Luciana Souza

Luciana Souza

n. 1971 BR BR

Sou tão pequena que... O que percebo não cabe em mim, então, devolvo parte pro papel.

n. 1971-02-11, São Paulo

Perfil
26 127 Visualizações

Conto


Delicados traços de tinta
Numa tela fresca e viva
Tão diversos os caminhos
Somos como locomotivas
Sopramos morno vapor ao vento

O que em mim tem dessa tinta
É o que me pergunto
De tempos em tempos
E a luz que nunca finda
Ilumina meus pensamentos

O que tenho nas mãos
Senão a mim mesmo
O que posso contar
Senão a minha história
Miro a tela da vida
Rabisco minhas memórias
Ler poema completo
Biografia

OFERENDA POÉTICA


Para você que como eu
Gosta de rimas e versos poéticos
Se encanta com a pessoa exposta
Na borra do papel
Desfruta da intimidade
Que é desvendar o outro
Na brevidade de poucas linhas
E num momento se reconhecer
Em cada coisa que sente
Tal qual o medo, o desejo e a dor
Eu lhe peço que sem nenhum pudor
Aceite minha oferenda poética
Uma coletânea de poesias e crônicas
"Lu Artístico", minha primeira façanha
E para esse humilde destinatário
[email protected]
Envie um pequeno bilhete dizendo assim
Quero "Lu Artístico" para mim
E de bom grado lhe enviarei
Por e-mail o meu primeiro feito
E só o que espero é que goste
E que diga para toda gente que
"Lu Artístico" está disponível na Amazon
E assim findo contente

Poemas

38

Oração de Portugal


Valha-me Deus
Para que eu possa 
Transpor esse mar
E que não haja ondas enfurecidas
Pois deixo a raiva para trás
Que eu não sinta saudade
E como um ser que renasce
Que eu esteja vazio
Para me encher de novo
De tudo o que me couber
Que ao cruzar esse oceano
Que separa a tristeza de uma vida antiga
De toda alegria que virá
Possa eu sorrir todo dia
Ao lado daquele
Que sempre me soube amar
700

Muda


Se vem de fora ou de dentro
não sei
Apenas anseio
e sei que é pro meu bem
Se é de casa ou de vida
ou se é o destino que impõe
Oh dança fatídica
em ritmo de lamentações
Se é chegada ou partida
Oh vida bandida
Por que nos dá e nos tira
Nessa roda que gira
e gira, e gira
Mas não a tema
pois é só na ciranda que ela vem
E pode trazer riso e prosa
e pranto também
Surpresas e glória
e até o amor de alguém
Se é de dentro ou de fora
não se preocupe
que um dia ela vem
716

Enlaço


Porque são os laços

E não os nós
Que atam gentilmente
E com cuidado
Deixando frouxo
À vontade
Que aproximam
Alegram e dão o valor
Que se merece
Encantam e enaltecem
A cada volta
Do jeito certo de amar
E nessa constância
De tantos altos e baixos
De tantas voltas em laço
Têm em nós
Atados voluntários
Prisioneiros assim ornados
Dessa gentil forma de amar
643

Expurgo


Eu estou lá,
pendurado sem ar.
Essa corda me amarra
e, nesse ferro frio,
espero vazio
o pavio acender.

Eu espero alguém
que arrebente essa corda,
que sopre minha alma
e me faça esse bem.

E então, por inteiro,
tendo o peito cheio,
cuspir essa brasa,
fazer arder cada palavra
sentida, sofrida.
Uma azia essa dor!

E por fim, num suspiro,
esse fole vazio,
livre e finito,
destino cumprido
sem mágoa,
sem dor.
691

Vergonha Nacional


Queime! Queime! Queime!
Que os elementos consumam a história.
Que o óbvio se transmute em cinzas anciãs.
E que reste à nossa memória
Apenas vergonha e arrependimento
Por toda a negligência,
Por todo o malfeito,
Pelos que deveriam,
Mas se negam a servir ao público,
Pelos que se esquecem
Que vale mais o que pertence a todos
E que estão à parte
Do que deve ser chamado Humanidade.
437

Já Chega


Chega!
Basta!
Não quero mais!
Não é pirraça
Só não quero mais
Já esqueci
Não lembro mais
Agora chega
Não quero mais
Tem sal no mar
Mas não de mais
Tempero é bom
Eu quero mais
Te amo muito
Até demais
Me dê um beijo
Eu quero amor
E muita paz
453

Ela


O que é o feminino 
Num mundo tão masculino 
Próprio de quem faz menino? 
De quem sabe dar carinho? 

Forte ou frágil 
Sabe ser os dois a mulher 
Com trejeitos e suspeitas 
De ser uma qualquer 

Mas é puro preconceito 
Pois ser correto 
Não é próprio do gênero 
Pode ser homem ou mulher 
Mas feminina mesmo 
Só ela sabe ser 

Mulher, menina, senhora 
Aquela que gera a prole 
Que alimenta e acolhe 
Tenta se reconhecer 
Nesse mundo tão masculino
Que feminino precisa ser
688

Desvelar


Há um véu
Sobre tudo
Sobre nós
Impossível
Desvendar-se
Acima o ideal
Da divindade
Abaixo um tatear
De meias verdades
E embalados
De vaidade
Seguimos presos
Sem liberdade
Como romper o véu
Como ascender aos Céus
Sem antes
Ajoelhar-se
Nesta terra
Num gesto
De humildade
Que a alma seja leve
E nada queira carregar
Para que assim
A brisa a leve
Num repente
Desvelar
178

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.