Lista de Poemas
Solidão
No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.
Látego
Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis
Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez
A carne corrompesse o flagelo do peito
E em leito, a do rpararia de bater
Esperei que os homens calmos dissessem ternuras
Dessas de escreverem paredes vitorianas
Mas a flecha atinge crua
E depois, nua
Exclama
Esperei que os homens vistosos fossem bons
E os mal apessoados amariam
Não em tramas de sertão
Nem labaredas incessantes
Apenas botariam a mesa
Numa prosa elegante
Esperei por poetas,pintores, amantes
Mas o amor iniciante, disse-me logo
Acalma-te, são todos tardios, corrompidos
Instantes.
Pranto do Poeta
Escrevo pela angústia dos corpos sem voz
Pela ação que se cala no colo dador
O que é sentido no braço do inimigo
Ao renovar dos pesares contidos
Escrevo pois minha voz se dilata
Cansa, exala, perde-se na estrada
Do saber que me passa
E de lá já grita adeus
Escrevo o que me resta
Com o que ainda não me bordou
Sou de longe o que é pressa
E de frente o que passou
Escrevo pois minha alma canta
Exclama as gotas de chuva
Reclama a sombra da gana
Pois meu peito é delírio
Pranto frio de quem ama
Escrevo sem métricas
Sem regras, barreiras
E dilemas exigentes
Escrevo pois não calo
Não paro o que me sente.
Aluci-na Bella
Do teu cais
Eu beberei
Até o princípio do fim
Desde o nascimento da morte
Quando por gratidão
Debruço em teu corpo
A avareza da felicidade
Tocando-te toda
Amando-te mais
Quê em todos os destinos
Entre tantos artifícios
Vivos e mortos
Nossas folhas padecem em noite fria
Teu rosto rosado te faz flor
Se tuas vestes não mais me servissem
O que restaria sem teu amor?
Com repúdio a vida seguiria
Sem todo teu esplendor
Para deuses, repetiria
Me leve pra onde ela flor!
Janta adormecida
Para que nelas caibam
O meu clamor
Em morfemas
Traduzo o horror
Sucumbindo barreiras
Decifrando enganos
Do sentir ao indispor
Como o corpo, engano
Delírio mundano
De ser o que sou.
Expediente
Imerge uma solução
Escassa e passageira
Barreira da solidão
Em todo quadro mórbido
É vista uma confusão
Que mesmo com outros olhos
Enxerga a absolvição
Em todo sofrimento
Existe a compaixão
De jogar a corda pra baixo
Sem retorno para o chão.
Mundo-Mudo
Respeito o desacato
de quem cala na multidão
São olhos entorpecidos
dedicados a escuridão
Respeito o desacato
de quem ouve sem pensar
São palavras digeridas
de quem fala por falar
Respeito o desacato
do canto persuadido
São gestos ignorantes
na palavra sem sentido
Respeito o múrmuro alto
de quem ora como bispo
Indolências necessárias
nessa vida sem sentido.
A tentativa de cronicar
As aulas de filosofia sempre soaram interessantes, se não fosse a perjura que o cérebro insiste em desvendar, talvez até pensasse em seguir o rumo dos pensadores - não conhecidos. Esses tem a fama de chatos, analistas de boteco, carpinteiros de Freud. E tantos outras nomenclaturas que me fogem de parte do cérebro, qual eu utilizaria para guardar informações caso tal funcionasse bem. Provável que nasci com algo atrofiado dentro da carola, e agora ter caído do berço já não é mais pretexto pro rodeio.
Todas as quintas feiras na aula, encontro-me com seres pensantes. Alguns se atém a indagar a cor da camiseta do Papa, outros fazem referência ao anel do dedinho esquerdo da Presidenta. Ou será da direita?
Poderia ficar horas analisando a interpretação dos indivíduos, o modo como se rebelam ao soltar certas palavras. Então dona Linda Cristina, minha futura psicóloga e já professora, pergunta em bom tom o que era referido em uma música de Chico, eu, por vez exaltei: Puta! Talvez fosse mais delicado dizer ''mulher da vida'', hetairas, grandes sacerdotisas do Egito Antigo?
Segundo meu acalorar momentâneo, não seria justo entender como funcionam as pessoas através de pensamentos transitórios, pois naquele momento parei gélida observando ao redor, sentido-me um dejeto perante os outros. A culpa é minha ou da sociedade por penhorar a significação de puta dentro de um ciclo preconceituoso? Pois no amado Aurélio, é designado puta qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem. E lá vem o tal feminismo do qual não faço gosto de dissertar.
Minha mente incrédula vive pregando peças, quer saber o que tem através de cada ideia. Por isso a coitada vive inerte de respostas, passando por caminhos de variáveis e um montão de nadas. Se perde no compasso. Falando em compasso, terminei de ler Leite Derramado, primeiro livro que ouso folhear o último capítulo, qual o título faz analogia a Matilde, que quando grávida de Eulálinha debruçava-se sobre a piá para despejar seu leite, pois a filha tinha uma ama-de-leite, onde a mãe havia a possibilidade de amamentar. Por fim, Matilde some antes da metade do livro, vivendo apenas em memória. Tenho dificuldade em lembrar nomes de personagens, e sem nenhuma surpresa, esqueci-me do nome designado ao personagem principal, qual narra suas neuroses e memórias - vezes inventadas - de um leito de hospital.
Sim, todos os livros que deleitei até tal momento, deixei para trás o último suspiro da narrativa. Problemas com finais? Creio que um tanto. Admito ter certa curiosidade de saber com quem Guiomar aceitou casar-se em a ''A Mão e a Luva'', ou como terminou Odisseu em sua jornada em ''Odisseia'', também queria ter fugido da descoberta que a loucura haveria de deixar Dom Quixote.
Será que ainda há espaço para os desajustados? Temo que a morte não se aproxime tão cedo
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?