Lista de Poemas

DECISÃO

Tem um Não dentro do Sim,

Tem um Sim dentro do Não.

Derrotados,

 Dormentes,

 À espera do Talvez.


Registro 719.469 FBN 21/10/2016




791

AMÉRICAS

América do Norte.

América sem Morte.

América da Sorte.

América sem Norte.

América com Morte.

América sem Sorte.


Registro 719.469 FBN 21/10/2016






782

DESENCONTROS

Quantas estórias,

Quantos destinos,

Entrecruzam-se

Nos caminhos

Da vida!

Quantas soluções

São perdidas,

Nos monólogos

(afônicos),

Da solidão coletiva.

Quantas oportunidades

Se vão,

Por não pararmos,

Um instante,

Nos cruzamentos

Da vida!

Registro 719.469 FBN 21/10/2016



760

BAILARINA

Teu corpo e o teu encanto...

Espaços mortos tua luz inunda.

Na tua dança me levas clandestino.

Em teu corpo ecoam meus desejos.

Ávida de tempo vais em busca do espaço.

Preso a ti, oh! ave branca, danço parado.

Tua teia: o chão, as luzes e o compasso.

Aprisionas a Beleza e eternizas teu cansaço.

Quando a música findar, irão meus sonhos.

De certo, aplausos não dirão o que senti.

Fechando suas asas, o coração ferido,

Sepultará, no breu do palco, vil ilusão.



Registro 719.469 FBN 21/10/2016







777

FASCÍNIO VERMELHO E BRANCO

Duas cores vibram ao pulsar dos tambores,

Samba na ginga do corpo e carícia dos pés,

No asfalto, noite com estrelas de confete.

O sangue deixou meu corpo e está na avenida,

Branco torpor de iminente desmaio é seu par.

As cores ferem o espaço: eis a vida!

O samba fez arco-íris da tormenta,

Acorrentou num só corpo tantas vidas,

Fecundou a paz com sementes de paixão.

São todos irmãos, da mesma mãe Folia,

Dançam e ornam belas fantasias,

Da "Voz do Morro", do Rio bem Claro da alegria!

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

727

PODRES CRIANÇAS POBRES

A alma sangrando tristezas,

Corpo exalando pobrezas.

Os braços só sabem pedir:

Tudo! Pois o nada os habita.

Crianças jogadas como dados

Viciados, do jogo da vida.

Esboços de vidas, crucificadas nos semáforos,

Sorridentes...




Registro 719.469 FBN 21/10/2016

718

PRISÃO

Pode ser que a única certeza seja a dúvida.

Inexplicáveis mistérios maiores que a nossa mente.

Talvez uma fraqueza admitida seja a força maior.

Luta contínua entre o corpo e a razão.

É provável que participemos em todas as arbitrariedades.

Intrincada mega estrutura social ultranacional.

Não é difícil que a civilização esteja involuindo.

Padrões de valores herdados sem questionamentos.

Tento gritar contra isto, mas o som não fere o ar.

Tento escrever contra isto, mas a luz não navega mais.



Registro 719.469 FBN 21/10/2016

752

ECOS

Alguma coisa

Perdeu-se,

No início

Da minha vida.

Chora no escuro,

Sem saber a razão.

Busca o futuro,

Mas o tempo é sua prisão.

Ecoa,

Distante e dolorida,

Sem ter como curar

Sua ferida.



Registro 719.469 FBN 21/10/2016

746

MÃE ADOTIVA

Quando a ti eu procurava,

Uma parte de mim faltava.

Ao te encontrar...

Um Sol brilhou,

Dentro de mim

E clareou,

Para sempre,

Teus caminhos.

Fiz com o meu coração,

O que as outras Mães,

Fizeram com o ventre!


Registro 719.469 FBN 21/10/2016

784

EXISTIR

Segundo por segundo,

Escuto calado, pelas minhas entranhas,

O ritmo célere das horas tortas

E sinto a vitalidade invadir meu corpo,

Outrora morto,

E a vida fica cada vez mais sem sentido e definitiva.

Quisera poder parar o pulsar dos relógios,

Fazer uma montagem nova do drama da vida,

E assim, caminhar para um final feliz.

A existência pela existência é a saída?

Viver como já tivesse vivido e ressuscitado?

E viver então ao deixar a vida?

Titubeio confuso pelo labirinto da vida.

Talvez o sentido da vida seja nenhum.

Representamos papéis no palco da vida

E nada acrescentamos de pessoal.

Mudamos o figurino, mudaram o cenário!

Mas a trama é a mesma, afinal!

Como guerreiro encurralado, agarro-me à lança da vida

E espero atento a hora da morte!



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Comentários (1)

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jcdinardo

Muito grato. Não escolhemos o que somos, mas ser poeta me deixa feliz.

Em Maio de 2019, publiquei meu primeiro livro: "Caos Estrelado" (Viseu). Na edição 85, Outubro 2019, da revista literária eletrônica "InComunidade" de Portugal, foram publicados seis poemas do livro. Participei das antologias poéticas: "Palavra é arte -poesias, 49ª edição" (Palavra é arte), "40 graus de versos" , "Fruto do teu ventre" e "Irmãos das letras" (EHS) , "Tempo para o amor" , "O Mundo parou - Relatos do período da pandemia" e "Amor em poesia" (Perse -Projeto Apparere), "Poesias para a nova década" (Casa Literária) e "Soturnos - Volume 5 - A Beleza das Trevas" (Círculo Soturnos). Em Setembro publiquei meu livro: "Gaivotas na Selva de Neon" (Viseu).