'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS
Lista de Poemas
AO MEU IRMÃO
Quem foi o teu juiz carrasco, irmão,
E estrangulou teus dias com arrigo;
O que queria ele ter contigo, irmão,
Que não podia ter comigo?
Que mão trevosa apertou o gatilho
De nossas dores co'estrondar trovão;
Qual deus cruel nos impôs o castigo
De não cabermos no mesmo caixão?
Irmão - horda de células que a vida apartou -
Cá eu fique a cuidar de quem tanto te amou
E a regar teu jardim - nosso Laço fiel!
Deixa a mim a história e a tua saudade!
Em viver, cumprirei tua eterna vontade:
Olhar as estrelas - vai-te, logo, pra o céu!
Itamar FS

E estrangulou teus dias com arrigo;
O que queria ele ter contigo, irmão,
Que não podia ter comigo?
Que mão trevosa apertou o gatilho
De nossas dores co'estrondar trovão;
Qual deus cruel nos impôs o castigo
De não cabermos no mesmo caixão?
Irmão - horda de células que a vida apartou -
Cá eu fique a cuidar de quem tanto te amou
E a regar teu jardim - nosso Laço fiel!
Deixa a mim a história e a tua saudade!
Em viver, cumprirei tua eterna vontade:
Olhar as estrelas - vai-te, logo, pra o céu!
Itamar FS

812
É INVERNO NA RUA
É inverno na rua;
e os insetos nas flores
se abrigam das dores,
e a lua tão alva.
É inverno na rua;
E os cães sonhadores
buscando favores
abanam a cauda.
É inverno na rua;
e as luzes, e as cores,
e os vadios cantores
que o frio enalta...
É inverno na rua;
e nas poças, amores,
teimosos senhores
buscando ressalva.
É inverno na rua;
e a trupe de atores,
fingindo indolores,
enganam seu trauma.
É inverno na rua,
e na carne tão crua
da minha tão nua
Alma...
Itamar FS

e os insetos nas flores
se abrigam das dores,
e a lua tão alva.
É inverno na rua;
E os cães sonhadores
buscando favores
abanam a cauda.
É inverno na rua;
e as luzes, e as cores,
e os vadios cantores
que o frio enalta...
É inverno na rua;
e nas poças, amores,
teimosos senhores
buscando ressalva.
É inverno na rua;
e a trupe de atores,
fingindo indolores,
enganam seu trauma.
É inverno na rua,
e na carne tão crua
da minha tão nua
Alma...
Itamar FS

751
TARDE DEMAIS
Sonhei, quando acordei era tarde,
Fim de tarde: tarde demais para viver
-- efêmero como um pôr do sol.
Levantei; o céu, já sereno, não arde
Os meus olhos cansados. Pude ver,
Bem ao longe, a luz do poente farol.
Chorei! Chorei sem sentir, sem alarde;
Chorei sem porquês, sem saber
S'era noite ou s'era tarde.
Tarde demais para ser
Efêmero, como um pôr do sol...
ItamarFS
Fim de tarde: tarde demais para viver
-- efêmero como um pôr do sol.
Levantei; o céu, já sereno, não arde
Os meus olhos cansados. Pude ver,
Bem ao longe, a luz do poente farol.
Chorei! Chorei sem sentir, sem alarde;
Chorei sem porquês, sem saber
S'era noite ou s'era tarde.
Tarde demais para ser
Efêmero, como um pôr do sol...
ItamarFS
180
SPECTRUM
Já não me reconheço,
Porém, sei bem o que sou,
O que vejo, o que tornou
-se meu Eu: tão avesso!
Volto sempre ao começo
De uma estrada sem fim,
Que se perde dentro de mim.
Aonde vou!? Sempre esqueço...
Itamar FS
Porém, sei bem o que sou,
O que vejo, o que tornou
-se meu Eu: tão avesso!
Volto sempre ao começo
De uma estrada sem fim,
Que se perde dentro de mim.
Aonde vou!? Sempre esqueço...
Itamar FS
213
ANEURISMA
Brilha em meu encefalo este Aneurisma,
Irradiando suas alusões, incógnitas, de
Abstrações corposculares, amorficas, que
Encantam-me a alma à luz tão prisma.
Quando, e, por quem me veio esta cisma!?
Vem dos diabos; da luz divina; do céu e
Todas suas comcubinas paixões - a Fé!
Qual grilhão nos pesa mais que olhar pra cima!?
Caem sobre nós todas as dores da ciência!
E a carne, que nos prende, arde, nesse abeterno
Celular - torpor material - d'efêmera escrescência!
Pra onde irá minh'alma nessa obediencia!?
Nós já estamos condenados ao inferno,
Desde quando conspurcados co'a existência!
Itamar FS
@itamar.fs_escritor

Irradiando suas alusões, incógnitas, de
Abstrações corposculares, amorficas, que
Encantam-me a alma à luz tão prisma.
Quando, e, por quem me veio esta cisma!?
Vem dos diabos; da luz divina; do céu e
Todas suas comcubinas paixões - a Fé!
Qual grilhão nos pesa mais que olhar pra cima!?
Caem sobre nós todas as dores da ciência!
E a carne, que nos prende, arde, nesse abeterno
Celular - torpor material - d'efêmera escrescência!
Pra onde irá minh'alma nessa obediencia!?
Nós já estamos condenados ao inferno,
Desde quando conspurcados co'a existência!
Itamar FS
@itamar.fs_escritor

303
'' TANATOSE ''
Eu só quero é dormir,
Não sentir, não sonhar.
Não importa a mim sorrir
E tão pouco acordar.
Quero eu, apenas ir,
Sem caminho ou lugar.
Eu só quero é dormir
Não sentir, não sonhar.
Não desejo mais fingir,
Inda menos de atuar.
Me cansei de se iludir,
Tá na hora de deitar.
Eu só quero é dormir...
Itamar FS
(RONDEL)

Não sentir, não sonhar.
Não importa a mim sorrir
E tão pouco acordar.
Quero eu, apenas ir,
Sem caminho ou lugar.
Eu só quero é dormir
Não sentir, não sonhar.
Não desejo mais fingir,
Inda menos de atuar.
Me cansei de se iludir,
Tá na hora de deitar.
Eu só quero é dormir...
Itamar FS
(RONDEL)

510
TEMPO
Passa o tempo, demasiado e depressa,
Tanto, que mal sinto as cicatrizes,
Nem as linhas, que, outrora fora atrizes,
Nesse palco de palhaço que m'expressa.
Cambaleia em meus olhos minha pressa.
- Ai, solidão, Quantos juízes
Para só um condenado sem raízes;
Um louco que a própri'alma opressa!?
Maldito Chronos! tua foice me atravessa
apartando-me dos dias mais felizes
e unindo-me as dores que revessa;
Meu futuro é incerto em teus tamises;
Meu presente é apenas os reprises;
Meu passado!? - tua ira tão possessa!
Itamar FS

Tanto, que mal sinto as cicatrizes,
Nem as linhas, que, outrora fora atrizes,
Nesse palco de palhaço que m'expressa.
Cambaleia em meus olhos minha pressa.
- Ai, solidão, Quantos juízes
Para só um condenado sem raízes;
Um louco que a própri'alma opressa!?
Maldito Chronos! tua foice me atravessa
apartando-me dos dias mais felizes
e unindo-me as dores que revessa;
Meu futuro é incerto em teus tamises;
Meu presente é apenas os reprises;
Meu passado!? - tua ira tão possessa!
Itamar FS

485
CALVÁRIO
CALVÁRIO
Ocupa os espaços de minha mente,
A ousadia, abstrata e doente
De um pobre louco, esperançoso.
O Que espero dessa vida, meu Deus!?
A mais perfeita! sim, dentre os teus
filhos, partida. Ansioso!
Olho para o céu e vejo as horas roerem
As nuvens, e os abutres contorcerem
As seus restos prediletos de carniça.
Todavia, sou eu um abutre, diferem
As asas,as quais, se houverem,
Nunca me destes, por justiça.
Lembro-me de quando agonizava
E toda aquela força que faltava;
Que na verdade nunca tivera...
As fissuras em meu corpo, que sangrava,
Tingia o chão de meu jardim, em vão regava
As flores tristes de minha primavera.
Estou agora soterrado em desgraça,
Ouvindo coros triunfais de minha raça:
Glória! Glória! Glória! Aleluia!
Não tenho nada que me prenda a carcaça.
Não há, também, alguém a dar o ar da graça,
A quem eu possa desferir minha injuria.
Porque, Senhor, dar-me como exemplo
Aos famintos escárnios de teu templo,
Uma sina desgraçada para vê-los
Rastejando como cobras, em adimplo,
De volta às portas do teu templo
Na esperança que um dia o possa tê-los!?
Lambe-me os olhos, tua ira - a chama
De minha solidão; A carne que inflama
Minha alma, a cruz, a dor, a ilusão.
Me domaste, e como escravo em tua Brama,
Me açoitasse com o fervor de tua trama:
Sendo aquele que não teve compaixão.
Eles não te querem, e nem a morte,
Estão presos à mercê da própria sorte
Hierárquica de promessas divinais.
Me questiono: porque tu, com braço forte
Me apartas do teu trigo, e em inciso corte,
Me lanças às penumbras infernais!?
Deus meu! Deus meu! Porque me abandonaste?
Onde irei eu nesse trilho que trilhaste,
Sendo eu Epigênese Mortal?
Ó, meu pai, antes, tudo que sonhaste
Não vingasse sobre mim naquela haste,
Dando-me asas de madeira no final.

525
MALDITO EU
Eu te amordaço, Eu!
-Te desprezo, Eu!
-Te ignoro, Eu!
Não te espero!
Eu te apedrejo, Eu
-Te destroço, Eu
-Te deploro, Eu
Não te esmero!
Eu te aparto, Eu!
-Te encaro, Eu!
-Te sufoco, Eu!
Não te impero!
Eu te assombro,Eu!
-Te encerro, Eu!
-Te escarro, Eu!
Não te quero!
_Maldito seja o Eu
Que se matou e
Aqui deixou-me...
Itamar FS

-Te desprezo, Eu!
-Te ignoro, Eu!
Não te espero!
Eu te apedrejo, Eu
-Te destroço, Eu
-Te deploro, Eu
Não te esmero!
Eu te aparto, Eu!
-Te encaro, Eu!
-Te sufoco, Eu!
Não te impero!
Eu te assombro,Eu!
-Te encerro, Eu!
-Te escarro, Eu!
Não te quero!
_Maldito seja o Eu
Que se matou e
Aqui deixou-me...
Itamar FS
526
VINGANÇA
Vai, alegria póstuma, dizes de minha vida
Aos cruéis que sempre tive, sempre lutei,
Nunca venci: foi-se o homem, e nessa ida
Irão todos ao mesmo lugar em que findei!
Dizes que minha mente chora, está castrada,
Sem rosto, no ardor de toda essa agonia;
Que só o mal, que tarda em ficar n'alma baldia,
É o que ainda aquece o coração, que nem badala;
Que estou condenado a sofrer eternamente,
E assim, transbordar dessa sede incontrolável,
Que nunca cessa, e que só se sente:
E assim, talvez o meu Juiz incontestável,
Possa também julgar a alma oponente
Da mesma forma que me tem - Imperdoável!
Itamar FS

Aos cruéis que sempre tive, sempre lutei,
Nunca venci: foi-se o homem, e nessa ida
Irão todos ao mesmo lugar em que findei!
Dizes que minha mente chora, está castrada,
Sem rosto, no ardor de toda essa agonia;
Que só o mal, que tarda em ficar n'alma baldia,
É o que ainda aquece o coração, que nem badala;
Que estou condenado a sofrer eternamente,
E assim, transbordar dessa sede incontrolável,
Que nunca cessa, e que só se sente:
E assim, talvez o meu Juiz incontestável,
Possa também julgar a alma oponente
Da mesma forma que me tem - Imperdoável!
Itamar FS

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