Escuta-me, Amor, quero dizer-te umas coisas Tem uns versinhos que preciso que leias Uns que dizem aquilo que quero te falar E não tenho chance...vê que desgraçada sou ?
Até o ultimo adeus me foi negado! E tanto, tanto que já escrevi pra ti Foste o anjo que minh ‘alma cantou E amou muito... entre nós tudo morreu
Agora partiste sem olhar pra trás É teu direito me esquecer Eu guardarei tudo de bom e esperarei Que dê a alguém todo amor que não me deste.
113
O romântico
Vivendo arrebatador sentimento Derramando o pranto do sofrimento Eis o Romântico em seu canto de amor E em suas noites de puro terror
Noites estas, que envolto em mistério Chega às portas do cemitério E lá, em meio às covas sombrias O Romântico compõe suas liras
Sua vida boêmia de mil amores Rende ao Romântico inúmeras dores As noites frias: a pneumonia Os dias de tédio: a melancolia
Quem sois, ó Romântico? Aquele que espalhou seu canto Aquele que de amor sofria E entoava palavras d'agonia!
Quem sois, ó Romântico? Sois Álvares, Alves e Castelo Branco Que não viveram em vão Escreveram prazeres e dores do coração
Estou certa de que o Romântico não morreu O Romântico sou eu És tu, e nossa ilusão De que o romantismo vive, em nossa geração.
88
A poesia
Nessas ruas desertas e melancólicas Nas florestas iluminadas Nas campinas bucólicas Sim, eu vejo poesia. E ela se estente Poeticamente, pelos corações
Ridicularmente, para quem não a entende. E o que seria, se não Essa poética patética um presente Da natureza para os homens Para que preencham o vazio De suas almas?
E a poesia vem da Alma O poema é a poesia transcrita O poeta é um abençoado Não pela graça divina Mas pela Poesia... Sim, amigos poetas! cantemos!
108
Não ria de mim, caro confidente
Eis meu caderno aberto Leia-o todo se for capaz Talvez minhas tolas palavras Te façam perder a paz
No meu caderno jazem Meus versos humildes Liras que cantam Dor, amor e saudades
Sinto que fui destinada Desde o dia da criação A ter o caderno como único amigo Ou talvez seja só imaginação
Meu caderno aberto é meu oponente Que diz: "Anda, escreve-me! E depois carregue este fardo De poeta que te cabe!"
E o digo pois Que poeta não sou, não Sou apenas uma alma solitária Com a sorte de um caderno à mão
Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...