Hoje estou dividida em duas Sou duas Hoje não consigo me juntar Sou pedaços
Um inteiro, hoje, não me diz nada Sou fatias Gomos Tiras Sou metades
Hoje não sou capaz de escolher um só caminho Sou toda bifurcações Cruzamentos Trevos
Não sei ser um pensamento Sou toda divagações
Hoje você reclama da minha dualidade Mas se esquece que ontem Foi o gume de tua alma tão plural Que me dividiu
Multipliquei-me para sobreviver Para não ficar por aí Contorcendo-me acéfala
Se minha mitose, hoje, te incomoda Te fere Te corta Lembre-se que foi teu fio que me separou De ti.
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Fugir
Fugir Sumir, ganhar a estrada Sair correndo Morrer Enfiar a cabeça no chão Ou Mudar de assunto Falar de outra coisa Do tempo, sei lá, tá chovendo
Mas fugir desse teu sorriso
Que se eu não corro contra Corro a favor
E aí...
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Por Que?
Eu não me pergunto por que te quero. Querer-te, para mim, é mera consequência daquilo que você é.
Não, nunca me pergunto por que te quero. Apenas me pergunto por que te quero TANTO.
Tanto que trocaria muito por bem pouco: Um olhar, um carinho, um beijo.
Tanto que por você eu seria capaz De esquecer meus escrúpulos Adiar minhas convicções De atropelar minha ética. Por você eu perderia o medo Cometeria crimes Eu viraria meu mundo do avesso Por um beijo seu.
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Um Momento
Naquele momento Eu sentei na beira da calçada E chorei Você não me perguntou nada E compreendeu E aceitou
Eu, sempre tão mulher Por um momento fui menina.
Pode ter sido só sonho Amanhã pode ser só memória Mas naquela hora Por um breve momento Eu fui feliz.
E já valeu a pena.
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Para Onde?
E quando as luzes se apagam A música cessa E todos já foram embora?
Quando o nó na garganta se aperta As pernas perdem as forças E as lágrimas se tornam inevitáveis?
O que fazer, José?
Você quer um colo Mas percebe que o tempo de colo já passou Quer um ombro, um abraço Mas eles nao estão mais lá Quer um olhar, uma presença Mas aí não há ninguém
O que fazer, José, quando todos já se foram?
Como suportar Suplantar Encarar? Como superar? Como ser o colo que abriga, A mão que ampara, O ombro que acolhe? De que jeito ser viga Quando não se tem chão? Seguir, caminhando em nuvens, José?
José, para onde?
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Que lugar é esse
Que lugar é esse Onde me encontro E onde me perdi?
Que é esse lugar Em que ondes não fazem sentido? Lugar de comos e por quês, Lugar de quens...
Esse não-lugar sem coordenadas Lugar de descaminhos Desencontros
Esse não-lugar de sonhos Não-lugar de meios Entremeios De entrelinhas
Um não-lugar entre lugares. Como mapear, marcar encontros? Em que lugar os não-lugares se cruzam?
- Mãe, que lugar é esse em que você está? - é, na verdade, filho, um não-lugar... - E qual é o meu lugar, mãe, nesse seu não-lugar?
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Esto es lo que busco
Esto es lo que busco Lo que me sigue Y que lo sigo yo
El que sea capaz de lo que sea Y pelo qual yo no me importe Em saber donde voy
Quiero uno Que saiba hacer caricias sin miedo Uno que se deja quedar Sin orgullo
No mas pruebas no mas juegos solo y sin embargo Amor
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A cada dia me surpreendo
A cada dia me surpreendo Com minha capacidade de errar E tenho medo Percebo que não me conheço Que nunca me acostumo comigo
Minha casa é nômade Meus vizinhos são outros A cada dia Meus caminhos móveis Só me levam a Roma E eu tomo sempre a estrada errada
Ainda que eu corra Sempre que penso estar fugindo É quando mais me aproximo A cada dia mais perdida neste labirinto De paredes fluidas De emoções concretas E me assusto
Nunca me acostumo comigo Com minha determinação absoluta De me contrariar
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Pra chamar sua atenção
Pra chamar sua atenção Fiz coisas bobas Coisas boas Outras nem tanto
Pequenas brincadeiras Grandes bobagens
Mas desta vez Exagerei Extrapolei Passei dos limites
E a verdade É que quis que você visse Que você soubesse Que você sentisse
E a verdade É que só quis Mais uma vez Chamar sua atenção
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Busca
Tenho procurado um poema que me sirva Que me descreva Que me retrate
Mas, nesse momento Nenhum poema me define Nenhum é tão vago, tão vazio Como é meu coração agora Nenhum tão sozinho Tão oco de paixão Nem tão sedento.
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!