Larissa Rocha

Larissa Rocha

n. 1995 BR BR

"Cantando a vida, como o cisne a morte". (Bocage)

n. 1995-05-08, Bahia

Perfil
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Morrer

Tenho no corpo jovem

a beleza que Afrodite me deu

mas pra quê servem encantos

se minha alma já morreu?



juventude, força, vitalidade...

para mim de nada valerão!

já que neste peito necrosado

há muito não bate um coração.



deixarei a dor da existência

suavemente...num só suspiro

pois sem ti a vida é um vazio

e eu não vivo, só respiro.



oh! e minha pobre mãe!

por me ver padecer tão nova

que desgosto ela teria, tão cedo,

em mandar cavar minha cova!
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Poemas

68

Obituário



Causa da morte: Melancolia profunda

Devido a um grave trauma de amor

Congelando todo sangue que o coração inunda

Levando embora tudo, exceto a dor!



Assim quero escrito em meu papel de morte:

Que por amor fui tirada da vida

Até me foi negada a sorte

De um beijo de despedida.



Preparem os documentos de antemão

Pois faz tempo que só o corpo me restou

Primeiro foi-se a calma, o riso e então,

Por fim a alma me abandonou...



Quando te vi, tive como certeza,

Desde aquele dia enlouqueci

E não pude mais enxergar com clareza...

Data da morte: dia em que te conheci !
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Lacrimosa



Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti,

Deve ser... Tu escolheste desse jeito

Quanto a mim? Morro em silêncio

Minha boca sufoca os gritos do meu peito.



Luto contra meu instinto natural

Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?)

Mas se te vejo aqui na minha frente,

Exaure-se em mim toda a vontade de lutar!



As vozes da ópera cantam sobre algo trágico...

E nossa tragédia está aqui, querido:

Embebedar-se em doce ilusão,

Morrer de amor sem dele ter vivido!



Por quanto tempo viveremos assim?

Sempre que me aproximo, acabo ferida.

Mas aceitaria novamente outra chance

Nem que esta custasse minha própria vida! 

889

O ramo de flores

Lembras-te ainda aquele dia...

Em que tu trouxeste para mim

Um lindo ramo de crisântemos

Unidos por uma fita de cetim?



E eram tão coloridos e alegres...

Os cor-de-rosa eram teus lábios perfumados

Os brancos eram tua pele macia

E os amarelos, teus cabelos dourados.



Eu era leiga nos assuntos do coração

Tão jovem e apaixonada por ti

Aceitei-os de bom grado,

Naquele tempo não percebi



O quanto o ramo se parecia

Com aquele amor maldito

O buquê não passava de flores mortas

Todas juntas num arranjo bonito.
898

Eu te amo





Ouso chamar teu nome com carinho

E pronuncio baixinho

Eu te amo! 



A noite é testemunha silenciosa

De minha confissão medrosa

Eu te amo!



Sonhando em tocar teu coração

Sussurro como uma oração

Eu te amo!



São três palavras proibidas

Que mudariam nossas vidas

Eu te amo!



Sei que o mesmo não deves sentir

Por favor, perdoe-me por repetir

Eu te amo!



Imagino se nesse instante

Respondes-me com um distante

Eu te amo.



921

Às vezes me aborrece falar de amor





Às vezes me aborrece falar de amor

O problema é que eu amo

Demasiado e inconsequentemente,

Tanto que mesmo magoada

Posso cantá-lo alegre a toda gente.





Falar de amor não é um desejo meu

É simplesmente

Minha maneira de encontrá-lo.

Quanto menos amor tenho eu,

Vê que tolice... Mais dele falo!



Não é um mero capricho

Nem ser poeta minha vaidade,

Tampouco ser lembrada é minha ambição

Falar de amor, isso faz qualquer um.

Mas não o fará com tanta emoção.



Falar de amor é o que tenho

Única coisa que sei fazer

Poderia fazê-lo a noite inteira...

Sina que minh’alma recebeu

Este é meu martírio:

Falar de um amor que nunca foi meu!





http://amordopoeta.blogspot.com.br











1 021

Um sonho lindo

Tive certa vez um sonho lindo

Que dele não queria despertar

Estava junto de ti...foi mágico,

Tão real que quase pude te tocar.



E sonhando por entre a noite

Suspiros meus lábios vertem,

Oh raios de luz do sol

Por favor, não me despertem!



Foi tão bom contigo sonhar

Que para o sonho impossível

Quem me dera regressar!



Provar outra vez do que aconteceu

No sonho pálido e tangível

Em que, um dia, fostes meu.
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Nos braços Dele



É nos braços dele

Que a pele vira fogo

A respiração fica ofegante

E o coração perde o compasso.

É nos braços dele que a boca

Nos seus beijos se torna fruto

Na sua pele se torna flor

E os afetos são mais doces.

É nos braços dele

Que as estrelas são mais belas

Os aromas mais suaves

E o inverno é mais quente.

É nos braços dele que recito

Os versos mais amorosos

Só para vê-lo sorrir

E suspirar lendo Byron.

É nos braços dele que meu amor faz morada.



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Confisão

A poetisa:

- Vejo sentado na relva: pobre mancebo

O sol poente ilumina seu cabelo

Que fazes aí moço tão belo?

E tão triste... Mal de amor, percebo.



 

O rapaz:

- Adivinhaste de que sofro, ó poeta

Por acaso já sentiste o mesmo?

Amar perdidamente e a esmo,

No pensamento, sem emoção concreta?



 

A poetisa:

- Se o sei! Isto mais que ninguém!

Amando não se evita dor

Porém amor é mais amor

Quando o outro te quer bem.



 

O rapaz:

- Lembro-me do pedaço de paraíso

Que é a minha amada

Da estrela pequena e pálida

Que brilha em seu sorriso.



 

A poetisa:

- Andas louco de amor por ela

Diga lá, essa doce ilusão

Que te faz suspirar de paixão,

Tua amada... É bela?



 

O rapaz:

- Se é bela?! Ela é a própria beleza

Nela mesma, é a doçura, o encanto,

É a visão do céu vestida de branco

É o brilho da lua em toda sua pureza



 

A poetisa:

- Deixe-me saber afinal

Quem é a moça angelical

Que aparece em corpo nu...



 

O rapaz:

- Minha poetisa, farei uma confissão:

 A dona do meu coração,

A donzela que eu adoro... és tú!



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Foi só por ti

Foi só por ti que derramei

Lágrima quente em noite fria

Mágoa em forma de versos, sofri tanto

Por um amor que só eu sentia.





 Jogaste o tempo todo com meu coração

Tal e qual a tua vontade

E é porque o amor não prende

Que te deixo ir e abraço a saudade



 

Mas saiba... Foi por ti apenas

Que amorosa lira eu escrevia,

Tudo por tuas carícias pequenas.



 

Então vai... Não há mais volta

Não te prenderei como queria

Em vez disso meu amor te solta!



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Soneto dos olhos dele

São de um verde tão puro teus olhos

que quando os fito não há verso nem prosa

para descrever o brilho desse teu olhar

pairando sobre minha face cor-de-rosa.



Olhos tão lindos, tão castos estes que tens

olhos tão verde d'esmeralda

cor da esperança! Dizem uns,

mas eu vejo a cor da minha vida malfadada



És o dono dos olhos mais belos

que já baixaram à terra

assim contenta-me apenas vê-los



Tão belos! mas tão distantes de mim...

forma divina, de encanto tão cheia

vê se não me castiga assim!



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Comentários (3)

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Darlan Torres

Que profundo! É verdade, sem amor de nada vale tudo.

miguel_damas

Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...

Janio Lima

Muito bela realmente!