Lista de Poemas
MEU CAMINHO
Inconsistente.
Nos ventos errantes flutuo
Em busca,
Das bocas que não beijei.
Muitas.
(Gomos de laranja não mordidos).
No desespero percebo
A vida que já perdi.
Inerte.
Cada pôr do sol me anoitece.
Sem estrelas, sem Lua
Sem mim.
SORRISO DE CRIANÇA
Num Mundo só de fantasias, sorri.
Seu Sol inunda de luz seu arredor.
Tudo fica um pouco menos triste
E assim, de sorriso em sorriso,
Vive sua melhor fase da vida.
Mas até quando conseguirá sorrir?
Que vento apagará sua chama?
Caem pétalas, só ficam espinhos
E doce perfume do que se foi.
Efêmeras crianças sorridentes,
Um dia perguntarão por que sorriram.
Irão duvidar que foram felizes.
Precisarão de muita felicidade
Para esboçarem um só sorriso.
Pobres crianças, então inocentes,
Em seus olhares miúdos, um farol
Que a ninguém consegue orientar.
Já adultas sepultam a infância,
Num caixão dourado, com seus sonhos.
RENASCER
Tropecei buscando a luz,
Que a treva dominou.
O chão me disse - não!
E o buraco me sepultou.
Gritei e não adiantou.
Chorei então meu pesar.
Sentindo o tempo passar,
Busquei Deus para ajudar.
Como não tinha onde,
Só em mim pude achar.
Foi assim que vi a luz,
Que o buraco abriu
E voltei a caminhar.
FLOR ESSÊNCIA
Bússola que conduz,
Às cores d’uma flor.
No seu leito de folhas,
Suas cores vestem sua forma,
Que o vento balança no céu azul.
Pasmo por sua beleza,
Arranco a flor.
Solitária num vaso,
Cores enfraquecidas,
Perfume evanescente,
Murcha, sem encantos,
O que foi uma flor.
BOEMIA X ACADEMIA
Tribos que se cruzam,
Em dissonância.
Que por instantes,
Se entreolham
Desconfiados.
Uma voltando da noitada,
Outra indo para a jornada.
Traje de gala para uma,
Traje de luta para outra.
Em ambas a mesma ilusão.
Em ambas o mesmo brilho nos olhos.
Yin e yang que se abraçam,
Em busca do equilíbrio.
Faces da mesma briga,
Que acaba no mesmo cansaço.
Estilhaços de bomba do dia a dia,
Que explode sem sangria.
Perplexos,
Observam-se calados.
Cada uma no seu cercado.
Qual dos sonhos estará errado?
FLOR DO MATO
Solitária,
Assustada,
Escondida
No mato
Da estrada.
Sutil beleza
Singela,
Amarela.
Ninguém colhe,
Sequer olham.
Cheiro nenhum.
Flor do mato:
Pingo de cor,
Salpicado
Pelo acaso.
ESTRELA DE CARVÃO
Estrela de carvão:
Na noite escura,
Busco-te sem cessar.
Por certo existes,
Estrela de carvão.
Se velas por mim
Na minha solidão,
Por onde andarás?
Estrela de carvão.
Preciso de ti,
Da tua proteção.
Por que te escondes?
Estrela de carvão.
És máscara preta,
No denso negrume
Da noite sem luar,
Estrela de carvão.
Teus olhos fechados,
Faróis do meu lidar.
Aguardo meu rumo,
Estrela de carvão.
Comentários (1)
Muito grato. Não escolhemos o que somos, mas ser poeta me deixa feliz.