Lista de Poemas
Quando eu despir a veste que me liga a este mundo
No cabo dos mitos
Aos medos com que o enganam.
Quem irá recordar-se de mim
Quando eu morrer actor
Anónimo o que recito mas não o que aceito,
dai-me Esperança
Meca e eu
O que importa, na espera,
É a presença em falta, severa,
Pesada como um lastro,
Silenciosa como um claustro
A causa do mal todo...
E espero...que importa,
Curvo ou cansado,
Caneta sem tinta,
Cheque careca,
Invisível céu,
Caaba de Meca
E eu...
O que importa,
São as ilusões,
Dando à costa,
Presas aos anzois
E os sonhos, guardanapos
E nos pratos,
Os restos da tua presença,
À mesa.
O que importa,
É que creio,
No que me encanta,
E no que me sorriu,
Até ficar sem fala,
D'ouvir o olhar sorrir...
(Ah...e o falar dela!)
Joel-Matos (02/2013)
Não sei se Meu
Não sei se meu...Pudesse eu, daqui en'diante,
Fitar-me, frente a frente
E reconhecer quem sou.
Semelhante a quem ?
Ao Demo ou a um santo crente?
Estou louco, é evidente,
Mas quão louco é que estou?
É por ser mais poeta
Que gente, que sou louco?
Ou é por ter completa,
A noção de ter tão pouco de gente?
Não sei, mas sinto morto
O ser vivo em que me prendo,
Nasci como um aborto,
Salvo na hora e no tamanho.
Tenho dias de desejar,
Em que tento fugir e me prendo,
Devagar, por debaixo, da baixa porta,
Não aprendo com os erros,
Tenho tantos...
E outros em que fujo,
Muitos em que finjo aprender,
Pra, por fim, me perder,
Nem longos nem curvos, na distância
De um eco.
Farto de fingir vitória.
Tenho dias murchos,
Nem distos nem curtos,
Preso às rochas,
Como as cordas na garganta.
Cujos em que escrevo, não pra mim,
Mas pra outros, tampouco,
Tenho dias de deixar passar
O que sinto,
Em que não creio,
No muito que a mim.. minto,
Tenho dias lisos e frios,
Como o fio da derrota,
E um sonho urgente,suspenso
No mito que em mim crio,
"Não será errado desejar ser gente"
Mas é todavia erro,
Não desejar ser, o que mais importa,
-Gente como outra qualquer, gente
Que passa sem se fazer notar,
à minha humilde e modesta porta...
(nem sei se eu ou outrem
o escreveu ma,s se não for meu, sinto-o
tão como se meu fosse...)
Jorge Santos
Tarde é e ser também
Erva maldita
De verdade, nem sei mesmo quem n’alma tenho,
Que faz meu, um sentir estranho e tê-la eu, pequeno…
Quem dera não ter alma no lado onde o pensar tenho
Nem a infinita variedade de memórias da hidra, ao menos.
Sinto que há em mim, alguém além de mim e maior que eu,
Tenho diferentes sonhos segundo os meses, minutos e anos,
Todos de uma perene doçura, misturados com um sonho meu,
Terreno. Possível é passarmos oceanos sem terras vermos,
Mas quando sentimos é como se crescêssemos uma etapa nova,
Acrescentando esse dia a um mês e a um ano sem longe nem longe
O que interessa saber se o Sol faz o pino durante o Equinócio
Ou Imaginar de pau as andas de um espírito fantástico que foge
Se vendo bem só venho de meus astrais mapas lembrar o ofício
De um sonhar d’alma não meu mas d’outros eus, (maldita erva)
Minh’alma é estranha tanto e a vontade erva do engano
De ser eu ou ter meu um outro qualquer antigo dom, sobejo.
Não esta fria paisagem d’alma, (cão vesgo de um velho dono)
Prefiro não me achar, que não gostar do espelho que vejo.
(Maldita erva, maldita erva, maldita vontade serva)
Jorge Santos (03/2014)
Jardim de Inverno
Comentários (4)
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.