'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS
Lista de Poemas
AMOR ONÍRICO
Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.
Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.
Itamar F S

Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.
Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.
Itamar F S

853
DESTINO
Cativo como um onívoro faminto,
Descarregando a fome pelos olhos,
Observando o que eu já não sinto:
Esse sorriso - eu sigo à meus antolhos.
Tento lamber os meus próprios piolhos
Pra expressar-me um pouco de carinho.
Mesmo trancado em tantos ferrolhos
O mal jamais me deixará sozinho...
Assim figura o meu destino inccerto,
Perdido, como um trivial inseto
Se rastejando à procurar a luz.
E toda vez que m'encontrar mais perto
Do brilho que ofusca - '' o céu aberto'' -
Inda mais perto eu estarei da cruz.
Itamar FS
681
SEI QUE UM DIA JÁ SONHEI A VIDA
Sei que um dia já sonhei a vida,
Hoje, já nem lembro o que sonhei.
Somente o talho aberdo da ferida,
Expressa, siso, o riso, que fiquei.
As mãos, tão falhas, a agarrar a ida
De todas as promessas que falhei...
Sei que um dia já sonhei a vida,
Hoje, já nem lembro o que sonhei.
Minha memória, torpe, esquecida,
Decora a tumba, da qual, afundei
Toda minha história ensandecida.
Sequer recordo onde que errei.
Só sei que um dia já sonhei a vida...
ItamarFS
Hoje, já nem lembro o que sonhei.
Somente o talho aberdo da ferida,
Expressa, siso, o riso, que fiquei.
As mãos, tão falhas, a agarrar a ida
De todas as promessas que falhei...
Sei que um dia já sonhei a vida,
Hoje, já nem lembro o que sonhei.
Minha memória, torpe, esquecida,
Decora a tumba, da qual, afundei
Toda minha história ensandecida.
Sequer recordo onde que errei.
Só sei que um dia já sonhei a vida...
ItamarFS
223
DISTOPIA
Falta-me espaço nesse cativo vazio,
Com meus plurais de vozes ocas
Cuspindo palavras anoréxicas, soltas,
Que dilaceram meus ouvidos - sorrio!
Penso na realidade mórbida e ouço
Mais um grito; um eco que ressoa
Nos corredores espinhais, e que destoa
Tudo aquilo que é real, agora louco.
Logo eu, miserável faminto, inerte
Rastejante das migalhas, não pude
Compreender que era um verme
Condenado a roer essas maçãs podres,
De sabores ancestrais, que em vão nutre
O desejo de querer viver às dores.
Itamar FS

Com meus plurais de vozes ocas
Cuspindo palavras anoréxicas, soltas,
Que dilaceram meus ouvidos - sorrio!
Penso na realidade mórbida e ouço
Mais um grito; um eco que ressoa
Nos corredores espinhais, e que destoa
Tudo aquilo que é real, agora louco.
Logo eu, miserável faminto, inerte
Rastejante das migalhas, não pude
Compreender que era um verme
Condenado a roer essas maçãs podres,
De sabores ancestrais, que em vão nutre
O desejo de querer viver às dores.
Itamar FS

590
HERDEIRO DE ANTIGOS DIAS
Aprisionado num tumor d'encarne, vago
Sob o flagelo espectral de pus e dores.
Sangro o frescor assíduo de eterno horrores
Desde meus sonhos ancestrais - divino fado!
Se a supérflua solidão de antigas preces,
A mim, pudesse guarnecer a empatia,
Eu saberia, assim, sofrer da agonia
E ser escravo de um agror que me fenece.
Vem - findas horas - soterrar-me nessa terra,
Pois eu carrego o vírus - ávido pecado -
E no meu ser a morte jaz e nunca erra!
Vem pra sanar o filho ignóbil da megera,
Que no jardim, agrilhoou em dor de parto,
A vida e toda a criação à tua espera!
Itamar FS

Sob o flagelo espectral de pus e dores.
Sangro o frescor assíduo de eterno horrores
Desde meus sonhos ancestrais - divino fado!
Se a supérflua solidão de antigas preces,
A mim, pudesse guarnecer a empatia,
Eu saberia, assim, sofrer da agonia
E ser escravo de um agror que me fenece.
Vem - findas horas - soterrar-me nessa terra,
Pois eu carrego o vírus - ávido pecado -
E no meu ser a morte jaz e nunca erra!
Vem pra sanar o filho ignóbil da megera,
Que no jardim, agrilhoou em dor de parto,
A vida e toda a criação à tua espera!
Itamar FS

625
MEU AMOR É COMO UMA SOMBRA
Meu amor é como uma sombra,
Preenche tudo o que não toca;
Refém do mar que os olhos chora;
Chama cruel que me assombra;
Vício imortal sem álcool ou ópio;
Venda que cega a alma e a luz;
Falta que abrasa, corrompe, seduz;
Cela que prende a dor e o ódio.
Como pudera, ser eu, condenado,
Se antes de mim tantos outros houvera
Falado de amor, fui eu enganado?!
Agora, perdido, a minh'alma se quebra!
_ Meu Deus! Antes fosse pecado:
Quem for amar tornar-se poeta!
Itamar FS

Preenche tudo o que não toca;
Refém do mar que os olhos chora;
Chama cruel que me assombra;
Vício imortal sem álcool ou ópio;
Venda que cega a alma e a luz;
Falta que abrasa, corrompe, seduz;
Cela que prende a dor e o ódio.
Como pudera, ser eu, condenado,
Se antes de mim tantos outros houvera
Falado de amor, fui eu enganado?!
Agora, perdido, a minh'alma se quebra!
_ Meu Deus! Antes fosse pecado:
Quem for amar tornar-se poeta!
Itamar FS
535
ALMA CULPADA
Alma minha, que no empalo da maldade
Tem seu carrasco a própria chama.
Clamas ao Deus de tua angustia torpe
Para que finde a dor que a ti inflama.
Prostra-te no alto cimo de tuas turbas sorte,
Para que aches, à mercê, empíreo atino
Na Epigênese, que rutila à dor do exílio
Da decadência natural de tua prole.
Oh! Minh'alma, que na divina solidão atribuíste
Toda a verdade nua e crua, que, atenua
A oscilação de crer que o céu ainda existe.
Não vês que a febre da angustia consumiste,
E dela pôs-se a alimentar a sua culpa,
Desde o altar, que, sobre laudas, sucumbiste.
Itamar FS

Tem seu carrasco a própria chama.
Clamas ao Deus de tua angustia torpe
Para que finde a dor que a ti inflama.
Prostra-te no alto cimo de tuas turbas sorte,
Para que aches, à mercê, empíreo atino
Na Epigênese, que rutila à dor do exílio
Da decadência natural de tua prole.
Oh! Minh'alma, que na divina solidão atribuíste
Toda a verdade nua e crua, que, atenua
A oscilação de crer que o céu ainda existe.
Não vês que a febre da angustia consumiste,
E dela pôs-se a alimentar a sua culpa,
Desde o altar, que, sobre laudas, sucumbiste.
Itamar FS

843
QUEDA
Quando o céu se abrir e eu cair,
E minhas asas brancas, amarradas,
Agonizar ao som divino das sonatas
Que comemoram o meu partir -
Dancem comigo meus desejos,
No abismo frio que me espera;
Decorem cada agrilho, cada cela,
Qu'estatizam meus segredos.
E na companhia rastejante do hereges
Seres, que partilham do mesmo gosto
podre; que eu tenha paz à destruir
O escravo, réu de minhas preces...
Que as sombras brilhem em meu rosto
Quando o céu se abrir e eu não subir.
Itamar FS

E minhas asas brancas, amarradas,
Agonizar ao som divino das sonatas
Que comemoram o meu partir -
Dancem comigo meus desejos,
No abismo frio que me espera;
Decorem cada agrilho, cada cela,
Qu'estatizam meus segredos.
E na companhia rastejante do hereges
Seres, que partilham do mesmo gosto
podre; que eu tenha paz à destruir
O escravo, réu de minhas preces...
Que as sombras brilhem em meu rosto
Quando o céu se abrir e eu não subir.
Itamar FS

542
PARA MINHA MÃE
Embriológica certeza de pura luz abreviante,
Cujos caminhos me guiaram até a vida;
Tornes pra mim, agora, e para toda lida,
A expressão maior da força fecundante!
E em meu pecado primogênito de infante,
Quando ao sentir o frio, afronto, do teu seio,
Todas as coisas que competem o teu peito;
Que possa eu achar a glória nesse instante!
Tão Preciosa Musa - Rainha Perfeita -
Que em seu trono siso nunca se suspeita
O mal agouro ou a solidão!
És para mim, e, sempre, não há outra
Mãe que caiba bem na minha boca
Muito menos em meu coração!
Itamar FS

Cujos caminhos me guiaram até a vida;
Tornes pra mim, agora, e para toda lida,
A expressão maior da força fecundante!
E em meu pecado primogênito de infante,
Quando ao sentir o frio, afronto, do teu seio,
Todas as coisas que competem o teu peito;
Que possa eu achar a glória nesse instante!
Tão Preciosa Musa - Rainha Perfeita -
Que em seu trono siso nunca se suspeita
O mal agouro ou a solidão!
És para mim, e, sempre, não há outra
Mãe que caiba bem na minha boca
Muito menos em meu coração!
Itamar FS

706
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
