Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

Perfil
39 507 Visualizações

Poemas

95

ll

É na caixa marrom

que a tragédia é suplicada

Leve como o som

ou pesada como o último suspiro.

506

Expediente

Em todo fim de túnel

Imerge uma solução

Escassa e passageira

Barreira da solidão


Em todo quadro mórbido

É vista uma confusão

Que mesmo com outros olhos

Enxerga a absolvição


Em todo sofrimento

Existe a compaixão

De jogar a corda pra baixo

Sem retorno para o chão.



538

Mundo-Mudo

Respeito o desacato

de quem cala na multidão

São olhos entorpecidos

dedicados a escuridão


Respeito o desacato

de quem ouve sem pensar

São palavras digeridas

de quem fala por falar


Respeito o desacato

do canto persuadido

São gestos ignorantes

na palavra sem sentido


Respeito o múrmuro alto

de quem ora como bispo

Indolências necessárias

nessa vida sem sentido.


520

lll

Dentre tantos sons

O viver é confundido

Gritos desesperantes

Ecoam como sorrisos

De tanto gritar

A voz cala

Sem sentidos

O que restam são monstros

No alarde dos ouvidos.

551

Cravos

Ao teu andar lento
Vejo meus passos expressos
No marasmo do tempo
O meu templo secreto
Teu respirar.
649

Alameda Italiana

Se eu lhe fizer um poema

Jures não desonrar

As linhas de meus versos turvos

São estrondosas ao teu tratar

De derradeira rima

Passo a flagelar tua pele

Que mesmo distante

Contemplo leve.


712

Derme

Em minha morte quero moças despidas

Circulando em pavilhões definhados

Onde a cena é megera

E meus olhos obsoletos


Em meu leito

Desejo recordar a vida

Víbora de tamanhas fissuras

Prostituta rameira

Segregadora de meu último trago


Vil adeus não concedi

Me despeço com a alegre feição

Alforriado do cárcere comunitário

Foragido por minhas mãos


822

Azul

Suspira meu peito

Envolve-me sem pressa

É rima que se contesta

Sem vírgulas

Dou-lhe um ponto final.

686

Quatro e um meio comprimido

Canso-me dos dias pobres

Sem nenhuma iguaria

Das taças vazias

Ocupando balcões empoeirados

De incontáveis partidas


Canso-me das horas iguais

Do pesar que aniquila

Do riso forçado

O presente, o passado

Engolidos com a saliva


Canso-me das cores

Variadas entre cinzas

Isentas de ardores

O vermelho deteriorado

Em bocas de mancebas


Canso-me das relações sórdidas

Dos inícios procrastinados a falhar

Das fissuras incessantes

Irrevogável, interminável

Valsa sem par.

406

Estilhaços

Hoje o vento soprou forte

Abalou árvores, casas, moinhos

Me cortou feito faca afiada

Levou-te.

650

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?