Lista de Poemas
Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo …

Tudo o que sorri me alegra
O rio, sobretudo o céu azul
Um barco, o embarque no
Cacilheiro, Porto Brandão
Cacilhas, ao raiar do dia
O Barreiro, parte de mim,
Ou o que eu mesmo fui.
Tenho no rio a quietude
E a surpresa se se pode
Chamar assim à tristeza
Que me dá quando vejo
Aquele que nasce e corre,
Como nas veias sangue
Verde/azul-cinza, mar
Tagus, tudo que sorri
Me alegra,sobretudo
O rio ...
Jorge Santos (07/2017)
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Atravessar-te em festa
Há um tempo para tudo, um tempo de ter pressa,
Há um tempo para ser ousado e amar a valer
Há um tempo para usar do tempo com a força que temos
Há tempo de semear e um outro de colher
Chamar o tempo de usado é talvez pleonasmo
Mas se me chamas d’amor, chama-me depressa
Porque a tarde passa e a mesma hora não regressa,
Como tudo, ele é breve, devesse ter eu um tempo
Só meu, que andasse às avessas, quanto ao meu peito
Esse deveria atravessar -te, mas sem pressa,
Pois a vida bate breve, antes de deixar de bater
Serve-me a tua companhia na sala e no quarto,
Elegante e sempre em sal mel iogurte e beijos
A paciência é uma coisa tua com que conto
Ao certo, a minha boca nua nos cumes teus
Tesos, em que me perco por encanto ou deleite,
Pudor no coito? Pudesse tomar-te privativa geisha
E semear o teu do meu corpo em morno esperma.
Há tempo para tudo, para ser ousado e em festa
Joel Matos (02/2014)
Há um tempo para ser ousado e amar a valer
Há um tempo para usar do tempo com a força que temos
Há tempo de semear e um outro de colher
Chamar o tempo de usado é talvez pleonasmo
Mas se me chamas d’amor, chama-me depressa
Porque a tarde passa e a mesma hora não regressa,
Como tudo, ele é breve, devesse ter eu um tempo
Só meu, que andasse às avessas, quanto ao meu peito
Esse deveria atravessar -te, mas sem pressa,
Pois a vida bate breve, antes de deixar de bater
Serve-me a tua companhia na sala e no quarto,
Elegante e sempre em sal mel iogurte e beijos
A paciência é uma coisa tua com que conto
Ao certo, a minha boca nua nos cumes teus
Tesos, em que me perco por encanto ou deleite,
Pudor no coito? Pudesse tomar-te privativa geisha
E semear o teu do meu corpo em morno esperma.
Há tempo para tudo, para ser ousado e em festa
Joel Matos (02/2014)
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Em que tons te tinges hoje, nua…

Em que tons tinges a tua blusa
Se te perguntarem os tons que tens nas vestes
Não respondas, por favor não o faças,despe-te,
Se te perguntarem porque escreves nas paredes
Não respondas, fecha a boca, por favor que o faças,
A menos que te saiam da boca súbitas pombas,
Que denunciem pla cor das asas em tons
Mil de matizes e nessas crenças prolonguem o arco-íris
Ao baterem umas de encontro às outras todas,
São sinal do presságio e denunciam o que de belo
Tu pensas, pra ti será tarde demais, nem que
Fujas e te escondas hão-de encontrar-te,
Mesmo nesse canto da dispensa que sabes
Só tu e não contaste a ninguém, nem mesmo
A mim, que sou a tua consciência e propósito
Se te questionarem a propósito dos dons que tens,
Que usas, não respondas, por favor não o faças,
As maldições só a nós mesmos dizem respeito,
A despropósito de saírem pombas pela fala,
São ultraje e ofensa pr'os que não percebem
A voz do Deus das cores com a áurea que é nossa,
Só nossa e deles, deuses da diferença em tantas,
Todas as nuas cores tuas...
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Joel Matos (04/2017)
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Sei apenas, valer isto.
Sei apenas, valer isto,
-Uma criatura de relance,
Crendo-se frade ou monge,
Não passando do Ex. Tio,… Ausente
Num romance de Dumas Filho,
Que ninguém leu ou viu.
Sei valer apenas isto,
(Sem reenvio depois d’ido)
Sobrevivo nulo, goro
E ridículo, na versão
De gordo-cachorro-vadio,
Sinto-me perdido, anão,
Vazio, um sem talento,
Pra empreitada alguma,
Penduro-me 100 %,
Em realidade refractada
E planto plátanos num ilusório palco,
Sonho inútil até para mim,
Estou cansado do café, da bica
E dos bicos dos pés que a cabeça
Não alcança, nem noutra valência,
A minha maior coragem,
É no levantar dos ditos,
Como se um Cristo dissesse,
"Anda" - e ele andou
Não admira, “pau-mandado”,
Confuso e estúpido, ele andou
Sem sentido, despido, nu…
O meu destino é a demência
2oo mil olhos me mirando
Na jaula dum zoo, distante…
No oriente…nenhum lado
Nem pensar, nem olhos nem janelas,
Banal triste forasteiro
Preenchido de nada e ar,
Não aguardo o regresso de Cristo,
Nem explicar tudo isto, escapulir
No silêncio do mundo interno
Incurável covardia,
Estafeta vulgar, incompetente
Sem sonho nem frete...
Sei valer, apenas isto.
Jorge
Santos (02/2014)
1 049
Até que mais seja

Toco no que há,
Até que mais seja
Meu mestre e amigo
Em teu coração partido
Toco, no que dele resta
Até que tudo tenha
Conteúdo maior neste
Meu que tanto odeio,
Quanto me despreza
Com uma tal força que
Nem em mim conheço
Ou possa ser sentida
Por qualquer ser vivo
Que nem alma possua,
Meu mestre e amigo,
Dá-me “tenção” de criar,
Concilia meu intimo
Real com teu ímpeto,
Até que seja o que há,
E nunca passou d’sonho,
A coisa q’jamais fui ou serei,
Sou agora um dos mais,
Eu coisa alguma, a sós
Comigo jaz um espírito
Comum como dois iguais,
Meu mestre e amigo,
Leve rasto, brisa gentil,
Álvaro de Campos
Joel Matos (Janeiro 2022)
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Permaneço mudo
Permaneço mudo, sereno e distante dum muro de
Medos, o ouvido tísico, meus olhos cegos
E o espírito chão, o Cã da idade das Trevas,
Pedra já velha, gasta, procuro auxílio, remédio,
Conforto, sinto minhas, as lágrimas da esfinge
Disfarçam a saudade das madrugadas, intactas
As manhãs, ao beijar na terra, a luz não
Da lua, das damas da noite, magras, emboscadas
Ou dos fantasmas da morte, silvando vagas,
Longas pegadas preces, velozes corcéis,
Vozes de ascetas magos, cavaleiros do
Apocalipse, é o fim do sempre, inquietante,
E eu permaneço mudo no pó, no caminho,
Como se obtivesse do céu a réplica de um hino,
Ao meu instinto, à minha imperfeição de ver,
Ouvir, pensar certo, nobre abdico do meu valor,
Renuncio de mim próprio, a vida não me convém,
Não contenho nas lágrimas o sal, os mares de veludo,
Nem a casta, que eu desejaria chorar, por esta
Imensa erma, extinta Terra, gasta rocha, penedos
Negros, negros cabelos, a Berenice dada aos
Deuses, sugerindo no ocaso, o fogo dos Gregos,
S. Telmo e a carícia das paisagens ardendo,
Longínquas, trémulas damas, belas e brancas,
Cal, de animal vestidas, cornos chifres, dançam,
Devolvem ao campo o sémen, o corpo, como pedindo
Expiação para o luto, perdão para tudo isto,
O ouvido tísico, os olhos cegos e o espírito mouco.
Joel Matos ( 01 Fevereiro 2021)
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Na minha terra não há terra
Na tesão pálida do mármore ou do granito róseo teremos
O que podemos chamar de mística em pedra gasta pois não
Tem luz interna uma estátua, apenas sombras sem janelas
E a ideia de serem realidade e tributo raro entre belo e lívido.
Na minha terra não há terra, sou dum rebolado chão em barro, vivo
Num não sonhado palácio em forma de oito, habito alcovas planas,
Esposa e cama, esqueci fama, ess’outra criatura investida
Rainha que trocou minha boca por outra breve forma cana,
(sensação é aviso), porém ao fim e por palavras minhas
Ouve-se a serra a serrar um Teixo, amargurado tombo
Sem vida, ridículo, num canteiro sem músculo, areia dormente
É musgo, como se fosse presa que se prostra prá goiva torta,
Morta cega. Incestuoso sentir do vime ao vento, magia,
Instinto d’vidro, corpo e asas d’xamã, septo largura do ânus
De um Druída, odor de terra bolida, ranho é baba, amígdalas
Na nuca, (nunca compreendi o porquê da culpa) córneas
De sapo, na minha terra a vida é de um por cento incólume,
Noventa e nove, placebo dourado à vista de fulano e demente,
Neblina, na minha terra não há vida, nem pode haver Rei consorte,
Ironia é o destino não ter forma humana e a Terra não ter manto,
Gente sem mando, em barro cão com a ideia de ser de verdade
A Terra e deles, eu então … eu donde sou nem sei se o sonho é meu,
Nem sou tampouco donde venho, (clandestino da alma humana)
Haverá alguém como eu que infinitamente se despe da impressão
De cá estar e se crê existir sem vida nem tempo, sem terra e sem ar.
Jorge Santos (Junho 2020)
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217
Contraditório, só eu sou...

O contraditório
O prazer de falar verdade
Mentindo, o artefacto quebrado
Servindo, o prazer de dizer certo
Embora soe a falso, a desesperança,
O pão mal repartido, a partilha duvidosa,
O prazer inútil que é útil, a desavença
De facto, o mal parido, o ateu,
O fútil que não é banal, a herança,
O patrão falido, o alcatrão derretido
No verão, afirmar que é meu,
Não sendo, a custódia repartida,
O imperfeito que é perfeito,
Apenas porque nos dá grotesco
Prazer, um ou outro facto, a livrança,
A cor do céu, a glória, o breu,
O Contraditório, a promessa
O mais infinito vezes o menos
Infinito, o vazio dum quarto,
O sonhar dias inteiros e as noites
Sem dormir são contradições,
O noivo consciente de estar certo,
A oposição dos dedos, segundo
São Mateus, a oração do Hebreu
Interdita ao público é contradição
Assim como o lenço branco acenado,
A despedida sendo luto, a contradição
É não abdicar da conclusão sem ler
O prólogo, o absurdo numa peça grega,
Ionesco para gente banal e estúpida,
Assim é quem me lê, parado no pátio
Das minhas sensações sem entender
Verdadeiramente quem é, nem quem
Eu sou, se não eu...
Joel Matos 02/2019
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o sabor da terra

O sabor da terra é parecido com o da água,
A acrescentar os meus sentidos, a chuva
Que cai e molha, não importa de que mar
Distante ela é, de que mundo que não vejo
Mas sinto, cheiro terra molhada e cerro
Os olhos pra que não fuja por eles o desejo,
O prazer do odor que nunca foi meu, mas inunda
O meu sossego e leva-me pela mão,
Longe da terra não existo nem soa real
O sonho que tento viver, imerso no verde
O pastar do gado na bruma, indistinto é o serro,
Ermo o pensamento meu, quando escuto
É apenas o meu coração batendo ou não,
O sabor da terra é parecido com o da água,
O que eu não esperava é a própria fidelidade
Da chuva que em silêncio lava o meu rosto,
Como se conhecesse meus inúteis segredos,
Ou sabendo da ausência de ruído no meu peito/feto
Real ou falso, ausente abaixo dum céu
Que lembra o que pra lá dele há, pressinto outro céu,
O meu …
Joel matos 11/2018
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323
Aconteço por-acontecer

Fui destinado a acontecer, ou
Afinal que acontecimento
Diferente sou eu, se há nele, no fundo
Não o destino que me caiba
“Acontecer”. Não aconteceu
Nada a mim de meu, apenas
Fui destinado a ser comum, só eu no final,
Tudo é de outros e não creio
Ser mais do que ouso, dispo-me
Do que uso e do que não me serve,
Excepto o ruído do campo, tão leve e
Único indício que me distingue
De outros que acontecem fugaz,
Como gado validado de gente,
Fui destinado a acontecer desigual,
Eterno o sonho em que sinto que a vida,
"Acontece-por-acontecer", devagar...
Renuncio ao sonho, descrevendo-o
E à minha nudez sem talento,
Espontânea embora estranha.
Foi destinada a ser e sobretudo,
Mas não sei quando ou quanto
Talento valho no talho do logro, sendo
Talhante eu próprio de mim mesmo,
Tenho coração de touro e carne
De "Lord" mas ainda assim de
Alguém que, no lugar dele mesmo
O tem, sem saber que tem esse
Único bem, que é meu e nem me serve,
Talvez tenha eu um outro e outro,
E pense não ter nenhum aqui dentro,
Embora saiba o que é ter não
Coração d'outra gente, colado
Que nem meu ao corpo, se o
Mesmo sinto como sendo eu
pouco, até na dor que ocupo
E outros têm e não eu, culpo
Um coração que não
É meu de todo, é do mundo inteiro,
Coração que a todos
Dei, todavia não tenho
Nenhum batendo de momento,
De verdade junto ao peito,
E isso não me dói tampouco,
"Aconteço-por-acontecer",
Fui destinado a não ser final,
Comum ponto.
Joel Matos 05/2019
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Comentários (4)
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É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.