Lista de Poemas

Li berdade ...




Liberdade ...

Lê verdade , depois "vota" ...

Me convenço que sou livre,
Pois voto, sei ler quase tudo,
Vejo mal ao perto,

Li berdade em algum lugar
do "Shopping Center",
De seguida m'iludem

Não sei ao certo se
Com a mentira ou com
O erro grosso e descreio

Que sou livre tendo
Realmente acesso vetado
Às Egrégoras e Concílios,

Apenas vejo vulgares montras
Sendo eu de baixa estatura,
Pouco largo de pensamento,

Receio - minha escura rua, a pele,
Vejo mal ao perto,
Li berdade em lugar de amor,

Não sei onde ao certo,
Se convencem que sei
Ler o que escrevem, mal escrito,

Mas corro risco de ser preso,
Por delito de opinião,
Quando copio o que leio ou tento,

No muro dos menos loucos,
Pois leio de perto e mal
E nada ao longe vejo,

Que esteja certo,
Nem ontem li berdade,
Me gritava de cimo do muro,

Outro mais louco que eu...
Tsé-Tung / Lenin / Brecht/
Mein Kampf ! Pol Pot ...


Jorge Santos (05/2018)
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313

Conduz-me a razão.



Conduz-me a razão

E a razão me desvia
por múltiplos motivos,

Por fora eu sou todo eu,
Por dentro, debato-me
Entre a variante forma

De mim mesmo, funda
E abismo, tão falsa
É a vulgar crença

Que o universo gira
Num disco plano
E com que objectivo,

Mas dentro de mim,
Em ângulo aberto,
Eu fechado; um pobre orgulho

Me conduz, cadinho
Do sentir inferior,
Mitigo inconsciente

Um outro mundo,
Escapo aos sentidos,
Como caroço de cereja,

Na glote duma velha,
Necessito acreditar,
E parte nenhuma do corpo

Me provoca isso,
Crio razões tal como o Hebreu
Do crucifixo,

Estimo o que não conheço.
Pelo que tenho visto.
Conduz-me à razão,

Morrem no meu peito opiniões,
Assim é o vício do sacrifício
E a comunhão com os fantasmas,

Dos místicos.

Jorge Santos (05/2018)
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399

Escolho ...




Escolho


Fugir da translação do trapezóide q'gira
Para um universo paralelo, imaterial
Antes que aos domingos me culpem
Da desgraça humana e da oca terra,

Mais funda que o ser de sombra sou,
Sou um ser de vidro verde fosco, roxo
Nem a respiração na cara uso, o oposto
É um acto de humildade de que fujo

Deste pra esse outro mundo, doutor
No repúdio e nas estacas dizendo frouxo
Pois não muito a pleura do rosto deixa e dá
Que a sensação de algo mais que de mim

Sou, cópia de "Orc" imundo, "Ogre" russo,
Óscar do indulto a mim próprio, o insulto
Me delicia como numa contrição curva e fujo
Da exterioridade absoluta como o Cristo

Sumido da Cripta cova depois do sétimo dia
Ao lusco-fusco, íntimo da dor, a sova uma
Carícia mórbida e o sorriso um falso esgar
Que usa ao Sábado na cara e no Carnaval

Se deita fora, oxalá o crepúsculo dos deuses
Não seja adiado e eu não tenha privilégio
De escolha por via de ter um resfolgar
Divergente do resto dos rostos criados

Do barro e na boca torta donde me vem
Impuro, poluto o ar ... a mão e a terceira
Falange completa o eixo, pai, filho e espírito-
-Santo, ámen ...

Jorge Santos (05/2018)
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361

(Vive la France)



Que m'importa a idéia sem o Dólmen ...


Que m'importa o Dólmen sem a aldeia,
Viriato sem o entusiamo e um coração
D'Vate duma nação que nunca foi triste,
Não sei que pense ou se me entristeça,

Ser feliz é desejar sê-lo e a idéia é a ultima
Que morre, não o homem nem a justiça,
À ilusão se chamará esperança, o Homem
Não significa nada sem a voz humana,

Nem Roma se escreve como o nome de Creta,
César sem crença seria Roma sem o recinto,
Viriato sem o entusiamo d'uma nação ou Tito
Sem "Partisans", não teria unido a Jugoslávia,

Poder comparar é um mito, a Torre de Babel
Um pensamento, o novo testamento apenas
Um livro mal escrito se não houver convicção,
Que importa a mim a idéia sem o Homem novo,

Um Dólmen sem povo - o Asterix e o Druída -
Cristo sem Césares não teria nome, seria brisa
Eu talvez nem seja paisagem, mas sou aquele
Que se inquieta e mistura o pau com a bandeira

Na alma pra construír uma idéia da lava
Menos calma, a partir da aldeia em chamas,
Que m'importa o Dólmen, (Vive la France)
Morra a indiferença, (Morra o Dantas, Pim ...)

Pam-Pum ...

Jorge Santos (04/2018)
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473

V de Vitória - Revolução -



Trabalho digno
ou V de Vitória Revolução

Julgo que não sou potente
Quanto um rinoceronte,
Nem inocente é esta voz,
-Motor de explosão-aparento
Reacção em cadeia. Basta!

Sejai pirotécnicos, pavios
E não estrelas d'Hollywood
Decadentes, gastas, mortas.
Napoleão tinha um sonho,
Que não era um sonho,

Na verdade a mão nem era ao peito
Mas na glande e na barriga grande,
Não pode ser inocente a arte de
Quem sofre, nem impotente o lorpa,
Gamela-pote de merda-mixórdia,

Boca pode ser cão d'espingarda,
Não sou escasso quanto o bisonte,
Nem Geronimo acreditava,
Haver prado pra toda a gente,
Sou potente e é de pólvora

Que vos falo tb. (boa gente qb),
Sejamos, sejai pirotécnicos, gatilhos
Da morte, Revolução é forja,
Ferro e fogo é o mote, o aguilhão.
Nem mansa é a arte desta glote,

Não pode, nem podem dar-me voz
De prisão, gado gordo é gado morto,
Cavalo bravo é golpe, é galope,
É bairro de pobre, é Maio onde vivo,
Primeiro eu digo -Viva o trabalho

Depois grito - Viva o trabalho
Digno, derrota não dá escola,
Nem pensão é esmola de preto,
Cinco dedos tem uma mão,
Dois juntos -V de Vitória, acção

É pão ...

Jorge Santos (05/2018)
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361

Em pó mudo …





Poesia é estaleiro e transmissão de tanque,

Poesia é terra, transfiguração viva e guerra,
Poesia é Insurgência, Rebelião Fractura,
É um respirar que dura pra'lém do que

É vida. Essa inútil e retráctil face do que
Dizemos ficará da gente pra sempre,
Se matéria é processo e transformação,
Poesia é estaleiro, transfiguração e herança,

Dança e chaminé de paquete, pavilhão e
Estandarte, cavalo e galope, Juno e Júpiter,
Poesia é tudo quanto faz doer e dor não tem,
Nem sabe ou sente que provoca ao mundo

Sofrimento e desejo, solidão e demência q.b,
Poesia é tudo isto a que me dou de corpo inteiro,
A embalagem, a vasilha, a cela e as grades,
O fulano cuja realidade se incinera sem pena

Nem piedade, em pó mudo, peste e adubo ...

Joel Matos (11/2017)
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718

O vento anuncia-se pelo ruído …






O vento anuncia-se pelo ruído,



Do vale até ao monte o caminho é curto
Para o vento norte, o rugido é grosso e penso
No silêncio e o que é não tê-lo face ao ruído
Todo do mundo, ele se reproduz como rato

E peste, inumano, pano de fundo, boca de
Sena, do vale até ao monte foge a razão
Da gente voando, e o trote do vento é a morte
Cavalgando, o meu não ouvido percebe o rugido,

Suspeito ser o suspiro derradeiro do horror
Do vale ao monte desespero e morte,
Luto e guerra, fez-se escuro no meu reino,
Deixei de ser rei e em pedaços voo,

O vento anuncia-se pelo ruído arrancando
Folhas e ramadas, qual juízo final do mundo,
Balouça a minh'alma cadenciada, "a monte" ...


Jorge Santos (05/2017)
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762

Reis, princesas e infantes







Reis, princesas e infantes




Foge de mim um sonho
Que é ter mando e ser rei
Dos anfíbios e das charcas,
Mas a chuva só cai longe

Os barcos não me levam
Onde há sapais e charcos,
O meu grande desejo é
Escutar de noite e sempre

Infantas que foram agora
Sapas e eu rei das poças
Nem, quanto mais ouvi-los
Coaxar às noivas-infantas

Pedindo beijos nas bochechas
Gordas e verdes, ranhosas
Como sapos as têm, tolos
Anfíbios das poças de lodo

E eu nem rei nem bote
Onde nem sapais há ou charcas,
Foge de mim o sonho,
Que é ter mando ou sorte

De Reis, princesas, infantes...





Jorge Santos (04/2017)
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822

Passado eu, azul triste, translúcido …





Passado eu, azul triste Lúcio.


Cantam suavemente triste/azul
Como quem embala nas ondas
Um filho de mar fardado, serei eu,
Serão sereias sem passado nem futuro

Ou sombras do que é verde
Azul puro ou do que eu lembrar
Embora não possa amar tristes
Sombras e nem do mar ouvir no búzio

O cantar sem morrer d'amor por Lídia
Ou por elas, sereias sem nome dado,
Debruçado adormeço sobre este
Mar antigo, cansado de ser filho ou Lúcio

D'Iemanjás sereias, orixás rainhas
Do mar envoltas... a manhã jaz
triste e azul, sem cor serei eu, serei
Ou serão sereias do mar sem ódio, passando Py,

Passado eu, azul triste, Lúcio anil.

Jorge Santos (02/2017)
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649

Aos desígnios que inventei só porque sim …






Cheiro de jasmim e cana cortada ou

Os desígnios que inventei só porque sim...

Num tempo em que as paisagens eram florestas
E virgens as videiras, o dom do sonho era comum
Com os demais, tal como os cheiro a jasmim e
Cana cortada, todavia era minha alma incompleta

Sem os desígnios que inventei só porque sim,
Marquês dos sonhos e de tudo o que não tem fim
Em mim próprio, estar perto de ter estrelas no colo,
Em vez de estilhaços e pedaços de cana bamboo,

Não me concedem o direito aos saberes todos
Da Terra, a mim tanto se-me-dá, esqueço e ponho
Os desígnios acima de tudo e da copa das florestas
Pra que o mundo me deixe a sorte certa de ser eu,

Crível quanto as plantas cortadas em viés e delta,
Marquês dos sonhos, catedrais que erigi, só em solo
Do que poderiam ter sido ruínas que ninguém conhece,
Impossível dormir sem a veleidade de ser feito de céu,

Deusas princesas brincando com minha alma
E eu dono dos jardins de "quanto-se-pensa-existe",
Num tempo em que as paisagens eram florestas,
Deus deixou um espaço entre os ramos pra que o luar

Me revelasse o caminho, a vereda que sigo e me levará
Ao que inventei, só porque quis chamar de desígnio
Ao que é natural em mim, sonhar tanto e tudo,
Desde que o mundo me deixe sonhar acordado.




Jorge Santos (03/2017)
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809

Comentários (4)

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nilza_azzi

É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.

namastibet

obrigado a todos que me leram

ricardoc

Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.

131992

muito intenso seus poemas, adorei.