Como dizer o que não pode ser dito? Como demonstrar o que tem que ser escondido?
Como negar O que está na cara, Nos olhos?
Como esconder O que sai pelas bordas Transborda Trespassa?
Como falar O que não estava escrito O que é tão avesso E que não é permitido?
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Cuidado, Frágil!
Se quer entrar Pise em ovos E venha inteiro Meu coração é espelho Se quer, tomo Se der, devolvo
Venha, sim Mas venha cantando Se dançar, é porta Se pisar, é parede
Não venha espada Nem venha paus
Sem pressa, espero Espero circulares Quero redondos Se o querer é meu, fique aí. Se vier, seja por si. Bem vindo!
Medos? Tenho todos E divido Tenho, também, os seus. E não nego É bobagem
Meu coração é perdido É partido E os desejos vazam Pelas rachaduras
Portanto, venha ninho Venha manso Que se vier pedra Meu coração passarinho Voa.
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Um beijo que levou anos
Um beijo que levou anos pra acontecer. Um beijo roubado Escondido De que fugi E que amadureceu e quando veio Veio longo Intenso Arrebatado
Um beijo que se tornou mar Que se tornou onda E que chegou tomando conta de tudo.
Um beijo que cresceu E virou muitos E virou tudo E virou sexo
Um beijo que ainda não terminou E que deixou no ar o cheiro No corpo um visgo E no peito, uma saudade.
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A vida é
A vida é. Simples assim.
Também soltei meu barco na enxurrada E fiquei olhando sumir Também soltei minhas correntes
Já senti muita dor, Não quero mais. Será que você não entende? Não quero jogar. Quero ser, Porque a vida é.
Quer ser comigo? Liberte-se da ilusão de controle Dos falsos poderes Dos pequenos orgulhos diários Liberte-se e venha. Estarei aqui Com os cabelos perfumados à sua espera.
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Louca, não sou
Louca, não sou Tão pouco sou normal As fronteiras não existem nas raias de um ser inteiro
Loucura é ser pela metade Ser humano parcial Guardar amores e segredos Nesses cofres virtuais
Eu sou toda Ou não sou Até minhas reservas e medos São públicos O que escondo me revela
Aí minha insanidade: Não renegar a loucura Aceitar no corpo todo Minha alma desigual
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Sua
Sua. Sim. Do jeito que você quiser Com as condições que você impuser A qualquer hora
Sua. Amante, passatempo, distração A transa de uma noite Mas sua. Acaso, acidente, descontrole Bebedeira, fim-de-noite
Não te quero pra sempre Bocejo, remela, insônia
Só quero, assim, de repente, Ser Sua, sua, sua, sua...
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Pontal
Ruínas do pontal De Atafona Minhas ruínas
Sonhos Que o mar, sem piedade Corroi Desmantela Açoita Destroi E leva
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!