ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


Ó vês, dê-se aos livres átimos.
Dê-se às vós, que o reino vibra.
Sinta-o todo, é tudo corpo vibração.
Não! Não sonheis à não torná-la engano.
O sonhar a vida é perder-se em vão.
É ser vagante lost nas brumas sem visão.
Ó de que vos falo? Falo-vos, então:
O puro há de tão parecer-te ficção,
Quão o iluso há de são parecer-te eclosão.
Vai! Apressa-te aos teus lócus ame nus.
Dê-se da noesis a rés furtiva –, a louca opressão.
Ó covarde crônico de chapéu na mão.
Quae será onde ‘stás?
A realidade é uma quimera ilusão.



Sangria, dessalga, carne em desosso.
Desalma, inculta verbo ouro de tolo.
Tinta sem borracha em cem in-fólios grosso.
Pena sem revoada em mil abcedários soltos.
Muda-surda-e-cega?
A minha poesia não quer dizer nada: ela diz!
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