José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

Perfil
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(amanheço pássaro)

amanheço pássaro
com o canto preso na garganta

fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória

carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins

sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho

todos os passos sedimentam nossa existência
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Poemas

5

(haikai)

entre paus e pedras
um olho d'água que brota - 
sussurro de prece
35

(céu parcelado)

garimpando estrelas
no céu parcelado

encontro deuses esquecidos

meus olhos vagos
tencionam as cordas 
que descem pelos vãos das telhas

sem querer ser deus 
crio nuvens em vasos de vidro

derramo céus e sóis
pulverizo arrebóis

'com olhos de horizonte
equilibro corpo e mente' 
29

(suave é a voz do morto)

perdido e ao mesmo tempo liberto
segue (passos lentos)
rumo ao desconhecido


suave é a voz do morto
27

(resquícios da memória)

o trem que cortava a cidade  
perdeu os trilhos e a estação 

ficaram as histórias
o cheiro bruto do suor, o rastilho das bagagens
a carpintaria dos causos nos versos sem medida  

rodando no vento
os destinos se cruzavam e se perdiam  

eram flores passageiras

mas na arqueologia dos sonhos
nada restou além dos resquícios da memória

hoje
outras cores cobrem de silêncio 
a desvirtuada paisagem
26

(clicando vertigens)

intensa neblina
o sol enjaulado


mãos ocultas dessangram o amanhecer



cartesianas emoções
cotidianos conflitos


passos dados em segredo
olhos clicando vertigens 

 
asas que a alma liberta



voo cego 
sagrado 
32

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