Lista de Poemas

COTIDIANO

Mais uma manhã:

Acordo meus desânimos,

Visto meus problemas,

Calço minhas ilusões,

Escovo minhas dúvidas,

Tomo um gole de fé,

Coloco o sobretudo de convicções

E saio apressado.

Uma vez na rua,

Sinto-me nu

E desamparado.
127

PRESENÇA AUSENTE



O homem cheira mal,

É imprevisível,

Ressentido

E mal humorado,

Mas

Seus pensamentos

Cintilam Incólumes:

Sem cheiro,

Sem torpor,

Sem dor,

Atemporais.

 

Apegar-se ao homem

É pular no desfiladeiro.

Agarrar-se a seus pensamentos

É flutuar sem paradeiro.
192

BEIJO PERDIDO


Manhã!
Sol em profusão,
Pessoas na correria.
Um beijo perdido,
Na noite passada,
Busca magoado
A que boca beijar.
Mas nenhuma boca,
Mesmo a mais louca,
Quer se entregar.
Manhã!
122

AVISOS

O quadro de avisos,
Avisos não tem.
Minha imagem
Preenche o quadro.
Meus avisos também.
136

MISSÃO POÉTICA

 

COM SENSO

COM SENTIMENTO

COM NEXO

COM TUDO

COMOVO
110

SOMOS TODOS E NINGUÉM

Estar em todas

As vidas,

Sem a nenhuma se prender.

Casando hoje,

Morrendo amanhã,

Diplomando em seguida,

Correndo atrás de pipas,

Chorando a perda de um amor,

De volta à infância, com furor.

As vidas em turbilhão.

 

Vivendo além do possível,

Sem jamais cansar.

 

Sem remorsos,

Sem medidas,

Sem sequências,

Sem porquês,

Mas sempre

Prisioneiro do absurdo.

 

Bons dias,

Maus dias,

Sei lá.

Mais mais,

Sempre muito,

Além do controlável.

 

Chegando, partindo

Chorando, sorrindo

Impassível,

Tudo junto.

Uau!

Para agora

Esta roda,

Que me gira

Feito argila.

Piração.

Chega, chega,

Para agora

Esta ilusão.

Já não aguento

Esta farra,

Quero minha identificação.
178

ESTRADA



 A estrada                                                              

É só um ponto

De encontro

No horizonte.

 

Onde ela conduz,

Diz meu coração.

 

No entanto,

A estrada chama

E acende chama

De pura ilusão.

 

 

 

 

 

134

SEJAM FELIZES (SE PUDEREM)

Feliz Natal para vocês

Que ficam

E um próspero Ano Novo.

Que se reúnam

Com suas famílias

No dia de Natal

E no Réveillon

E sejam tão felizes

Quanto mereçam.

Não se importem comigo.

Sou um pobre cão vira lata,

Que nunca fez mal a ninguém,

Mas por estar perambulando

À cata de restos de comida

Num supermercado,

Onde vocês compram todas estas comidas  

Que consomem nestes dias festivos

E nos não festivos também,

Fui atraído e traído por um naco de mortadela envenenada.

Em seguida, fui brutalmente agredido

E embora tenha sido socorrido

Não resisti aos ferimentos e morri.

Feliz Natal e próspero Ano Novo

Para quem fica

Pois eu vou para um lugar melhor

Onde não tenha que catar restos de comida

Para sobreviver.

Vou para as estrelas.

Fica minha alegria de viver,

Mesmo miseravelmente

E que alguém onipotente,

De repente,

Tenha pena de vocês.

141

APÓS O DOMINGO


Segunda-feira.

Respiro-te

Pelas minhas entranhas.

Teu cinza,

Tua garoa

Choramingante,

Teu mau humor

Contagiante.

 

Segunda-feira.

As pessoas robotizadas

Em direção ao dever.

Os carros desenfreados

Sem tempo para te ver.

 

Segunda feira.

Apenas a agonia

Deste nosso viver.

 

Segunda-feira.

Isolado,

Ouço uma canção

Antiga, romântica

E me ponho a chorar,

Por não ser mais

Deste lugar.
212

O PRIMEIRO VOO DE UM PASSARINHO



De fomes saciadas por comidas nos bicos,

Viviam os passarinhos,

No ninho cada vez menor,

Mas pleno de carinho.

 

Quando a mãe chegou,

Com a comida esperada,

No ninho ela não pousou.

Ficou voando próxima

E a fome, de repente,

Fez-se coragem e saltou!

 

Depois do tombo,

Outra vez tentou.

Novo tombo,

Com asas amenizou,

Até que, sem tombo,
 
Triunfante
 
Voou.

 
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Comentários (1)

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jcdinardo

Muito grato. Não escolhemos o que somos, mas ser poeta me deixa feliz.

Em Maio de 2019, publiquei meu primeiro livro: "Caos Estrelado" (Viseu). Na edição 85, Outubro 2019, da revista literária eletrônica "InComunidade" de Portugal, foram publicados seis poemas do livro. Participei das antologias poéticas: "Palavra é arte -poesias, 49ª edição" (Palavra é arte), "40 graus de versos" , "Fruto do teu ventre" e "Irmãos das letras" (EHS) , "Tempo para o amor" , "O Mundo parou - Relatos do período da pandemia" e "Amor em poesia" (Perse -Projeto Apparere), "Poesias para a nova década" (Casa Literária) e "Soturnos - Volume 5 - A Beleza das Trevas" (Círculo Soturnos). Em Setembro publiquei meu livro: "Gaivotas na Selva de Neon" (Viseu).