Lista de Poemas

CARPE DIEM

Estamos todos a caminho,

Numa rua sem retorno,

Em direção ao cemitério.

A via está congestionada

E reclamamos que está demorando.

Seguimos as placas: cemitério... cemitério...

Em vão os pássaros tentam nos informar

Do nosso mau destino.

Insistimos na viagem e nem olhamos a paisagem,

Ou aproveitamos o percurso.

Queremos apenas chegar,

E, um dia, conseguimos.

Como reconhecimento, seremos esquecidos,

E um número de atestado de óbito,

Guardado, não se sabe para que,

No fundo de uma gaveta de documentos,

É o que restará de nós.

138

ESPIRAL

Nada muda.

Mundana verdade

Imunda,

Desafia a eternidade.

 

Fere a carne

Jorra o sangue

Impune.

 

Sonhos desfeitos

Pela realidade

Crua.

 

Olhos com brilhos,

Findam em lágrimas.

 

Segue o Mundo

Insatisfeito,

Em buscas.

 

Todas as gerações,

Vestidas de palhaços,

No mesmo palco.

 

Muda o cenário,

Muda o figurino,

Mas a trama

É a mesma,

Atemporal.
126

NOTÍCIA DA INTERNET



Uma ursa polar e seu filhote

Foram assassinados a tiros,

Por terem matado um caçador,

Que se aventurou no seu ambiente,

Tendo o instinto do animal

Interpretado como ameaça,

Às suas prole e sobrevivência.


155

MANHÃ DA INFÂNCIA

Névoas flutuam no campo,

Por onde passo devagar.

Meus olhos voam

Pelas aragens frias,

Onde o gado começa a pastar

E os pássaros a cantar.

Abro com cuidado a porteira,

Na sua densa madeira,

Que se põe a ranger.

Os arbustos brancos de geada,

A neblina muito gelada

E minha mão a tremer.

Indo para a escola

E aprendendo no caminho

Que a natureza

É a melhor escolha.

Na trilha de terra batida,

Em busca de mim mesmo,

Sigo a trajetória

Que, talvez um dia,

Me leve à glória.
142

DESESPERO

Peguei a faca e cortei
Ambos os pulsos.
Não morri.
Só escorreu poesia.
 
Peguei o revólver e atirei na ilusão.
Não acertei.
Ela mudou para meu coração.
 
Peguei as lembranças de dias felizes e sequestrei.
Resistiram.
Morreram com convicção.
 

Peguei o que não possuía

E sai correndo atrás da minha vida.

Não a encontrei.

Alçou voo por precaução.
164

SER


Viver:
Matar cada instante,
Para ter o seguinte.
Se ter.
152

MÃOS ATADAS

Tudo, menos dizer que te amo...

Seria pouco e impreciso.

Nada alinhará nosso olhar,

Enviesado.

Devemos nos afastar,

De repente,

Para não vivermos,

Para sempre,

Sós, estando juntos.

Mãos que se apertam

E se repelem, em seguida.

Vidas que se enroscam

à deriva.

Caminhos que se estreitam

Demais.







191

PERDA


Nenhuma palavra
Tampouco tristeza
Dirá com clareza
   O quanto magoava.
259

TÊNUE VIVER



A pouca coisa

O nada mesmo

Fiapos de prazer

O beco escuro

Sem Lua sem fim

A vida longa

às vezes tonta

De entristecer

O desespero

Adiado

Ao entardecer

O duelo sem balas

Com o teu ser

A agua santa

Que não adianta

Só quero

Mesmo

é mais querer.

133

BASE JUMP


O instante
Fez-se tombo
Voou pelo céu
Até a morte
Ou o tranco
Do paraquedas
Descolorido.
210

Comentários (1)

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jcdinardo

Muito grato. Não escolhemos o que somos, mas ser poeta me deixa feliz.

Em Maio de 2019, publiquei meu primeiro livro: "Caos Estrelado" (Viseu). Na edição 85, Outubro 2019, da revista literária eletrônica "InComunidade" de Portugal, foram publicados seis poemas do livro. Participei das antologias poéticas: "Palavra é arte -poesias, 49ª edição" (Palavra é arte), "40 graus de versos" , "Fruto do teu ventre" e "Irmãos das letras" (EHS) , "Tempo para o amor" , "O Mundo parou - Relatos do período da pandemia" e "Amor em poesia" (Perse -Projeto Apparere), "Poesias para a nova década" (Casa Literária) e "Soturnos - Volume 5 - A Beleza das Trevas" (Círculo Soturnos). Em Setembro publiquei meu livro: "Gaivotas na Selva de Neon" (Viseu).