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Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014
Porque tentamos o mundo dos outros mudar
Se por vezes nem o nosso conseguimos rodar
Porque nos atrevemos a criticar apontando dedos
Que se refletem em espelhos cheios de nossos segredos
Porque sorrimos com máscaras feitas de conveniência
Quando de caras não sorrimos com tanta frequência
Porque invejamos os outros que são nossos ideais
Se todos somos iguais, apenas frágeis e complicados mortais
Apenas porque somos meros humanos,
neste mundo (re)nascidos como crianças
Mas o criador até nos deu os seus planos
Só que vivemos tão atreitos das mudanças
Que nem tememos o abismo intransigente
Onde nos lançamos por uma birra incontinente
Se por um erro num dia
Cada humano se ajoelhar
Teremos plantações de joelhos
Que durarão eternidades para regar
Só que a eternidade é algo que criámos para justificar aquilo que não conseguimos contornar
Que eternamente seremos humanos, com defeitos e qualidades tão admiráveis
onde até o mal conseguimos fazer tão bem, tão perfeito
que até num milagre conseguimos encontrar um defeito
mas num trovão de emoções, corremos para nos abrigar
apertando o coração contra os outros para nos confortar
e o nosso olhar torna-se criança e até conseguimos fazer…
o nosso pequeno mundo rodar.
J. P. Madeira
Não quero ser tambor desconhecido na banda da vida
Rufando sem nunca ser mais que um ruido devasso
Cruzando compassos em monótona avenida
Num eterno e circunflexo marcar do passo
...
Não quero ser grito nem desespero ecoado
Saltando esquinas de bocas sem me calar
Em frases agredindo o coração pesado
De quem nada mais tem para falar
Não quero ser vilão nem herói em contramão
Salvando dias das noites amarguradas
Que os tentam secar com escuridão
Em palhas de camas enciumadas
Quero apenas ser a cor da alma,
rasgando céus em ósculos de estrelas
Cavalgando sonhos à desfilada,
Levando a juventude em mim enfiada
E se o mundo um dia me vir no meu todo
Saberá que todo eu serei um mundo nesse dia
Pois a viagem foi terminada com sincera alegria
Que neste comboio de anos, apita ventos de simpatia
Mas quando me vejo na banda a tocar
Preso num grito do meu olhar
Que chama o vilão para o herói ajudar
Sei que o final é agora e vem veludo para me buscar
Só que eu não quero abalar, sem o meu mundo
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