marcoalvarenga

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Sou Poeta Acadêmico, ocupo a Cadeira de Número 2 do Colegiado de Letras da "ACLASP"- Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo. Também sou artesão, com trabalhos em madeiras feitos com estiletes...

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OS ASTROS NÃO TEM CULPA...

Sou o único culpado de tudo.
Alguém precisa se responsabilizar,
pelos danos, pelas perdas, pelos males,
pelas brigas e desentendimentos.
Alguém precisa assumir a culpa,
para que os verdadeiros culpados
se beneficiem, enquanto eu sou
poupado das verdades...
E o que é a verdade, quando tantos
não a enxergam, ou fingem não a
conhecer?
Sou o culpado da vida mal vivida,
das noites mal dormidas, da falta
de apetite, sou culpado da artrite,
da renite, da bronquite...
Sou o único culpado do mal tempo,
do vento que traz de volta as folhas
varridas, as folhas mortas, que morreram
na última tempestade...
Sou culpado das feridas e cicatrizes,
que ficaram como lembranças,
sou culpado do peso na balança,
da falta de esperança, dos dias perdidos.
Sou culpado do ontem que se apressou,
do hoje que não espera, do amanhã
atrasado...
Sou culpado do apreço, o qual me leva
a aceitar o próximo sem distinção,
sou culpado desse mundo cão, desse
eterno não, que a vida me dá de presente.
Sou o único culpado das vontades alheias,
da aranha em sua teia, culpado das mazelas do mundo, do bêbado, do vagabundo.
Sou culpado de mim mesmo, de não ter,
de não ser, e não poder...
Sou culpado da dor, da flor que ressecou,
do sol escaldante, do choro constante da
criança, da ira na vingança, sou culpado
de tudo, de não ser mudo e retrucar, de não ser cego e enxergar, de andar para trás.
Sou culpado de qualquer coisa...
De ver, ouvir, e gritar.

Marco A. Alvarenga
                                                           
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Poemas

20

OS ASTROS NÃO TEM CULPA...

Sou o único culpado de tudo.
Alguém precisa se responsabilizar,
pelos danos, pelas perdas, pelos males,
pelas brigas e desentendimentos.
Alguém precisa assumir a culpa,
para que os verdadeiros culpados
se beneficiem, enquanto eu sou
poupado das verdades...
E o que é a verdade, quando tantos
não a enxergam, ou fingem não a
conhecer?
Sou o culpado da vida mal vivida,
das noites mal dormidas, da falta
de apetite, sou culpado da artrite,
da renite, da bronquite...
Sou o único culpado do mal tempo,
do vento que traz de volta as folhas
varridas, as folhas mortas, que morreram
na última tempestade...
Sou culpado das feridas e cicatrizes,
que ficaram como lembranças,
sou culpado do peso na balança,
da falta de esperança, dos dias perdidos.
Sou culpado do ontem que se apressou,
do hoje que não espera, do amanhã
atrasado...
Sou culpado do apreço, o qual me leva
a aceitar o próximo sem distinção,
sou culpado desse mundo cão, desse
eterno não, que a vida me dá de presente.
Sou o único culpado das vontades alheias,
da aranha em sua teia, culpado das mazelas do mundo, do bêbado, do vagabundo.
Sou culpado de mim mesmo, de não ter,
de não ser, e não poder...
Sou culpado da dor, da flor que ressecou,
do sol escaldante, do choro constante da
criança, da ira na vingança, sou culpado
de tudo, de não ser mudo e retrucar, de não ser cego e enxergar, de andar para trás.
Sou culpado de qualquer coisa...
De ver, ouvir, e gritar.

Marco A. Alvarenga
                                                           
162

FACES EXPOSTAS...

Existem vontades que incomodam,
desejos que alucinam, sonhos eternos...
Há luzes que se apagam,
brilhos opacos, velas mortas...
Outros momentos inventados,
de poucos abraços, de faces expostas...
Há um sorriso apagado,
escondido no escuro... Ou atrás da porta.

Marco A. Alvarenga

                                                           
159

AMIGO BEIJA-FLOR...

Falo ao beija-flor sobre os pecados das rosas,
Ao enfeitar de cores meus versos e prosas,
Encantando meu jardim com raras variedades...

Falo ao beija-flor sobre o néctar das flores,
Ao me fartar de aromas e dos teus odores,
Que mostram a essência das puras verdades...

Falo ao beija-flor do encanto das borboletas,
Torturadas em livros, quadros e gavetas,
Da metamorfose que lhe deu a liberdade...

Falo ao beija-flor sobre a mulher que me ama,
Da alegria do desejo no inflamar da cama,
Da procura constante pela felicidade...

Falo ao beija-flor do encontro perfeito,
Da tua loucura quando me pega de jeito,
Deixando em meu peito a dor da saudade...

Marco A. Alvarenga
                                                                   
177

DEPOIS, O AMANHÃ...

Me procure amanhã,
depois das reticências,
depois da frase acabada,
depois do verbo bendito...
Me procure amanhã,
depois da vírgula do abismo,
depois das minhas escritas,
depois das palavras malditas,
depois da boca calada,
depois da vida vivida,
depois de um dia de sol...

Marco A. Alvarenga

                                                    
156

THE TIME...

"O Tempo ensinando a vida...
E a vida nos envelhecendo,
e nos abraçando, dia após dia,
a cada momento, a cada carinho, a cada olhar...
O Tempo, que nos empurra,
para o fim de tudo, ou princípio do nada,
para a incerteza que nos reduz.
Mas o Tempo, sempre será breve e absoluto,
e não se atrasa para dizer adeus...
Façamos dele o começo de tudo,
na dança das horas,
na busca da certeza da vida,
sem que precise voltar para casa,
para buscar conforto, abraçar o silêncio
e esperar pelo Tempo...".

Marco A. Alvarenga

                                                  


280

QUASE NADA...

Temos pouco tempo, quase nada, quase um caso, quase um beijo, quase um abraço...
...Temos pouco tempo, um encontro às pressas, às avessas, às escuras, aos momentos... Temos quase um tempo...
Temos pouco tempo, de idade, de intimidade,
de toque, pouco tempo de pele na pele, de odor, de flor e amor...
Temos pouco tempo de sorrisos, de risos, gargalhadas, pouco tempo de sonhos, e mais nada...
Temos pouco tempo de sol, de mar, de amar, pouco tempo, pouquíssimo tempo, para mim, para ti, pouco tempo para nós...
Temos pouco tempo da noite, para o céu estrelado, para a lua de encantos, para o canto das vozes, para os gritos ferozes, que saem da alma...
Temos pouco tempo, para ouvir a canção preferida de versos perfeitos, talvez um segundo perdido no tempo...
                                                         
Marco A. Alvarenga                                       



                                                        
165

À POESIA...

Te escrevo, como descrevendo a vida,
às vezes amarga, ás vezes doce, mas sempre intensa...
Te escrevo com ânsia, como se fora o ar que respiro,
como a água que necessito...
Te escrevo, como se eu tocasse a flor, com a carícia
de um poeta e a suavidade da brisa...
Te escrevo, com a ira de um vulcão em erupção,
na intensidade do ódio, na fúria insana...
Te escrevo, no transcorrer do tempo, quando nasce
o dia e morre a noite...
Te escrevo à minha maneira, com a essência
da alma e o corpo inteiro...

Marco A. Alvarenga


                                         
172

MARCO POR MARCO...

Sou feito fera,
um tanto faminto
devorador da vida
sofrida, chorada,
sou cegueira crônica
aos olhos alheios,
sou esteio da humanidade...
De defeitos feios
qualidades lindas,
sem redundâncias,
sem arrogâncias,
aquariano perfeccionista,
ilusionista da ilusão...
A experiência inesperada,
o conhecimento tardio,
a coerência,
do eu também posso,
a malandragem
que incomoda,
fora de moda,
pão com manteiga...

Marco A. Alvarenga

                                                        
166

VOU SER POETA...

Vou ali buscar uma rosa no jardim,
Ou quem sabe roubar algumas flores,
Para adornar minhas poesias em cores,
Fazer brilhar um novo arco-íris...

Vou ali pintar palavras, inventar rimas,
Fazer sorrir aquele que se faz triste,
Colorir a vida com obras primas,
Secar a lágrima que ainda insiste...

Vou ali, rabiscando paredes e muros,
Versejando poemas, decorando futuros,
Fazer o sol brilhar na tempestade...

Vou ali na companhia de Neruda,
Atrás da orelha um galho de arruda,
Vou ser poeta por toda eternidade...

Marco A. Alvarenga

                                           
186

RESQUÍCIOS...

Qualquer pedaço de beijo me basta,
para manter acesas as minhas esperanças,
qualquer sequela de um sorriso me faz brilhar o olhar,
qualquer sopro de voz me acalanta,
qualquer aperto de abraço me domina,
qualquer resquício de amor me mata...!

Marco A. Alvarenga

                                                       
179

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