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AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

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Biografia
'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS

Poemas

50

HERDEIRO DE ANTIGOS DIAS

Aprisionado num tumor d'encarne, vago 
Sob o flagelo espectral de pus e dores. 
Sangro o frescor assíduo de eterno horrores 
Desde meus sonhos ancestrais - divino fado!  

Se a supérflua solidão de antigas preces, 
A mim, pudesse guarnecer a empatia, 
Eu saberia, assim, sofrer da agonia 
E ser escravo de um agror que me fenece.

Vem - findas horas - soterrar-me nessa terra,
Pois eu carrego o vírus - ávido pecado -
E no meu ser a morte jaz e nunca erra!

Vem pra sanar o filho ignóbil da megera,
Que no jardim, agrilhoou em dor de parto, 
A vida e toda a criação à tua espera!

Itamar FS

646

QUEDA

Quando o céu se abrir e eu cair,
E minhas asas brancas, amarradas, 
Agonizar ao som divino das sonatas
Que comemoram o meu partir -

Dancem comigo meus desejos,
No abismo frio que me espera;
Decorem cada agrilho, cada cela,
Qu'estatizam meus segredos.

E na companhia rastejante do hereges 
Seres, que partilham do mesmo gosto
podre; que eu tenha paz à destruir

O escravo, réu de minhas preces...
Que as sombras brilhem em meu rosto
Quando o céu se abrir e eu não subir.

Itamar FS

563

SPECTRUM

Já não me reconheço,

Porém, sei bem o que sou,

O que vejo, o que tornou

-se meu Eu: tão avesso!

 

Volto sempre ao começo

De uma estrada sem fim,

Que se perde dentro de mim.

Aonde vou!? Sempre esqueço...


Itamar FS
226

TARDE DEMAIS

Sonhei, quando acordei era tarde,

Fim de tarde: tarde demais para viver

-- efêmero como um pôr do sol.

 

Levantei; o céu, já sereno, não arde

Os meus olhos cansados. Pude ver,

Bem ao longe, a luz do poente farol.

 

Chorei! Chorei sem sentir, sem alarde;

Chorei sem porquês, sem saber

S'era noite ou s'era tarde.

Tarde demais para ser

Efêmero, como um pôr do sol...

 
ItamarFS
195

ANEURISMA

Brilha em meu encefalo este Aneurisma,
Irradiando suas alusões, incógnitas, de
Abstrações corposculares, amorficas, que
Encantam-me a alma à luz tão prisma.

Quando, e, por quem me veio esta cisma!?
Vem dos diabos; da luz divina; do céu e
Todas suas comcubinas paixões - a Fé!
Qual grilhão nos pesa mais que olhar pra cima!?

Caem sobre nós todas as dores da ciência!
E a carne, que nos prende, arde, nesse abeterno
Celular - torpor material - d'efêmera escrescência!
 
Pra onde irá minh'alma nessa obediencia!?
Nós já estamos condenados ao inferno,
Desde quando conspurcados co'a existência!
 
Itamar FS
@itamar.fs_escritor
318

'' TANATOSE ''

Eu só quero é dormir,
Não sentir, não sonhar.
Não importa a mim sorrir
E tão pouco acordar.

Quero eu, apenas ir,
Sem caminho ou lugar.
Eu só quero é dormir
Não sentir, não sonhar.

Não desejo mais fingir,
Inda menos de atuar.
Me cansei de se iludir,
Tá na hora de deitar.
Eu só quero é dormir...

Itamar FS
(RONDEL)

524

TEMPO

Passa o tempo, demasiado e depressa,
Tanto, que mal sinto as cicatrizes,
Nem as linhas, que,  outrora fora atrizes,
Nesse palco de palhaço que m'expressa.
 
Cambaleia em meus olhos minha pressa.
- Ai, solidão, Quantos juízes
Para só um condenado sem raízes;
Um louco que a própri'alma opressa!?
 
Maldito Chronos! tua foice me atravessa
apartando-me dos dias mais felizes
e unindo-me as dores que revessa;
 
Meu futuro é incerto em teus tamises;
Meu presente é apenas os reprises;
Meu passado!? -  tua ira tão possessa!
 
 
Itamar FS

511

CALVÁRIO


CALVÁRIO


Ocupa os espaços de minha mente,
A ousadia, abstrata e doente
De um pobre louco, esperançoso.

O Que espero dessa vida, meu Deus!?
A mais perfeita! sim, dentre os teus
filhos, partida. Ansioso!

Olho para o céu e vejo as horas roerem
As nuvens, e os abutres contorcerem 
As seus restos prediletos de carniça.

Todavia, sou eu um abutre, diferem 
As asas,as quais, se houverem,
Nunca me destes, por justiça.

Lembro-me de quando agonizava
E toda aquela força que faltava;
Que na verdade nunca tivera...

As fissuras em meu corpo, que sangrava,
Tingia o chão de meu jardim, em vão regava
As flores tristes de minha primavera.

Estou agora soterrado em desgraça,
Ouvindo coros triunfais de minha raça:
Glória! Glória! Glória! Aleluia!

Não tenho nada que me prenda a carcaça.
Não há, também, alguém a dar o ar da graça,
A quem eu possa desferir minha injuria.

Porque, Senhor, dar-me como exemplo
Aos famintos escárnios de teu templo,
Uma sina desgraçada para vê-los

Rastejando como cobras, em adimplo,
De volta às portas do teu templo
Na esperança que um dia o possa tê-los!?

Lambe-me os olhos, tua ira - a chama
De minha solidão; A carne que inflama
Minha alma, a cruz, a dor, a ilusão.

Me domaste, e como escravo em tua Brama,
Me açoitasse com o fervor de tua trama:
Sendo aquele que não teve compaixão.

Eles não te querem, e nem a morte, 
Estão presos à mercê da própria sorte
Hierárquica de promessas divinais.

Me questiono: porque tu, com braço forte
Me apartas do teu trigo, e em inciso corte,
Me lanças às penumbras infernais!?

Deus meu! Deus meu! Porque me abandonaste?
Onde irei eu nesse trilho que trilhaste,
Sendo eu Epigênese Mortal? 

Ó, meu pai, antes, tudo que sonhaste
Não vingasse sobre mim naquela haste,
Dando-me asas de madeira no final.
 


544

COMÉDIA MODERNA

A vida é só um palco primitivo cheio de doentes
encenando para outros doentes como é ser saudável.

Itamar FS
579

INCÓGNITA IRONIA

⁠Amar é a mais incógnita ironia da vida:
É querer sempre liberdade pra sentir,
Estando sempre preso por querer.

Itamar FS
574

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