Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

Perfil
39 381 Visualizações

Poemas

95

Sem volta (song)



 

Não deixa a noite parar, baby

Sinto que o mundo pode ser fugaz

Não faz assim que não traz paz

 
Minhas linhas entre teus olhos

Isso se tornara ser bem mais

No paladar, o flagelo da carne

Me sinto mais forte

Só meu deus que sabe

O bem que tu faz, baby

 

Sinfonia da alma em frente a praça

Podia ser melodia, virou vala

Amarelo pra vermelho, eu sei como se transforma

Tipo Froid e cartola, já falei com flores mortas

Morrer em praça pública, se tornou uma aposta

Só me traz um cigarro, um uísque

Teu perfume e nos aposta

Pode ser de fantasia, realidade remota

E se você vir, tu não volta

E se você vir, tu não volta

Então é bom falar com deuses

Eu ver o que a vida nos embolsa
220

Clarão

Em que instante nos perdemos em imensuráveis vazios velados? Eu ainda me lembro de quando você me dava a mão ao tempo que o cheiro do queijo fresco no café da manhã fazia companhia. As rosas não envelheciam, pois havia sempre uma xícara com água bordada de poesia. As fitas vermelhas representando a paixão escandalosa, cravos brancos te faziam sorrir.

Não coube no peito, sintomas ruins me amordaçavam enquanto você dançava tango na cozinha improvisada que nos pertencia.  Senti os acordes do teu peito antes de conhecer tua face – hostil, embelezada com o sorriso desatado. Marrom, sempre me vem à cabeça. Apesar de estares de camiseta verde, lembro de marrom. Era a cor da paixão, da minha paixão naquela noite. Gosto de cores, como posso dizer...rochosas? Frias.

Eu quis pintar Gogh durante quatro anos consecutivos, quis espalhar que a arte é feita por passos minuciosos e desestruturados. Não soube que a minha arte era contemporânea, a tua, tão pouco barroca e romancista, fez-me alvoraçar o modernismo em nós.

Pobre poeta que não contenta-se com o passado, mesmo utilizando dele em seus versos, ele está aqui, mas sua sintonia esta despedaçada entre períodos que nem ele mesmo reconhece.

Ultimamente tenho preferido fazer analogias ao que identifico por mim. Terror. Você que me fez gostar de Antares de entender que sou um Incidente, e mesmo assim, não deixo de ser um clássico. Pra poucos.

Me reconheço por tua, eu tinha de reconhecer a mim. Me reconheço por acordar com teu cheiro de família. Reconheço que a vida é essa estribeira, vou rolando, descendo, escorregando a lugares aos quais posso pertencer.  É difícil entender, sou mulher formada em tua escola, aluna assídua – mais do que qualquer outra. Me fizeste esquecer que sou redemoinho, e por tempos, achei que poderia ser um sopro leve.

A vida acontece, não adianta...Minhas pegadas vazias e desordenadas são doença crônica. Andar entre abismos é minha sina. Poderia ser um sítio, animais e bolo fresco na manhã, por que eu ainda prefiro passar o café sozinha?

Sabe, nada nunca foi fácil, e acho que me acostumei com essa tal coisa de precisar sentir a vida em suas piores e melhores formas. Queria encaixar na borda da tua camiseta e balbuciar: fica.

Tristeza é que todos os dias eu lavo roupa, mesmo quando chove.

Choro, penso. Não somos mais nós. E inquietamente ela berra do quarto que os desenhou em seu destino.

Realmente, o verões e os invernos se foram com nosso calor. Mas agora somos Clarão.

336

De longe

Vim te dizer

Nosso amor um dia será

Calmo, simples, encantador.

E só nosso.

 

Não quero te provar nada

Não te procuro mais

Não busco teu destino, teus carinhos, tua libído

Eu sou louca, mas tenho a certeza

Tu sentiu comigo.

Eu senti contigo.

Nós sentimos muito.

 

Não brigo mais com as paredes cansadas de ouvir teu nome

Um dia tu volta, e vais sentir, como no começo

Que tudo que buscou até hoje

Só vai ser sentido em mim.

 

Não demora, ainda quero o mundo contigo

Não demora perceber, serei teu abrigo

Mancharei teus olhos

Vício infindo

Beijarei tua boca

Esquecerás os sentidos.

Sem respostas.

Não precisará mais indagar-se.

Estarei sempre contigo.
309

Pessoas

Vê só, me tornei Fernando Pessoa. Mulher de mil personalidades, poemas escassos e embaraçados, cabelo sem lavar, café frio na mesa e a poesia do cigarro com mancha de batom no filtro. Clichê e profundo. Muitos leem livros que nem escrevi, mas afinal, talvez não saibam meu nome ou em quais heterônimos transpareço meu eu – lírico? Em minhas aulas tento explicar como revelar a essência por trás de cada signo linguístico, provar que o título pode dizer tudo se alinhado corretamente ao contexto. E as variáveis? As variáveis foram feitas para indagar-se, para corromper e animar o ser através das páginas, como as luzes de natal queimando sozinhas uma-a-uma, revelando que a beleza são pequenos pontos acesos quando já chegou a páscoa.

            O primordial é o que não se pode enxergar sem cavar, e cavar, e cavar, e cavar, até chegar ao fim do livro, perceber que sempre virão novas edições. Caso você não perceba, você não conhece a vida alinhada à literatura, você não sabe que inferências existem, e que a professora Taíza é a melhor. Se você não sente o dom da vida na ponta da língua, Fernando Pessoa e nós, pessoas, não existimos. Mas vem cá, deixa eu te contar ao pé do ouvido, que sim, nós não existiríamos sem um “quê de djavu e mc marcinho”, sem o romantismo de Álvares de Azevedo, o natural tão escrachado de Aluísio, o realismo de Machado...ah, Machado! Sem tu seriamos memorias póstumas...Fogo nos vizinhos!

            Onde eu pretendo chegar? Só meu coração sabe. O seu também? Pra sentir a pulsação é preciso ter enredo. Ouso até dizer que menos com menos dá no mesmo, dependendo do que se foi lido, dos personagens e da matemática que te trouxe aqui. Não digo que o fluxo de consciência é escasso. Não mesmo! Amo Clarice. Mas sem uma pretensão, todos somos.

            Hoje eu ponho os pés no chão pra tentar enxergar em que personagem parei, ora, se sou Fernando Pessoa, por que não me amar como amo em meus versos? Sou um deles. Ou ele é um meu? Me perco nas linhas, já que a casa anda tão vazia, preciso de uma pausa pra esquentar o café, sentir novamente o sabor da vida sem adoçante. No fim, o que entristece são as más cabeças que preferem não enxergar a dureza rica de um analfabeto, que sente sem vírgulas, não usa crase, perdoando o sistema por não ter dado a chance de saber usar um ponto final em início de frase. Outra coisa que quero te explicar: Os alfabetizados também não sabem, pois não têm o letramento da alma.

 

Eu deixo que o destino cale as bocas ‘desternuradas’, nego tornar-me Alberto Caeiro, mesmo já tendo-o em minha essência, e permaneço aqui, amando mais do que meu nome permite.

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

 

Álvaro de Campos (Lucille)
233

Capitais

Vou pra Paris

Te encontrar no café frio

A frente dos hotéis

Que manchamos nossa cama

Com afeto.                            

De fato.

 

Vamos pra onde a alma do mundo nos levar

Brindemos água cristalinas

Em lençóis frenéticos.

 

Comemorarei tua respiração

Teus próximos anos

Teu silêncio

O fim do apartheid.

 

Seremos Alemanha

Em plena capital Alegre

Seremos todos os países

Em cada minuto das manhãs.

 

 

 

 

 

 

324

Pretérito de ontem


Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício

Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam

Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
416

Desperta, ardor!

Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
642

Obsessão

Quero que tuas objeções se cruzem em minha boca. Que tua pele repudie meu toque, e vibre sem o entrelaçar de meus dedos. De longe quero sentir-te como mundo em decadência, onde não exista alma para o júbilo. Cobiço tua face em feiras de avenidas, perambulando em desgosto a tua vertigem, qual me causa ouriço simultâneo. Levo minhas mãos ao teu corpo. Embriago minhas verdades esperando que nelas caibam tuas vísceras do querer.
431

Flauta Doce

A orquestra tocava o choro do mundo
556

Hemorragia

Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós

De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente

Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.

547

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?