Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

95

Raízes

Eu sei, ela sabe
Nosso amor é 6,5 de pH
Da base á chuva ácida
Eu nem sei explicar
Do meu ventre te vi pairar
Leve no ar
Brisa de mar
Te acompanho nos teus passos
Desde o teu be-a-ba
Nós juntas é muita neblina
Aprendi a olhar na escuridão
Teu sorriso de menina
Mimada, insensata, um dia vai entender
Que o teu amor me deu barreiras
E disse: tudo pode acontecer
Sou mais forte, mesmo que fraca, fugaz
Brilho na mata verde
Por você eu sou bem mais!
214

Súbito


I

Agora, sem pudores

deus não deu-lhe as asas para voo

o dia fez que partistes

separando-as

 uma

da outra.
 
II
Outro pranto que não é

Canto nem refúgio

Gaiola aberta

Asas quebradas.

III

Quebrados os ossos

Fez-se a carne

Que sofre no abate

De peitos incuráveis

IV

Incuráveis presas (in)ofensivas

Debatem em teu ventre

O silencio disfarçado de “sims”

Os começos atrelado aos fins.

E o sexo.

V

­­­­­Sexo que derrama

Águas brancas e sedentas

Dissimuladas em se perderem

Em novos mares.

VI

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ Mares rochosos

As elevações

Terra marrom

Terra branca

Nunca habitado

Colisão, e agora

Dois corpos.
 
VII

Corpos magnéticos em energias opostas.

O acerto do erro, o erro assertivo

Luz negra ou negra luz?

Tanto faz, o tempo é inevitável.

VIII

 Inevitável, não reze mais

Teus rosários entrelaçados ao gozo

Não reze...

Tuas preces podem ser ouvidas.

Cuidado.

IX

Cuidado ao disputar com a velocidade

Entre dois corpos, uma cama

De quem não se ama.

X

Ama por consequência

Ama porque sabes só vais amar

Até o fim dessa linha.

XI

Linhas brancas

Sol da manhã

Água vertendo

Correntezas que desatam

Em lençóis frenéticos.

XII
Frenético é adjetivo

De uma vida

Onde viver é proibido.

XIII

Permitindo a audácia

De proibir

O toque que foi dado antes da morte.

XIV

Morte lenta e dolorosa

O percurso até ao mar vermelho.

Poder usar os remos

Pentear as águas

Cuspir no horizonte

E afogar-se.

XV

Afogar-se e buscar abrigo

Em algum lugar do teu interior

Que habite a certeza.

XVI

Certeza em desavencear

As disavensas disavensosas

Criadas para desavencear

O desavenceado do avesso.

XVII

Parto pro avesso de correr

Raspando, amassando, esmagando

As artérias que me impedem

De alcançar-me de dentro

Pra fora

XVIII

Toma o café e parte

Não quero outras partes

Caídas pelo mundo.

As calças podes deixar

Caídas no meu quarto
Jogue, brinque, finja

Sei que tuas palavras

querem entrar

E despir-me em duas notas.

XIX

Quando a flor desabrocha

É difícil engoli-las

E dizer que flores não existem.
251

Rain & Drug

Eu juro que esperava bem mais
Ser tipo Hitchcock num momento de paz
Mas não dá nada, é sem drama
Quando cê me beija, eu penso, vá embora, não me chama
O corpo treme, medo, desejo e gana
Chama, a bala perdida encontrou o réu
Passou batido
Fui pro inferno não pro céu
Se eu ficar não vai dar bom
Exclama, instiga, queima meu véu
Fuga sem vestígios
O juiz é sem juízo
Preferia ia pra cadeia
A cair no teu abismo.

call me, boy
can i see you Tonight?
Tell me, boy
everything are just lies
204

Sobre Ela

Nós éramos poeira estelar. O começo e fim de tudo. Brindamos o nascer da vida o tanto de vezes que jogamos o vinho no chão. Enquanto o zelo e o desdém escorriam por nossos corpos, estávamos ali, formando matéria. Nós sempre fomos nós. Por tempo fui tua mãe, até que então virei filha, irmã, no mais tardar, sina de outras vidas. O teu batom era meu abrigo dos dias de chuva, de quando chegavas exausta e mesmo assim me davas o sorriso, aquele mesmo sorriso de quando um bebê ri e não se sabe porquê. Já eu, era o café das tuas manhãs. Acordavas cheia de marra, cara fechada...linda. Só lembro de repetir, linda! E teus olhos se abriam como se dissessem: obrigada por estar aqui. Por mais que tua cara antes do meio dia não fosse tão alegre. Aliás, você demorou pra aprender a acordar cedo. Começou com yoga, mantras, gente careca. Eu não entendia no começo, e querendo estar ali, aprendi contigo que não era mais mãe. Não era mais sua mãe. Como pude? Quando foi que tu cresceu? O que eu perdi? Tu sofreu? Mas me parecia tão plena...eu só podia estar delirando. Virei filha de mim mesma, a mãe. A filha da mãe não era mais ela. Como pode? Observei cada passo de seu crescimento, era referência, tornei-me réu. O martelo foi batido na mesa de vidro. Os estilhaços estão presos em nossos corações. A família desfez-se em uma só tacada. E agora? Já fomos tudo que poderíamos ser, você seguiu meus passos, eu segui os teus, e onde foi que isso nos levou? Eu queria ter uma bomba. Já fomos família completa, pra nós restou ser sombra.
É sombra. É sem sombra de dúvidas que nos aguardamos no infinito. Essa vida foi nós desde o princípio. Vai ser nosso fim. Vai ser nós no fim. Tu me ensinou o caminho da verdade, eu te ensinei que doa a quem doer, dói. E vai doer por muito tempo. Não é de hoje, começamos a nos desatar dia a dia, o café era fresco, não deixou espaço pra alegria. Nossos sorrisos estão fundidos desde a aula de ballet na quarta série, nos intervalos de escola do ensino médio, nós atabaques dos médiuns. Nossa alma, menina, é nossa. Nossa alma não tem dono, somos do mundo, mas somos uma da outra, somos a mesma, mas em outros planos.
Acontece que meu amor é teu, e sempre vou dar-te mais uma vez. Saudade é pra quem tem história, é pra quem guarda no peito as marcas da memória, é pra quem respira fundo, diz: tô indo embora. E se quiser voltar não demora, tua cama tá aqui no meu coração, tua camiseta velha no armário, representa nossa canção. Chegamos a ser teoria, saímos da caverna, somos Platão. Mesmo assim eu rezo, guria, me dá tua mão. Essa é nossa última vida, não vai ter reencarnação, eu quero morrer contigo, é arte nossa canção. Estamos no Romantismo, somos obras divina, esquecemos do perdão. Talvez devêssemos voltar, renascer, revirar toda mágoa. Talvez devêssemos calar. A sorte é tua, eu deixo pra ti tudo que tinha pra dar.
Passado, pretérito imperfeito. Do nosso amor a gente é quem sabe, menina. Hoje eu não sei de mais nada.
237

Labuta

deixe-me redimir no fogo do inferno
não ligo pro anjo caído
tampouco pra libido exarcebada

me deixe redimir no fogo do inferno
ardendo no sangue em chamas
da mais antiga catedral

deixe-me
arder
no puta
fogo
do inferno.
232

Riqueza

seda da pele
brilhantina
refugo dos olhos
219

Rain & Drug pt. 2

Já pode ir embora se quiser, baby
Vai levando as peças molhadas de uma noite sem pudor
Ruas, palavras vazias, tua canção não é poesia
Você quis virar meu mundo, se fodeu, vida é banal
Diz que não volta, me enrolo nas cobras, no fim é tudo igual
Junto meus votos sozinha, na cama não tem ladainha
Mas não fala de sentimento
Que eu junto o lamento
E por cima do beijo
Eu vejo...tuas mentiras? Não almejo.
Quem dera fosse sem desejo.
202

Composição

minha alma é esperançosa
por isso que eu deixo a poesia junto com as minhas notas
301

NASA

Se me percebesses, mesmo na última nota, eu escorreria
viria tocar teus cabelos, foi a fio, em qualquer ritmo que vibrasse tua boca.
Vermelha.
Se me desses o primeiro e último desejo
abriria os portais mais obscuros do cosmos
pra te tocar.
deixaria que escrevesses toda tua teoria da relatividade em minha garganta
amargaria o mundo... só pra te ver .
olhar.

Os livros de filosofia eu nem mais precisaria
os amores de mentira, por ti, eu mentiria
e sabes que não minto.
é infinito.

No ápice do universo, o buraco que traz alívio.
Negro.
Registrado por uma mulher
mas por ti, transformaria minha base irracional
em mil portais no tempo.
E acharia mais mil, só pra te procurar em todos.
Amarelo.

Passaria num vórtex
vai que lá de longe
tu ainda me enxergues
e a anulação da matéria
transformar-se-ia em nós.

Vermelho.
232

Vil Viver

sórdido, espeço, místico
meticuloso, gástrico, enema
vão, vil, vir
sagra, safra, joio
invisível, sedutor, mágico
morte, vinda, desacato
dilacerar
emboscar (da)
misericórdia minha
suar, soar, soneto
desafeto efeito
incontrolável.l
se (r)
ra
s/ção
230

Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?