José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

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(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
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Poemas

5

(haikai)

entre paus e pedras
um olho d'água que brota - 
sussurro de prece
30

(céu parcelado)

garimpando estrelas
no céu parcelado

encontro deuses esquecidos

meus olhos vagos
tencionam as cordas 
que descem pelos vãos das telhas

sem querer ser deus 
crio nuvens em vasos de vidro

derramo céus e sóis
pulverizo arrebóis

'com olhos de horizonte
equilibro corpo e mente' 
26

(suave é a voz do morto)

perdido e ao mesmo tempo liberto
segue (passos lentos)
rumo ao desconhecido


suave é a voz do morto
24

(resquícios da memória)

o trem que cortava a cidade  
perdeu os trilhos e a estação 

ficaram as histórias
o cheiro bruto do suor, o rastilho das bagagens
a carpintaria dos causos nos versos sem medida  

rodando no vento
os destinos se cruzavam e se perdiam  

eram flores passageiras

mas na arqueologia dos sonhos
nada restou além dos resquícios da memória

hoje
outras cores cobrem de silêncio 
a desvirtuada paisagem
21

(clicando vertigens)

intensa neblina
o sol enjaulado


mãos ocultas dessangram o amanhecer



cartesianas emoções
cotidianos conflitos


passos dados em segredo
olhos clicando vertigens 

 
asas que a alma liberta



voo cego 
sagrado 
26

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