Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
16 225 Visualizações

MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
Ler poema completo

Poemas

74

Estou aqui.



Estou aqui.
Sempre que posso.
Queria ser aquela arvore.
Viva.
Sem remorsos.
Viva.
Sem medo.
Viva com proposito.
183

Bilhete ao meu amor.



Eu nunca fui bom nisso.
Eu sei que não tenho como dizer.
Que vai dar tudo certo.
Nós temos problemas.
Mais porque não aceitamos tudo juntos.
Porque o futuro é um diamante a ser lapidado.
Ao seu lado eu me sinto vivo,
 inteiro e eterno.

27/02/2020
234

Meu tempo



Meu tempo foi aqui.

Meu tempo direito.
Meu tempo foi certo.
Meu tempo foi incerto.
Meu tempo foi distante.
Meu tempo foi perto.
Perto agora estou.
Perto de terminar esse verso.
Antes que o tempo termine.
192

Um bom vinho



Olhando de cima do prédio.

Vejo muitas vidas corridas.
O pássaro que voa deve ser o mais sortudo.
Pois o mesmo não precisa dizer para onde vai ou quando voltará.
Queria ser pássaro.

Mais humano sou!

Estou aqui observando em meio final de uma tarde.
O navio ao longe que chega.
A mulher do prédio ao lado que dá à luz.
Um assalto à meio quarteirão de distância.

Todas vidas.
Todas com um destino diferente.
E a minha?
Não sei!

Talvez eu fique sentando mais um pouco terminando esse copo de vinho.
180

Som da chuva.



As batidas da chuva no teto soam em minha mente,

como uma canção.
Dentro do quarto estou imóvel na cama.
Dentro de mim soa uma canção diferente.
Uma canção de tristezas misturadas com gosto de álcool.
De longe caminhei sobre a chuva.
Estou exausto.
Caído e inerte a realidade.
A canção interminável da chuva continua.
Como uma canção de alento ou dor.
Nunca vou saber.
Minha própria dor faz chover sobre meu coração.
E ela tem sua própria canção.
186

O velho e o mar



Lança o barco contra o mar.

Venha o vento que vier.
E se virar, ele nada.
Pega a rede e lança ao mar.
E se perde!
Calma!
A boca seca como sal.
E se sorrir, fica!
219

ESCREVO



Eu sou um escritor que escrever tudo que sente.
Eu não tenho gênero, cor ou raça.
Tenho voz.
Tenho angustias e esperanças.
 
Eu sou a voz de todos.
E também o grito e o lamento de todos.
 
Eu escrevo para esquecer.
Eu esqueço por não escrever.
Escrevo por ter medo.
Escrevo por ter coragem.
E acima de tudo , para não esquecer que escrevo.

24/02/2020
248

PARA ALÉM


Vozes sussurrando ao vento.
O passado, o presente e o futuro.
As folhas de outono caem dando lugar ao inverno.
 
Nossas mentes ficam nebulosas.
Nossos olhos cansados se fecham.
Mas temos certeza!
Assim como as arvores florescem na primavera,
nos reencontraremos algum dia.
                             
                                        
(Joathã Andrade)
192

TEMOR


Eu temo
 e temo tudo.
 e nem sei por que eu temo.
 
Perco-me pelas trevas sem fim.
Tenebrosa escuridão do céu de meio dia.
 
Amedrontado em plena terra de homens bons.
Se a contemplo por muito tempo, eu temo.
Que mistério é esse do bom cidadão?
Não sei por que padeço de horror! Pois é algo cotidiano.
 
Um náufrago da vida.
Eu sou um navio sem mastros,
pois o mesmo se perdeu na tempestade de ilusões.
 
 
(Joathã Andrade)
251

FINAL

Minha essência sente-se vazia,
eu estou afogado nas minhas lembranças.
Isso é dor e eu estou perdendo.
 
Meu coração ainda está batendo,
o veneno corre em minhas veias.
No inferno eu queimo.
Deixe essas meras lágrimas ser nosso segredo.
 
Uma vez estávamos tão perto de tudo.

Eu estou pedindo para você deixar que eu parta.
Que esta mentira silenciosa seja nossa.
 
O segredo se foi comigo,trancado dentro de uma cripta
sob um solo de rosas vermelhas.
 
Salve-se estamos todos no mesmo barco.
Não tive tempo para mim.
Agora a eternidade é minha.

 
  (Joathã Andrade)
259

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.