Poemas
95lll
O viver é confundido
Gritos desesperantes
Ecoam como sorrisos
De tanto gritar
A voz cala
Sem sentidos
O que restam são monstros
No alarde dos ouvidos.
Mundo-Mudo
Respeito o desacato
de quem cala na multidão
São olhos entorpecidos
dedicados a escuridão
Respeito o desacato
de quem ouve sem pensar
São palavras digeridas
de quem fala por falar
Respeito o desacato
do canto persuadido
São gestos ignorantes
na palavra sem sentido
Respeito o múrmuro alto
de quem ora como bispo
Indolências necessárias
nessa vida sem sentido.
Exímio exílio
Pela euforia da imensidão
Caminhávamos lado a lado
Sem direção pertinente
Isentos de tanto cuidado
Os corpos não eram nossos
Tão pouco de outrem
Amor que reencarnado em dois
Compartilhamos em um
Pertencentes em espírito
Designados ao abismo
Nos esbarramos na mesma solidão
Em barco furado, maré alta sem chão
A voz dele tampava meus furos
Apagava cicatrizes profundas
Trazia clareza em minha escuridão
Repentinamente, calou-se.
Alameda Italiana
Se eu lhe fizer um poema
Jures não desonrar
As linhas de meus versos turvos
São estrondosas ao teu tratar
De derradeira rima
Passo a flagelar tua pele
Que mesmo distante
Contemplo leve.
Miséria
Persevero no colo do mundo
A dor da solidão
De quem escreve para suprir
As falências da alma.
She says
Procurei pelos cômodos de casa
As meias mal lavadas
E olhos amortecidos de indolência
No desabrochar do tempo
Que hora parte
Hora cura
Onde foi que deixei as xícaras sujas
De tantos desafetos e ternuras
Lembradas no enaltecer da partida
Onde foi que deixei a vida
Que era minha
Que era tua.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?