Lista de Poemas

Domingo em Santos

Dize-me se nesses longos domingos
Malditos dias que não acabam há meses
Se tudo que si pede não são gritos
Senta-te no meu colo e premasses

Calada como gata a espiar por horas
A presa idiota que se curva em silêncio
E si entrega na rosa de teu suar
De teu corpo faminto de gozar a noite

Erva daninha vil que devoras
Demônio de meus desejos brados
Agora te vejo em sombras de nada, tudo é frágil

Já gritei, já ti possui por noites
Mas os caminhos de outrora não são os mesmos
Só mi resta às curvas de Santos e não as suas...
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Sonho ( Succubus )

Não sei onde estávamos, sinceramente...
Não há vaga lembrança em minha mente
Só o que sei que tu estavas lá
Sem qualquer roupa ou vergonha

As suas curvas de Deusa da Luxuria
Todas elas encaixadas perfeitamente
Como se fosse a extensão do meu corpo
Doce calor dos teus seios nos meus braços

Inconsciente como tudo, puxa a minha mão
Mesmo ti cobrindo por trás
Tua mão procura a minha

Só o que me lembro
Mas foi essa a sua visita
Meu pecado mortal...
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Cansaço II

Tudo que quiseres hoje, peça-o
Não se esqueça de nada, leve tudo
O que quiseres que eu faça, eu o faço
Não mi deixe em paz

Queres que eu morra estafado a teus pés
Serei o escravo das vontades alheias
Queres que eu segure o seu mundo
Pilar de todos os desejos vãos seus

Que assim seja; Que corra meu suor
E quando acabar...
Que seja o meu sangue posto ao chão

Faça o que quiseres de meu corpo
Não se esqueça de nada...
Mas quando eu repousar, dormirei na terra dos sonhos
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Prisioneira

Já foi dito... A pior prisão não tem muros
As escolhas, os caminhos, as perdas
São difíceis, tem um preço em tudo
Ou isto ou aquilo, não podes levares tudo

Nos sonhos sim, podes teres tudo
Lá és livres como desejares
Pode pegar o que quiseres
Mas, sempre tem o porém

Por mais belo e delicado que sejas
Por mais prazeroso e acalentador
O abraçado querido ou o beijo velado

Podem ser o teu bem mais precioso
Que tu tens... E sabe que tens!
Mas o despertador acaba com tudo...
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Procure-me e mi acharás em sua mente

O teu pedido amiga de ontem
É frio como a trágica mentira
Trairás a confianças de quem?
Nesse falsa fachada de moça

Os divinos dias teus se prestarem para isso
Pedido de ajuda de loucos escutaste
Na mocidade de teus olhos perdidos
Viste o quê? Sou mais velho que o mundo

Caído dos céus e augusto escolhido
Nos teus olhos só há culpa pela falsidade
Confesso só a Deus, e ele em nada mi culpa

Vil rosa ariana que em silêncio ocultas
Veio, viu e não soube nada, nada
Cala-te, quando eu sair deixarei o pó de minhas sandálias
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Angústia II

23h17min
Tudo está lá, escondido nas sombras
Mi incomodando, mi ferindo
Tu estás lá, como ontem

Tão distante como um sonho
Tão perto como tua presença
Tudo aperta o que carregas em sua mão
Tudo...

Sem saber de nada
Sem saber de ti
O dia passa assim...

Quieto e soturno numa troca de distrações vazias
Vazias como os comentários cretinos que mi protegem
E nem o teu nome posso dizer... Descanse meu anjo
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Despedida

Nessa tarde de sábado
Nas areias da Paragem das Conchas
Faça desse rio sinuoso que morre ao mar
Um minuto de silêncio...
Em honra aos sinos que dobram
De tudo que já foi
De tudo que há de oculto
De tudo que findará
Conte os grãos das areis que pisas
E não chegará
Aos versos de despedida que já fiz...
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Felicidade

Acordar à tarde com o pensamento leve
Traçar os passos pelo final do dia
Rever os bons amigos queridos de anos
Sentimento bom de reencontro

Papo fiado atravessado na cama
E como é bom isso em família
A brisa leve do vento pela janela
Gestos de carinho e de afeto

Mesa servida em forma de afeto
Sorver o gosto dos alimentos
A calma da refeição caseira

Vão se as dores
Vão às mágoas
Não preciso de muito... Só do que não tenho
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Lágrimas escondidas

Cada dia é mais penoso tecer
Os nós que se amarram estão fortes
Cada dia o novelo de lã a ti prender
Começou como gata a pura sorte

Agora, o que tens? Ou não falta ter?
Nesse desenlace louco teu de morte
O desespero cálido da noite norte
Guia os meus passos para ti perder

Caia no mar e volte a si ter
O destino escrito nesse trote
Vai apenas ti magoar e mi arder

E quando tudo for mais fundo
Grite ao mundo mudo e imundo
Que o teu coração vagabundo e de outro fecundo
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O Festival da Carne Brazileira

O Festival da Carne "Brazileira"

Vestidos que despidos são os vazios
Encanto decantado deste "brasios"
Ave-do-paraíso desplumada
Perdes os doces ares de "amada"

Seios seus fartos da amostra
Se o seu preço banal é o olhar...
Cobiça, inveja do vazio gozar
De todos, o meu apreço se prostra

É só meu na hora sagrada morta
Entendera só a de nossa Horta
Meu pecado velado às escuras

Que conheces a rosa a honrar
Em segredo gemido de bradar
De joelhos sente tremer as coxas suas
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