Lista de Poemas

Raízes

Eu sei, ela sabe
Nosso amor é 6,5 de pH
Da base á chuva ácida
Eu nem sei explicar
Do meu ventre te vi pairar
Leve no ar
Brisa de mar
Te acompanho nos teus passos
Desde o teu be-a-ba
Nós juntas é muita neblina
Aprendi a olhar na escuridão
Teu sorriso de menina
Mimada, insensata, um dia vai entender
Que o teu amor me deu barreiras
E disse: tudo pode acontecer
Sou mais forte, mesmo que fraca, fugaz
Brilho na mata verde
Por você eu sou bem mais!
203

Composição

minha alma é esperançosa
por isso que eu deixo a poesia junto com as minhas notas
291

Riqueza

seda da pele
brilhantina
refugo dos olhos
208

Pessoas

Vê só, me tornei Fernando Pessoa. Mulher de mil personalidades, poemas escassos e embaraçados, cabelo sem lavar, café frio na mesa e a poesia do cigarro com mancha de batom no filtro. Clichê e profundo. Muitos leem livros que nem escrevi, mas afinal, talvez não saibam meu nome ou em quais heterônimos transpareço meu eu – lírico? Em minhas aulas tento explicar como revelar a essência por trás de cada signo linguístico, provar que o título pode dizer tudo se alinhado corretamente ao contexto. E as variáveis? As variáveis foram feitas para indagar-se, para corromper e animar o ser através das páginas, como as luzes de natal queimando sozinhas uma-a-uma, revelando que a beleza são pequenos pontos acesos quando já chegou a páscoa.

            O primordial é o que não se pode enxergar sem cavar, e cavar, e cavar, e cavar, até chegar ao fim do livro, perceber que sempre virão novas edições. Caso você não perceba, você não conhece a vida alinhada à literatura, você não sabe que inferências existem, e que a professora Taíza é a melhor. Se você não sente o dom da vida na ponta da língua, Fernando Pessoa e nós, pessoas, não existimos. Mas vem cá, deixa eu te contar ao pé do ouvido, que sim, nós não existiríamos sem um “quê de djavu e mc marcinho”, sem o romantismo de Álvares de Azevedo, o natural tão escrachado de Aluísio, o realismo de Machado...ah, Machado! Sem tu seriamos memorias póstumas...Fogo nos vizinhos!

            Onde eu pretendo chegar? Só meu coração sabe. O seu também? Pra sentir a pulsação é preciso ter enredo. Ouso até dizer que menos com menos dá no mesmo, dependendo do que se foi lido, dos personagens e da matemática que te trouxe aqui. Não digo que o fluxo de consciência é escasso. Não mesmo! Amo Clarice. Mas sem uma pretensão, todos somos.

            Hoje eu ponho os pés no chão pra tentar enxergar em que personagem parei, ora, se sou Fernando Pessoa, por que não me amar como amo em meus versos? Sou um deles. Ou ele é um meu? Me perco nas linhas, já que a casa anda tão vazia, preciso de uma pausa pra esquentar o café, sentir novamente o sabor da vida sem adoçante. No fim, o que entristece são as más cabeças que preferem não enxergar a dureza rica de um analfabeto, que sente sem vírgulas, não usa crase, perdoando o sistema por não ter dado a chance de saber usar um ponto final em início de frase. Outra coisa que quero te explicar: Os alfabetizados também não sabem, pois não têm o letramento da alma.

 

Eu deixo que o destino cale as bocas ‘desternuradas’, nego tornar-me Alberto Caeiro, mesmo já tendo-o em minha essência, e permaneço aqui, amando mais do que meu nome permite.

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

 

Álvaro de Campos (Lucille)
223

Capitais

Vou pra Paris

Te encontrar no café frio

A frente dos hotéis

Que manchamos nossa cama

Com afeto.                            

De fato.

 

Vamos pra onde a alma do mundo nos levar

Brindemos água cristalinas

Em lençóis frenéticos.

 

Comemorarei tua respiração

Teus próximos anos

Teu silêncio

O fim do apartheid.

 

Seremos Alemanha

Em plena capital Alegre

Seremos todos os países

Em cada minuto das manhãs.

 

 

 

 

 

 

314

De longe

Vim te dizer

Nosso amor um dia será

Calmo, simples, encantador.

E só nosso.

 

Não quero te provar nada

Não te procuro mais

Não busco teu destino, teus carinhos, tua libído

Eu sou louca, mas tenho a certeza

Tu sentiu comigo.

Eu senti contigo.

Nós sentimos muito.

 

Não brigo mais com as paredes cansadas de ouvir teu nome

Um dia tu volta, e vais sentir, como no começo

Que tudo que buscou até hoje

Só vai ser sentido em mim.

 

Não demora, ainda quero o mundo contigo

Não demora perceber, serei teu abrigo

Mancharei teus olhos

Vício infindo

Beijarei tua boca

Esquecerás os sentidos.

Sem respostas.

Não precisará mais indagar-se.

Estarei sempre contigo.
297

Vil Viver

sórdido, espeço, místico
meticuloso, gástrico, enema
vão, vil, vir
sagra, safra, joio
invisível, sedutor, mágico
morte, vinda, desacato
dilacerar
emboscar (da)
misericórdia minha
suar, soar, soneto
desafeto efeito
incontrolável.l
se (r)
ra
s/ção
219

Rain & Drug

Eu juro que esperava bem mais
Ser tipo Hitchcock num momento de paz
Mas não dá nada, é sem drama
Quando cê me beija, eu penso, vá embora, não me chama
O corpo treme, medo, desejo e gana
Chama, a bala perdida encontrou o réu
Passou batido
Fui pro inferno não pro céu
Se eu ficar não vai dar bom
Exclama, instiga, queima meu véu
Fuga sem vestígios
O juiz é sem juízo
Preferia ia pra cadeia
A cair no teu abismo.

call me, boy
can i see you Tonight?
Tell me, boy
everything are just lies
194

Súbito


I

Agora, sem pudores

deus não deu-lhe as asas para voo

o dia fez que partistes

separando-as

 uma

da outra.
 
II
Outro pranto que não é

Canto nem refúgio

Gaiola aberta

Asas quebradas.

III

Quebrados os ossos

Fez-se a carne

Que sofre no abate

De peitos incuráveis

IV

Incuráveis presas (in)ofensivas

Debatem em teu ventre

O silencio disfarçado de “sims”

Os começos atrelado aos fins.

E o sexo.

V

­­­­­Sexo que derrama

Águas brancas e sedentas

Dissimuladas em se perderem

Em novos mares.

VI

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ Mares rochosos

As elevações

Terra marrom

Terra branca

Nunca habitado

Colisão, e agora

Dois corpos.
 
VII

Corpos magnéticos em energias opostas.

O acerto do erro, o erro assertivo

Luz negra ou negra luz?

Tanto faz, o tempo é inevitável.

VIII

 Inevitável, não reze mais

Teus rosários entrelaçados ao gozo

Não reze...

Tuas preces podem ser ouvidas.

Cuidado.

IX

Cuidado ao disputar com a velocidade

Entre dois corpos, uma cama

De quem não se ama.

X

Ama por consequência

Ama porque sabes só vais amar

Até o fim dessa linha.

XI

Linhas brancas

Sol da manhã

Água vertendo

Correntezas que desatam

Em lençóis frenéticos.

XII
Frenético é adjetivo

De uma vida

Onde viver é proibido.

XIII

Permitindo a audácia

De proibir

O toque que foi dado antes da morte.

XIV

Morte lenta e dolorosa

O percurso até ao mar vermelho.

Poder usar os remos

Pentear as águas

Cuspir no horizonte

E afogar-se.

XV

Afogar-se e buscar abrigo

Em algum lugar do teu interior

Que habite a certeza.

XVI

Certeza em desavencear

As disavensas disavensosas

Criadas para desavencear

O desavenceado do avesso.

XVII

Parto pro avesso de correr

Raspando, amassando, esmagando

As artérias que me impedem

De alcançar-me de dentro

Pra fora

XVIII

Toma o café e parte

Não quero outras partes

Caídas pelo mundo.

As calças podes deixar

Caídas no meu quarto
Jogue, brinque, finja

Sei que tuas palavras

querem entrar

E despir-me em duas notas.

XIX

Quando a flor desabrocha

É difícil engoli-las

E dizer que flores não existem.
241

Sem volta (song)



 

Não deixa a noite parar, baby

Sinto que o mundo pode ser fugaz

Não faz assim que não traz paz

 
Minhas linhas entre teus olhos

Isso se tornara ser bem mais

No paladar, o flagelo da carne

Me sinto mais forte

Só meu deus que sabe

O bem que tu faz, baby

 

Sinfonia da alma em frente a praça

Podia ser melodia, virou vala

Amarelo pra vermelho, eu sei como se transforma

Tipo Froid e cartola, já falei com flores mortas

Morrer em praça pública, se tornou uma aposta

Só me traz um cigarro, um uísque

Teu perfume e nos aposta

Pode ser de fantasia, realidade remota

E se você vir, tu não volta

E se você vir, tu não volta

Então é bom falar com deuses

Eu ver o que a vida nos embolsa
211

Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?