Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

95

Deveras

Tu sabe, moreno
O teu caos é verídico
Os teus olhos são limpos
Apareces do nada, me trazes sorrindo

Ah, guri
Teu andar desajeitado não engana
Tuas mãos frias enrugadas lhe entregam
Diz ser vermelho, azul, cor do incerto

Mas rapaz
Perceba a dislexia de meu pulmão
Chegando bem de manso
Te trazendo quase em vão.
944

Desconhecido

Esse verso que agora escrevo
Mutilado em minhas veias
No ócio do estrondoso mar
Certifico-me que insano seja

Fugaz as linhas que nos trazem
Correndo sem cessar
Abrindo novas alas
Espalhando imensidões

Sincronia essa que já não me sente
Eu, pleno vigor mundano
Perambulando em abstinência
Deixo-me em teu contra plano.

923

Nota pessoal:

Sou tão amor que deixo de ser.
747

Clarabóias

agarrava-me num sonho ruim
podia sentir o ar quente de suas ventas
entrelaçar
desgrenhar meu corpo amaldiçoado

pôs fogo em minhas flores
roubou-me pirulitos
deu-me balas nunca provadas
saciou-se de minha inocência

antes eu levava flores
antes eu não sabia da escuridão
antes eu era criança
antes não era prisão

agora tranco a porta
agora escondo a chave
desenterro minhas bonecas
mas elas já não brincam mais comigo.

902

Vertigem

Juro que não sei rimar
Por Deus, me ensine a rezar
Tuas letras glorificadas não me servem de inspiração
Mas Deus, por Deus
Que isso seja minha oração.
774

Marasmo

Disserto sobre a vida
Mas nada sei do mar
Será só um barquinho
Ou um navio a naufragar?

E se a vida não for nada?
Ainda tem a ver com mar
Mar que nada, nada, nada
Mas nunca consegue chegar.

Nadar eu sei
Nado de trás, frente, peito, cachorrinho
Nado no teu peito, nado com carinho.
Nado no Nada.

Talvez não saiba nada da vida
Talvez não saiba nada do mar
Certeza que não sei nada de nada
Absoluta certeza de que não sei amar.

Diego Mattos e Aline Lucille

Um poema em duas mãos.

882

Pano de prato

De alguma forma aquele copo vazio foi parar ali, estagnado, sem razões nem respostas.
Algo desastroso estava por trás das bordas sujas de batom rosa.
Me pergunto, que tipo de mulher usaria cor tão alegre num domingo chuvoso? Definitivamente
incompreensível. Talvez uma otimista sorridente passara pelos arredores. Mas não, não é possível.
Indignada me punha a pensar. O café esfriava, meu cabelo parecia estar mais bagunçado a cada hipótese. Me dei conta que ainda estava com a blusa do pijama.
Cheguei a pensar que talvez fosse inveja a minha indagação, pois aquela cor nunca estaria em meus lábios, o otimismo nunca viria a ser parte de mim, e eu nunca, nunca, nunca sairia de casa num domingo chuvoso.
Levantei e fui escovar os dentes.
O copo ainda guardava meus resquícios de felicidade.


981

Translúcida


Sem ideias compiladas

Como vou prosear?

Se minha rima não te afaga

Nada vale de amar


(Assinado: Ladrão de criatividade)

807

Averba a Ação

A  frieza da madrugada não dispersa dias melhores, unificado a serenidade das ideias distintas.
Noites ecoam na ausência da alma, em análise de memórias ressaltadas que atingem a plenitude necessária para causar o caos.
Tudo em transferência simultânea, acolhendo as dores de estatísticas retóricas. Os dias não lembrados serão sempre assim?
Os meses trazem o ar gelado na ausência de prosa nos movimentos.
O verde daqueles olhos acomodaria qualquer incêndio que por desventura repousasse nas horas por vir, declarando imenso o anseio distorcido pelo anos seguintes.
Nada se faz tão presente quanto a dor disfarçada nos sussurros ao relento da alma. Pura concepção de ''outra-suficiência'' distanciada pela desordem.
A bela presença que se encobre na névoa, permanecendo nas simulações de felicidade.
Os encontros sem despedidas escracham as prováveis certezas de saturações em lágrimas.
Nuvens que englobam um só foco. Suor frio com partículas ociosas.
Tudo. Tão pouco. Tudo. Tão sempre. Nada.
1 095

Vício de estar

Sentir o inebriar daqueles olhos é quase tão certo quanto a tração que tal sorriso ofusca nas sombras.
O espanto, como se quisesse escalar o mundo a troca de um beijo, a vida, em troca de um só olhar de amor.
As risadas já presentes dominam a alma, a espera de lembranças desencadeadas de um possível abraço confortante.
Noite onde a lua perde seu rumo, onde a água ganha imensurável densidade, onde três passos mudam um rumo inteiro.
Incerto, certeza de um talvez.
O sopro gelado evaporando de um corpo em chamas, de uma mente limitada a lógicas.
Razão que se perde, frio que corrói.

Tudo é novo e tão velho, tudo é energia contida, amor reformulado para caber.

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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?