Iêda Castro é uma poeta maranhense, natural de São Luís, cuja escrita nasce da sensibilidade, da memória e do afeto. Inspirada por sua terra nordestina, seus poemas percorrem temas como o amor, o tempo, as ausências e a beleza presente nas pequenas experiências da vida, revelando uma poesia intimista e contemplativa.
Vidas ceifadas Dores silenciosas Enclausuradas! Confinadas Emolduradas pela força que resta Dias sombrios Notícias que se entranham Desejo de não estar! E pisam em linhas graves O mundo chora E os que ficam?! Pesa sobre o ombro A dor A compaixão A descrença Do que: será que é real?! Será mentira?! Vão nos acordar?! Peça por peça será gradativamente encaixada com peças faltantes e vazias! De um quebra cabeça incompleto, gasto e dolorido
(em 29 de Março de 2020)
120
LUA
Sobre a lua que vi Cresce linda E te faz sossegar por entre anseios Te deseja assim corriqueiro Para depois te buscar Pleno Contente Eterno Cheios de mistérios eloquentes
155
UM MAR DE IDEIAS
Um mar de ideias Caminhos sem teto Teto sem palavras Um centro de rimas Um centro de tudo Um mar de ideias e a certeza de que Eternos são efêmeros
155
p(A)nde(M)i(A)
No corpo a epidemia A surgir? Perguntas, mentes, solidez! Mentiras contadas à liberdade! Minimizam a vida regrada e escondem por entre palavras egos ardentes! Não se expõe! Não passe a diante! Vozes clamantes... Ecoam Mesmo que a rotina dos dias te chame ao convívio... Pare, olhe ao redor Clame ao senhor! És tu e Ele! AGORA Como tudo iniciou! Parece entediante Não ir adiante Mas não é, meu amigo! Meu irmão! Cuida dos teus... Construção tua... Sonhos teus... Não deixem que cuidem por ti... Exagerar é amar! És a lição! Olhar para dentro é Olhar para fora Olhar ao redor Te traz laços Dos caminhos traçados Surrados! Mistérios da vida que só o criador pode te responder! A resposta está em ti?! Ou está mais longe? Jamais saberemos! Enquanto isso, sigamos! É provável. É necessário. Desde que você ao se enxergar, enxergue o outro com o mesmo apreço do seu olhar Entendeu?! Não somos sem o outro! E se somos, sozinhos Seremos! (em 29 de Março de 2020)
157
CANÇÃO DA MELANCOLIA
Em uma canção te vi E senti as campinas Contemplei teu riso em um abraço E a tristeza da saudade se fez enlace Eras apoio merecedor dos meus dias Era apogeu de uma alegria Volto a te olhar? E com essa saudade vou ficar? Por toda vida?! Pai, que dor que me deixas Não fosse pelo acalanto dos teus dias, nos meus dias. Perdoaria jamais essa realidades tão sofrida Pega Deus o que me deste um dia E usa como fantasia Para o sonho de uma alegoria Vai em paz, Sr. Aires! Aqui cantamos as tuas historias Para que se faça verdade Na eternidade (Para meu pai)
195
SABEDORIA
Na sofreguidão destes dias Que a consciência fala e se distrai Vejo a passeio insolente Uma sombra de verdade Irrelevante ao discurso sereno de outrora Assim me reporto a ausência Já desconhecida do outro Mesclar ou viver Irretocáveis bocas Insolentes criaturas do saber e porque não dizer, PROFUNDO SER!
117
DESPERTAR
Esse período Esse rosto Esse frescor Poesia no andar Andorinhas no estômago Ansiedade Despertar
244
O BOLO DE ROLO
Goiaba na doçura Sofisticada acidez açucarado Rolo que endossa Enrolando desejos Sublime Recife que sabe o que faz Nos faz reféns de uma distância No paladar desejoso De quem ousa voltar Para se deliciar
163
PENSAR
Em um desatino pensar Há inúmeras diferenças Do que acordo, do que sonho Sou eu mesma por aqui ou mais adiante Sem ponderar, sem castrar Sem duvidar da essência Que me rouba os sentidos Os ouvidos Sempre a brotar De um rimar, por vezes, estranho!
231
DISTRAÇÃO
Uma Visão Turva Milhões de Sentimentos Um Sentimento Apenas De Pura Distração