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AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

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Biografia
'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS

Poemas

50

MEU INFERNO

Pelas janelas oculares do meu crânio,
Percebo contos, desencontros e encontros.
Pelas veredas de saudades que eu ando,
Deixo pra trás, poemas, versos e encantos.

Só não persisto em entender esse meu pranto,
O qual me fez acreditar num céu bonito.
Sem harmonia e com tristeza leve, canto:
- Eu vou fazer do meu inferno um paraíso!

Itamar FS
377

PSICOGRAFIA DE UM EX SOFISTA

Se então morrer refém do eleatismo,
Não te alardes com o novo mundo
Tão transcendente, sem o Pseudoprumo
Que t'encontravas n'antropomorfismo.

Pensava eu: durar igual ao dólmen,
tão abstrato no espaço-tempo;
É só afago ao descontentamento
Ou silogismos das prisões do homem?!

Foi só na morte - esta mulher amarga -
Que da matéria receia-se e a apodrece
Em tudo, e dela não se escapa;

Que encontrei a minha forma inata
Na existência do EU, que excede
O próprio céu e inferno que herdara.

Itamar FS

 
353

EXÍLIO

Quando eu estou trancado,  
Sou apenas um homem, 
Preso em seu próprio mundo. 

Quando eu abro a porta, 
Sou apenas um homem em um mundo 
Ocupado demais para ser livre...

Itamar FS
442

AO SERVIÇAL ABUTRE

Voa, mesquinho serviçal de asa umbrosa!
Segue o destino tão banal de tua sina,
Banqueteando-se em vil carnificina,
Desse entulho bestial que decompora.

Chama o rebanho esfomeado, dá seus gritos
Para pousar com frêmito arquejo gutural;
Põe-me as entranhas estendidas, invital,
Há de servir de inspiração para teus filhos!

Ave negreira, irrevogável pestilenta,
Vem espalhar o teu turíbulo necroso,
Fazer do ar nossa memória agourenta...

Mostra a brancura desse ser choruminoso
Sobre o contraste sepulcral de tua pena,
E dá-lhe a chance de brilhar ao sol, de novo!

Itamar FS
327

PORTA- RETRATO

Empoeirado está o meu sorriso
Nesse túmulo de madeira e vidro;
Desse exílio tenho o meu castigo:
Gritar, somente, ao meu própri'ouvido.

Cristalizado está o meu olhar,
Como um eclipse cegando o luar.
Herdando apenas um vago lembrar
De um passado presente - Abismo Vulgar.

Mas aceito a punição, ó meu carrasco,
Já que o preço do amor é o seu pecado.
Estendo-me sobre o caso e o acaso... :
_ Que seja minha cela seu porta-retrato!

Itamar FS
323

MORTE

Como ousas invadir a minha história, 
Gentileza dos vadios? Me encontrasse
Desprezível, e com terra amordaçasse  
O meu amor, meu vazio e minha glória.

Majestosa orquestra rubra, Natureza,
Porque devora-me a mão e minha alma
Se tua sede não sacia e nem acalma
Tua fome, tua dor, tua tristeza?

Quantos amantes o teu peito inda corteja, 
Ó criatura espantosa, carniceira;
Para ser pai de tua cria verminal?

Quantos ainda arrastarás para igreja
Para ouvir teus votos, dama derradeira,
E decompor em tua cama nupcial? 

Itamar FS
482

LÁGRIMA

Derrama-se densa, em lenta pena,
Nas maçãs tão claras, vis e pecadoras.
Outrora à âncora, comprimida e alenta,
Demorava-se a brilhar encantadora.

Vai-se à beira do torpor da rubra face,
Maviosa, fenecida e sem alarde,
Salgar-te à memória, à dor do encrave,
Com seus fúnebres contos de saudade.

Embora tu, ausente do infirme eco do engano,
Possas pensar que basta a ti, um simples pano,
Para que o orvalho trivial possas secar; _

Vais abrandar, frigidamente, somente o tanto
Que tuas mãos tão decadentes em seu pranto
Poderiam tenuemente alcançar.

Itamar FS
373

O VERME

Existe um verme em meu coração,
Roendo minha vida; na broca bruta
De sua fome insaciável, perco a luta,
E ofereço-lhe os olhos - Campeão!

Vencedor de todo homem! Embrião
Que cresce insone, surge abrupta
Como larva, logo nasce, absoluta,
E nunca, nunca morre - Solidão!

Dilacera minhas tripas, morde o fígado,
Faz seu ninho bacanal em meu pulmão,
E orquestras infernais em meu ouvido.

Sorve as artérias, deixa seco o coração;
E quando a noite, saciado, sai do ninho,
O canibal vem defecar em minha mão...

Itamar FS
512

LÁGRIMA

Derrama-se densa, em lenta pena,
Nas maçãs tão claras, vis e pecadoras.
Outrora à âncora, comprimida e alenta,
demorava-se a brilhar encantadora.

Vai-se à beira do torpor da rubra face,
Maviosa, fenecida e sem alarde,
Salgar-te à memória, à dor do encrave,
Com seus fúnebres contos de saudade.

Embora tu, ausente do infirme eco do engano,
Possas pensar que basta a ti, um simples pano,
Para que o orvalho trivial possas secar; _

Vais abrandar, frigidamente, somente o tanto
que tuas mãos tão decadentes em seu pranto
poderiam tenuemente alcançar.

Itamar FS

542

O DIA QUE EU MAIS CHOREI

Quando embalsamei o meu corpo
No elixir sagrado - Vinho Panteístico
Que os deuses sorvem do ''místico''
Rebanho - Salguei-me; In Assorto! 

Chovia em todo meu ser, navalhas,
Perfurando-me o peito e os olhos;
E o mar, que chocalhava-me os ossos,
Chocalhava também as minhas falhas...

E só, no se ir das ondas, eu naufraguei
Meu barco nos corais: tanta beleza
Tinha no olhar, tanta sede; - Afundei

No azul de um céu que encontrei...
E ao beber de minha própria profundeza,
M'embriaguei, Tornei-me Deus, e me afoguei!

Itamar FS
501

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