Lista de Poemas

Cume


E se do alto de uma montanha
Eu pudesse ver-te caminhar
Sorrir, sonhar
E se o tempo eu pudesse fazer voltar
Onde estaria eu agora
Junto ao mar?
Talvez ao teu lado
Quem sabe sonhando
Com a vida que eu soube levar
Mas é só nostalgia
Passageira decerto
Que a neblina levará
Para que eu possa
Do alto de uma montanha
Apenas contemplar
1 080

Conto


Delicados traços de tinta
Numa tela fresca e viva
Tão diversos os caminhos
Somos como locomotivas
Sopramos morno vapor ao vento

O que em mim tem dessa tinta
É o que me pergunto
De tempos em tempos
E a luz que nunca finda
Ilumina meus pensamentos

O que tenho nas mãos
Senão a mim mesmo
O que posso contar
Senão a minha história
Miro a tela da vida
Rabisco minhas memórias
931

Karma


Ainda se faz guerra
Se mata, se tortura
Um verdadeiro horror
Ainda se faz escolhas erradas
Que embotam todos nós
Que pena viver na ilusão
De que tudo se pode fazer
Sem entender que é vão
Tentar evitar o desprazer
Quem torce para o pior
Não consegue viver só
E sem saber como viver
Nos reduz a pó
954

Caminhos


São apenas caminhos
Por vezes tortos
Irreconhecíveis
Com enormes abismos
Entre o que se quer
E o que se tem

São árduos caminhos
Por vezes frios
Porém concretos
Cheios de vazios
E espaços abertos
E inúmeros rumos além

São caminhos incertos
Com amigos por perto
Se tornam caminhos abertos
Um presente que se tem
974

Olhos de Pedra


Olhos tortos, míopes, vesgos
Por que não veem o que eu vejo
Vidas manchadas, como elas 
Podem ser nada? Pode uma 
Esculturada cegueira 
Sangrar? Que tanta frieza!
Ah olhos cegos que não
Veem nada, sua visão sim
Fora lapidada com
Uma venda que não pode
Ser tirada, de tão dura
Nada sente já que seu
Coaração se enrijeceu
Sua inércia é o que se vê
Sentada, rígida, armada
Pode ser o que tu temes
Mas seu peso é nada
Quando comparado a Deus.

 

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Despertar


Dia amanhecendo
A luz ainda azulada
E o sol tímido atrás das montanhas
E no vento leve o cheiro
Da manhã que está por vir
De tudo o que pode acontecer
Dos amigos que irão partir
Dos amores para me despir
Para que rancores, senão
Para manchar nossas almas puras
Ainda que falemos da menor parte delas
Sinto o cheiro das velas se apagando
Do mar se revoltando
Do resquício do suor noturno
Da grama ainda molhada
E do café que nossas almas desperta
E nos faz acordar para a vida
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Medo da Morte


Que tormento
Meu lamento é só porque
Os dias se demoram
E à noite, sozinha
Mesmo ao teu lado
Sofro quieta, calada
Pelo tempo que nos escapa
E assim adentrando a madrugada
Tal tormento me faz acordada
Até que exausta me entrego
Àquele que nos dá alento
No escuro em breves momentos
Onde tudo se torna possível
Sonho por toda a madrugada
Para não me ver morrer acordada

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Alimento


Para servir alguém especial,
Doce ou salgado,
Quente ou gelado,
Não importa, afinal,

Se há carinho e afeto,
É só dar de bandeja,
Fazer feliz a quem se preza
Com toda a certeza.

Se amar é doce,
Amar docemente é
A melhor sobremesa,
Substância além da mesa.

É o que é do homem,
É sua essência,
É aquilo que o eleva
A sua própria grandeza.
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Beijo


Molhado, temperado
E nada mais vejo
Fecho os olhos
E me entrego totalmente
A esse anseio
Línguas invasivas
Nada fere, só excita
E me rendo ao deleite
Morno para quente
Um suar frio, um agrado
O calor que agora sente
É de um beijo molhado
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Amigo de Infância


Amigo de infância
lembrança sem fim
das salas e corredores
que levavam ao jardim

Das casas das freiras
das cruzes espalhadas
lembro de rezar
para ser sua amada

Do chilrear de pardais sem asas
do cheiro de doce e suor
sempre me pergunto
se estará meu amigo só
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Na borra do papel
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