itamarfs

itamarfs

n. 0000-00-00

Perfil
26 295 Visualizações

AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

Ler poema completo
Biografia
'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS

Poemas

50

FILHO ÓRFÃO

Nasce o Filho! De qual pai é esta criatura
Que chora como um cão estrangulado, faminto,
Esperneando como larvas, moscas n'absinto;
- De que úlcera escorreu essa injúria?

Vem das Miríades - deidades prostitutas?!
Qual agonia essa praga vil reclama,
Logo ao nascer? Em qual seio qu'ela mama,
Nessa amálgama orgia entre putas? 

É só estorvo, monstro nu - feto infeliz!
O teu umbigo sangra, tem pus em teu nariz...
SER abortado, em teu ventre não há Órgão!

Ninguém jamais irá fechar-te a cicatriz,
Nem vais achar irmão algum, nem meretriz
Pra te criar, porque, aqui, és Filho órfão!

Itamar FS

580

MONOFOBIA

O terror de estar só é apenas ausência
de alguém
para registrar a experiência,
o que sobrar é solidão.

Itamar FS

623

DÓI...

Dói...

Quando seus olhos contemplam a ida do motivo de sua felicidade, 
e você se vê acorrentado, obrigado a ter que suportar o erro opcional 
de ter que deixa-la ir, sozinho.

Dói...

Procurar uma desculpa para se castigar 
em busca de igualar a maldade de te-la deixado partir, é tão comum...
Nos jogamos a um exorcismo de emoções, 
presente, passado, futuro. Futuro... Futuro... Sem ela...

Dói...

Esperamos que o tempo nos faça renascer das cinzas que nós mesmos idolatramos, achando que ela também venha renascer. 
Mas ela não vem. Não vem! Ela já foi!
Ela partiu e não achou uma mão que a impedisse de se ir.

Ela está com frio, com medo, com febre.
Ela está vazia, preenchida, transbordada.
Água, vinho, sangue.
Rosa, espinho, lágrima.

Ela chora por não encontra-lo e
Por saber exatamente onde ele está.

Dói...

Itamar FS


567

COMÉDIA MODERNA

A vida é só um palco primitivo cheio de doentes
encenando para outros doentes como é ser saudável.

Itamar FS
576

INCÓGNITA IRONIA

⁠Amar é a mais incógnita ironia da vida:
É querer sempre liberdade pra sentir,
Estando sempre preso por querer.

Itamar FS
570

O JUÍZO DAS FERAS

Na febre acre dos meus dias de agonia
Meu corpo sofre amargurado, contristente
Entre o pecado, ao pé de muita magoa ardente
Todo o terror em meu suor se esvaia.

Estando longe do prelúdio dos meus dias,
Prevejo o céu ou o inferno encontrar
No fim das horas, no soturno ou no algar:
Seria os anjos ou diabos meus vigias?!

Já o Senhor - este que a todos cala -
Espera ouvir de mim um grito, uma palavra
Que seja posta a pagar-lhe a vivência.

Creio que embora seja eu, um ser insano,
Não bastaria a ele eu ter que ser humano
E ter-lhe pago meu perdão na existência?!

Itamar FS


 
608

PSICOGRAFIA DE UM EX SOFISTA

Se então morrer refém do eleatismo,
Não te alardes com o novo mundo
Tão transcendente, sem o Pseudoprumo
Que t'encontravas n'antropomorfismo.

Pensava eu: durar igual ao dólmen,
tão abstrato no espaço-tempo;
É só afago ao descontentamento
Ou silogismos das prisões do homem?!

Foi só na morte - esta mulher amarga -
Que da matéria receia-se e a apodrece
Em tudo, e dela não se escapa;

Que encontrei a minha forma inata
Na existência do EU, que excede
O próprio céu e inferno que herdara.

Itamar FS

 
349

LÁGRIMA

Derrama-se densa, em lenta pena,
Nas maçãs tão claras, vis e pecadoras.
Outrora à âncora, comprimida e alenta,
Demorava-se a brilhar encantadora.

Vai-se à beira do torpor da rubra face,
Maviosa, fenecida e sem alarde,
Salgar-te à memória, à dor do encrave,
Com seus fúnebres contos de saudade.

Embora tu, ausente do infirme eco do engano,
Possas pensar que basta a ti, um simples pano,
Para que o orvalho trivial possas secar; _

Vais abrandar, frigidamente, somente o tanto
Que tuas mãos tão decadentes em seu pranto
Poderiam tenuemente alcançar.

Itamar FS
370

AO SERVIÇAL ABUTRE

Voa, mesquinho serviçal de asa umbrosa!
Segue o destino tão banal de tua sina,
Banqueteando-se em vil carnificina,
Desse entulho bestial que decompora.

Chama o rebanho esfomeado, dá seus gritos
Para pousar com frêmito arquejo gutural;
Põe-me as entranhas estendidas, invital,
Há de servir de inspiração para teus filhos!

Ave negreira, irrevogável pestilenta,
Vem espalhar o teu turíbulo necroso,
Fazer do ar nossa memória agourenta...

Mostra a brancura desse ser choruminoso
Sobre o contraste sepulcral de tua pena,
E dá-lhe a chance de brilhar ao sol, de novo!

Itamar FS
326

PÉTALAS MORTAS

Contorcem num abraço frio essas pétalas
Tristes, sozinhas, e afogadas sem razão
Num jarro fútil, símile ao amor na solidão
Que jaz à amar, sozinho, tísicas sépalas.

Essas rosas que, antes vivas, decoravam
O jardim das fantasias dos poetas...
Hoje ornam as saudades mais profetas;
Aquelas que os olhos postulavam...

Agora, fenecendo-as, vão as horas;
Assim como fenecem a um sonhador,
Quando este é condenado a não dormir...

No esquálido estalado dessas rosas
A vida se resume  e,  nesse odor,
Um dia tudo que floresce há de sumir...

Itamar FS

373

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.