Madalena Palma

Madalena Palma

n. , Beja

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A vulva

Percorro o teu corpo com alíngua

Recolho os teus fluidossaboreando cada um

A vulva envolta emmovimentos avulsos

Sorve com sofreguidão osabor do teu sexo

É nos meus ombros que queroas tuas mãos

Quando te oferto o meu torsoe toda a minha vontade de te sentir

Os cabelos são rédeas presasque regem a nossa vontade

Os mamilos, esses roço-os nocetim que húmido se forma no nosso mar de deleite.

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Poemas

23

A vulva

Percorro o teu corpo com alíngua

Recolho os teus fluidossaboreando cada um

A vulva envolta emmovimentos avulsos

Sorve com sofreguidão osabor do teu sexo

É nos meus ombros que queroas tuas mãos

Quando te oferto o meu torsoe toda a minha vontade de te sentir

Os cabelos são rédeas presasque regem a nossa vontade

Os mamilos, esses roço-os nocetim que húmido se forma no nosso mar de deleite.

1 490

A lucidez da loucura

Não há saudade sem tormento

Finitude sem nostalgia

Ou amor sem sustento

1 155

Nos teus lábios

Nosteus lábios tens pérolas de tempo

Janelasabertas de brisas frescas

Euma crescente claridade luzente

Quandopartes levas os meus lábios nos teus

Ecom eles furtas-me o silêncio

Deixando-mea tua voz no meu peito

Daminha boca levas a palavra que te digo

Atodos os instantes que o silêncio impera

Entreo castanho e o verde do nosso olhar

1 355

Da alma

Todaa poesia que escrevo

Éarrancada da alma

Degume afiado abro o peito

Ederramo todas as palavras

Asque doem caem duras no chão

Asque magoam não replicam

Hátambém os versos de alento

Eas palavras de amor

Essasespalho-as pelo corpo

Paraque a tua língua as recolha

Eem ti permaneçam

Semque eu as tenha dito

1 189

Laço

Não posso dizer-te que teamo

Quando já antes o dissecentenas de vezes

Não pode ser amor o quesinto

Quando nunca antes o tinhasentido

Não sendo amor, que outracoisa pode ser

Quando no laço do abraço

O meu corpo é essência

E a minha alma é mais do queo meu ser

1 048

Fado

Que te ditam os meus versos
Quando me pedes para te escrever um poema?
Que pele reveste a tua alma
Quando na escrita me encontras?
Que sentimento é este que soa
Por entre as cordas da guitarra?
Um amor lento de final de tarde?
Um olhar quase cansado e caído
Por entre os véus da noite?
Uma lágrima que encontra
Conforto nos lábios que afagas?
Um grito de amor
Numa garganta muda?
Que alma é esta que te procura
No adiar dos dias
E que mata a sede
No teu corpo cevado?
Que pesar este o de te amar
Numa demora que não é a minha
Nesta folhagem de Outono
Quando é de azul-mar que te matizo?
Que sentimento é este
Vivido intensamente nestes dias partidos
Repletos de partidas e chegadas
De abraços e de confissões?
Que amor é este que de tanto se querer
Tudo tem para dar?
Que paixão é esta que não pesa na alma
E liberta o espírito
Sempre que de sorriso te revivo
Serás tu alma igual à minha
Que sente nas veias este fado?
1 286

Ouço-te

Estousempre a ouvir-te

Emfrases e perguntas

Umasque fizeste e outras que ficaram por fazer

Játentei na minha mente calar-te

Masesse vazio foi mais triste que o silêncio

Escolhoo sabor doce das tuas palavras

Queme sustentam e escoram

Esobre o linho da noite

Meaconchegam

1 077

Acto inato

Masturbaré uma forma de arte

Éconduzir ao centro do corpo

Osdedos que teimosamente escorregam

Carregame esfregam os lábios que não falam

Aquelesque apenas emitem prazer e desejo

Eque sorvem num simples gesto a energia dos corpos.

Osdedos guiados pela fome

Trepamos vales e as ondas do corpo

Caminhandoextasiados e inebriados pelo odor do sexo

Empurradospor uma mão febril

Queincessante e sem dubiedade avança

Aprisionandonum único gesto todo aquele mar


Noslábios das palavras sacia todo o prazer

Deitandona língua os fluidos emanados pelo sexo

Extinguindoo fogo, a febre e o desejo

Cobrindosuavemente os lóbulos da boca

Paracom a língua recolher

Odesfalecimento dos espasmos que o corpo ainda liberta

1 055

Nascer de ti

Queriaesquecer quem fui

Apagartodas as pegadas

Desprezartodos os nomes

Queriaviver sem memórias

Enascer na tua boca

Sempreque me pronunciasses

Queriarenascer como Vénus

Naconcha das tuas mãos

Nosteus lábios brotar

Todaa minha alma

Repletade ti

1 088

Cansada de ser mulher

Estoucansada de ser mulher

Esgotadade ser aquela que os homens procuram

Paraviver momentos de prazer

Estoucansada de ser carne e gozo

Fatigadade ser um ser vazio e sem alma

Deser fonte de desejo e de não beijar

Estoufarta de mandar embora da minha vida

Quemnunca deixei verdadeiramente entrar

Estousem sangue frio nas veias

Paraimplacavelmente continuar a ser mulher

1 188

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