Poemas
95Votos de saudade
A poesia escondida se mostra em sua ausência, ecoa, grita de meus pés até o infinito
O verso se retrai em silêncio
Nenhuma sinfonia ousa soar
Mãos desatadas em tempo que se calcula em saudade
Cama vazia, a espera da rotina perfumada que há de voltar
Meu corpo nunca se viu tão sem pele, tão sem vida
A luz do amanhecer trás seus surtos de abstinência
E tudo pelo o quê anseio é sua chegada.
À volta sem ida.
Sanatório
Manchas colhidas
Repelem meus ossos
Já de partida
Trincados, quebrados
Ná fúria de laços
Rompidos, perdidos
Perduro meu corpo
No encontro ascoso
Alimentado por vermes
Que nascem a cada entardecer.
Cravos
Vejo meus passos expressos
No marasmo do tempo
O meu templo secreto
Teu respirar.
Quatro e um meio comprimido
Canso-me dos dias pobres
Sem nenhuma iguaria
Das taças vazias
Ocupando balcões empoeirados
De incontáveis partidas
Canso-me das horas iguais
Do pesar que aniquila
Do riso forçado
O presente, o passado
Engolidos com a saliva
Canso-me das cores
Variadas entre cinzas
Isentas de ardores
O vermelho deteriorado
Em bocas de mancebas
Canso-me das relações sórdidas
Dos inícios procrastinados a falhar
Das fissuras incessantes
Irrevogável, interminável
Valsa sem par.
Miséria
Persevero no colo do mundo
A dor da solidão
De quem escreve para suprir
As falências da alma.
Estilhaços
Hoje o vento soprou forte
Abalou árvores, casas, moinhos
Me cortou feito faca afiada
Levou-te.
Mundo-Mudo
Respeito o desacato
de quem cala na multidão
São olhos entorpecidos
dedicados a escuridão
Respeito o desacato
de quem ouve sem pensar
São palavras digeridas
de quem fala por falar
Respeito o desacato
do canto persuadido
São gestos ignorantes
na palavra sem sentido
Respeito o múrmuro alto
de quem ora como bispo
Indolências necessárias
nessa vida sem sentido.
Enamorar
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?