que mistérios cercam minha mente e o céu sobre mim?
ele que brilha inocentemente
mas envolto em segredos sem fim
pergunto às estrelas se me entendem
mas elas não respondem
Ou será se nada sentem?
seria esse teu mistério constante...
seriam os mistérios do céu
tão profundos quanto os da minha mente?
949
Paixão condenada
Anjo,a paixão que tenho por ti
bate-me o peito e sem permissão
invade,castiga meu coração
e apenas pureza em tu'alma senti.
Então perdoa esse sentimento
meu,devasso e insensato...meu bem,
minha desgraça amigo,vai além
tenho que suportar meu sofrimento.
Mas se acaso nossos olhos um dia
encontrarem-se,lembre-se (imploro)
reconheça os olhos que nunca via.
Luta contra esse tempo que corre,
me diga "Prazer em vê-la,adeus"
paixão que bate,entra,mata,morre.
916
Quadras para Ele III
Nos teu lábios, ó meu amor
floresce mais casta e apaixonada flor
um perfume inebriante de pétalas de rosa
quem me dera a ventura de tua boca formosa!
se teus lábios riem dessa minha paixão
acho-os assim mais belos...que devoção!
e quando muita vez tristes me parecem
repousa-os então em meus cabelos que tudo esquecem.
trago na fronte quente um único desejo,
minha face pálida anseia por teu beijo
mas não deixes esses lábios teus
um dia me dizerem o eterno adeus.
por teus lábios, amor, esses versos componho
ó lábios tão puros de meu sonho
lábios sedentos de beijos ardentes
deixa que neles eu derrame suspiros dementes...
894
Quadras para Ele IV
Meu amado tem o sorriso casto
e a face de neve que só toquei em sonho
ele é o anjo que veio e foi embora
deixando-me aqui com olhar tristonho.
ah! e tantas vezes pensei em roubar-lhe um beijo
mas não ousei sequer tomar-lhe pela mão
pude apenas ao vê-lo tremer enamorada
e admirá-lo suspirando de paixão.
Anjo, foste meu desejo mais divino
todo este amor cândido e puro que te votei
chegou ao fim...minha insana ilusão!
agora sofro por que tanto te amei...
902
Escuta-me, amor
Escuta-me, Amor, quero dizer-te umas coisas Tem uns versinhos que preciso que leias Uns que dizem aquilo que quero te falar E não tenho chance...vê que desgraçada sou ?
Até o ultimo adeus me foi negado! E tanto, tanto que já escrevi pra ti Foste o anjo que minh ‘alma cantou E amou muito... entre nós tudo morreu
Agora partiste sem olhar pra trás É teu direito me esquecer Eu guardarei tudo de bom e esperarei Que dê a alguém todo amor que não me deste.
110
O romântico
Vivendo arrebatador sentimento Derramando o pranto do sofrimento Eis o Romântico em seu canto de amor E em suas noites de puro terror
Noites estas, que envolto em mistério Chega às portas do cemitério E lá, em meio às covas sombrias O Romântico compõe suas liras
Sua vida boêmia de mil amores Rende ao Romântico inúmeras dores As noites frias: a pneumonia Os dias de tédio: a melancolia
Quem sois, ó Romântico? Aquele que espalhou seu canto Aquele que de amor sofria E entoava palavras d'agonia!
Quem sois, ó Romântico? Sois Álvares, Alves e Castelo Branco Que não viveram em vão Escreveram prazeres e dores do coração
Estou certa de que o Romântico não morreu O Romântico sou eu És tu, e nossa ilusão De que o romantismo vive, em nossa geração.
83
A poesia
Nessas ruas desertas e melancólicas Nas florestas iluminadas Nas campinas bucólicas Sim, eu vejo poesia. E ela se estente Poeticamente, pelos corações
Ridicularmente, para quem não a entende. E o que seria, se não Essa poética patética um presente Da natureza para os homens Para que preencham o vazio De suas almas?
E a poesia vem da Alma O poema é a poesia transcrita O poeta é um abençoado Não pela graça divina Mas pela Poesia... Sim, amigos poetas! cantemos!
104
Não ria de mim, caro confidente
Eis meu caderno aberto Leia-o todo se for capaz Talvez minhas tolas palavras Te façam perder a paz
No meu caderno jazem Meus versos humildes Liras que cantam Dor, amor e saudades
Sinto que fui destinada Desde o dia da criação A ter o caderno como único amigo Ou talvez seja só imaginação
Meu caderno aberto é meu oponente Que diz: "Anda, escreve-me! E depois carregue este fardo De poeta que te cabe!"
E o digo pois Que poeta não sou, não Sou apenas uma alma solitária Com a sorte de um caderno à mão
Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...