Poemas
95Antônio-mos
Chamem
os reis
coronéis
réus
príncipes
exilados
velhos
novos
calados
dispostos
amargurados
loucos
bêbados
injuriados
doutores
donas de cabaré
a tia da da cozinha
a noiva esquecida
Venham ver o amor
Passou.
Enamorar
Exímio exílio
Pela euforia da imensidão
Caminhávamos lado a lado
Sem direção pertinente
Isentos de tanto cuidado
Os corpos não eram nossos
Tão pouco de outrem
Amor que reencarnado em dois
Compartilhamos em um
Pertencentes em espírito
Designados ao abismo
Nos esbarramos na mesma solidão
Em barco furado, maré alta sem chão
A voz dele tampava meus furos
Apagava cicatrizes profundas
Trazia clareza em minha escuridão
Repentinamente, calou-se.
Miséria
Persevero no colo do mundo
A dor da solidão
De quem escreve para suprir
As falências da alma.
Rima barata
Lágrimas escorrem como sangue
Desatando os nós que por veias percorrem
Choro seco
Amor escasso.
02:47
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz
Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada
Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores
Marrom
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba
A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia
Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico
Passe
Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada
Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada
Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora
Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.
Engano
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano
Um cigarro e meio amor (1x2)
Se o que dizem por aí for verídico, de que só amamos uma vez na vida. Fico completamente decepcionado comigo mesmo. Não por não ter amado ainda, mas por ter amado a pessoa errada.
Vejo a melodia que ecoa entre os bem amados, ar fugaz que transparece na atrocidade do vento. Oh céus, por que esses versos perdidos não chegam até mim? Será eu, um antônimo de nós? Primeira pessoa do singular.
Abstrato perante o mundo, ou mundo abstrato diante de mim? Vejo-me e não me enxergo. Talvez focando os olhos diante do espelho faça o borrão entrar em foco. Mas se o problema for o espelho?
O chão onde piso é tão torto, balança, leva e trás, caí. Eu continuo no mesmo lugar, tudo se move. Esse meu olhar perplexo diante da existência. Eu que vejo o mundo ou o mundo que me vê? O sentido existe pra quem se surda da realidade.
Como um pêndulo na ventania, no olho do furacão. Movo-me, sacudo-me, sem direção. Porém preso a algo invisível que me impede de chegar a lugares nunca explorados. Tento me soltar. Mas o que me prende, chama-se VIDA.
Um texto de duas mãos.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?