José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

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(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
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Poemas

6

(visão de um xamã)

quando os ventos incorporarem os sons das palavras proibidas
a esperança libertará a visão
quando do chão o futuro surgir em rastros seguros
será hora de sair do chão

quando os passos fingirem caminhos
será preciso abandonar a trilha e recolher o destino
quando a madrugada matizar o nascente
soará o alerta do tempo vencido. será preciso recuar para prosseguir

após o último suspiro - o recomeço - a revolução
após o último giro - o salto - a evolução

as águas se acalmarão no azul
o milagre da semente se fará fartura

o sol continuará sol
manada de luz a nos abrasar

sagrados segredos guardados na terra
e dentro de nós laços imantados de paz
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(versos timbrados de mar)

no milagre da voz
posta-se o canto
que carrega segredos
ao negar o pranto

a vida escrita em partituras
evoca o divino, poesia pura

é sol em noite de luar
rondó de breves encantos
versos timbrados de mar

rico é o silêncio
ao som das palavras
107

(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
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(amanheço pássaro)

amanheço pássaro
com o canto preso na garganta

fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória

carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins

sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho

todos os passos sedimentam nossa existência
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(maravilhoso)

maravilhoso
é ter o céu
coalhado de estrelas
e uma lua
para reger
nossos sonhos

é olhar o mar
e se abismar
é ouvir o silêncio falar
80

(na boca da noite)

na boca da noite
bailam as línguas
em beijos roubados
 
de peito aberto
e olhos fechados
sigo folheando a alma
 
colho segredos
com as pontas dos dedos
neste céu de seda suave
 
há algo por trás do acaso
leis que trocam os sinais
luzes abrindo os portais
 
para que o meu coração
conecte-se ao teu
e nossos sonhos sejam reais
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