Lista de Poemas

A-VA-LI-A [Manoel Serrão]




Quanto
Mais-Valia?
Mais  Val-lia!
426

ETHEIA (O REFÚGIO) [Manoel Serrão]



Abrigo para o corpo
Morada para o afeto.

Refúgio para a alma.

Remédio para dor.
Socorro para todos.
Casulo para o sonho.

“Salvo” do mundo?
Sem querer abusar:
Senti-me seguro!
Fiquei a vontade;
Ó lar doce lar?
A Etheia da vida é sua!


 

391

O SAL D'ALMA [Manoel Serrão]











O amor é o sal d'alma que tempera a vida.
385

PONTO DE FUGA [Manoel Serrão]






Para o Homem em rés furtiva,

Ou vidas em pontos de fuga?
A perspectiva é só uma ilusão profunda!





 
 

 
473

VOTO-VENCIDO [Manoel Serrão]



Irresignada a (dês)ilusão apela repisando a paixão.
Voto-vencido.
O sentimento não merece qualquer reparo. 
Assim, decidiu-se o amor: sem custas para o coração.
424

BREAKFAST [Manoel Serrão]



Café pingado de paixões.
Bolinhos de chuva e carinhos.
Sonhos com suspiros e denguinhos.
 
Broas de esperanças.
Torradas de sorrisos.
Beijus de fé e alegria.
 
Pães-de-ló com quindins amores.
Coalho com mel  de afetos. 
E alguns franceses na manteiga?
Eis o meu breakfast nas manhãs refulgentes da vida.
413

ADÔNIS [Manoel Serrão]




 
Queriam-me Adônis?
Ó eu me crio
E me recrio no mundo
Que-me-queria[m] o antônimo.
324

HOMEM RÍDICULIO [Manoel Serrão]



Ó Ser de libertina vida obscura! Q
ue ao barulhar das folhas de outubro,
E ao soprar dos ventos foge do ardor dos ipês quão  do suicídio das flores amarelas...

Acaso honrais cobarde as calças do mundo!

 

343

NOTRE DAME [Manoel Serrão]









Caolho, sem tamanco
?
Assim Hugo é o meu poema manco!

 
537

ANDRÔMEDA & ANDROMAQUE [Manoel Serrão]

Oh Deosa de Cefeu -, Andrômeda da Etiópia -, Gioconda, Odara. Ó vós que d’alli em d’oira hora vira Zeus -, fleur do Olympo – anunciada florescer.

Ó Nubae em veste d’alva saia qu' entre as Ninfas de Nereu foras por Cassiopéia a mais bela de todas proclamada. Ó vós que por Poseidon o ânimo em fúria desperta por Nereu ao teu belo, o fragelo, foras n’uma rocha açoitada.

Ó Grega que de Cetus e de Phineus por Perseu com as cãs da Medusa foras salva, e quão por amour fou  deu-lhe o destino, a quem o herói se casara. Ó vós Bem-Aventurada, que por Atena – a culta e sábia - ungida à galáxia foras eternizada. 

Ó Andrômeda spectac’lo de Bengala! Ó sê sábia, que doravante ninguém tema na mais escura noite, que se apague da esp'rança o último clarão da vossa face.

Ó quasar sê sábia, escutais a queixa silenciosa das coisas... Ó escutais!!! Doravante
quando silente s’espalhar a solidão que a poesia por cá aquietai-nos n'um só instante e povoai-nos os corações de amor e paz. Ó sabeis, silenciar é a forma de melhor dizer a vida que há e aquela que está por vir. Sim que o silêncio ao homem se fale! Nunca o silêncio estulto que o Outro apaga.


Oh! Andrômaca troiana, paixão insana de Pirro, rainha apeada levada ao claustro. Ó vós que d’alli do Époro, - o plasma de Aquiles -, a Orestes por inveja à Heitor em trágica hora a cria lh'a fez cair nas mãos e co' as fúrias à morte, - o vil - ordenara.

Ó Andrômaca dos versos alexandrinos de Racine!!! Obra de raro engenho, de ardor acendido, exclamo-a: Por que té' gora só dest' ao herói a luta em vão o fado, e por destruí-lo uma paixão sempre o acaba?

Ó Andrômaca dos versos trágicos de Corneille!!! E di-lo o herói: ó mal sabeis Andrômeda, o trágico, dono do próprio destino, aqui é maior que a própria sorte.

Não vês – Inda agora: Ó Andrômaca à luz de Barthes! Não vês que sois o elo num só anel de fogo, poal e água -  Ó são terras áridas entre o deserto e o mar, a sombra e o sol fulgor - E o mar? O mar importa como utopia de fuga do realismo ingênuo.

E ei-la [a] de Barthes: um só nada vazio sem pejo, um desvaler, mas sempiterna aberta preenchida e significada.

Ó n'umas justas a gloria merecida: Sejais vós Andrômada o mito ou Andrômaca casta como o trágico a metáfora é o laço maior da liberdade. Não  vês, a poesia é  o risco de arriscar-se a perder o rumo aonde quer que nos leve, sim: será sempre o lugar certo. 

Vede, entre presságios, se não credes no que o oráculo de Perseu predissera: ó mal sabeis como são corna musa sem métricas os meus versos de aprendiz sem estética. Mal sabeis! Mas lá 'stão! Lá ‘stão além d’ eles a plêiade sem temor e tod’alma d’ ave-grou em verbo e carne.

Ó Andrômaca, vós que habitas em fulgidas mansões siderais e todos... Ou nas hecatombes a grei do silêncio à voz da poesia nem os blazares as calara! Ó vês, sem visar a verdade, o poema, chega, a outra verdade: à verdade de sê-lo apenas Belo. Então que ressoem as harpas e as parkers dos Bardos e seremos todos tantos uma só odisseia rumo a um só lugar onde o que se vê raras vezes é o que se vê infinito.

Ó vim dizer-to: consola-te, pois, com as vossas estrelas, como silentes, incriados e eternos à busca do além no fazer poético, os poetas catam palavras em versos devotados escritas nas poesis ao Universo endereçadas que transformam o Mundo, e a dimensão coletiva do Sujeito!





 
  

 

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Comentários (1)

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321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.