José João Murtinheira Branco

José João Murtinheira Branco

n. 1954 PT PT

n. 1954-01-27, Vila Franca de Xira

Perfil
46 803 Visualizações

FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO VI

Num gesto de tédio, em doce amargura,

solto o pensamento sem espaços.

Bebo o cálice da alquimia fluindo a mistura

mato a fome e a sede no infinito.

Tenho o teu corpo nos meus braços,

a visão esbatesse nas luzes ceifadas,

na tela da lembrança, projeta-se num grito. 

Selo a memória, perante as imagens amadas,

num mundo parado, nossos corpos alados,

ganham garras e forma de condor.

Rodopiam, suspensos em lampejos de penumbra

num volteio ligado no sentimento,

entrelaçados pela harmonia do tempo,

luzindo raios num bailado de amor.

 

Mordo as palavras que não saem da garganta,

escoam pelo tempo vazio do amor que se perdeu.

Num grito ao sentimento, a minha boca canta,

coração vadio, o meu, será sempre teu.

 

João Murty

Ler poema completo
Biografia
José João Murtinheira Branco nasceu em Lagos no ano de 1954. Graduou-se em Direção Hoteleira na Escola do Estoril, tendo concluído a Pós - Graduação em Gestão e Análise de Projetos e a Pós - Graduação em Gestão Integrada pela Universidade Internacional de Lisboa. O lado humano das coisas, a solidariedade e a justiça, levaram a abraçar com coragem e inconformismo, alguns projetos difíceis.

No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.

Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.

Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.

A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.

Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.

Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.

Poemas

115

POETISA DOS SES.......


Conforme prometido aqui te escrevo de uma forma espontânea, passando para o papel alguns dos pensamentos com muitos ses… que traça na sua gene as angústias e vicissitudes da vida e um poema de saudade. 

Minha boa amiga, nos ses… do pensamento dançam sentimentos numa espiral de levitação, ses… de interrogação vagueiam selados em fel perjuro trajados no negro da incerteza. Tontos e obscuros não conseguem ver, tapam e escondem o pavio dessa luz clara que mergulha na curiosidade e ilumina a razão que perpetua a interrogação e segue na leveza de cada ser. Ses… geminados no ciúme cuja sombra cai sobre a tua existência, há-te ceder à luz. Os ses… nascentes de tanta lágrima, chegarão a abrir o abismo de um pecado mortal, que nenhuma ponte do arrependimento, nenhuma mortificação pode eliminar. Renascem e apagam-se até que um dia cessarão de oprimir esse coração frágil. 

Ses… que dão sal ao teu mar de lágrimas, quando a morte e o destino privaram-te ainda de alguma juventude e dita será nos braços da beleza bafejada pelas musas, que o teu coração reencontrará então uma nova vida, sarado nas lágrimas do velho poema de rua, cheio de eloquência e eruditismo fazendo jus à harmonia popular levita no seu percurso a equanimidade de uma sinfonia de sons crescentes cavos e profundos, de um trecho jucundo, que a sós me faz sonhar. Poema que sinto nascer como uma falácia gerada pela minha falta de atenção, por julgar que os teus ses… frágeis e banais, por não conseguir ver para além da minha parca existência. Por tudo o que não vi, ou simplesmente me alheei e não quis ver, entoa no meu peito o sentimento da falta, como o poema de remorso que expressa esse estado de alma, lido e relido de uma forma límpida por entre os sons daquela velha música de Ravel, que tanto gostavas. 

Falo comigo mesmo e cumulativamente contigo velha amiga, companheira de tertúlias. Conforme prometi, hoje nesta data escrevo, simplesmente escrevo. Nasci profano e profano irei morrer, não tenho sagas para cumprir nem demandas impostas por qualquer ordem. O tempo é meu e o caminho da minha alma no teu conceito será puro ou impuro conforme os meus desejos e pensamentos cuja alternativa da escolha da vontade, marca com um sinete, um cunho, uma luta sem trégua no aperfeiçoamento do meu carácter. Mas sou profano e apenas um homem. Um homem grato que diz, obrigado amiga por teres compartilhado bons momentos da tua vida. Obrigado, por me despertares para outros ensinamentos e outra visão do mundo. Obrigado, simplesmente obrigado, por teres sido uma boa amiga. 

Como uma fénix renascida das cinzas solto o pensamento, despertando a razão do sentido exorcizado na força do poema que te escrevo, como se fosse tu que escreverias e declamo esses versos numa voz de ênfase, desejo e ensejo por romper a monotonia latente que vive em cada um de nós, por escorar sem austerismo declinando o turvejar do erro torpe de felonia! Evoluído no saber, no compreender e na tua intrínseca capacidade de perdoar, onde o esquecer é mais versátil e dá corpo a uma causa justa, encontrando no querer, o caminho sem pausa e a arte de percorrer lançando ao vento a força do pensamento e o saber dos poetas mortos. 

Sim, o saber desses poetas que vaguearam pelas ruas, pelas vielas sem nome, esses filhos de mil portos e de caravelas sem asa que vogaram por mares sem estrelas, que calaram a fome no engenho e a arte na criatividade, sugando do corpo a saliva rasa em penas de tinta que escreveram palavras cruas, apenas palavras comprometidas, verdades nuas, palavras sem revolta nem dó, sem mágoas, sem ida nem volta, apenas e só, palavras. 

Estejas onde estiveres e mesmo que o teu tempo não tenha horas, segue o teu processo de alma em evolução, procura a simplicidade dos temas em vida dos pensadores e a sensibilidade daqueles que mesmo solitários foram diferentes! Camões, Cervantes, Florbela, Pessoa, maiores que os demais! Tiveram sede de infinito e suas almas num só grito, livres sem prisão, foram mais alto, mais alto, tendo por companheira a fiel solidão, em doces vagas de experiência de reflexões e sapiência, voaram mais alto! Por entre códigos doutrinais e mitos ancestrais, também os seus ses… colocados foram chorados, desnudados do seu arcano impérvio e decantados na herança de um pensamento de mudança, gerando estas frases legado de um coração de amizade que sente a tua falta e partilha de forma escrita estas linhas num manifesto de saudade de alguém ausente, mas eternamente presente.  
Paz à tua alma. 
  
POEMA SES…….. 
  
Poetisa que colocas ses… No teu poema 

Outro amor deu alento á minha vida 

Outro sonho me encheu o coração 

Retalhas a dor com a tinta da tua pena 

Por parcas palavras em promessa diluída 

Por ses.. Semânticos forjados na negação. 

  
Poetisa da tristeza da angústia, da incerteza, 
da dor e do lamento 

Rasuras e amachucas o que escreves, 
porque te rói o sentimento 

Poetisa da contradição, da meia mentira e da falsa verdade 

Dizes um não masoquista, querendo o sim da liberdade 

Poetisa dos ses.. da ilusão, da ansiedade profunda, 
sólida e permanente 

Moras em mim, no escuro beco da saudade, 
ao lado desse amor, que só foi presente , 
nos teus  sonetos e nas telas pintadas de malmequeres 

Desfolhando pétalas de amores no prenúncio da interrogação, 

Na ansia do desejo que consagre o bem-me-queres 

Nem consigo ver, nem saber o que te digo, 
se esse amor existe ou está ausente
 
Se sou apenas dilema que esvoaça nas frases do poema 
num ósculo esbatido da tua mente. 
  

Poetisa, escritora, artista, contrabandista. 

De mágicos momentos com ses.. de ilusionista. 

Poetisa sedutora, pintora, amante fiel dos ses.. irreais. 

Perdida, vencida, ultrajada, sucumbida por ses.. fatais 

João Murty
505

FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO III

Alquimia do tempo,

trazidas no vento Suão,

galgam, bramindo sobre o verde manto,

por entre pinheiros mansos,

zunem orquestradas

pelas estrelas da constelação. 

Dançam  sobe o meu olhar profundo

tremulas  brilhantes no céu,

resplandecendo segundo a segundo

num cenário de altar sem  véu.

Pernoito no halo da tua fortaleza,

por entre o olhar da estrela guia,

abrigo-me no sonho azul da tua beleza

 escutando dos teus lábios a melodia.

 

 

Doce Musa que ascendes na alquimia

bebe na fonte etérea do meu ser,

o  sopro da vida, ar quente de magia,

entre os lábios num suave desvanecer.

 

João Murty

 

 

 

557

PAIXÃO

 

Nesta fúria de paixão tresloucada

Embalada na solidão de amores imperfeitos

Ganhei a volúpia do nada.

 

Carrego em passos apressados, esses momentos de paixão

Nada vê, nada importa, não distingue cores nem defeitos

Neste amor de amante, de fúria, e de desejo

Em pressão recôndita, sem ternura, sem condição

Apenas, um sorriso fugaz num improviso de um beijo

E, as rápidas carícias, nos instantes volúveis da sedução.

 

Nada fica, nada resta, apenas o eco profundo da censura

Num silêncio lascivo, que crepita no volteio das imagens

Na mente, uma luz bruxuleante, ilumina a zona mais escura

Em danças de espíritos que gemem nas noites selvagens

Ao ritmo desta paixão indefinida, fogosa e imatura

Gerada no pensamento que vagueia em mil viagens.

 

Ganhei a volúpia do nada e nela embalo o berço

Desta paixão tresloucada filha de amores imperfeitos

Entre o remorso asfixiante e a penitência de um terço.

J oão Murty
506

MÁGOAS – II

    Podes sair, fugir, correr

Mas não te podes esconder

Pintei o teu amor com

Labaredas de fogo

 

Enlaçando no meu peito,

As cores do teu querer

Escondido nos gestos

Desse sedutor jogo

Tapei esse teu corpo com,

As minhas mãos vazias

Procurando esse sonho,

Que te acalma e descansa

Nas águas alcalinas, que Deus te deu,

Misturei tinta de amor ardente,

Neste querer que não te alcança

 

Dardejando, palpitante perto

Sem queixume

É um desejar que não sabe

Que existe, ou como nasceu

É cair nos teus olhos negros,

Embriagado no teu perfume

É sentir o pulsar do teu corpo,

E beijar essa boca rosa de lume

 

Podes sair, fugir, correr,

Mas não te podes esconder

Onde habita o sonho e flui o sentimento

Encontram-se as amarras do teu querer,

Porque se eu te perder!

Quem é que abraça com força o meu corpo,

E entrelaça a minha mão,

Fundindo-se por entre acordos de um bolero.

Na penumbra do meu leito?

Quem é que me afaga, e alimenta a ilusão!

Quem é que me beija, e morde o peito?

 

Sem ti o sol morre de frio, e o mar se veste de luto

Matando este amor estranho, e devoluto,

Nascido em asas brancas, que tu me deste

Pena a pena vai caindo, pela mágoa que me fizeste

 

João Murty

 

 

527

LIBERDADE SEM IRA

Por muito culpado que me julgues, não me flageles com palavras

O meu corpo sangra, e a minha alma foi engolida pelo esquecimento

Não, não quero mais sangue, nem mitos nem histórias, nem lavras

Pintado por um padrão de horrores, sem piedade nem sentimento.

 

Também não grites para essa gente, filhos de um passado presente

Surdos, não querem ouvir, nem saber as razões de quem sentira

O erro de não querer ser igual a tantos outros. Querer ser diferente

Esquecer o passado de dor. E crescer sem ódio, sem mágoa, sem ira.

 

Se cada um cumpre o destino que lhe cumpre, deixa-me ser como sou

Deixa-me então cumprir o meu, livre das amarras deste meu passado

Cantando e chorando por ser livre, podendo escolher por onde vou

Sendo certo, que o caminho mais perto, nem sempre é o do pecado.

 

Não, não me prendas as ilusões, deixa-me seguir a intuição

Deixa-me sonhar, cantar, talvez as vozes solidárias se unem

E despertem as inspirações seladas de negro, castradas na razão

Presas por gente vil, de índole maligna, em ações que se punem.

 

Como o vento que é vida, quero cantar liberdade. Liberdade sem ira

Em poemas, odes, estrofes percorridas nas vozes desses trovadores

Que juntam os versos dos poetas mortos, que abominaram a mentira

Abençoados pela sua luz de martírio, perdoaram o tempo de horrores.


João Murty

483

REENCONTROS

Que razões contrárias eu teria

De amar, quem não me amou, nem me queria

Sussurro de mil perdões em memória sentiria

Afagados pela doçura do momento

Que em traços de tinta vou escrevendo

Neste gesto de escrever que vou perdendo.

 

Rasgo as palavras escritas no sentimento

Com olhar perdido no horizonte

Solto o pensamento, prisioneiro do tempo e da saudade

Deixo-o cavalgar na brisa das ondas mornas do vento

Que trazem à memória, lembranças de um passado

Ligando as nuvens rasgadas da minha ponte

Viajo no retrocesso entre o radiante azul imenso.

 

E nesse horizonte, trazido por essa brisa calma

Reencontro o teu olhar, sinto a tua alma.

 

João Murty

487

PEREGRINO

Sou um peregrino do tempo,

de alma corroída e sem saber fixar-me,

deambulo,  numa saga  buscando a verdade,

procuro no passado e no sentimento,

a eloquente razão para encontrar-me,

apagando a sombra, que me invade.

 

Como um samaritano percorro,

lentamente a estrada da expiação,

apenas um nada, preenche o vazio

espaço que no pensamento, escorro,

dissecado no processo de reflexão,

esconjurado do seu homizio.

 

Uma sombra amargurada,

no divino caminho da verdade.

uma mentira branca, sem sorte,

pérfida,  escondida, dissimulada

um frémito, vibrante de ansiedade,

viaja na consciência, até á morte.

 

Não tenho origem, nem mundo,

esvazio as mágoas no fim de cada dia,

expio o fogo do passado que me aperta,

peregrino do tempo e na dor que me afundo,

minha alma hilota castrada, é água fria,

que apaga a chama e me liberta.

 

João Murty

587

AMOR NAUFRAGADO

Nunca perto, sempre longe, sem domínio e sem cadência

Navego na noite escura, sem estrelas, à luz das velas

Sem rumo nem orientação, sou um náufrago da tua demência

Perdido neste mar de sentimentos, sem portas e sem janelas.

 

Deste amor navegante que se perdeu no mar e naufragou

Por não encontrar um porto de abrigo, farol ou uma luz acesa

Flutuando há deriva não resistiu a tanto rombo e se afundou

Nos vis baixios do ciúme contra os rochedos da incerteza.

 

Onde estavas quando precisei de ti? Perto, longe, distante do meu chamar

Náufrago de ti, não escuto os passos, não sinto os teus braços, não te ouço falar

Já não sinto, nem vejo esse teu gesto sem jeito de te enroscares no meu peito.

 

Nunca perto, sempre longe e distante, naufrago neste mar de amor imperfeito

Onde os poemas morrem e as musas cantam os sentimentos que já senti

Guardo em mim um desejo, recordar o primeiro beijo e a última vez que te vi

J oão Murty
571

REMORSO

Remorso filho da culpa que no tempo perdura

Vives lado a lado no silêncio soberbo da minha dor

Gerado no passado tão presente que me tortura

Nesta vida tão sentida, descontente e sem sabor.

 

Em horas passadas profundas caladas e lentas

De rezas e preces erguidas em relicários de cipreste

De quem precisa do perdão e vive na tormenta

De quem clama e já não ouve o que me disseste.

 

De ombros caídos vergado por este peso que já não posso

Escrevo este poema arcaico, de inquietude na noite amena

De versos que brilham molhado nas lágrimas do remorso

De alma triste sem inspiração segregados por avara pena.

 

Escritos cantados em dor por entre o rouco soluçar da harmónica

Nesta culpa que me angustia a alma e me fustiga a cada passo

Remorsos perfilados persistentes num som de voz afónica

Sem espaço penetram e envolvem a mente num abraço.

 

De braços erguidos na minha cruz grito a Deus e ao universo

Até que a garganta fique fria e ceda a este mal que não espanto

Correndo nesta humilde e triste voz a estrofe deste verso

Nesta balada de remorso a quem aos meus mortos canto .

João Murty

525

SENHORA DO LAGO


Donde vieste tu senhora do lago, ardente, vibrante audaciosa?

Envolta nos mistérios das brumas, que esconderam tanta beleza

Que ilha de aromas e encantos te conservaram tão airosa

De que reino e de que história são as insígnias da tua nobreza.

 

De que tempos, de que séculos, te trouxeram a nós doce rainha

Embalada por harpas pressagias e pelo troar das trombetas

Que horas profundas, lentas e caladas, teve senhora minha

Que não ouvistes os cânticos sacros que te cantaram monges poetas.

 

Quem te prendeu nesse lago, de marés nostálgicas e de mágoas

Que neblinas de feitiçarias te deixaram no tempo adormecida

Esquecida de ti, eremita de clausura, nesse sono Elfo sem vida.

 

Já não és mais cativa, a doce magia da luz te desfolha nessas águas

Decantas um casto sorriso, rasgando a bruma que no ar ascende

Teus olhos de luz irradiam a pureza do azul que o céu resplende

João Murty
458

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.