Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

95

NASA

Se me percebesses, mesmo na última nota, eu escorreria
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.

Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.

No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.

Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.

Vermelho.
238

Sobre Ela

Nós éramos poeira estelar. O começo e fim de tudo. Brindamos o nascer da vida o tanto de vezes que jogamos o vinho no chão. Enquanto o zelo e o desdém escorriam por nossos corpos, estávamos ali, formando matéria. Nós sempre fomos nós. Por tempo fui tua mãe, até que então virei filha, irmã, no mais tardar, sina de outras vidas. O teu batom era meu abrigo dos dias de chuva, de quando chegavas exausta e mesmo assim me davas o sorriso, aquele mesmo sorriso de quando um bebê ri e não se sabe porquê. Já eu, era o café das tuas manhãs. Acordavas cheia de marra, cara fechada...linda. Só lembro de repetir, linda! E teus olhos se abriam como se dissessem: obrigada por estar aqui. Por mais que tua cara antes do meio dia não fosse tão alegre. Aliás, você demorou pra aprender a acordar cedo. Começou com yoga, mantras, gente careca. Eu não entendia no começo, e querendo estar ali, aprendi contigo que não era mais mãe. Não era mais sua mãe. Como pude? Quando foi que tu cresceu? O que eu perdi? Tu sofreu? Mas me parecia tão plena...eu só podia estar delirando. Virei filha de mim mesma, a mãe. A filha da mãe não era mais ela. Como pode? Observei cada passo de seu crescimento, era referência, tornei-me réu. O martelo foi batido na mesa de vidro. Os estilhaços estão presos em nossos corações. A família desfez-se em uma só tacada. E agora? Já fomos tudo que poderíamos ser, você seguiu meus passos, eu segui os teus, e onde foi que isso nos levou? Eu queria ter uma bomba. Já fomos família completa, pra nós restou ser sombra.
É sombra. É sem sombra de dúvidas que nos aguardamos no infinito. Essa vida foi nós desde o princípio. Vai ser nosso fim. Vai ser nós no fim. Tu me ensinou o caminho da verdade, eu te ensinei que doa a quem doer, dói. E vai doer por muito tempo. Não é de hoje, começamos a nos desatar dia a dia, o café era fresco, não deixou espaço pra alegria. Nossos sorrisos estão fundidos desde a aula de ballet na quarta série, nos intervalos de escola do ensino médio, nós atabaques dos médiuns. Nossa alma, menina, é nossa. Nossa alma não tem dono, somos do mundo, mas somos uma da outra, somos a mesma, mas em outros planos.
Acontece que meu amor é teu, e sempre vou dar-te mais uma vez. Saudade é pra quem tem história, é pra quem guarda no peito as marcas da memória, é pra quem respira fundo, diz: tô indo embora. E se quiser voltar não demora, tua cama tá aqui no meu coração, tua camiseta velha no armário, representa nossa canção. Chegamos a ser teoria, saímos da caverna, somos Platão. Mesmo assim eu rezo, guria, me dá tua mão. Essa é nossa última vida, não vai ter reencarnação, eu quero morrer contigo, é arte nossa canção. Estamos no Romantismo, somos obras divina, esquecemos do perdão. Talvez devêssemos voltar, renascer, revirar toda mágoa. Talvez devêssemos calar. A sorte é tua, eu deixo pra ti tudo que tinha pra dar.
Passado, pretérito imperfeito. Do nosso amor a gente é quem sabe, menina. Hoje eu não sei de mais nada.
242

De longe

Vim te dizer

Nosso amor um dia será

Calmo, simples, encantador.

E só nosso.

 

Não quero te provar nada

Não te procuro mais

Não busco teu destino, teus carinhos, tua libído

Eu sou louca, mas tenho a certeza

Tu sentiu comigo.

Eu senti contigo.

Nós sentimos muito.

 

Não brigo mais com as paredes cansadas de ouvir teu nome

Um dia tu volta, e vais sentir, como no começo

Que tudo que buscou até hoje

Só vai ser sentido em mim.

 

Não demora, ainda quero o mundo contigo

Não demora perceber, serei teu abrigo

Mancharei teus olhos

Vício infindo

Beijarei tua boca

Esquecerás os sentidos.

Sem respostas.

Não precisará mais indagar-se.

Estarei sempre contigo.
312

Labuta

deixe-me redimir no fogo do inferno
não ligo pro anjo caído
tampouco pra libido exarcebada

me deixe redimir no fogo do inferno
ardendo no sangue em chamas
da mais antiga catedral

deixe-me
arder
no puta
fogo
do inferno.
238

Composição

minha alma é esperançosa
por isso que eu deixo a poesia junto com as minhas notas
304

Pretérito de ontem


Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício

Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam

Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
419

Hemorragia

Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós

De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente

Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.

551

Flauta Doce

A orquestra tocava o choro do mundo
560

Látego

Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis

Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez

A carne corrompesse o flagelo do peito

E em leito, a do rpararia de bater

Esperei que os homens calmos dissessem ternuras

Dessas de escreverem paredes vitorianas

Mas a flecha atinge crua

E depois, nua

Exclama

Esperei que os homens vistosos fossem bons

E os mal apessoados amariam

Não em tramas de sertão

Nem labaredas incessantes

Apenas botariam a mesa

Numa prosa elegante

Esperei por poetas,pintores, amantes

Mas o amor iniciante, disse-me logo

Acalma-te, são todos tardios, corrompidos

Instantes.

558

Desperta, ardor!

Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?