Poemas
95Capitais
Vou pra Paris
Te encontrar no café frio
A frente dos hotéis
Que manchamos nossa cama
Com afeto.
De fato.
Vamos pra onde a alma do mundo nos levar
Brindemos água cristalinas
Em lençóis frenéticos.
Comemorarei tua respiração
Teus próximos anos
Teu silêncio
O fim do apartheid.
Seremos Alemanha
Em plena capital Alegre
Seremos todos os países
Em cada minuto das manhãs.
Te encontrar no café frio
A frente dos hotéis
Que manchamos nossa cama
Com afeto.
De fato.
Vamos pra onde a alma do mundo nos levar
Brindemos água cristalinas
Em lençóis frenéticos.
Comemorarei tua respiração
Teus próximos anos
Teu silêncio
O fim do apartheid.
Seremos Alemanha
Em plena capital Alegre
Seremos todos os países
Em cada minuto das manhãs.
329
Súbito
I
Agora, sem pudores
deus não deu-lhe as asas para voo
o dia fez que partistes
separando-as
uma
da outra.
II
Outro pranto que não é
Canto nem refúgio
Gaiola aberta
Asas quebradas.
III
Quebrados os ossos
Fez-se a carne
Que sofre no abate
De peitos incuráveis
IV
Incuráveis presas (in)ofensivas
Debatem em teu ventre
O silencio disfarçado de “sims”
Os começos atrelado aos fins.
E o sexo.
V
Sexo que derrama
Águas brancas e sedentas
Dissimuladas em se perderem
Em novos mares.
VI
Mares rochosos
As elevações
Terra marrom
Terra branca
Nunca habitado
Colisão, e agora
Dois corpos.
VII
Corpos magnéticos em energias opostas.
O acerto do erro, o erro assertivo
Luz negra ou negra luz?
Tanto faz, o tempo é inevitável.
VIII
Inevitável, não reze mais
Teus rosários entrelaçados ao gozo
Não reze...
Tuas preces podem ser ouvidas.
Cuidado.
IX
Cuidado ao disputar com a velocidade
Entre dois corpos, uma cama
De quem não se ama.
X
Ama por consequência
Ama porque sabes só vais amar
Até o fim dessa linha.
XI
Linhas brancas
Sol da manhã
Água vertendo
Correntezas que desatam
Em lençóis frenéticos.
XII
Frenético é adjetivo
De uma vida
Onde viver é proibido.
XIII
Permitindo a audácia
De proibir
O toque que foi dado antes da morte.
XIV
Morte lenta e dolorosa
O percurso até ao mar vermelho.
Poder usar os remos
Pentear as águas
Cuspir no horizonte
E afogar-se.
XV
Afogar-se e buscar abrigo
Em algum lugar do teu interior
Que habite a certeza.
XVI
Certeza em desavencear
As disavensas disavensosas
Criadas para desavencear
O desavenceado do avesso.
XVII
Parto pro avesso de correr
Raspando, amassando, esmagando
As artérias que me impedem
De alcançar-me de dentro
Pra fora
XVIII
Toma o café e parte
Não quero outras partes
Caídas pelo mundo.
As calças podes deixar
Caídas no meu quarto
Jogue, brinque, finja
Sei que tuas palavras
querem entrar
E despir-me em duas notas.
XIX
Quando a flor desabrocha
É difícil engoli-las
E dizer que flores não existem.
257
Clarão
Em que instante nos perdemos em imensuráveis vazios velados? Eu ainda me lembro de quando você me dava a mão ao tempo que o cheiro do queijo fresco no café da manhã fazia companhia. As rosas não envelheciam, pois havia sempre uma xícara com água bordada de poesia. As fitas vermelhas representando a paixão escandalosa, cravos brancos te faziam sorrir.
Não coube no peito, sintomas ruins me amordaçavam enquanto você dançava tango na cozinha improvisada que nos pertencia. Senti os acordes do teu peito antes de conhecer tua face – hostil, embelezada com o sorriso desatado. Marrom, sempre me vem à cabeça. Apesar de estares de camiseta verde, lembro de marrom. Era a cor da paixão, da minha paixão naquela noite. Gosto de cores, como posso dizer...rochosas? Frias.
Eu quis pintar Gogh durante quatro anos consecutivos, quis espalhar que a arte é feita por passos minuciosos e desestruturados. Não soube que a minha arte era contemporânea, a tua, tão pouco barroca e romancista, fez-me alvoraçar o modernismo em nós.
Pobre poeta que não contenta-se com o passado, mesmo utilizando dele em seus versos, ele está aqui, mas sua sintonia esta despedaçada entre períodos que nem ele mesmo reconhece.
Ultimamente tenho preferido fazer analogias ao que identifico por mim. Terror. Você que me fez gostar de Antares de entender que sou um Incidente, e mesmo assim, não deixo de ser um clássico. Pra poucos.
Me reconheço por tua, eu tinha de reconhecer a mim. Me reconheço por acordar com teu cheiro de família. Reconheço que a vida é essa estribeira, vou rolando, descendo, escorregando a lugares aos quais posso pertencer. É difícil entender, sou mulher formada em tua escola, aluna assídua – mais do que qualquer outra. Me fizeste esquecer que sou redemoinho, e por tempos, achei que poderia ser um sopro leve.
A vida acontece, não adianta...Minhas pegadas vazias e desordenadas são doença crônica. Andar entre abismos é minha sina. Poderia ser um sítio, animais e bolo fresco na manhã, por que eu ainda prefiro passar o café sozinha?
Sabe, nada nunca foi fácil, e acho que me acostumei com essa tal coisa de precisar sentir a vida em suas piores e melhores formas. Queria encaixar na borda da tua camiseta e balbuciar: fica.
Tristeza é que todos os dias eu lavo roupa, mesmo quando chove.
Choro, penso. Não somos mais nós. E inquietamente ela berra do quarto que os desenhou em seu destino.
Realmente, o verões e os invernos se foram com nosso calor. Mas agora somos Clarão.
Não coube no peito, sintomas ruins me amordaçavam enquanto você dançava tango na cozinha improvisada que nos pertencia. Senti os acordes do teu peito antes de conhecer tua face – hostil, embelezada com o sorriso desatado. Marrom, sempre me vem à cabeça. Apesar de estares de camiseta verde, lembro de marrom. Era a cor da paixão, da minha paixão naquela noite. Gosto de cores, como posso dizer...rochosas? Frias.
Eu quis pintar Gogh durante quatro anos consecutivos, quis espalhar que a arte é feita por passos minuciosos e desestruturados. Não soube que a minha arte era contemporânea, a tua, tão pouco barroca e romancista, fez-me alvoraçar o modernismo em nós.
Pobre poeta que não contenta-se com o passado, mesmo utilizando dele em seus versos, ele está aqui, mas sua sintonia esta despedaçada entre períodos que nem ele mesmo reconhece.
Ultimamente tenho preferido fazer analogias ao que identifico por mim. Terror. Você que me fez gostar de Antares de entender que sou um Incidente, e mesmo assim, não deixo de ser um clássico. Pra poucos.
Me reconheço por tua, eu tinha de reconhecer a mim. Me reconheço por acordar com teu cheiro de família. Reconheço que a vida é essa estribeira, vou rolando, descendo, escorregando a lugares aos quais posso pertencer. É difícil entender, sou mulher formada em tua escola, aluna assídua – mais do que qualquer outra. Me fizeste esquecer que sou redemoinho, e por tempos, achei que poderia ser um sopro leve.
A vida acontece, não adianta...Minhas pegadas vazias e desordenadas são doença crônica. Andar entre abismos é minha sina. Poderia ser um sítio, animais e bolo fresco na manhã, por que eu ainda prefiro passar o café sozinha?
Sabe, nada nunca foi fácil, e acho que me acostumei com essa tal coisa de precisar sentir a vida em suas piores e melhores formas. Queria encaixar na borda da tua camiseta e balbuciar: fica.
Tristeza é que todos os dias eu lavo roupa, mesmo quando chove.
Choro, penso. Não somos mais nós. E inquietamente ela berra do quarto que os desenhou em seu destino.
Realmente, o verões e os invernos se foram com nosso calor. Mas agora somos Clarão.
341
NASA
Se me percebesses, mesmo na última nota, eu escorreria
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.
Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.
No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.
Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.
Vermelho.
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.
Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.
No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.
Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.
Vermelho.
237
Pretérito de ontem
Sinto falta do teu papel de escritor
Amassado pelas beiras
Provando do amor que não se tem
Nas linhas do meu precipício
Sinto falta da tua atuação
Autentica e enunciada
Posta ao mundo como prova
Dos crimes que me anulam
Sinto falta da tua voz
Em repasses de cenas
Da minha interpretação
Na tua boca.
419
Desperta, ardor!
Os tolos levantam-se
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
647
Obsessão
Quero que tuas objeções se cruzem em minha boca. Que tua pele repudie meu toque, e vibre sem o entrelaçar de meus dedos. De longe quero sentir-te como mundo em decadência, onde não exista alma para o júbilo. Cobiço tua face em feiras de avenidas, perambulando em desgosto a tua vertigem, qual me causa ouriço simultâneo. Levo minhas mãos ao teu corpo. Embriago minhas verdades esperando que nelas caibam tuas vísceras do querer.
435
Comentários (1)
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haha ;)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?