Lista de Poemas

Contudo vale a pena …




Contudo vale a pena


Haver amanhã, haver outro dia,
Contudo vale a pena, espécie de
Continuação de mim, perdão dos
Céus, amnistia, caminho de quem

Se perdeu dum outro dia, eu.
Haver amanhã, haver outro dia,
Contudo vale a pena ser feliz
Enquanto ouço em mim dentro,

O pensar suposto ou intuição,
Instinto, combinação de ambos,
Consciência e sonho, vazio
Que faz lembrar ruído e se sente,

Contudo vale a pena quando
Tudo parece estar aquém do que é
E existe, continuação de mim, incenso,
Espécie de música que flutua,

Interlúdio, às vezes balada do terço,
Igreja vazia, contudo vale a pena
Ser hoje, admirável tanto quanto
Um Audi ou um quadro apresentando

Nada em continuação de mim,
Contudo valeu a pena, tudo quanto
Fui e fiz...

Joel Matos (07/2017)
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777

Falar não tenho,





Falar não tenho,


Sou adiantado em relação às horas,
Acordo ainda não vendo ninguém,
Passam todos por mim aquando deito,
A dor nos outros em mim é delito,

Não sigo caminhos que tenham sido
Pisados, nem peço pra ser ouvido,
Pois ninguém ainda me ouviu hoje,
No fundo não sou semelhante a Deus,

Venho adiantando aos poucos desde
Cedo, como se pertencesse a outro
Universo e até o pensar eu antecipo,
Assim não falo, sonho, falar não tenho,

Assim não me demoro nem me engano
Em relação ao tempo, no falar nem tanto ...

Jorge Santos(07/2107)
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736

click folk flop flux…





click folk flop ...




A magia é um click imperfeito
Que de quando em vez me falta
Umas vezes se dá de facto nest'alma
Outras à flor da pele e me arrepia

Tal qual escama de peixe-lua
E me dá frio a ironia é não fazer
Click's e crer na ilusão feita
De ter vara e ser mago d'folk

Assim tolo sou o mágico
Perfeito, ilusão o meu delito
Que funciona ou não tão bem
Quanto a outros d'ofício,click

E chapéu de bico agudo, flop-flux...




Joel Matos (02/2017
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719

Duvido de tudo que dos olhos vem …





Duvido de tudo que dos olhos vem,


Não sei escrever poemas de amor,
Duvido da matéria que compõe
O universo, das flores o cheiro
Mas não da natureza e deliro

Quando escrevo estando muda
Esta, mas das flores não duvido,
Duvido se os poemas de amor
Existem mesmo ou onde moram

Na ciência dos sonhos que descrevo
P'los perfumes que não sinto, d'lírios
Em flor, não sei mais fazer poemas,
Seja de amor ou sobre-o-que-for,

Duvido de tudo que dos olhos vem,
Ou nos braços repouse, da existência
E das romãs, apesar da cor a sangue,
Apenas num algoritmo acredito,

Que é ser viva a natureza e pródiga
A substancia que habita o universo
E em mim mesmo, não sei escrever
Poemas de amor, duvido crendo ...




Joel Matos (03/2017)
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837

Leve, a emoção








Leve, a emoção


Leve, a emoção não chegará ao peso em
Que tem peso, tendo coração e motivos de peso
Por não ter,embora não saiba se leve, se deixe
Eu mesmo de ter, esse mesmo peso pouco

E essa imensa graça que é a emoção e que fosse
De diferença tal, como o peso que pesa minh'alma,
Tão pesada quanto o chumbo e a cornada
Dum búfalo ferido de morte pela mesma bala.

Leve, a emoção, tão leve que esqueço de sentir
E é curto o tempo em que sou feito apenas dela,
Escrevo-a quando quero é esquecer que até
Da própria mente posso ganhar a noção de ter

Emoção ao-de-leve e ouvir-me pensar baixinho
Do que aquilo é, que peso tem sem agitar o ar,
Tão leve nos despe quanto o que penso e em tom
Que lava a mágoa da dor aguda que simulo

Ter, embora tenha outra que parece ser coberta
Por pele mais boca, extravagante ideia o infinito
Posto num lugar comum, onde ninguém o vê
Por isso lhe chamam de sonho, outros fé, eu não,

Não o farei, quero sentir o coração parar e talvez
Depois me cale, quando nada pese, leve a emoção,
O peso é sentir, não ver o que penso e temer
Não ser o que sinto no peito, nem na mão que

Escreve tão ao-de-leve quanto a mim me minto
Ou não, sinto ...




Joel Matos (03/2017)
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749

Dizei que rio …






Dizei que rio,

Direi que trist'ando,
Dizei que existo,
Direi que me não ouço,

Dizei me perco,
Direi m'encontro,
Que manso me fico
Entre o parecer feliz

E o chorando a fio
A dor que não tenho,
Vivo da tristeza alheia,
Que nada vale "se-calhar",

Dizei que rio,
Sorrirei "até-mais-não",
Mesmo que soe a falso,
Os olhos não têm tacto,

Nem os ouvidos boca,
Escondo as mãos demais,
Não deixando os dedos,
Denunciarem o que penso,

Ou os joelhos saberem,
Que me perdi
No campo,
Direi que existo

Nas flores do mato,
Caso lembre,
Que das dores esqueci já,
A floresta é dentro de mim e ela

P'lo tacto diz-me que sim
Tudo quanto desejo é lá,
Pra isso existo, mas apenas
Do lado de cá...

Jorge Santos (07/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
756

É a poesia parte …





É, de inegável maneira arte, a poesia,

Só por isso existo e esta alma que pensa,
Inconsciente que está sonhando, suave
O sonho, claro qu'é "vida-sentido-único",
Só porqu'isso existe e são meus braços e

Cansaços, sonho sem sentir aquele sonhar
Perfeito que se pode afirmar ser maior arte
Ou apenas consumo de mercearia, detergente,
Mercadoria "a-metro", falo p'los cotovelos,
Ensinei-os a mentir com sentimento qb.

No entanto não canso de prometer a mim
Mesmo um fio de cabelo com o pensar d'prata
Numa ponta, assim oval quanto o imenso
Universo, que é a esperança de ser tud'isso,
Só pra isso existo tod'eu, suposto Rei-Sol,

Deposto quando a serenidade da manhã
Acaba e se torna relento de fim-de-tarde,
Que sentido esta'arte de ser o tempo todo
Eu e não ser minha a fé, que a outros sabe
Tanto a sucesso e o meu falar implora

Essa inigualável maneira e forma d'arte.

Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
723

Não sei se crer na sombra ou no luar …




Não sei se crer na sombra ou no luar,

Sendo isso verdade e eu Moby Dick
Não sei se crer na sombra ou no luar
Da noite escura, no monstro que
que pertence a outros e a mim mais que todos,

Pois isso são o que são os sonhos,
Dando sobre o mar a impressão
De serem monstros marinhos,
Negros quanto os medonhos rochedos,

Sendo isso verdade e eu Moby Dick
Do género dos demónios que há, e eu penso
Se será verdade o que sinto, Moby Dick eu,
Sombra do luar, segredo obscuro guarda o mar

De mim, marinheiro sem barco, delfim eu,
Não sei se crer na sombra ou no luar,
Cansado de ser espuma, ponho-me a sonhar
Ser isso verdade e eu Moby Dick,

Não sei se crer mais no mistério que no mar
Inteiro, sendo nele que vejo o céu descer
E o horizonte lunar quieto... cedo
Desperto eu, consciente que ele me leva p'la mão,

Não sei se crer na sombra ou no lugar
Onde me acrescento ao medo,
Sendo Moby Dick eu,
Isso são o que distam sonhos meus,

À inquietações de ser, que me dói mais hoje
E que antes nunca .

Jorge Santos(07/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
780

Cheio de nada ter





Cheio de nada ter

Verdadeiramente vejo
Tanto quanto a um cego
Seja distinto ao tacto o que
Parece um sussurro,

Sendo minh'alma
A murmurar suave
Suave que outras almas
Silenciam e negam tanto,
Ficando secas sem nada,

Assim com'à minha
Cheia de não ter nada,
De facto sussurro e
Mais parece ser brisa
Ou de verdade seja

Cheio eu de nada ter,
Nest'alma levezinha
Cheia do que sinto,
Tanto quanto um cego
Tem tacto e quanto sente

Assim sente esta cega
Alma e minha ...

Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
780

Eu digo não ...







Eu digo não ...


Eu digo não ao brilho tolo,
Não quero em fatias curtas,
A vontade dum povo todo,
Quando é a vítima e o bobo,

Não quero viver ansiando,
Por migalhas tam-poucas,
Sendo eu Interprete terrestre
E actor das Histórias loucas,

Desta gente com coragem
De dizer - Não ..Não
Quero a minha vontade presa,
Nem a prisão de pensar ser outro

O brilho ou ver o brilhar
Não daquilo que querem
Que eu veja e deseje nas montras
Mas o que me interessa ter,

A fatia do pão e não o bolor do bolo
E a mesa cheia de quem interpreta
A historia louca deste povo,
Que não é idiota nem tolo,

Mas a cereja rubra do topo
E quando "se toma de razões",
Que se cuidem os "Dons"
Todos, senão "Ai Jesus Maria"



Joel Matos (03/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
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Comentários (4)

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nilza_azzi

É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.

namastibet

obrigado a todos que me leram

ricardoc

Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.

131992

muito intenso seus poemas, adorei.