Lista de Poemas

Soneto dos olhos dele

São de um verde tão puro teus olhos

que quando os fito não há verso nem prosa

para descrever o brilho desse teu olhar

pairando sobre minha face cor-de-rosa.



Olhos tão lindos, tão castos estes que tens

olhos tão verde d'esmeralda

cor da esperança! Dizem uns,

mas eu vejo a cor da minha vida malfadada



És o dono dos olhos mais belos

que já baixaram à terra

assim contenta-me apenas vê-los



Tão belos! mas tão distantes de mim...

forma divina, de encanto tão cheia

vê se não me castiga assim!



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Foi só por ti

Foi só por ti que derramei

Lágrima quente em noite fria

Mágoa em forma de versos, sofri tanto

Por um amor que só eu sentia.





 Jogaste o tempo todo com meu coração

Tal e qual a tua vontade

E é porque o amor não prende

Que te deixo ir e abraço a saudade



 

Mas saiba... Foi por ti apenas

Que amorosa lira eu escrevia,

Tudo por tuas carícias pequenas.



 

Então vai... Não há mais volta

Não te prenderei como queria

Em vez disso meu amor te solta!



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Quadras para Ele IV

Meu amado tem o sorriso casto

e a face de neve que só toquei em sonho

ele é o anjo que veio e foi embora

deixando-me aqui com olhar tristonho.



ah! e tantas vezes pensei em roubar-lhe um beijo

mas não ousei sequer tomar-lhe pela mão

pude apenas ao vê-lo tremer enamorada

e admirá-lo suspirando de paixão.



Anjo, foste meu desejo mais divino

todo este amor cândido e puro que te votei

chegou ao fim...minha insana ilusão!

agora sofro por que tanto te amei...



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O céu

Me perco em devaneios

enquanto isso o céu noturno

cintila docemente de um jeito

que vejo minha alma nesse escuro



E novamente me vêm os pensamentos

que mistérios cercam minha mente e o céu sobre mim?

ele que brilha inocentemente

mas envolto em segredos sem fim



pergunto às estrelas se me entendem

mas elas não respondem

Ou será se nada sentem?



seria esse teu mistério constante...

seriam os mistérios do céu

tão profundos quanto os da minha mente?

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Escuta-me, amor


Escuta-me, Amor, quero dizer-te umas coisas
Tem uns versinhos que preciso que leias
Uns que dizem aquilo que quero te falar
E não tenho chance...vê que desgraçada sou ?

Até o ultimo adeus me foi negado!
E tanto, tanto que já escrevi pra ti
Foste o anjo que minh ‘alma cantou
E amou muito... entre nós tudo morreu

Agora partiste sem olhar pra trás
É teu direito me esquecer
Eu guardarei tudo de bom e esperarei
Que dê a alguém todo amor que não me deste.
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A poesia


Nessas ruas desertas e melancólicas
Nas florestas iluminadas
Nas campinas bucólicas
Sim, eu vejo poesia.
E ela se estente
Poeticamente, pelos corações

Ridicularmente, para quem não a entende.
E o que seria, se não
Essa poética patética um presente
Da natureza para os homens
Para que preencham o vazio
De suas almas?

E a poesia vem da Alma
O poema é a poesia transcrita
O poeta é um abençoado
Não pela graça divina
Mas pela Poesia...
Sim, amigos poetas! cantemos!
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O romântico


Vivendo arrebatador sentimento
Derramando o pranto do sofrimento
Eis o Romântico em seu canto de amor
E em suas noites de puro terror

Noites estas, que envolto em mistério
Chega às portas do cemitério 
E lá, em meio às covas sombrias
O Romântico compõe suas liras

Sua vida boêmia de mil amores
Rende ao Romântico inúmeras dores
As noites frias: a pneumonia
Os dias de tédio: a melancolia

Quem sois, ó Romântico?
Aquele que espalhou seu canto
Aquele que de amor sofria
E entoava palavras d'agonia!

Quem sois, ó Romântico?
Sois Álvares, Alves e Castelo Branco
Que não viveram em vão
Escreveram prazeres e dores do coração

Estou certa de que o Romântico não morreu
O Romântico sou eu
És tu, e nossa ilusão
De que o romantismo vive, em nossa geração.
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Não ria de mim, caro confidente


Eis meu caderno aberto
Leia-o todo se for capaz
Talvez minhas tolas palavras
Te façam perder a paz

No meu caderno jazem
Meus versos humildes
Liras que cantam
Dor, amor e saudades

Sinto que fui destinada
Desde o dia da criação
A ter o caderno como único amigo
Ou talvez seja só imaginação

Meu caderno aberto é meu oponente
Que diz: "Anda, escreve-me!
E depois carregue este fardo
De poeta que te cabe!"

E o digo pois
Que poeta não sou, não
Sou apenas uma alma solitária
Com a sorte de um caderno à mão
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Comentários (3)

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darlan

Que profundo! É verdade, sem amor de nada vale tudo.

miguel_damas

Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...

Muito bela realmente!