Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
16 154 Visualizações

MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
Ler poema completo

Poemas

74

Distopia



Mundo digital
Mundo anormal.
Mundo sem igual.

Distopia perfeita.
Utopia imperfeitas.

26/02/2020
171

EXISTÊNCIA II



Porque tudo não passa de uma existência cômica.

Tentando ver o final eu enlouqueço todos os dias.
Pensamentos correm em minha mente.
Eu não sei se estou dormindo ou acordado.
Vivo um dia de cada vez.
Eu percebo que estou sem sanidade.

Um tiro no escuro.
Uma luz no final do túnel.
Uma martelada da realidade.

Queria ser mais do que um mero espectador.
Agora sou o protagonista.
Cortando todos que vejo.
Eu corro pelas ruas.
Como um demônio noturno.
203

CAMPO DE LEMBRANÇAS.


Ele pega sua ferramenta e vai para o campo.
Ele ara o campo, como seu avô o fez antes dele e seu pai também.
Aquele campo cercado de lembranças.
Ele cresceu, criou e morreu ali.
 
O sol jaz ao alto.
 
Tamanho meio dia ele ainda persiste na terá seca e batida.
Ali a água de seu suor rega as sementes.
 
Seu local particular.
Seu lar infinito de lembranças.
 
Ao final do dia sua enxada jaz de lado.
O sol se põe tão logo como nasceu.
Junto com as lembranças de sua infância seca.
Ele levanta e vai para casa,
pois amanhã deve voltar e regar novamente as lembranças no campo.
267

CIDADE DAS ILUSÕES II


Cidade de fantasmas falantes.
Cidade de mentiras normais.
Cidade de aparências forçadas. 

Sorrisos falsos.
Pessoas sem coração.
Grandes cidadãos de bem no topo do mundo.

26/02/2020
231

Um bom vinho



Olhando de cima do prédio.

Vejo muitas vidas corridas.
O pássaro que voa deve ser o mais sortudo.
Pois o mesmo não precisa dizer para onde vai ou quando voltará.
Queria ser pássaro.

Mais humano sou!

Estou aqui observando em meio final de uma tarde.
O navio ao longe que chega.
A mulher do prédio ao lado que dá à luz.
Um assalto à meio quarteirão de distância.

Todas vidas.
Todas com um destino diferente.
E a minha?
Não sei!

Talvez eu fique sentando mais um pouco terminando esse copo de vinho.
176

Meu tempo



Meu tempo foi aqui.

Meu tempo direito.
Meu tempo foi certo.
Meu tempo foi incerto.
Meu tempo foi distante.
Meu tempo foi perto.
Perto agora estou.
Perto de terminar esse verso.
Antes que o tempo termine.
190

ESCREVO



Eu sou um escritor que escrever tudo que sente.
Eu não tenho gênero, cor ou raça.
Tenho voz.
Tenho angustias e esperanças.
 
Eu sou a voz de todos.
E também o grito e o lamento de todos.
 
Eu escrevo para esquecer.
Eu esqueço por não escrever.
Escrevo por ter medo.
Escrevo por ter coragem.
E acima de tudo , para não esquecer que escrevo.

24/02/2020
245

CAOS




Gosto do não sentido que as coisas têm.
Do caos eterno dos seres.
Olhar para alguém e logo perceber seu universo interior,
repleto de angustias e tristezas.
 
Olho para os animais e vejo seu caos bestial,
tão primitivos quanto antigos cometas estrelares.
                      
Gosto do caos e dele me alimento,
pois sou caminhante das estradas sombrias.
Sinto o gosto do orvalho da manhã.
 
Me alimento de tudo e ao mesmo tempo de nada.
Sou tudo que não quiseram ser.
Sou tudo o que não foram.
Sou o final.
 
(Joathã Andrade)
228

CAMINHOS


Tenho caminhado em direções obscuras,
mas nem sempre foi assim.
Fui tolo, fui alegre, fui triste,
Fui negligente, fui raivoso e fui descuidado.
 
Hoje não resta duvidas.
Os caminhos obscuros estão diante de mim.
Esperando para serem percorridos.
 
Devo vagar sozinho e sem medo.
De longe escuto o som do corvo ao alto.
De longe escuto o uivo do lobo à frente.
Atrás vejo sussurros do passado.
À frente contemplo meu futuro.
 
(Joathã Andrade)
288

CIDADE DAS ILUSÕES


Dirigindo pela cidade das ilusões.
Onde ouro são meras curtidas em telas de celular.
Sentimentos são expostos como meros apetrechos.
Amores nascem e morrem em segundos! 

Falsos sorrisos.

Falsos sentimentos.
Falsas indignações.
Indignações seletivas. 

Carregando dentro de mim uma esperança morta.
Olho as chaminés lançando fumaça pelo ar.
Apodrecendo a terra!

O destino final será triste e esquecido.
Poderíamos ter tido tudo.
Mais a ganância de poucos custou nosso futuro.

26/02/2020
224

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.