Lista de Poemas

As Cores da Dor


Talvez possa eu um dia
Mudar de cor
Saberia o que é ser colorida
E ainda assim
Não teria amor
E nos cantos escuros da vida
Clareados pela luz do dia
Eu seria sabida da crueldade
De todas as cores da dor
853

Quantos Passos


Posso ir?
Quantos passos?
Que sejam tantos
Pra de ti me aproximar
Que sejam poucos
Pra não deixar-nos loucos
Que sejam largos
Como os teus sorrisos
Que sejam firmes
Confiante em te encontrar
E que não demore
A hora de chegar
870

Bagunça


A criatura está à solta!
O que fazer a essa altura?
Corram! Corram todos!
Escondam-se! Acovardem-se!
Só não reajam, pois a dita é dura
Apenas sofram os horrores
De tamanha loucura
Eis o recado dos tiranos
Aos desgraçados em fúria
854

Mutação


Páginas inteiras de solidão
Páginas vazias de multidão
Apenas eu e o eco
Dos meus pensamentos
Sou só, sou frágil
Intangível é o que quero me tornar
E assim me desfaço
De todo o querer
Para enfim me libertar
E poder apenas ser
O que quer que eu venha me tornar
1 001

Disputa


Quanto esforço fazemos
Para não conter nossas almas
Para que o melhor de nós
Saia e se mostre sem
Nenhum impedimento
Na mesma proporção
Da nossa resistência
Quando lá no início
Somos violados em
Nossa rara natureza
Nessa luta constante
Essa medida de força
Entre tantos vícios
E muitas virtudes
966

Não se Afoga a Esperança

A dor úmida esfria a alma
Dói nos ossos, estira a carne
Tudo é mudança, tudo é perda
Mas o real as fantasias
Todas põe na lama. E o que sinto
É concreto, é a casa da esperança.
Não ela não morreu, não morre
Nem para o ateu, pois que insiste assim
Como ele e eu. Não se afoga a
Esperança. Quem nunca perdeu
Que não espere, se nunca sofreu
Que não se molhe a tristeza
Inunda, as lágrimas escorrem
Mas tudo é mudança e com sorte
O que é frio esquenta, o que é dor se
Cura e o que um dia foi tristeza
Se transforma em alegria pura
Ficarão as marcas ao menos
Na memória e que não se apague
Nenhuma história porque toda
Vida poupada, resgatada ou
Perdida é vida cheia de glória.
 

129

Trilha

Na entrada hesitei, mas segui
Na caminhada logo me
Encontrei. Tudo era novo e
De repente eu me perdi de
Novo e o silêncio gritava e
Minha cabeça buscava no
Verde entorno uma resposta e
O frescor nada dizia , eu
Só pedia, “por Deus que me encontre”
Eis que os pássaros encantaram
Minha alma e na rota fria
Era noite era dia na 
Bela e estranha trilha e em
Meio a mata veio o vento e
Amansou meu pensamento
Finalmente pude deixar 
A velha armadilha em que um dia
Me enfiei até sair livre
Da trilha por onde entrei.

142

Será que mereço?

Por que me esqueço? Será
Que me aborreço e fujo e
Nada nada me consola?
Será que tento não perder
Aquele momento em que
Pude ser e eu não fui?
Será que me condeno a
Falhar só porque faltei
Comigo? O que é isso
Castigo ou flagelo? Não
Não sei! Sei que não mereço
Mas não demora e esqueço.
 

195

Meu mar


Gosto do mar, adoro mesmo
Sinto ele em mim
E me vejo nas pedras batendo
quando estou infeliz

Daquilo que mais gosto nele
não é a calmaria
O que seria de uma vida inteira
se não fossem as correntes frias

Ah, esse meu mar
incontrolável
entorna enfim
Lavando, salgando
Ah, maresia da alma
tormenta sem fim
1 016

Macapá


Chegava assim
Num rompante
Porta adentro
Seu semblante
Era de amargar
E já sem emprego
Só fazia planejar
Sentado no sofá
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
Lamentava sem parar
Depois dizia
Hein, Rosa, Macapá
Prometeu-me um emprego
Poderíamos nos mudar
O ano está encerrando
Veremos colégio
E uma casa pra alugar
Hein, Rosa, Macapá
É uma oportunidade
O que custa tentar
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
E cuspia as palavras no ar
Hein, Rosa, Macapá
Eu que só ouvia
Com meu irmão media
Com uma régua
A distância do Rio a Macapá
Só havia um mapa
E poucas linhas
Falando do lugar
E tristes, já em desespero
Simulávamos despedidas
Dos amigos que fizemos
E imaginávamos uma vida
No mapa lá em cima
Numa terra distante
Chamada Macapá
E assim seguia a ladainha
Semana adentro
Até que ele esquecia
E nos dava um alento
De que a vida seguiria
Sem maiores sofrimentos
Hoje às vezes lembro
E acho até graça
Da tortura que sofria
E do medo que sentia
De um belo dia
Ter de viver em Macapá
Um lugar tão sem tamanho
Quase fora do mapa
E eu confesso que pensava
Talvez o mar
Que eu gosto tanto
Pudesse lhe afogar
Pra que eu nunca
Corra o risco
De um dia lá morar
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