Lista de Poemas

PRENDA [Manoel Serrão]


Poesia que versa o vate.
Poeminha que asa bateu...
Se gostar do verbo Ter?
Paga prenda com o verbo Se[u]r!
457

POÉTICO [MANOEL SERRÃO]




A destra ou a sestra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago,
é a mesma que rebusca a palavra escrita: o verbo – o verso - o poema - que transcende o inefável poético.


É a mesma que contra a luz que se apaga escreve e reescreve; significa e reesignifica  o tempo, o espaço, a vida e a morte.
É a mesma que  faz medrar do mudo silêncio a poesia endereçada que transforma o mundo que não quer calar.

A sestra ou a destra que alinhava Homero e Safo, Nauro, Gullar e Lago, 
é a mesma que escrevinha paisagens  sem destino derradeiro.

É a mesma que faz crer-e-imaginar todo homem sonhar,
Que a vida revelada pelo poder da criação: Sempre vale a pena!



353

BEM-FEITO [MANOEL SERRÃO]




Ora O pretérito imperfeito s
ub-stantivo sujeito escorreito. 

Ora O exímio adjeto perfeito sobre-o-inábil adverso defeito. Ah! Se a felicidade não tiver-seu-prego...

 

 

 
430

NAURO & LAGO [Manoel Serrão]




Com uma lírica estilística de vigor verbal criador,
Um me atira de corpo e alma em versos para o alto.

O Outro de uma mestria poética de grandeza abissal,

Me ensina: Baudelaire, Musset, Gaston e François.

Um com a visceral idade do dentro das coisas
E a internalidade fraccionada dos seres,
Me atira nas águas profundas do verbo ser carne.

O Outro num versejado sóbrio e dorido de Quasimodo,

Me ensina a pungente angustia do "Sou um homem só,
Um só inferno" – nas terras entranhas do Ser cavo.


Amo Nauro.
Amo Lago.

Nauro Machado &
João Batista do Lago poetas maranhenses de grande expressão nacional.

 
519

CÍNICO [Manoel Serrão]











Ó saia da frente do meu sol. 

A poesia quer ser feliz!
Não vês, Camões, quer ser Poeta.
389

ANFÍBICO [MANOEL SERRÃO]


Ó aqui 'stou! Aqui 'stou nas intolerâncias das tolerâncias que me condenam; nas finitudes dos meus eternos que se dês-combinam; nas entrelinhas, sem começos, meios, e,
fins; ó aqui 'stou 
nos meus estados que se repetem: o retorno sem cessar.
 
Ó mas onde não 'stou? 'Stou na ladra do vira latas sujeito;
No Filho maldito perdido nos becos; no Homem utente das ruas;
No Anfíbio da lama dos guetos.

Onde 'stou? 'Stou 'Stou e não sou!

Eu hoje sou o Nada. Nada sou! Nada sou!
Nem mesmo a vergonha mais vil do homem.
Nem mesmo O "Sol" – apenas Um -: sou [O] Tudo;
Nem mesmo O "Pó" – apenas Todo -: sou Um.

Oh! Onde 'stou? Não 'stou quando 'stou na Matrix ilusória que desagrega-me os humanos sujeitos sem igual do Não ser O real sem valor;
Onde O Eu maldizente e os Outros Eus obedientes desobedecem os obedecidos e os deuses esquecidos.

Oh! De resto,- humano -, quando diante da Vida e da Morte, me for em vão toda a paisagem estendida pro norte;

Quando o Nada estiver acima de tudo, e me arda a força do punho no peito;
Quando a terra me puser pedra nos pés, e o céu venda nos olhos;
E quando os soluços revirarem-me à dor na garganta, e tudo for apenas o quê dos meus sonhos o Mundo restou?

Lá fora por sorte 'stará o amanhecer da vida sorrindo-me;
Ou, o choro-gemido do entardecer da vida dentro da Morte. 
Ó nada temer além de mim... Ó nada a temer!
Nem dos Homens desgraçados que somos; nem dos Deuses Astronautas de Von Däniken; nem da Terra frouxa ferida por máquinas à espreita por Nós!




Já revelei noutra oportunidade que sou admirador da poética de Manoel Serrão. É-me – aos meus olhos – provavelmente, o poeta mais complexo do Maranhão, na atualidade. Dono de uma larga obra (toda ela socializada na Internet), Manoel Serrão, desde que tive a primazia de conhecê-lo, “espanta-me” com os seus versos, e muitas vezes, me conduz a reflexões dialético-materialista-fenomenológicas.








620

KRAKATOA'S [MANOEL SERRÃO]






Opostos dos que versejo estranho?
Aos pósteros dir-lo-ei versos em digestos tão diversos
Para todos os leres sonhares.

Serão zíngaros sonantes.
Não zãibos, versos rasos, antístrofes, penitentes de feiúra face a quem lhes dou-vida,
E quão um “Deus” vezo criador dou-lhes à rima um ritmo esquisito
E à estrofe como um surdo pode compor, alma de estanho.

Não! A vós confesso: de Sumatra à Java,
Vulcano ativo como o mundo que não se acaba assim?
Magma das minhas cavas entranhas...
Só escrevê-los-ei Krakatoas de explosões!  



472

FUMO D'ROLO [MANOEL SERRÃO]






Passe o rolo.

Meu avô falou:
- corta, faca!
- bota, fogo!
- todo, fumo!
E tudo rodopiou!!!!
Ó vô quase o mundo acabou!


















Ao meu avô Hidalgo Martins da Silveira:  um verdadeiro amante do charuto de fumo de rolo, até que um dia ainda quando criança por achar aquele ritual de fabricação artesanal instigante, tivera  eu a infeliz ideia de recolher as sobras daquele fumo picado sobre a tábua e com uma seda após “fabricar” um daqueles preferidos do meu avô, bastou-me apenas uma única e desagradável experiência para nunca mais repeti-la na vida. Ó vô quase o mundo acabou!
420

QUEBRA[R]-QUEIXOS [MANOEL SERRÃO]






Dou-lhe um.
Dou-lhe dois.
Dou-lhe três cinco "vezes" seis - trinta, novisfora três.
Regra de trinta vão três beijos de quebrar-queixos. 
384

ENFERRUJA [MANOEL SERRÃO]








Amor q
ue não se usa?
Enferruja!
320

Comentários (1)

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321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.