Lua Barreto

Lua Barreto

n. 1971 BR BR

n. 1971-05-02, Goiânia

Perfil
65 302 Visualizações

Efeito Borboleta

O tempo parou um instante
E eu, tornada anti-matéria
Fui totalmente absorvida por teus olhos.

E aquele olhar
Causou um tsunami na ásia
Terremotos na áfrica
Maremotos na Europa
Um vulcão eclodiu na América

E o mundo acabou.

De lá pra cá, tudo o que parece existir
é ilusão.
Só o que existe são teus olhos.
Ler poema completo

Poemas

71

Eu não sei o que há

Eu não sei o que há com meu corpo
que me corre um olho
que me escapam bocas
e braços
e abraços
que me escorrem mãos
que me derretem peitos
e pernas
por pontes
portas
postes
pastos
não sei o que há comigo
que transpira vida
que desperta a fome
que ilumina a carne
não sei o que há
que me sinto livre
que me sinto luz.
1 261

Epitáfio

Se eu morrer amanhã
Quero dizer aos meus filhos
Que leiam Fausto
Para tentarem entender
A teoria que eu tentei viver.

Que leiam Nietzsche
E Artaud
E vejam Van Gogh
E Dali
Por nada,
Só pra saber
O que eu ousei querer.

Se eu morrer amanhã
Quero que saibam
Que não me arrependo
De ter tentado a utopia
Até a última gota.

E que venha a morte
E me encontre inteira.

E que bom que veio
Antes da capitulação
Daquilo que eu quis ser.

(Poema escrito em 12/06/02, durante pesquisas de linguagem pra um espetáculo que talvez só sejam colocadas em prática em 2012.)
1 297

Nunca fui uma mulher de artimanhas

Nunca fui uma mulher de artimanhas
Mulher de perfumes
De velas aromáticas, óleos e fantasias

Nunca fui mulher de máscaras
E cintas-ligas
Mulher de meias 7/8

Sempre fui mulher de inteiras
De querer agora
De repentes

Mulher de acasos
E acontecimentos

Desta vez
Quero fazer diferente.
793

Sobre Hipopótamos e Elefantes

Elefantes são animais teimosos
Inconvenientes
Aparecem sem ser convidados
E voam,
Voam longe

Ah, têm péssima memória.

Vêm em várias cores e,
Sem aviso,
Podem mudar de cor

Ficam invisíveis mas não somem
E parecem ser imortais
Aviso:
Não tente matá-los!
Eles se multiplicam.

Já os hipopótamos são dóceis
Tímidos
Da matéria dos sonhos
E dormem em garrafas

Não mudam de cor
Mas podem alterar o sabor
Em geral são doces
Mas há dias em ue podem estar mais apimentados.

Assustadiços, se escondem ao menor sinal de chuva
Mas são fortes como... hipopótamos!

Nunca tentei matá-los
Mas tenho certa mdificuldade em dormir engarrafada.
1 080

Meia-Noite em Paris

Sim, eu sei
De nada adianta sonhar Paris
Na Belle Epoque
Itália na Renascença
Ou a Rua do Ouvidor
Dos velhos e bons tempos.

Minha matéria é o tempo presente, Carlos
E ele não anda pra trás
Este é o tempo de viver
De ser feliz, de sofrer
E não adianta voltar
A outros tempos e amores
Não há tempo pra isso
Apesar de Einstein

A vida é agora
E pulsa
Sempre
Onde quer que os homens amem
Quando for que os homens sonhem
Sem máscaras.
1 119

12 do 11 de 11

Parece que o mundo acabou mesmo
Ontem
Um fim silencioso
Imperceptível

E o dia de hoje
É de mera
Constatação
1 278

Ah, solidão
Este monstro devorador de almas.

Por tanto tempo dividimos dores
Companheiras de exílio
Tantas manhãs chuvosas
Em que fomos felizes
Juntas

Te chamei enquanto todos te recusavam
Te acolhi quando todos te repeliam
Te amei pelos mesmos motivos que outros te temiam

Por que, então, agora
Me abandonas?
Agora, que estou aqui, perdida
Neste vácuo
Neste onde
Neste tempo-espaço em que as perguntas ecoam
Por onde andas?

Não me iludo com teu silêncio
(tua definição)
Não estou só.
Só sou íntegra
E estou aos pedaços.

Entregue à minha própria entropia
Sem sequer a solidão,
Este monstro devorador de almas,
Para me fazer companhia.
1 389

Hybris

Você vai ser sempre meu pecado
Minha hybris

A minha tentação
Pra sempre
Meu arrependimento
A traição que não consumei

E eu sigo te deixando pistas
Pequenas provocações
Enigmas
Que você não entende
Ou finge não entender

Vou deixando meu rastro
Minhas marcas
Meu cheiro e meus perfumes

Sempre na esperança de causar,
De não ser esquecida
De ficar na sua vida
Um pouco mais
Que uma lembrança

Te deixo
Bibelô na cristaleira
E me conformo em ser memória

No fundo
Sei que este é o seu lugar
Que você está exatamente onde deveria estar.
1 091

Quando eu juro

Quando eu juro que não quero mais saber
Você chega
De surpresa
E eu quero tudo
De novo.
1 223

Como?

Como dizer o que não pode ser dito?
Como demonstrar o que tem que ser escondido?

Como negar
O que está na cara,
Nos olhos?

Como esconder
O que sai pelas bordas
Transborda
Trespassa?

Como falar
O que não estava escrito
O que é tão avesso
E que não é permitido?
1 369

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
CORASSIS

Grande poetisa talentosa encontrei!lindo e interessante o que liPARABÉNS !

joaoeuzebio

DEIXAREI MINHA VISÃO POÉTICA ENTRE TEUS POEMAS BELOS ASSIM COMO UMA ESTRELA A BRILHAR

joao euzebio

LINDO POEMA GOSTO DE TUDO O QUE FAZ UM GRANDE ABRAÇO

Malu Silva

Creio que os seres humanos - homens ou mulheres - são um pouco atemporais! Boa noite!!!

luiscarlos
luiscarlos

ah tambem moro em goiania!