Lista de Poemas

Solidão

No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.


572

Látego

Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis

Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez

A carne corrompesse o flagelo do peito

E em leito, a do rpararia de bater

Esperei que os homens calmos dissessem ternuras

Dessas de escreverem paredes vitorianas

Mas a flecha atinge crua

E depois, nua

Exclama

Esperei que os homens vistosos fossem bons

E os mal apessoados amariam

Não em tramas de sertão

Nem labaredas incessantes

Apenas botariam a mesa

Numa prosa elegante

Esperei por poetas,pintores, amantes

Mas o amor iniciante, disse-me logo

Acalma-te, são todos tardios, corrompidos

Instantes.

543

Pranto do Poeta

Escrevo pela angústia dos corpos sem voz

Pela ação que se cala no colo dador

O que é sentido no braço do inimigo

Ao renovar dos pesares contidos

Escrevo pois minha voz se dilata

Cansa, exala, perde-se na estrada

Do saber que me passa

E de lá já grita adeus

Escrevo o que me resta

Com o que ainda não me bordou

Sou de longe o que é pressa

E de frente o que passou

Escrevo pois minha alma canta

Exclama as gotas de chuva

Reclama a sombra da gana

Pois meu peito é delírio

Pranto frio de quem ama

Escrevo sem métricas

Sem regras, barreiras

E dilemas exigentes

Escrevo pois não calo

Não paro o que me sente.

474

Aluci-na Bella

Do teu cais
Eu beberei
Até o princípio do fim
Desde o nascimento da morte
Quando por gratidão
Debruço em teu corpo
A avareza da felicidade
Tocando-te toda
Amando-te mais
Quê em todos os destinos
Entre tantos artifícios
Vivos e mortos

Nossas folhas padecem em noite fria
Teu rosto rosado te faz flor
Se tuas vestes não mais me servissem
O que restaria sem teu amor?
Com repúdio a vida seguiria
Sem todo teu esplendor
Para deuses, repetiria
Me leve pra onde ela flor!

675

Janta adormecida

Desloco as palavras
Para que nelas caibam
O meu clamor
Em morfemas
Traduzo o horror
Sucumbindo barreiras
Decifrando enganos
Do sentir ao indispor
Como o corpo, engano
Delírio mundano
De ser o que sou.
505

Expediente

Em todo fim de túnel

Imerge uma solução

Escassa e passageira

Barreira da solidão


Em todo quadro mórbido

É vista uma confusão

Que mesmo com outros olhos

Enxerga a absolvição


Em todo sofrimento

Existe a compaixão

De jogar a corda pra baixo

Sem retorno para o chão.



521

Mundo-Mudo

Respeito o desacato

de quem cala na multidão

São olhos entorpecidos

dedicados a escuridão


Respeito o desacato

de quem ouve sem pensar

São palavras digeridas

de quem fala por falar


Respeito o desacato

do canto persuadido

São gestos ignorantes

na palavra sem sentido


Respeito o múrmuro alto

de quem ora como bispo

Indolências necessárias

nessa vida sem sentido.


505

A tentativa de cronicar


As aulas de filosofia sempre soaram interessantes, se não fosse a perjura que o cérebro insiste em desvendar, talvez até pensasse em seguir o rumo dos pensadores - não conhecidos. Esses tem a fama de chatos, analistas de boteco, carpinteiros de Freud. E tantos outras nomenclaturas que me fogem de parte do cérebro, qual eu utilizaria para guardar informações caso tal funcionasse bem. Provável que nasci com algo atrofiado dentro da carola, e agora ter caído do berço já não é mais pretexto pro rodeio.
Todas as quintas feiras na aula, encontro-me com seres pensantes. Alguns se atém a indagar a cor da camiseta do Papa, outros fazem referência ao anel do dedinho esquerdo da Presidenta. Ou será da direita?
Poderia ficar horas analisando a interpretação dos indivíduos, o modo como se rebelam ao soltar certas palavras. Então dona Linda Cristina, minha futura psicóloga e já professora, pergunta em bom tom o que era referido em uma música de Chico, eu, por vez exaltei: Puta! Talvez fosse mais delicado dizer ''mulher da vida'', hetairas, grandes sacerdotisas do Egito Antigo?
Segundo meu acalorar momentâneo, não seria justo entender como funcionam as pessoas através de pensamentos transitórios, pois naquele momento parei gélida observando ao redor, sentido-me um dejeto perante os outros. A culpa é minha ou da sociedade por penhorar a significação de puta dentro de um ciclo preconceituoso? Pois no amado Aurélio, é designado puta qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem. E lá vem o tal feminismo do qual não faço gosto de dissertar.
Minha mente incrédula vive pregando peças, quer saber o que tem através de cada ideia. Por isso a coitada vive inerte de respostas, passando por caminhos de variáveis e um montão de nadas. Se perde no compasso. Falando em compasso, terminei de ler Leite Derramado, primeiro livro que ouso folhear o último capítulo, qual o título faz analogia a Matilde, que quando grávida de Eulálinha debruçava-se sobre a piá para despejar seu leite, pois a filha tinha uma ama-de-leite, onde a mãe havia a possibilidade de amamentar. Por fim, Matilde some antes da metade do livro, vivendo apenas em memória. Tenho dificuldade em lembrar nomes de personagens, e sem nenhuma surpresa, esqueci-me do nome designado ao personagem principal, qual narra suas neuroses e memórias - vezes inventadas - de um leito de hospital.
Sim, todos os livros que deleitei até tal momento, deixei para trás o último suspiro da narrativa. Problemas com finais? Creio que um tanto. Admito ter certa curiosidade de saber com quem Guiomar aceitou casar-se em a ''A Mão e a Luva'', ou como terminou Odisseu em sua jornada em ''Odisseia'', também queria ter fugido da descoberta que a loucura haveria de deixar Dom Quixote.
Será que ainda há espaço para os desajustados? Temo que a morte não se aproxime tão cedo

660

lll

Dentre tantos sons

O viver é confundido

Gritos desesperantes

Ecoam como sorrisos

De tanto gritar

A voz cala

Sem sentidos

O que restam são monstros

No alarde dos ouvidos.

536

Cravos

Ao teu andar lento
Vejo meus passos expressos
No marasmo do tempo
O meu templo secreto
Teu respirar.
635

Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?