A louca
Desde o dia que te vi partir Ando feito louca na rua Vivo quase sem existir E tudo isso é culpa tua! Enlouqueci ainda na flor da idade Sei que não foi tua intenção me magoar Mas me diz como manter a sanidade Se não posso mais te amar? Ando com a alma atormentada E ainda escuto tua voz na minha cabeça Não me deixes aqui abandonada Se não queres que eu enlouqueça Passo o dia encolhida pelos cantos E ouço dizer: “pobrezinha, enlouqueceu!” Quando os outros me veem aos prantos Entre soluços a chamar o nome teu Lagrimas inundam os olhos meus Quando sozinha na escuridão Lembro-me do teu último “adeus” Aquele que me fez perder a razão!
Lacrimosa
Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti, Deve ser... Tu escolheste desse jeito Quanto a mim? Morro em silêncio Minha boca sufoca os gritos do meu peito. Luto contra meu instinto natural Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?) Mas se te vejo aqui na minha frente, Exaure-se em mim toda a vontade de lutar! As vozes da ópera cantam sobre algo trágico... E nossa tragédia está aqui, querido: Embebedar-se em doce ilusão, Morrer de amor sem dele ter vivido! Por quanto tempo viveremos assim? Sempre que me aproximo, acabo ferida. Mas aceitaria novamente outra chance Nem que esta custasse minha própria vida!
O ramo de flores
Lembras-te ainda aquele dia... Em que tu trouxeste para mim Um lindo ramo de crisântemos Unidos por uma fita de cetim? E eram tão coloridos e alegres... Os cor-de-rosa eram teus lábios perfumados Os brancos eram tua pele macia E os amarelos, teus cabelos dourados. Eu era leiga nos assuntos do coração Tão jovem e apaixonada por ti Aceitei-os de bom grado, Naquele tempo não percebi O quanto o ramo se parecia Com aquele amor maldito O buquê não passava de flores mortas Todas juntas num arranjo bonito.
Eu te amo
Ouso chamar teu nome com carinho E pronuncio baixinho Eu te amo! A noite é testemunha silenciosa De minha confissão medrosa Eu te amo! Sonhando em tocar teu coração Sussurro como uma oração Eu te amo! São três palavras proibidas Que mudariam nossas vidas Eu te amo! Sei que o mesmo não deves sentir Por favor, perdoe-me por repetir Eu te amo! Imagino se nesse instante Respondes-me com um distante Eu te amo.
Um sonho lindo
Tive certa vez um sonho lindo Que dele não queria despertar Estava junto de ti...foi mágico, Tão real que quase pude te tocar. E sonhando por entre a noite Suspiros meus lábios vertem, Oh raios de luz do sol Por favor, não me despertem! Foi tão bom contigo sonhar Que para o sonho impossível Quem me dera regressar! Provar outra vez do que aconteceu No sonho pálido e tangível Em que, um dia, fostes meu.
Às vezes me aborrece falar de amor
Às vezes me aborrece falar de amor O problema é que eu amo Demasiado e inconsequentemente, Tanto que mesmo magoada Posso cantá-lo alegre a toda gente. Falar de amor não é um desejo meu É simplesmente Minha maneira de encontrá-lo. Quanto menos amor tenho eu, Vê que tolice... Mais dele falo! Não é um mero capricho Nem ser poeta minha vaidade, Tampouco ser lembrada é minha ambição Falar de amor, isso faz qualquer um. Mas não o fará com tanta emoção. Falar de amor é o que tenho Única coisa que sei fazer Poderia fazê-lo a noite inteira... Sina que minh’alma recebeu Este é meu martírio: Falar de um amor que nunca foi meu!http://amordopoeta.blogspot.com.br
Nos braços Dele
É nos braços dele Que a pele vira fogo A respiração fica ofegante E o coração perde o compasso. É nos braços dele que a boca Nos seus beijos se torna fruto Na sua pele se torna flor E os afetos são mais doces. É nos braços dele Que as estrelas são mais belas Os aromas mais suaves E o inverno é mais quente. É nos braços dele que recito Os versos mais amorosos Só para vê-lo sorrir E suspirar lendo Byron. É nos braços dele que meu amor faz morada.
Confisão
A poetisa: - Vejo sentado na relva: pobre mancebo O sol poente ilumina seu cabelo Que fazes aí moço tão belo? E tão triste... Mal de amor, percebo. O rapaz: - Adivinhaste de que sofro, ó poeta Por acaso já sentiste o mesmo? Amar perdidamente e a esmo, No pensamento, sem emoção concreta? A poetisa: - Se o sei! Isto mais que ninguém! Amando não se evita dor Porém amor é mais amor Quando o outro te quer bem. O rapaz: - Lembro-me do pedaço de paraíso Que é a minha amada Da estrela pequena e pálida Que brilha em seu sorriso. A poetisa: - Andas louco de amor por ela Diga lá, essa doce ilusão Que te faz suspirar de paixão, Tua amada... É bela? O rapaz: - Se é bela?! Ela é a própria beleza Nela mesma, é a doçura, o encanto, É a visão do céu vestida de branco É o brilho da lua em toda sua pureza A poetisa: - Deixe-me saber afinal Quem é a moça angelical Que aparece em corpo nu... O rapaz: - Minha poetisa, farei uma confissão: A dona do meu coração, A donzela que eu adoro... és tú!
Soneto dos olhos dele
São de um verde tão puro teus olhos que quando os fito não há verso nem prosa para descrever o brilho desse teu olhar pairando sobre minha face cor-de-rosa. Olhos tão lindos, tão castos estes que tens olhos tão verde d'esmeralda cor da esperança! Dizem uns, mas eu vejo a cor da minha vida malfadada És o dono dos olhos mais belos que já baixaram à terra assim contenta-me apenas vê-los Tão belos! mas tão distantes de mim... forma divina, de encanto tão cheia vê se não me castiga assim!
Foi só por ti
Foi só por ti que derramei Lágrima quente em noite fria Mágoa em forma de versos, sofri tanto Por um amor que só eu sentia. Jogaste o tempo todo com meu coração Tal e qual a tua vontade E é porque o amor não prende Que te deixo ir e abraço a saudade Mas saiba... Foi por ti apenas Que amorosa lira eu escrevia, Tudo por tuas carícias pequenas. Então vai... Não há mais volta Não te prenderei como queria Em vez disso meu amor te solta!