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Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014
Cativamos num olhar
Noutro libertamos o nosso amar
Depois de libertado nunca quer regressar...
Prende-se no tempo, mergulhado nas ilusões
De nosso cativo que cativou o nosso gostar
Cativamos numa fala
Noutra falamos sem nos calar
Atropelando peões na passadeira
Na língua atrasada do pensamento a brotar
Ser cativo não é mera brincadeira por falar
Cativamos o tempo
Mas ele não nos liga, foge sem parar
Anda sessenta léguas rodadas num minuto
Para em segundos, anos de nós separar
Quando escrevi isto era um mero “puto”
Desde que deixei o relógio a embolorar
O tempo parece estagnar, o sol e lua ignorar
Mas vivo atrasado de tudo… quem sabe se a morte
Não me deixa por ela passar… sem ter de a cativar
Oxalá fosse mar para nas areias brancas finas me [entranhar e acordar] (acabar)
Oxalá fosse homem para uma família e preocupações parentais arranjar
Tomara ser humano para os extra terrestres caírem na Janela do meu sótão
Tomara ser maior para poder os remédios adoentar nas minhas mãos de anão
Mas nem o oxalá nem o tomara fazem por ser o que fosse
Nem no mar se fez o homem que apenas humano sonha maior
Mas uma paixão transforma uma nação, como chuva na monção
Um pequeno homem move mundos sem de força precisar
Basta esperança numa mão de amor para o coração animar
O mar também poderiaajudar…
Oxalá consiga um sótão comprar que a Janela é fácil de arranjar,
Pois sou anão no arriscar e consigo nela escapar
Vou mais coisas destas ansiar no meu livro de imaginar
Onde as estações são dimensões de uma quarta meia da semana
Onde eu tomara ser sempre Primavera num oxalá nunca nevar
Vou onde a família que me fez homem deixar
Rasgando o Universo, entre portas de um lar
Onde filhos são irmãos, gato e rato a brincar
Mas não os deixo ir ao sótão…isso, nem pensar
Se a humanidade fosse compreendida
O desemprego era psicólogo
Mas se a vida fosse entendida
Nunca nasciam filósofos
Porém,
se o desemprego fosse psicólogo
E nunca nascessem filósofos
A humanidade estaria da vida perdida
Quando me procuro inspirar
Oiço o distante marejar
Sob o por do sol a chegar
Preso numa flor a despontar
E perco-me no teu olhar
São estas coisas; as forças da natureza
De que gosto realmente de falar.
As coisas patéticas são as mais embaraçosas
As coisas poéticas são as mais dolorosas
A poesia por vezes torna-se patética
Na dor de um quase silêncio embaraçoso
Uma multidão não são muitos
Apenas alguns “multi” que tudo de si “dão”
Mas são esses “Multi” facetados que a cor “dão”
O melhor que há em nós, tornando-nos numa multidão
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