Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

Perfil
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Poemas

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Rain & Drug

Eu juro que esperava bem mais
Ser tipo Hitchcock num momento de paz
Mas não dá nada, é sem drama
Quando cê me beija, eu penso, vá embora, não me chama
O corpo treme, medo, desejo e gana
Chama, a bala perdida encontrou o réu
Passou batido
Fui pro inferno não pro céu
Se eu ficar não vai dar bom
Exclama, instiga, queima meu véu
Fuga sem vestígios
O juiz é sem juízo
Preferia ia pra cadeia
A cair no teu abismo.

call me, boy
can i see you Tonight?
Tell me, boy
everything are just lies
205

Sobre Ela

Nós éramos poeira estelar. O começo e fim de tudo. Brindamos o nascer da vida o tanto de vezes que jogamos o vinho no chão. Enquanto o zelo e o desdém escorriam por nossos corpos, estávamos ali, formando matéria. Nós sempre fomos nós. Por tempo fui tua mãe, até que então virei filha, irmã, no mais tardar, sina de outras vidas. O teu batom era meu abrigo dos dias de chuva, de quando chegavas exausta e mesmo assim me davas o sorriso, aquele mesmo sorriso de quando um bebê ri e não se sabe porquê. Já eu, era o café das tuas manhãs. Acordavas cheia de marra, cara fechada...linda. Só lembro de repetir, linda! E teus olhos se abriam como se dissessem: obrigada por estar aqui. Por mais que tua cara antes do meio dia não fosse tão alegre. Aliás, você demorou pra aprender a acordar cedo. Começou com yoga, mantras, gente careca. Eu não entendia no começo, e querendo estar ali, aprendi contigo que não era mais mãe. Não era mais sua mãe. Como pude? Quando foi que tu cresceu? O que eu perdi? Tu sofreu? Mas me parecia tão plena...eu só podia estar delirando. Virei filha de mim mesma, a mãe. A filha da mãe não era mais ela. Como pode? Observei cada passo de seu crescimento, era referência, tornei-me réu. O martelo foi batido na mesa de vidro. Os estilhaços estão presos em nossos corações. A família desfez-se em uma só tacada. E agora? Já fomos tudo que poderíamos ser, você seguiu meus passos, eu segui os teus, e onde foi que isso nos levou? Eu queria ter uma bomba. Já fomos família completa, pra nós restou ser sombra.
É sombra. É sem sombra de dúvidas que nos aguardamos no infinito. Essa vida foi nós desde o princípio. Vai ser nosso fim. Vai ser nós no fim. Tu me ensinou o caminho da verdade, eu te ensinei que doa a quem doer, dói. E vai doer por muito tempo. Não é de hoje, começamos a nos desatar dia a dia, o café era fresco, não deixou espaço pra alegria. Nossos sorrisos estão fundidos desde a aula de ballet na quarta série, nos intervalos de escola do ensino médio, nós atabaques dos médiuns. Nossa alma, menina, é nossa. Nossa alma não tem dono, somos do mundo, mas somos uma da outra, somos a mesma, mas em outros planos.
Acontece que meu amor é teu, e sempre vou dar-te mais uma vez. Saudade é pra quem tem história, é pra quem guarda no peito as marcas da memória, é pra quem respira fundo, diz: tô indo embora. E se quiser voltar não demora, tua cama tá aqui no meu coração, tua camiseta velha no armário, representa nossa canção. Chegamos a ser teoria, saímos da caverna, somos Platão. Mesmo assim eu rezo, guria, me dá tua mão. Essa é nossa última vida, não vai ter reencarnação, eu quero morrer contigo, é arte nossa canção. Estamos no Romantismo, somos obras divina, esquecemos do perdão. Talvez devêssemos voltar, renascer, revirar toda mágoa. Talvez devêssemos calar. A sorte é tua, eu deixo pra ti tudo que tinha pra dar.
Passado, pretérito imperfeito. Do nosso amor a gente é quem sabe, menina. Hoje eu não sei de mais nada.
239

Labuta

deixe-me redimir no fogo do inferno
não ligo pro anjo caído
tampouco pra libido exarcebada

me deixe redimir no fogo do inferno
ardendo no sangue em chamas
da mais antiga catedral

deixe-me
arder
no puta
fogo
do inferno.
233

NASA

Se me percebesses, mesmo na última nota, eu escorreria
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.

Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.

No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.

Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.

Vermelho.
235

Raízes

Eu sei, ela sabe
Nosso amor é 6,5 de pH
Da base á chuva ácida
Eu nem sei explicar
Do meu ventre te vi pairar
Leve no ar
Brisa de mar
Te acompanho nos teus passos
Desde o teu be-a-ba
Nós juntas é muita neblina
Aprendi a olhar na escuridão
Teu sorriso de menina
Mimada, insensata, um dia vai entender
Que o teu amor me deu barreiras
E disse: tudo pode acontecer
Sou mais forte, mesmo que fraca, fugaz
Brilho na mata verde
Por você eu sou bem mais!
216

Pretérito de ontem


Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício

Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam

Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
418

Hemorragia

Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós

De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente

Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.

550

Obsessão

Quero que tuas objeções se cruzem em minha boca. Que tua pele repudie meu toque, e vibre sem o entrelaçar de meus dedos. De longe quero sentir-te como mundo em decadência, onde não exista alma para o júbilo. Cobiço tua face em feiras de avenidas, perambulando em desgosto a tua vertigem, qual me causa ouriço simultâneo. Levo minhas mãos ao teu corpo. Embriago minhas verdades esperando que nelas caibam tuas vísceras do querer.
434

Solidão

No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.


587

Desperta, ardor!

Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?