Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

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Luz de Corrego

Ela suspirava dores à medida que sua pele era tragada por novos perfumes.
A simetria do momento ocasionava êxtase, como aquele antigo blues ouvido por poucos.
Simbiose mutua que alimentava-a a cântaros, mesmo que tão cheios de hiatos.
Perceptíveis se tornavam marcas de expressões desalinhadas, enxugadas com retratos quebrados as pressas, partículas da luz dissipadas ao longo de cada olhar.
Parecia intrigante a forma com que aqueles fios retratavam um bem querer - sem querer.
Harmonia entre duas saídas sem entradas aparentes.
Os ruídos alardeavam o xeque-mate da poesia infindável que subsistia, mas ela não se imergia de preocupações, tudo que buscava precederia no momento perpétuo da sinfonia de meia-noite.
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Adeus de Boas Vindas

Eu digo

Mas deixe

Sem cores

Rumores

Amores

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Votos de silêncio

 
O ambiente lembrava suas mais obscuras insanidades. Paredes frias como a ausência interior denegrida em passos falsos. Quimera inevitável da essência contida em sua vil dor.
Helena encontra-se jogada ao chão, estagnada em sentidos sórdidos onde ninguém ousaria infiltrar-se. O pensar transformou-se em pânico absoluto, nem mesmo tamanha doçura percorrida em suas veias traria em segundo plano a distinção de fatos mundanos. Nenhuma concepção trará sua felicidade, ou reduzirá sua angústia de ser.
A necessidade de mover-se é inevitável. De cantos, para outros, sem que seus cabelos negros desprendam-se em nós, ela acalenta seu pensar em vital vazio.
O aroma da noite passada está impregnado em suas roupas, odor de Whisky barato, seu preferido, junto a uma carteira de cigarros vermelha, qual nunca esquecida. Combinação perfeita, ninguém a entende tanto como tal lazer autodestrutivo. Demasia até o ultimo trago.

 

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Vício de estar

Sentir o inebriar daqueles olhos é quase tão certo quanto a tração que tal sorriso ofusca nas sombras.
O espanto, como se quisesse escalar o mundo a troca de um beijo, a vida, em troca de um só olhar de amor.
As risadas já presentes dominam a alma, a espera de lembranças desencadeadas de um possível abraço confortante.
Noite onde a lua perde seu rumo, onde a água ganha imensurável densidade, onde três passos mudam um rumo inteiro.
Incerto, certeza de um talvez.
O sopro gelado evaporando de um corpo em chamas, de uma mente limitada a lógicas.
Razão que se perde, frio que corrói.

Tudo é novo e tão velho, tudo é energia contida, amor reformulado para caber.

784

Averba a Ação

A  frieza da madrugada não dispersa dias melhores, unificado a serenidade das ideias distintas.
Noites ecoam na ausência da alma, em análise de memórias ressaltadas que atingem a plenitude necessária para causar o caos.
Tudo em transferência simultânea, acolhendo as dores de estatísticas retóricas. Os dias não lembrados serão sempre assim?
Os meses trazem o ar gelado na ausência de prosa nos movimentos.
O verde daqueles olhos acomodaria qualquer incêndio que por desventura repousasse nas horas por vir, declarando imenso o anseio distorcido pelo anos seguintes.
Nada se faz tão presente quanto a dor disfarçada nos sussurros ao relento da alma. Pura concepção de ''outra-suficiência'' distanciada pela desordem.
A bela presença que se encobre na névoa, permanecendo nas simulações de felicidade.
Os encontros sem despedidas escracham as prováveis certezas de saturações em lágrimas.
Nuvens que englobam um só foco. Suor frio com partículas ociosas.
Tudo. Tão pouco. Tudo. Tão sempre. Nada.
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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?