Lista de Poemas

ENCRUZILHADA

Um Pai é estágio propulsor

De foguete disparado

Buscando as alturas

Até ser descartado!

Filha, recém emancipada

Orbite tranqüila, no seu éter inexplorado

Nunca, jamais, volte os olhos

Para o Pai, bólide apagado!



Registro 719.469 FBN 21/10/2016

6

016

748

DESENCANTO

No plural éramos um,

No singular, divididos.

Hoje, universos separados,

Tentamos gravitar ao redor.

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

892

DIÁLOGO

Disse a rosa imponente ao espinho:

 - A natureza fez de ti meu súdito

 E aos meus pés                                             

 Proteges-me, com tua lança em riste.

 Respondeu o espinho sapiente:

 - Enganas-te, adorável rosa,

 Sou apenas a realidade,

Da vida de sonhos que prenuncias.

 

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

785

PALETA DE CORES

O esperar é verde.

O desesperar amarelo.

O amar é branco.

O desamar preto.

O sonhar é azul.

O realizar cinza.

O querer é vermelho.

O poder furta-cor.

O viver arco-íris.

O morrer: sem luz.

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

656

AUSÊNCIA

A cadeira vazia marcará seu lugar.

A poeira do seu quarto,

Falará da sua ausência.

Os brinquedos da sua infância,

Chorarão seu abandono.

Em tudo! o nada que ficou

Só lembranças...

Pedaços de um espelho que quebrou,

Que remontamos em desespero

Mas jamais refletirão sua imagem.

Em vão insistiremos em imaginar,

Como seria se não tivesse sido.

Em vão tornaremos a nos encontrar,

No mesmo ponto do nosso labirinto.

Nos retratos de sua infância,

A ilusão de que tudo vai recomeçar

E a sua ausência,

Apenas uma brincadeira

Que já vai terminar.

A vida é livro em branco,

Que se estende ao infinito.

Preenchemos, às vezes em prantos,

Mas só por nós deverá ser escrito.

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

726

ÚLTIMO ATO

A decisão foi difícil,

Mas o vento que me açoita,

Mantém minha lucidez.

A paisagem escorre no espaço,

Como fugindo de mim,

Agora mais solitário do que nunca,

Mergulhando no vazio...

Contenho o pânico,

Para me manter atento,

Enquanto a queda,

Me mantém livre.

Sequer deixei bilhete,

Pois o tenho escrito,

Desde que nasci:

Minha alegria

Foi maior do que a realidade

Pode me dar.

O chão me acolhe num abraço.

Trevas.

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

626

LAMÚRIAS

As emoções retidas em indeléveis registros,

Não serão esquecidas, quando perderem significado.

Os amigos, inimigos e parentes são estimados,

Para que possam alterar meus ocorridos.

As grandes lições, obtidas da vida são úteis,

Para mostrar minha insensatez, ao serem revistas.

As grandes paixões, que não foram correspondidas,

Agradeço, pois seriam mortas pela vida a dois.

Os sonhos que não foram meus realizei,

Aqueles que me estimularam, continuam esperança.

Assim, entre o quase certo e o pouco errado prossigo,

Lutando até tornar esta vida improvável, numa morte de fato.

Registro 719.469 FBN 21/10/2016

781

AS MULHERES-ÁRVORES

Quando

nascem são botões,

Que ao Sol,

Põem-se a desabrochar.

Quando

adultas são flores,

Que nos seduzem

Sem parar.

Quando

amam, geram frutos,

Que nos sucedem

No lidar.

Quando

Mães, apenas sombras

A proteger

Em todo lugar.





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720

GESTAÇÃO

O dia se mexe, no ventre da noite.

Seu brilhar, então dormente, espera.

Quietude...

Nas trevas, magos projetam o caos.


Registro 719.469 FBN 21/10/2016

715

CREPÚSCULO

O frio e a chuva fustigam meu corpo,

Mas trago no bolso um óculos de sol.

O juiz da partida é um filho da puta,

Enquanto não soa o apito final.

Meu sonho, sem encantos, entrou em liquidação.

O céu acabou de se por no horizonte

E uma lágrima de fogo escorreu,

Afinal!



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Comentários (1)

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jcdinardo

Muito grato. Não escolhemos o que somos, mas ser poeta me deixa feliz.

Em Maio de 2019, publiquei meu primeiro livro: "Caos Estrelado" (Viseu). Na edição 85, Outubro 2019, da revista literária eletrônica "InComunidade" de Portugal, foram publicados seis poemas do livro. Participei das antologias poéticas: "Palavra é arte -poesias, 49ª edição" (Palavra é arte), "40 graus de versos" , "Fruto do teu ventre" e "Irmãos das letras" (EHS) , "Tempo para o amor" , "O Mundo parou - Relatos do período da pandemia" e "Amor em poesia" (Perse -Projeto Apparere), "Poesias para a nova década" (Casa Literária) e "Soturnos - Volume 5 - A Beleza das Trevas" (Círculo Soturnos). Em Setembro publiquei meu livro: "Gaivotas na Selva de Neon" (Viseu).