Lista de Poemas
Enamorar
Sanatório
Manchas colhidas
Repelem meus ossos
Já de partida
Trincados, quebrados
Ná fúria de laços
Rompidos, perdidos
Perduro meu corpo
No encontro ascoso
Alimentado por vermes
Que nascem a cada entardecer.
Derme
Em minha morte quero moças despidas
Circulando em pavilhões definhados
Onde a cena é megera
E meus olhos obsoletos
Em meu leito
Desejo recordar a vida
Víbora de tamanhas fissuras
Prostituta rameira
Segregadora de meu último trago
Vil adeus não concedi
Me despeço com a alegre feição
Alforriado do cárcere comunitário
Foragido por minhas mãos
Quatro e um meio comprimido
Canso-me dos dias pobres
Sem nenhuma iguaria
Das taças vazias
Ocupando balcões empoeirados
De incontáveis partidas
Canso-me das horas iguais
Do pesar que aniquila
Do riso forçado
O presente, o passado
Engolidos com a saliva
Canso-me das cores
Variadas entre cinzas
Isentas de ardores
O vermelho deteriorado
Em bocas de mancebas
Canso-me das relações sórdidas
Dos inícios procrastinados a falhar
Das fissuras incessantes
Irrevogável, interminável
Valsa sem par.
She says
Procurei pelos cômodos de casa
As meias mal lavadas
E olhos amortecidos de indolência
No desabrochar do tempo
Que hora parte
Hora cura
Onde foi que deixei as xícaras sujas
De tantos desafetos e ternuras
Lembradas no enaltecer da partida
Onde foi que deixei a vida
Que era minha
Que era tua.
Passe
Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada
Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada
Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora
Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.
Engano
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano
Marrom
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba
A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia
Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico
02:47
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz
Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada
Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores
Deveras
O teu caos é verídico
Os teus olhos são limpos
Apareces do nada, me trazes sorrindo
Ah, guri
Teu andar desajeitado não engana
Tuas mãos frias enrugadas lhe entregam
Diz ser vermelho, azul, cor do incerto
Mas rapaz
Perceba a dislexia de meu pulmão
Chegando bem de manso
Te trazendo quase em vão.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?