Campo Minado
Hoje meus versos têm garras
Poesia de palavras armadas
Exércitos delas.
Pingam letras
Chuva ácida
Dinamito romances inteiros
Espalho boatos em bilhetes
Planto falsos fatos
Falácias
Factoides
Amasso pequenas bombas
E jogo no lixo
Apenas pelo prazer de escrever novas granadas
Hoje só prestam
Versos com veneno
Poemas com cicuta
E pequenas injeções de poesia na veia
A poesia quando fura
Não é desejo
É necessidade.
Cuidado, Frágil!
Se quer entrar
Pise em ovos
E venha inteiro
Meu coração é espelho
Se quer, tomo
Se der, devolvo
Venha, sim
Mas venha cantando
Se dançar, é porta
Se pisar, é parede
Não venha espada
Nem venha paus
Sem pressa, espero
Espero circulares
Quero redondos
Se o querer é meu, fique aí.
Se vier, seja por si.
Bem vindo!
Medos? Tenho todos
E divido
Tenho, também, os seus.
E não nego
É bobagem
Meu coração é perdido
É partido
E os desejos vazam
Pelas rachaduras
Portanto, venha ninho
Venha manso
Que se vier pedra
Meu coração passarinho
Voa.
Que posso fazer
Que posso fazer
Se meus olhos não despregam
Desse seu sorriso
Deliciosamente malicioso?
Que fazer
Se meu sorriso se desfaz em mel
A um só olhar seu
Desses que tiram o sentido das mãos?
Fazer o quê
Se apesar de tudo o que obviamente acelera sua corrente sanguínea
Você foge?
Um beijo que levou anos
Um beijo que levou anos pra acontecer.
Um beijo roubado
Escondido
De que fugi
E que amadureceu e quando veio
Veio longo
Intenso
Arrebatado
Um beijo que se tornou mar
Que se tornou onda
E que chegou tomando conta de tudo.
Um beijo que cresceu
E virou muitos
E virou tudo
E virou sexo
Um beijo que ainda não terminou
E que deixou no ar o cheiro
No corpo um visgo
E no peito, uma saudade.
Sinto
Sinto
Tudo
E tanto, tanto
Que transborda
E às vezes
Incomoda
Em mim tudo é sempre
Tudo é muito
E mesmo o mínimo
é enorme
Aquele telefonema que não vem
Demora eternamente
A memória de momentos raros
Dura pra sempre
Amo muito, me apaixono sempre
Sentimental? Claro
E se você não sabe aproveitar
Sinto
Muito.
Sua
Sua.
Sim.
Do jeito que você quiser
Com as condições que você impuser
A qualquer hora
Sua.
Amante, passatempo, distração
A transa de uma noite
Mas sua.
Acaso, acidente, descontrole
Bebedeira, fim-de-noite
Não te quero pra sempre
Bocejo, remela, insônia
Só quero, assim, de repente,
Ser
Sua, sua, sua, sua...
Não me diga
Não me diga pra perder a esperança
Não está em mim
O que está em mim é a fé
Também não me diga pra alimentar e tristeza,
O rancor
Porque o que eu tenho em mim é a alegria,
A amizade e o amor.
Maktub
Queria saber se estava escrito
Na palma da minha mão
Que tudo na minha vida ia ser assim
Misturado
Queria saber se estava traçado
Na rota do meu destino
Que ia vir tudo junto, sempre
Que tudo o que procurasse viria
Sempre
Num mesmo corpo
Queria saber se essa bagunça
Já estava determinada
Ou se num dado momento eu me perdi
Saí do caminho
Peguei um atalho
Precisava saber
Pra conseguir dormir.
Pontal
Ruínas do pontal
De Atafona
Minhas ruínas
Sonhos
Que o mar, sem piedade
Corroi
Desmantela
Açoita
Destroi
E leva
Lembranças
Soterradas
Risadas paredes
janelas tijolos
portões namorados
beijos telhados
E na casa destruída
Um sofá teimoso
Que resiste
A tudo.
A vida é
A vida é.
Simples assim.
Também soltei meu barco na enxurrada
E fiquei olhando sumir
Também soltei minhas correntes
Já senti muita dor,
Não quero mais.
Será que você não entende?
Não quero jogar.
Quero ser,
Porque a vida é.
Quer ser comigo?
Liberte-se da ilusão de controle
Dos falsos poderes
Dos pequenos orgulhos diários
Liberte-se e venha.
Estarei aqui
Com os cabelos perfumados
à sua espera.
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!