Madalena Palma

Madalena Palma

n. , Beja

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A vulva

Percorro o teu corpo com alíngua

Recolho os teus fluidossaboreando cada um

A vulva envolta emmovimentos avulsos

Sorve com sofreguidão osabor do teu sexo

É nos meus ombros que queroas tuas mãos

Quando te oferto o meu torsoe toda a minha vontade de te sentir

Os cabelos são rédeas presasque regem a nossa vontade

Os mamilos, esses roço-os nocetim que húmido se forma no nosso mar de deleite.

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Poemas

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A viagem

Adormeçocom os músculos tensos

Talvezrendida pelo cansaço mental

Porqueo do corpo não se nota ainda.

Acordouma hora depois

Comose tivesse dormido dois dias seguidos.

Olhoo relógio e vejo-me ainda no mesmo dia,

Nomesmo tempo,

Quase,no mesmo instante.

Penso:e agora?

Agora,levanta-te.

Écaminhar que quero,

Seguirao teu encontro.

Descobrir-teno meio das dunas

Numapraia ao início da noite.

Ver-tesentado a olhar o mar,

Desorriso casto nos lábios

Sentindoa minha chegada.

Voucaminhar ao teu encontro,

Sentindoo corpo cada vez mais cansado.

Ospassos cada vez mais pesados

Atéque de joelhos caio ao teu lado,

Enum só gesto descanso a cabeça nas tuas mãos.

Eali com o som do mar

Ocheiro das algas e o bater do teu coração

Embalonuma viagem.

Fechoos olhos novamente abandonando-me em ti.

Conduz-menesta caminhada

Leva-mepara onde ninguém nos saiba

Eonde te possa simplesmente amar.

806

Sonho-te

Hojesonhei-te

Sonhei-menos teus lábios

Emconversas infinitas

Euapenas ouvia

Apenasme ouvia nas tuas palavras

Sentadaà tua frente com as mãos em concha no teu regaço

Estavafrio

Láfora a chuva batia na janela

Eo vento assobiava por entre as folhas das árvores

Nomeu quarto estava calor

Quaseeram visíveis as ondas de calor que os nossos corpos libertavam

Asconversas fluíam incessantes

Apenasnos teus lábios

Osmeus apenas sorriam e riam

Eaparavam as lágrimas

Astuas mãos acetinadas afagaram-me o rosto

Fechoos olhos sempre que conduzes esse gesto

Talvezpara reter também o calor da tua mão no interior da minha alma.

802

Aroma

Decorpos encostados

Procuroo segredo do teu cheiro

Enquantocom a ponta dos teus dedos

Seguesa linha do meu corpo

Pedes-mesilêncio sem o murmurar

Parareteres a continuidade do horizonte

Quesepara o corpo embebido no teu

Ea alma se entrelaça na tua

Sinto-metoda na concha das tuas mãos

Noteu peito um porto de abrigo

Peço-tenum suspiro para em ti ficar

Seique me ouves quando em mim

Contemplaso sorriso que vês apenas na alma

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