Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

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Poemas

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Enamorar

 
Ter um namorado é difícil. Apesar das oportunidades que vivenciamos todos os dias, apesar da inclusão em diferentes meios sociais contribuírem, apesar dos vários corpos e odores serem levados ao deleite e causarem mofo no dia seguinte.
Achar alguém é tarefa básica, artigo de luxo amador, joia despreparada para o polimento. Sem valor. Aliás, quem compra tamanha riqueza para apreciar por tempo escasso? Loucos narcisistas, talvez. Gente que escolhe pelo brilho, e após alguns usos tem preguiça de polir, ou prefere adquirir uma nova, tarefa mais fácil e prazerosa. A nova moda sempre passa, artigo caro perde seu valor, sendo esquecido na cabeceira da cama, no lavabo, até mesmo na torneia da pia.  
Os olhares sempre remetem para as vitrines com adornos da estação, aqueles mesmos pelos quais pessoas cometem loucuras para adquirir, onde os olhos brilham ao mirar. Seria mais fácil polir ao inovar? O preço que se paga as vezes é alto demais.
Ter um namorado é difícil. É preciso apreciar o ornamento, juntar migalhas de alta valia, mês a mês dar de comer aos pombos. É necessário indagar se o uso daquele anel lhe caíra bem em 1960 até  em 2048, e mais. Fundamental criar vínculo amoroso antes e durante de adquirir seu bem amado, como se fosse novo a cada entardecer. Pudera eu ter a frieza de trocar minha blusa preferida a cada junção de meses. Não mesmo! Escolher sua jóia é tarefa árdua, meticulosa. Se existe encargo mais encantador que preparar a mão para algo ao qual foi dedicado todo o tempo e carinho do cosmos, desconheço.
Além de não se apesarar de sua escolha, tem-se a vantagem maior – Amor. Admirará seu bem amado todos os dias, e saberá disso ao se olhar no espelho, ao subir as escadas, ao beber um gole do café mais amargo. E permanecerá feliz. Pode não ser em todos os momentos, mas o alívio será imediato, pois o conforto imergirá seu corpo pela tranquilidade de estar em paz com seu interior, até porque, não é qualquer anel que se encaixa em seu dedo, e dentre tantos modelos, houve algum que realmente se encaixou não só em sua mão, mas em sua essência.

 

664

Estilhaços

Hoje o vento soprou forte

Abalou árvores, casas, moinhos

Me cortou feito faca afiada

Levou-te.

652

Quatro e um meio comprimido

Canso-me dos dias pobres

Sem nenhuma iguaria

Das taças vazias

Ocupando balcões empoeirados

De incontáveis partidas


Canso-me das horas iguais

Do pesar que aniquila

Do riso forçado

O presente, o passado

Engolidos com a saliva


Canso-me das cores

Variadas entre cinzas

Isentas de ardores

O vermelho deteriorado

Em bocas de mancebas


Canso-me das relações sórdidas

Dos inícios procrastinados a falhar

Das fissuras incessantes

Irrevogável, interminável

Valsa sem par.

406

Derme

Em minha morte quero moças despidas

Circulando em pavilhões definhados

Onde a cena é megera

E meus olhos obsoletos


Em meu leito

Desejo recordar a vida

Víbora de tamanhas fissuras

Prostituta rameira

Segregadora de meu último trago


Vil adeus não concedi

Me despeço com a alegre feição

Alforriado do cárcere comunitário

Foragido por minhas mãos


823

Azul

Suspira meu peito

Envolve-me sem pressa

É rima que se contesta

Sem vírgulas

Dou-lhe um ponto final.

686

Engano

Traga teu corpo
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano


794

Passe

Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada

Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada

Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora

Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.

645

Marrom

Injuriados eram seus olhos
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba

A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia

Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico

705

02:47

Sou dessas mulheres
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz

Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada

Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores




661

Clarabóias

agarrava-me num sonho ruim
podia sentir o ar quente de suas ventas
entrelaçar
desgrenhar meu corpo amaldiçoado

pôs fogo em minhas flores
roubou-me pirulitos
deu-me balas nunca provadas
saciou-se de minha inocência

antes eu levava flores
antes eu não sabia da escuridão
antes eu era criança
antes não era prisão

agora tranco a porta
agora escondo a chave
desenterro minhas bonecas
mas elas já não brincam mais comigo.

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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?