Obituário
Causa da morte: Melancolia profunda Devido a um grave trauma de amor Congelando todo sangue que o coração inunda Levando embora tudo, exceto a dor! Assim quero escrito em meu papel de morte: Que por amor fui tirada da vida Até me foi negada a sorte De um beijo de despedida. Preparem os documentos de antemão Pois faz tempo que só o corpo me restou Primeiro foi-se a calma, o riso e então, Por fim a alma me abandonou... Quando te vi, tive como certeza, Desde aquele dia enlouqueci E não pude mais enxergar com clareza... Data da morte: dia em que te conheci !
Lacrimosa
Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti, Deve ser... Tu escolheste desse jeito Quanto a mim? Morro em silêncio Minha boca sufoca os gritos do meu peito. Luto contra meu instinto natural Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?) Mas se te vejo aqui na minha frente, Exaure-se em mim toda a vontade de lutar! As vozes da ópera cantam sobre algo trágico... E nossa tragédia está aqui, querido: Embebedar-se em doce ilusão, Morrer de amor sem dele ter vivido! Por quanto tempo viveremos assim? Sempre que me aproximo, acabo ferida. Mas aceitaria novamente outra chance Nem que esta custasse minha própria vida!
O ramo de flores
Lembras-te ainda aquele dia...
Em que tu trouxeste para mim
Um lindo ramo de crisântemos
Unidos por uma fita de cetim?
E eram tão coloridos e alegres...
Os cor-de-rosa eram teus lábios perfumados
Os brancos eram tua pele macia
E os amarelos, teus cabelos dourados. Eu era leiga nos assuntos do coração
Tão jovem e apaixonada por ti
Aceitei-os de bom grado, Naquele tempo não percebi O quanto o ramo se parecia
Com aquele amor maldito O buquê não passava de flores mortas
Todas juntas num arranjo bonito.
Eu te amo
Ouso chamar teu nome com carinho
E pronuncio baixinho
Eu te amo! A noite é testemunha silenciosa De minha confissão medrosa
Eu te amo!
Sonhando em tocar teu coração
Sussurro como uma oração
Eu te amo! São três palavras proibidas
Que mudariam nossas vidas
Eu te amo!
Sei que o mesmo não deves sentir
Por favor, perdoe-me por repetir
Eu te amo! Imagino se nesse instante
Respondes-me com um distante
Eu te amo.
Às vezes me aborrece falar de amor
Às vezes me aborrece falar de amor O problema é que eu amo
Demasiado e inconsequentemente,
Tanto que mesmo magoada
Posso cantá-lo alegre a toda gente. Falar de amor não é um desejo meu
É simplesmente
Minha maneira de encontrá-lo.
Quanto menos amor tenho eu,
Vê que tolice... Mais dele falo!
Não é um mero capricho
Nem ser poeta minha vaidade,
Tampouco ser lembrada é minha ambição
Falar de amor, isso faz qualquer um.
Mas não o fará com tanta emoção. Falar de amor é o que tenho
Única coisa que sei fazer
Poderia fazê-lo a noite inteira...
Sina que minh’alma recebeu
Este é meu martírio:
Falar de um amor que nunca foi meu!http://amordopoeta.blogspot.com.br
Um sonho lindo
Tive certa vez um sonho lindo
Que dele não queria despertar
Estava junto de ti...foi mágico,
Tão real que quase pude te tocar.
E sonhando por entre a noite
Suspiros meus lábios vertem,
Oh raios de luz do sol
Por favor, não me despertem!
Foi tão bom contigo sonhar
Que para o sonho impossível
Quem me dera regressar!
Provar outra vez do que aconteceu
No sonho pálido e tangível
Em que, um dia, fostes meu.
Nos braços Dele
É nos braços dele Que a pele vira fogo A respiração fica ofegante E o coração perde o compasso. É nos braços dele que a boca Nos seus beijos se torna fruto Na sua pele se torna flor E os afetos são mais doces. É nos braços dele Que as estrelas são mais belas Os aromas mais suaves E o inverno é mais quente. É nos braços dele que recito Os versos mais amorosos Só para vê-lo sorrir E suspirar lendo Byron. É nos braços dele que meu amor faz morada.
Confisão
A poetisa: - Vejo sentado na relva: pobre mancebo O sol poente ilumina seu cabelo Que fazes aí moço tão belo? E tão triste... Mal de amor, percebo. O rapaz: - Adivinhaste de que sofro, ó poeta Por acaso já sentiste o mesmo? Amar perdidamente e a esmo, No pensamento, sem emoção concreta? A poetisa: - Se o sei! Isto mais que ninguém! Amando não se evita dor Porém amor é mais amor Quando o outro te quer bem. O rapaz: - Lembro-me do pedaço de paraíso Que é a minha amada Da estrela pequena e pálida Que brilha em seu sorriso. A poetisa: - Andas louco de amor por ela Diga lá, essa doce ilusão Que te faz suspirar de paixão, Tua amada... É bela? O rapaz: - Se é bela?! Ela é a própria beleza Nela mesma, é a doçura, o encanto, É a visão do céu vestida de branco É o brilho da lua em toda sua pureza A poetisa: - Deixe-me saber afinal Quem é a moça angelical Que aparece em corpo nu... O rapaz: - Minha poetisa, farei uma confissão: A dona do meu coração, A donzela que eu adoro... és tú!
Foi só por ti
Foi só por ti que derramei Lágrima quente em noite fria Mágoa em forma de versos, sofri tanto Por um amor que só eu sentia. Jogaste o tempo todo com meu coração Tal e qual a tua vontade E é porque o amor não prende Que te deixo ir e abraço a saudade Mas saiba... Foi por ti apenas Que amorosa lira eu escrevia, Tudo por tuas carícias pequenas. Então vai... Não há mais volta Não te prenderei como queria Em vez disso meu amor te solta!
Soneto dos olhos dele
São de um verde tão puro teus olhos que quando os fito não há verso nem prosa para descrever o brilho desse teu olhar pairando sobre minha face cor-de-rosa. Olhos tão lindos, tão castos estes que tens olhos tão verde d'esmeralda cor da esperança! Dizem uns, mas eu vejo a cor da minha vida malfadada És o dono dos olhos mais belos que já baixaram à terra assim contenta-me apenas vê-los Tão belos! mas tão distantes de mim... forma divina, de encanto tão cheia vê se não me castiga assim!