instante
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ACONCHEGO
Uma varanda, uma rede Um fim de semana alheio Colheitas, rimas soltas e devaneios Destoando o tempo tão meu Uma varanda, um verde Aconchego de um tempo Uma brisa, um meio Do encontro que tu me deu (dos dias que tu, meu esposo me deu, depois que perdi meus pais)
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BRISA DA MANHÃ
Na brisa da manhã Te vejo e sinto O adorno de quem ama Sozinho estou Contratempos de um tempo Solto no tempo Que não é meu, nem teu Mero caminhar de luzes Sobrados, caminhos, enlaces O que sou se não sobra?! O que sobra do que sou?! Figura, passado e o teu abraço... Cheiro de orvalho, na brisa da manhã... Manhã deslocada, sem vida, sem ar...
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DEUS
Canto de um pássaro Mar sereno Montanhas verdejantes Pôr do sol Barcos no cais Pedrinhas jogadas ao mar Um jardim Jujubas Borboletas coloridas Brincadeiras com a neve Chuva Beijos no portão Amor Alegria Música e amigos Pai, Mãe, Irmãos e a satisfação de quem é real e não implora NADA por isso!
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IRMÃOS
São sete vezes sete... e um que mora no infinito Mãe e pai a rimar A teia do bonito E se fosse preciso contar Lembraríamos do lirismo Ai que dádiva é nascer Em um canto de poesia Por que cada penar, tem o doce pensar, com leveza e altruísmo Mas se os sete estão juntos Tudo é paz e aconchego No puerismo
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TOM
Um tom para desopilar Todo o regresso cantar Um entoar Um decreto Uma vida sem receio Ousar Poder Falar Para contudo frear ou ser
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PEDRA
Sou tua na minha entrega, és meu na tua entrega E quando estamos juntos Somos fortaleza campestre Paraíso tão nosso Canto, poesia e encontro E a vida tão alerta Nos chama a realidade... Mas vamos com muita calma Pois nos conhecemos e lutamos Por esse amor Que é nosso e feito na PEDRA
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RECIPROCIDADE
Não há brilho nos olhos Se não houver amanhã Não há doçura no olhar Se não houver entrega Não há candura no tocar Se não houver amor Não haverá beleza, sem dedicação Nunca haverá presença, sem reciprocidade Nunca e jamais! Conteúdo vivo Dentro de nós Absoluto Refúgio Quimera.... Mera...
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SILÊNCIO
Eu que me vejo além do meu desejo Deserto, sou! Silêncio... torno-me ausente. Silêncio... Preciosidade da alma Alma constante em meu ser... Revelando dias... Eu estranho e tão lívida sou Mais do que quero Mais do que realmente sou Um tão ligeiro sonhar Fruto de ambígua ambição É que volto a sonhar Esta solidão Eu que me vejo além do meu desejo Farta de dor Farta de amor Eu que te quero além do teu desejo Sou aquém, além, silêncio. Eu que me vejo além do meu desejo Sou falso alento Não sei determinar o ausente Beijo de cor Beijo de flor Silêncio