Vigente
Tenho preocupações
Sobre o esgotamento da água
Sobre o esgoto a céu aberto
Sobre o Ser Humano e suas mágoas
Sobre o planeta descoberto
O que é potável?
O que é postável?
Depende do filtro...
Tenho cismas
Sobre o presidente eleito
Sobre o futuro da nação
E, a cada sonho REM, quando deito
Sinto que estou perdendo minha religião
Popularizou-se o termo “mimimi”
As ficções são baseadas em fatos reais
E o tempo em que Don Don jogava no Andaraí
Não volta mais
Quer estudar arte? Banksy
Quer fazer arte? Banque-se
Quer apagar arte? Eleja-se
Quer ouvir arte? Elis, já sei!
Mas não quero lhe falar
Das coisas que aprendi nos discos
Tanta coisa aconteceu (creio eu)
A música, hoje, toca na TV e sem chuviscos
A "moda" é gostar de Raça Negra
Mão criminosa virou mão boba
Nosso discurso está limitado aos 15 segundos
E Pronome de Tratamento virou “@”
Quem pensa no tempo também ganha tempo
O futuro do presente me assusta mais que o do pretérito
Lamento...
O futuro presidente vê tortura e faz honra ao mérito
Tormento…
Inquérito...
Luar muda com a maré
Lembrar? Pra quem do futuro é
Vovó firmou na tina
O futuro vai ser ruim da cabeça e doente do pé
Vi gente roubar para comer
Vi gente avisando perigo na esquina
Vi gente roubar por querer
Vi gente do mal sendo bem-vinda
Amanhã foi um dia difícil e ontem será mais ainda
Galimatias e discursos verborrágicos
Um amor de rimas fáceis, calafrios
Ininterpretável como “Las Meninas” de Velásquez
Um amor de rios, rios e Rios
Daquelas cantarolagens que espanta os males
(Eu te...)
Você não consegue recitar sem me excitar
Cantar sem me cantar
Rir sem me sorrir
Mirar sem me flechar
(Eu te...)
É Nando e Cássia, no mesmo ritmo, tocando relicário
É antídoto marítimo, no vai e vem que traz curas
É uma tarde em Itapuã sem fuso horário
É Dom Casmurro com o Emplasto Brás Cubas
(Eu te...)
Olhares 43, dias 15, tamanhos 13
Amor ao acaso, 204
Como um encontro inesperado
Em uma impressora de trabalho
(Eu te...)
Amei teus melasmas
Plantei tuas Astromélias
Conheci as imperfeições
Fiz delas perfeições
Transformei meu dicionário em Aurélia
(Eu te...)
Você é um rio de Janeiro
E eu; um rio de Março
Riu de mim quando me queimei no mormaço
O seu rio é mais legal, mas é no meu que faço aniversário
(Eu te...)
Nesta embarcação, eu me encontrava a bombordo
Enquanto tu, a estibordo
Uma tempestade da cor dos seus olhos
Transbordou a caravela de escordo
(Eu te...)
Corri chão e cruzei mar, deixei-me levar pelo ar
Usei de fonemas bilabiais para te deletrear
Essas coincidências semânticas alveolares
São o verdadeiro significado do verbo “amar”
(Eu te...)
Você virou Tu
Tudo ficou íntimo, mas ainda doeu
Queria te conjugar mais uma vez
Para que Tu virasse Eu
(Eu te...)
Todas essas verborreias em desengano
Galimatias inúteis de se ler
Todo esse clichê, démodé e blasé
É para falar que eu amo você
(Eu te amo)
Ministério da Defesa
Minha ministra
Volte ao confessionário
Saiba, antes de se sentar nesta cátedra
Que o azul e o rosa saíram do mesmo armário
Meu ministro
Não viva no mundo da lua, com enfaro
Saiba, antes de pilotar este impávido colosso
Que na calça da Classe C, ninguém achou o bolso raro
Minha ministra
Cuidado com a boca
Será que é por conta de as relações serem exteriores
Que vocês se importam tanto com a nossa roupa?
Meu ministro
Esqueça os canhões
Se a mentira tem perna curta
Como que o governo dá pedaladas em milhões?
Meu povo
Toma cuidado com o grito dos maus
E, principalmente, com o silêncio dos bons
Somos a teoria prática do caos
Acredita, não queremos furar moletons
Meu povo
Importa-te com Rachel de QUEIROZ
E verás que O Quinze está entre o 13 e o 17
Importa-te com Érico Veríssimo
E verás que a paz lá em Antares é confete
Os parlamentares? Manchete!
Este mundo dá mares
Para além do Bojador
Entre homens sérios, hemisférios, revertérios
Critérios, ministérios, mistérios
Minerais e minérios
Desta igualdade não temos mais penhor
Confundiram um povo heróico com um brado e um tambor
Capitão
Que você sinta fome
Mas, sempre de bola
Que você faça falta
Mas, nunca na escola
Que você coloque os adversários no bolso
Mas, nunca as coisas dos outros
Que você faça gols de placa
E, nunca desmanche um Gol sem placa
Que você seja o capitão
Nunca, o olheiro
Que a festa na favela acabe em gols
Nunca, em tiroteio
Que você seja quem quiser ser
Buarque com Luiz Gonzaga
Ataque com juíz com zaga
Que você frequente o campo e a concentração
Mas, nunca os dois juntos
Que você seja o primeiro na capital
No Brasil e no mundo
Que você seja o capitão
Nunca, o Nascimento
Tampouco do Mato
Que você fique livre
Da marcação
Da Fundação, da prisão
E do fardado
Que a única coisa que você precise roubar
Seja a bola do adversário
Que o seu esporte predileto
Seja o mesmo do Nazário
Que você molhe a camisa
De suor, nunca de sangue
Que a única coisa organizada que você veja
Seja a torcida
Que você seja artilheiro
Mas, nunca faça parte da artilharia
Que você fure bloqueios
Nunca moletons
Que você use colete
Nunca à prova de balas
Que você seja assunto na mesa redonda
Mas, nunca na quadrada
Que você seja o capitão
Nunca, o tenente
Que você arme jogadas
E, nunca as quebradas
Que você viva com a bola no pé
E, não morra com a bola no pé
Que você arraste as chuteiras no chão
Mas, nunca o grilhão
Que você bata tiros de meta
Mas, não tenha os tiros como meta
Tire-os da reta
A bola perdida...
A bala perdida…
Que você encontre a bola de bico
E, nunca receba a bala na bica
Entre nós
Ilê Aiyê trouxe nova aurora
Enredo para um samba de amor
Pessoas cheias de glitter por fora
Mas você trouxe brilho interior
Não sei se nosso romance vira tema de simulado
Ou apenas tema de mais uma redação
Uma nuance, problema dissimulado
Mas não 5 parágrafos de dissertação
Para te descrever, preciso de mil estrofes
Sonetos, baladas e rondós
E por mais que eu filosofe
Não conseguirei desamarrar nós
Ou desamarrar-nos
Deste laço cego
Seu corpo tem rimas
Que só eu enxergo
Você não é mais uma poesia
Que eu escrevi durante a tarde
És verso de madrugada
Sono que some, peito que arde
Um amor dissílabo, confesso
O único “Eu” da relação é lírico
Tudo é “Você“, me expresso
E peço análise de algum crítico
Que me criticou, apontou meu problema
Sofro por amores que ainda não vivi
O seu sorriso é um poema
E é mais lindo do que todos que eu já escrevi
Rounds e rendas
Eu vi a desistência de vários
Ouvi cofres, gavetas, salários
E a ignorância que era uma dádiva
Dá devagar a voz ao necessário
Funcionário sem empresa e contrato
Como que pensa em buscar sindicato?
Como compensa a mistura no prato?
E o patrão na ganância morrendo engasgado
Motivos de sobra pra jogar a toalha
Motivos que dobram o peso da falha
Mas se desistir, pendurar suas luvas
Aposenta de vez essa luta diária
Rotina que cobra, que mata
Cidade de homens de lata
Vaselina que não estanca o sangue
Lembrando: “Não apanhe antes que cê bata”
Quantos Robson Conceição
Acordam as 4, pegam lotação
Esquivam, batem, apanham, ganham
E a medalha não é nem de latão
Mais um assalto no ringue
Nenhum pouco motivado
Mais um assalto nas ruas
Que podia ser evitado
Jab, cruzado, contagem até 10
Job afastado, cuide de seus pés
Bilhete sem saldo transporte ta caro
Jornada e trabalho de azar ou revés
Surreal igual David Lynch
Apanha sozinho se prende no clinch
Luva pendurada mão já calejada
Floyd Mayweather sem nenhum requinte
Um dia frio um bom lugar pra ter um oficio
Mas aguentar todos os rounds ta difícil
É que a conta que não fecha no fim do mês
Tira de um bolso que não tem benefício
E o bom é que esse vale tudo não vale nada
O boxe diz tudo na metáfora e no trauma
Nocautes que derrubam sua alma
Nem sempre o gongo te salva
Romance Analfabeto
Eu sabia seu ponto “G”,
Mas na hora “H” do dia “D”
Um plano “B” que improvisei
Veio a calhar
Apertei a tecla “F”
E num blefe disse “Mova-se
Eu só volto quando eu for seu plano “A”’
Resolvi me despedir, vou por aí
Vou botar o pingo no “I”
E deixar um “Q” de saudade
Assim ela ficando só
Talvez perceba que é o “Ó”
Não ser amado de verdade
Seu corpo era uma curva em “S”
Sua boca, o quociente em fração
Seu coração inconsequente
Bombeava sangue quente
Seu consciente era o “X” da questão
Todo dia ao amanhecer
Ela era vitamina “C”
E aumentava a minha imunidade
Era azeite de dendê
Mas eu quis Vitamina “D”
Sair na rua e tomar sol pela cidade
Dentre “N” opções
Entre bares, corações
Rodas, amigos e canções
Eu te escolhi
Esse B.O não é mais meu
Eu não plantei o que tu deu
Pra tá colhendo o que eu colhi
Seu corpo era uma curva em “S”
Sua boca, o quociente em fração
Seu coração inconsequente
Bombeava sangue quente
Seu consciente era o “X” da questão
Pablo Escolar
O menor com seu sonho de quebrada
Condição com adição de uma mão armada
Trocou a caneta pela beretta carregada
Conspirando seu futuro não faz mais lição de casa
Com a ponto 30 é mais fácil de alcançar e assim vai
Pra ele uma hornet e um i30 pro seu pai
Pra sua mãe o prédio mais alto de Xangai
E o seu sonho de quebrada cai
Trocando escola por cola, matemática violenta
Tres oitão mais doze, colar com a bala ponto 50
O sistema deixou na margem mais um pivete
Que não sabe usar artigo, mas já é 157
Que podia estar andando com caderno
E não uma peça embaixo da blusa
Deixaram o menor interpretar errado
“carreira, dinheiro e canudo” do Cazuza
Quer ser Tony Montana porque viu no supercine
Envolvido e refém da face oculta do crime
Deu all in com um full house e o rebuy já não mais vale
Mas não teve a mesma sorte do Casino Royale
Correu pelo errado e sua mãe não se orgulha
O camelo não passou pelo buraco da agulha
Deixa ele ir quem não é visto não é lembrado
Outro assassinato, outro sonho acordado
E dele nem já não estão mais lembrando
Achou uma luz no fim túnel
Mas era o Giroflex piscando
Isca da faísca entre sistema e milícia
Eu não dou mais pé pra essa fé que eu ponho
Um governo que vende estilo de vida
Mas a realidade é a prima pobre do sonho
Em cada esquina eu vejo mais um motivo
A polícia é ouro em tiro esportivo
Quero ver o Brasil campeão e incentivo pras crianças estudarem
E a volta olímpica pras olimpíadas nunca mais voltarem
Eu sempre tive medo
Vejo a historia se repetindo e meu voto falido
Pessoas que, discutindo, não veêm o país caído
E mesmo eles tentando desfocar o meu olhar
Estou puto com o corrupto e esse luto me faz lutar
Não te convidaram para a festa do golpe?
Seu inimigo está no poder e já tomou posse
Não te ofereceram nem um cigarro?
A fumaça que eu trago vêm da bomba do estado
E eu trago em metáforas o medo de te eleger
Eu trago o nome da rosa com certidão e RG
Eu trago informação que um dia um professor me disse
Pra ser sincero
Eu sempre tive medo daquele vice
O passado tinha mais futuro do que o presente
Digo o passado recente, não aquele dos tenentes
Pegando sempre os exemplos ruins lá de fora
A casa das cartas virou jogo do bicho! E agora?
E agora John? E agora George? E agora Michel, o que nos resta?
E agora José, você que faz versos, que ama, protesta?
Não veio a utopia, não é igual Forrest Gump
Fogo em babel que essa é Babylon by Trump
E eu sempre tive medo daquele vice...
Toca o hino, dá discurso, só que esquece
Que o Brazil que voce ta falando é Brasil com S
Brasil de brasileiro que da luta nunca fugiu
Morreu alguém, e a ficha ainda não caiu
Democracia que não me deixa ser democrata
Mania de mantê-la abstrata
Mandato que nem metade ela cumpriu
Derrubaram a ficha, e a minha ficha caiu
Ponte de safena
Interpolado coração, confuso raciocínio
São os cinco sentidos e suas sinestesias
Sonhando sem sono, encanto e fascínio
E a insônia me deu as melhores poesias
Romance epistolar ou um pot-pourri de gente bamba
Digital ou na caneta de nanquim, sem plataforma
Estou com uns versos que dariam um samba
Em letra de fôrma, pois o que menos importa é a forma
Você veio para irrigar meu coração
Desviou sangue e gerou confronto
Fiz uma nova bossa, outra canção
E a vida nunca foi a arte do encontro
Ponte de safena sem cicatriz
Ela me opera, marca meus passos e acha digno
Um mapa dizer o que faço e o que fiz
E eu já falei pra ela que não ligo pra signo
Viajei a prazo pro inferno por você e por amor
Réu confesso, longe de você já não sou mais nada
Talvez milhões de vasos sem nenhuma flor
Expliquem as mil rosas roubadas
O “se” que cê adora não é “Se” de Djavan
Você arrancou meu sono com sua incerteza
Como uma psicóloga, sinto sede de divã
Ao menos em meus pesadelos eu sinto sua frieza