Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

Perfil
39 507 Visualizações

Poemas

95

Antônio-mos

Chamem

os reis

coronéis

réus

príncipes

exilados 

velhos

novos 

calados

dispostos

amargurados

loucos

bêbados

injuriados 

doutores

donas de cabaré

a tia da da cozinha

a noiva esquecida

 

Venham ver o amor

Passou.

802

Enamorar

 
Ter um namorado é difícil. Apesar das oportunidades que vivenciamos todos os dias, apesar da inclusão em diferentes meios sociais contribuírem, apesar dos vários corpos e odores serem levados ao deleite e causarem mofo no dia seguinte.
Achar alguém é tarefa básica, artigo de luxo amador, joia despreparada para o polimento. Sem valor. Aliás, quem compra tamanha riqueza para apreciar por tempo escasso? Loucos narcisistas, talvez. Gente que escolhe pelo brilho, e após alguns usos tem preguiça de polir, ou prefere adquirir uma nova, tarefa mais fácil e prazerosa. A nova moda sempre passa, artigo caro perde seu valor, sendo esquecido na cabeceira da cama, no lavabo, até mesmo na torneia da pia.  
Os olhares sempre remetem para as vitrines com adornos da estação, aqueles mesmos pelos quais pessoas cometem loucuras para adquirir, onde os olhos brilham ao mirar. Seria mais fácil polir ao inovar? O preço que se paga as vezes é alto demais.
Ter um namorado é difícil. É preciso apreciar o ornamento, juntar migalhas de alta valia, mês a mês dar de comer aos pombos. É necessário indagar se o uso daquele anel lhe caíra bem em 1960 até  em 2048, e mais. Fundamental criar vínculo amoroso antes e durante de adquirir seu bem amado, como se fosse novo a cada entardecer. Pudera eu ter a frieza de trocar minha blusa preferida a cada junção de meses. Não mesmo! Escolher sua jóia é tarefa árdua, meticulosa. Se existe encargo mais encantador que preparar a mão para algo ao qual foi dedicado todo o tempo e carinho do cosmos, desconheço.
Além de não se apesarar de sua escolha, tem-se a vantagem maior – Amor. Admirará seu bem amado todos os dias, e saberá disso ao se olhar no espelho, ao subir as escadas, ao beber um gole do café mais amargo. E permanecerá feliz. Pode não ser em todos os momentos, mas o alívio será imediato, pois o conforto imergirá seu corpo pela tranquilidade de estar em paz com seu interior, até porque, não é qualquer anel que se encaixa em seu dedo, e dentre tantos modelos, houve algum que realmente se encaixou não só em sua mão, mas em sua essência.

 

663

Exímio exílio

Pela euforia da imensidão

Caminhávamos lado a lado

Sem direção pertinente

Isentos de tanto cuidado


Os corpos não eram nossos

Tão pouco de outrem

Amor que reencarnado em dois

Compartilhamos em um


Pertencentes em espírito

Designados ao abismo

Nos esbarramos na mesma solidão

Em barco furado, maré alta sem chão


A voz dele tampava meus furos

Apagava cicatrizes profundas

Trazia clareza em minha escuridão

Repentinamente, calou-se.


613

Miséria

Persevero no colo do mundo

A dor da solidão

De quem escreve para suprir

As falências da alma.

545

Rima barata

 

 

Lágrimas escorrem como sangue 
Desatando os nós que por veias percorrem
Choro seco
Amor escasso.

 

568

02:47

Sou dessas mulheres
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz

Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada

Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores




658

Marrom

Injuriados eram seus olhos
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba

A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia

Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico

704

Passe

Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada

Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada

Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora

Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.

645

Engano

Traga teu corpo
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano


792

Um cigarro e meio amor (1x2)

Se o que dizem por aí for verídico, de que só amamos uma vez na vida. Fico completamente decepcionado comigo mesmo. Não por não ter amado ainda, mas por ter amado a pessoa errada.
Vejo a melodia que ecoa entre os bem amados, ar fugaz que transparece na atrocidade do vento. Oh céus, por que esses versos perdidos não chegam até mim? Será eu, um antônimo de nós? Primeira pessoa do singular.
Abstrato perante o mundo, ou mundo abstrato diante de mim? Vejo-me e não me enxergo. Talvez focando os olhos diante do espelho faça o borrão entrar em foco. Mas se o problema for o espelho?
O chão onde piso é tão torto, balança, leva e trás, caí. Eu continuo no mesmo lugar, tudo se move. Esse meu olhar perplexo diante da existência. Eu que vejo o mundo ou o mundo que me vê? O sentido existe pra quem se surda da realidade.
Como um pêndulo na ventania, no olho do furacão. Movo-me, sacudo-me, sem direção. Porém preso a algo invisível que me impede de chegar a lugares nunca explorados. Tento me soltar. Mas o que me prende, chama-se VIDA.

Diego Mattos e Aline Lucille.

Um texto de duas mãos.

795

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?