Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

95

Capitais

Vou pra Paris

Te encontrar no café frio

A frente dos hotéis

Que manchamos nossa cama

Com afeto.                            

De fato.

 

Vamos pra onde a alma do mundo nos levar

Brindemos água cristalinas

Em lençóis frenéticos.

 

Comemorarei tua respiração

Teus próximos anos

Teu silêncio

O fim do apartheid.

 

Seremos Alemanha

Em plena capital Alegre

Seremos todos os países

Em cada minuto das manhãs.

 

 

 

 

 

 

329

Súbito


I

Agora, sem pudores

deus não deu-lhe as asas para voo

o dia fez que partistes

separando-as

 uma

da outra.
 
II
Outro pranto que não é

Canto nem refúgio

Gaiola aberta

Asas quebradas.

III

Quebrados os ossos

Fez-se a carne

Que sofre no abate

De peitos incuráveis

IV

Incuráveis presas (in)ofensivas

Debatem em teu ventre

O silencio disfarçado de “sims”

Os começos atrelado aos fins.

E o sexo.

V

­­­­­Sexo que derrama

Águas brancas e sedentas

Dissimuladas em se perderem

Em novos mares.

VI

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ Mares rochosos

As elevações

Terra marrom

Terra branca

Nunca habitado

Colisão, e agora

Dois corpos.
 
VII

Corpos magnéticos em energias opostas.

O acerto do erro, o erro assertivo

Luz negra ou negra luz?

Tanto faz, o tempo é inevitável.

VIII

 Inevitável, não reze mais

Teus rosários entrelaçados ao gozo

Não reze...

Tuas preces podem ser ouvidas.

Cuidado.

IX

Cuidado ao disputar com a velocidade

Entre dois corpos, uma cama

De quem não se ama.

X

Ama por consequência

Ama porque sabes só vais amar

Até o fim dessa linha.

XI

Linhas brancas

Sol da manhã

Água vertendo

Correntezas que desatam

Em lençóis frenéticos.

XII
Frenético é adjetivo

De uma vida

Onde viver é proibido.

XIII

Permitindo a audácia

De proibir

O toque que foi dado antes da morte.

XIV

Morte lenta e dolorosa

O percurso até ao mar vermelho.

Poder usar os remos

Pentear as águas

Cuspir no horizonte

E afogar-se.

XV

Afogar-se e buscar abrigo

Em algum lugar do teu interior

Que habite a certeza.

XVI

Certeza em desavencear

As disavensas disavensosas

Criadas para desavencear

O desavenceado do avesso.

XVII

Parto pro avesso de correr

Raspando, amassando, esmagando

As artérias que me impedem

De alcançar-me de dentro

Pra fora

XVIII

Toma o café e parte

Não quero outras partes

Caídas pelo mundo.

As calças podes deixar

Caídas no meu quarto
Jogue, brinque, finja

Sei que tuas palavras

querem entrar

E despir-me em duas notas.

XIX

Quando a flor desabrocha

É difícil engoli-las

E dizer que flores não existem.
257

Clarão

Em que instante nos perdemos em imensuráveis vazios velados? Eu ainda me lembro de quando você me dava a mão ao tempo que o cheiro do queijo fresco no café da manhã fazia companhia. As rosas não envelheciam, pois havia sempre uma xícara com água bordada de poesia. As fitas vermelhas representando a paixão escandalosa, cravos brancos te faziam sorrir.

Não coube no peito, sintomas ruins me amordaçavam enquanto você dançava tango na cozinha improvisada que nos pertencia.  Senti os acordes do teu peito antes de conhecer tua face – hostil, embelezada com o sorriso desatado. Marrom, sempre me vem à cabeça. Apesar de estares de camiseta verde, lembro de marrom. Era a cor da paixão, da minha paixão naquela noite. Gosto de cores, como posso dizer...rochosas? Frias.

Eu quis pintar Gogh durante quatro anos consecutivos, quis espalhar que a arte é feita por passos minuciosos e desestruturados. Não soube que a minha arte era contemporânea, a tua, tão pouco barroca e romancista, fez-me alvoraçar o modernismo em nós.

Pobre poeta que não contenta-se com o passado, mesmo utilizando dele em seus versos, ele está aqui, mas sua sintonia esta despedaçada entre períodos que nem ele mesmo reconhece.

Ultimamente tenho preferido fazer analogias ao que identifico por mim. Terror. Você que me fez gostar de Antares de entender que sou um Incidente, e mesmo assim, não deixo de ser um clássico. Pra poucos.

Me reconheço por tua, eu tinha de reconhecer a mim. Me reconheço por acordar com teu cheiro de família. Reconheço que a vida é essa estribeira, vou rolando, descendo, escorregando a lugares aos quais posso pertencer.  É difícil entender, sou mulher formada em tua escola, aluna assídua – mais do que qualquer outra. Me fizeste esquecer que sou redemoinho, e por tempos, achei que poderia ser um sopro leve.

A vida acontece, não adianta...Minhas pegadas vazias e desordenadas são doença crônica. Andar entre abismos é minha sina. Poderia ser um sítio, animais e bolo fresco na manhã, por que eu ainda prefiro passar o café sozinha?

Sabe, nada nunca foi fácil, e acho que me acostumei com essa tal coisa de precisar sentir a vida em suas piores e melhores formas. Queria encaixar na borda da tua camiseta e balbuciar: fica.

Tristeza é que todos os dias eu lavo roupa, mesmo quando chove.

Choro, penso. Não somos mais nós. E inquietamente ela berra do quarto que os desenhou em seu destino.

Realmente, o verões e os invernos se foram com nosso calor. Mas agora somos Clarão.

341

NASA

Se me percebesses, mesmo na última nota, eu escorreria
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.

Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.

No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.

Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.

Vermelho.
237

Composição

minha alma é esperançosa
por isso que eu deixo a poesia junto com as minhas notas
304

Pretérito de ontem


Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício

Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam

Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
419

Flauta Doce

A orquestra tocava o choro do mundo
559

Desperta, ardor!

Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
647

Obsessão

Quero que tuas objeções se cruzem em minha boca. Que tua pele repudie meu toque, e vibre sem o entrelaçar de meus dedos. De longe quero sentir-te como mundo em decadência, onde não exista alma para o júbilo. Cobiço tua face em feiras de avenidas, perambulando em desgosto a tua vertigem, qual me causa ouriço simultâneo. Levo minhas mãos ao teu corpo. Embriago minhas verdades esperando que nelas caibam tuas vísceras do querer.
435

Solidão

No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.


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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?