Eu não sei o que há com meu corpo
que me corre um olho
que me escapam bocas
e braços
e abraços
que me escorrem mãos
que me derretem peitos
e pernas
por pontes
portas
postes
pastos
não sei o que há comigo
que transpira vida
que desperta a fome
que ilumina a carne
não sei o que há
que me sinto livre
que me sinto luz.
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Epitáfio
Se eu morrer amanhã
Quero dizer aos meus filhos
Que leiam Fausto
Para tentarem entender
A teoria que eu tentei viver.
Que leiam Nietzsche
E Artaud
E vejam Van Gogh
E Dali
Por nada,
Só pra saber
O que eu ousei querer.
Se eu morrer amanhã
Quero que saibam
Que não me arrependo
De ter tentado a utopia
Até a última gota.
E que venha a morte
E me encontre inteira.
E que bom que veio
Antes da capitulação
Daquilo que eu quis ser.
(Poema escrito em 12/06/02, durante pesquisas de linguagem pra um espetáculo que talvez só sejam colocadas em prática em 2012.)
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Nunca fui uma mulher de artimanhas
Nunca fui uma mulher de artimanhas
Mulher de perfumes
De velas aromáticas, óleos e fantasias
Nunca fui mulher de máscaras
E cintas-ligas
Mulher de meias 7/8
Sempre fui mulher de inteiras
De querer agora
De repentes
Mulher de acasos
E acontecimentos
Desta vez
Quero fazer diferente.
793
Sobre Hipopótamos e Elefantes
Elefantes são animais teimosos
Inconvenientes
Aparecem sem ser convidados
E voam,
Voam longe
Ah, têm péssima memória.
Vêm em várias cores e,
Sem aviso,
Podem mudar de cor
Ficam invisíveis mas não somem
E parecem ser imortais
Aviso:
Não tente matá-los!
Eles se multiplicam.
Já os hipopótamos são dóceis
Tímidos
Da matéria dos sonhos
E dormem em garrafas
Não mudam de cor
Mas podem alterar o sabor
Em geral são doces
Mas há dias em ue podem estar mais apimentados.
Assustadiços, se escondem ao menor sinal de chuva
Mas são fortes como... hipopótamos!
Nunca tentei matá-los
Mas tenho certa mdificuldade em dormir engarrafada.
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Meia-Noite em Paris
Sim, eu sei
De nada adianta sonhar Paris
Na Belle Epoque
Itália na Renascença
Ou a Rua do Ouvidor
Dos velhos e bons tempos.
Minha matéria é o tempo presente, Carlos
E ele não anda pra trás
Este é o tempo de viver
De ser feliz, de sofrer
E não adianta voltar
A outros tempos e amores
Não há tempo pra isso
Apesar de Einstein
A vida é agora
E pulsa
Sempre
Onde quer que os homens amem
Quando for que os homens sonhem
Sem máscaras.
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12 do 11 de 11
Parece que o mundo acabou mesmo
Ontem
Um fim silencioso
Imperceptível
E o dia de hoje
É de mera
Constatação
1 278
Só
Ah, solidão
Este monstro devorador de almas.
Por tanto tempo dividimos dores
Companheiras de exílio
Tantas manhãs chuvosas
Em que fomos felizes
Juntas
Te chamei enquanto todos te recusavam
Te acolhi quando todos te repeliam
Te amei pelos mesmos motivos que outros te temiam
Por que, então, agora
Me abandonas?
Agora, que estou aqui, perdida
Neste vácuo
Neste onde
Neste tempo-espaço em que as perguntas ecoam
Por onde andas?
Não me iludo com teu silêncio
(tua definição)
Não estou só.
Só sou íntegra
E estou aos pedaços.
Entregue à minha própria entropia
Sem sequer a solidão,
Este monstro devorador de almas,
Para me fazer companhia.
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Hybris
Você vai ser sempre meu pecado
Minha hybris
A minha tentação
Pra sempre
Meu arrependimento
A traição que não consumei
E eu sigo te deixando pistas
Pequenas provocações
Enigmas
Que você não entende
Ou finge não entender
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!