A lucidez da loucura
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Fatigado,o corpo deixo-o cair por entre os véus
Comos braços prostrados sobre o ventre
Assimpermaneço
Semque o tempo ocupe espaço
Osolhos deixo-os seguirem o seu rumo
Comoa folhagem de Outono também eles caem e se fecham
Nãosei se acordada ou a dormir
Reclinoa cabeça deixando os cabelos caídos pelo chão
Sonho
Viajopara uma noite de Verão em que o horizonte te traz
Econtigo vem toda a vontade e loucura
Quetornou a distância vazia
Oua estrada um paralelo que se cruza
Contigovieram histórias e narrativas
Dúvidasque metamorfoseamos em verdade
Mãosque se tornam asas
Egestos incessantes que depravam, viciam e seduzem
Contigoveio também o destempero
Dequerer consumir num momento
Tudoaquilo que não cabe numa vida
Estoucansada de ser mulher
Esgotadade ser aquela que os homens procuram
Paraviver momentos de prazer
Estoucansada de ser carne e gozo
Fatigadade ser um ser vazio e sem alma
Deser fonte de desejo e de não beijar
Estoufarta de mandar embora da minha vida
Quemnunca deixei verdadeiramente entrar
Estousem sangue frio nas veias
Paraimplacavelmente continuar a ser mulher
Demora-tenos meus lábios
Todoo tempo do mundo
Aqueleque usamos e não gastamos
Sempreque nos entregamos
Deixa-teficar na minha pele
Efaz da tua ausência sempre presença
Um dia liberto o que tenhopreso
Nesse momento, na noitenasce o Sol
Ou no dia se fará escuridão
Um dia pronuncio o teu nomesempre que te penso
Nesses momentos sentirás natua pele uma marca
Ou as sentirás apenas no teuespírito
Um dia passarei com os meusdedos no teu corpo
E desfolharei cada camada depele
Como se a tua históriaquisesse ler
Nesse momento recostar-me-ei
E esperarei por ti até queadvenhas
Não nesta vida mas noutra
Naquela que o destino nostraçou
Porque o que nos une
Trespassa tudo o que sealcança
E vai muito além datrivialidade da vida
Entrego o meu corpo
Ao desejo violento de teconsumir
Como se em cada membro
Povoasse o apetite voraz dete ter
Unicamente em mim
Esta vontade selvagem
Criada no verde dos meusolhos
Que reflecte o tom douradoda tua pele
Que suada me desperta oinstinto de te vincar
Demarcando linhas e caminhosnum corpo
Que só eu sei decifrar
Omeu sorriso vem na tua voz
Enroladonas palavras
Remeto-mepara um canto
Ondeuno os joelhos aos lábios
Efechada em mim
Recuperotudo o que contigo vivi
Ecoamvocábulos
Quepercorrem o interior do meu corpo
Estás-mena pele
Etal como nas searas tomas o lugar do vento
Eno mar abraças as marés
Emmim congregas a alma
Deum ser que se entrega inteiro
Anoite de todas as noites será aquela em que te disser: Amo-te
Seráo dia de todos os dias em que reunirei num abraço o amor
Seráa noite em que todas as estrelas do céu nos iluminarão
Enuma cortina de luz nos protegerão a imutabilidade do instante
Anoite de todas as noites será aquela em que o tempo não importará
Emque o mundo parará de pulsar e no céu as nuvens não surgirão
Seráo dia em que congregaremos em todos os gestos a paixão que nos apega
Nanoite de todas as noites abrir-te-ei a minha alma
Depeito aberto, sem pesos e assente em ti revelar-te-ei todo o meu sentimento
Oamor que me enche o espírito e me rasga os lábios
Ea pele que me reveste a derme que tem o teu nome tatuado em cada célula
Nanoite de todas as noites abrir-te-ei as minhas asas cobrindo-te o corpo
Edemonstrar-te-ei que o meu voo livre está na concha das tuas mãos.
Anoite adormece as palavras gritadas
Àbeira dos lábios ficam apenas os vocábulos mudos
Diálogoscalados e taciturnos
Prolongamlongos momentos emudecidos
Aplacidez do corpo retém ensejos
Numatranquilidade indubitável
Atua voz entoa em tom suave
Palavrassoltas que ficaram…
Comvocábulos curtos ou frases longas
Soucapaz de refazer cada diálogo
Quecom as palavras dissemos
Oucom os corpos compusemos
Massão os teus beijos…
Osteus lábios no quente da minha pele
Queme cerram os olhos
Adormecendo-me
Nocalor do teu regaço
De tudo e de nada te escrevoum poema
Poema que encho de palavras
Palavras com alma cheia
Cheia como a Lua
Lua que brilha nos teusolhos
Olhos que se mareiam de sal
Sal que fica nos lábios
Onde te bebo até à últimagota.
Um dia prometo voltar aofundo do mar
Apenas para lá deixarescrita a palavra
Que descobrirá otesouro mais bem guardado
Aquele a que atribuo maiorvalor
Aí nascer-me-ão as asas
Que me levarão ao teuencontro
Esse será o dia em queacordar
E permanecerei com os olhosfechados
Deixando-me ficar no leito
Onde não temo amar-teplenamente
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