Lista de Poemas
Controverso Sentimento
Não é possível amar uma verdade escondida,
Uma porta fechada com uma janela partida.
Não é possível carregar nele o sentimento perdido,
Num mundo onde o amor há ferido.
Temo até já ter desvanecido entre vós,
Coisa que nunca cheguei a estar,
Por mais que esteja já convencido.
Quis o universo ocultar a verdade esquecida,
Foste tão alma querida que permitiste,
Julgar-me defronte do espelho que concebeu
Em mim, o resultado de estar morto como um pedinte.
Não, não morri! Por mais que o tempo em mim se esgote,
Por mais que o mundo com o seu braço forte,
Me tente deter diante desta falsa façanha, que
Não é mais verdadeira que a morte.
Foi possível enquanto pude, deixar parte de mim,
Que jamais abrirá a janela que defronte da parede suporta.
O Maquiavelismo Arquitectónico
Este ano, ainda em volta do bacalhau, podemos sorrir,
nem que seja por momentos,
podemos ainda partilhar este bocadinho quase proibido,
num país onde o excesso tomou lugar,
e as empresas tentam desta e daquela maneira tirar-nos o jubileu
ainda que com um sabor amargo.
No entanto, há quem não se permita que lhe tirem esse momento
cuja ostentação é reino do poder de quem quer a todo custo
subtrair-nos o ar e colocar- nos no calaboiço
para que a voz se cale perante um fascismo denunciado nos colarinhos doirados do poder politico e empresarial,
que caminham de braço dado negociando o destino de um povo rendido á miséria que lhes consome a alma.
Esta grotesca realidade, bate-nos á porta diariamente de forma repetitiva e maquiavélica,
incutindo-nos o aviso do caminho para o abismo.
Desta forma, eleva-se um poder eleito pelo povo soberano, subalterno espelhado no silêncio de uma nação
que já não se basta mas morre e mata-se num desequilíbrio propenso á fadiga mental
e consequente rendição sobre um estado fascista.
que se tornaram hoje, incapazes de resistirem ao flagelo,
cujo este único responsável pela destruição massiva, de uma nação
vendida a um estrangeirismo cooperativo
concebendo a sua grandeza através da guerra criando laços com o diabo.
E nós não menos responsáveis, subalternos a um imperialismo de extrema-direita.
Apoteose
A revelação, é imensa e intensa, proclamam-se verdades envelhecidas,
sentimentos vertidos no despoletamento das emoções encadeadas no mais belo dos sentimetos.
Sorris como se o mundo estivesse bordado de flores campestres,
sorris como se o dia de amanhã não fosse senão o principio,
e tudo voltasse ao principio e lá permanecesses naquele estado de manifestação de borboletas
que erradiam nos olhos que difundes encoberta pelo amor que enlaçamos.
Ah...quando te vejo!...
Quando os teus olhos brilham nos meus...quando o teu sorriso incandesce o meu sorriso...
Quando nos abraçamos e nos sentimos por dentro como se fosse a última vez,
como se não houvesse mais dia depois daquele dia...
como se todas horas fossem poucas e em nenhuma delas bastasse o que basta,
e proclamamos verdades presentes, revivemos momentos que jamais esqueceremos,
como se nos marcassem para sempre e não houvessem palavras que os pudessem descrever
e sucumbimos no silencio enquanto nos olhamos, e manifestamos palavras silenciadas que os olhos sabem ler.
A Beleza do Todo
Mera a simplicidade com que o azul do céu
Transborda, essa magnitude que se torna,
Quase como as flores que me olham
De longe, naquele único momento.
A estrela solar brilha sobre um céu
Estonteante, a lua adormece na
Plenitude de um espaço aberto,
Numa criação de excêntricas vozes.
Há! Se tudo não fosse senão a passagem,
Se por momentos tudo se desvanecesse,
Na criação da fecunda oração templária,
Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.
Delirais da alma que vos atira sobre a utopia
Essa mágica sensação de romperdes o dia
Numa fusão de sentir o amanhecer, com
A ilusão de mais uma aurora, parecem as
Flores de um jardim coroado de botões a romper.
Essa permissão que da vossa vontade, esculpida
Numa tanta raridade da sucessão dos dias que
Em vós talhais de um sonegado abrir postado.
Incomensurável Estado Ladino
Mar repleto de gente; escadaria
Deslumbrante numa correria
Ofegante da pobreza esfomeada
De bocas alvas amargas.
Braços estendidos num atropelo
Do dia que se fazia da chegada
Esperada dos barcos encostada
Ás bermas do rio atalhados de
Riqueza que espantaria a fome
Que se fazia entranhados nos
Olhares da luz.
Nobre povo de feições enrugadas,
De vidas fatigadas na ascensão
Da aurora prometida de trabalhos
Cumprida, e a fome revestida de
Dissabores partilhados, da
Entrega não exercida depois de
Uma vida de trabalho oferecida
Dos barões concluída.
Fecho da luz, que trás o Douro,
Noite ruidosa de almas perdidas
No seio ofendidas, do mundo
Infesto de braço dado com a
Ostentação do alegado senhor
Professo que traz no bolso
Poder da razão.
Vagabundos escondidos por detrás
Do dique, á espera da hora pensada,
do flagrante empurrão Consumada, do roubo atroz visada,
Numa correria desalmada avistava
A tasca onde comeria a carne
Profanada.
A sirene tocava no alto da cidade,
Como um aviso á autoridade do
Roubo consagrado pelo mendigo,
Agora atulhado do pedaço de carne
Que havia disputado.
A autoridade tinha corrido toda a
Cidade onde o roubo havia
Acontecido, o mendigo já cansado,
Contemplava a cama que ninguém
Lhe tinha oferecido.
Neste entretanto, na sala dos
Barões dançavam a valsa das
Razões, de impérios concordantes
Lá fora aclamava-se a revolta da
Mundana gente incandescente
De gestos e faces pulverizados
Dos momentos acatados do calmo
E infamo tempo da fome
Proclamado.
O silencio na praça arrebatado,
O riso na sala dos barões
Promulgado; noite ingrata.
A voz que se fez ouvir, espalhada
Pelo povo firme e faminto,
A praça que há-de aludir a gente
Que travou a "guerra" que pelo
Pão lutou.
Já faz tempo que passou.
A história assim julgou, a noite
Que caiu, mais uma página
Pereceu do século que persistiu
Em manter a diferença do povo que
Lutou, e do barão que sorriu com
A razão que fingiu.
A Nudez explicita
E estarei sempre ao teu lado,
Aconchegando-te...
Numa partilha constante,
Construindo um novo mundo,
Cujo o seu principio advem do sentimento,
Que possuimos como veiculo,
Para atingir o estado.
Expressando sempre e abertamente
o universo que nos une e edifica.
Toma em segredo o meu corpo, e talha-o...
Desliza as mãos sobre mim,
E cobre-me os sentidos.
A sensação que evocas, desliza sob o limbo
E manifesta em ti o prazer que me envolve.
Deixa-me respirar o teu corpo.
O Encontro
Torna-se noite ao dia que antecedeu,
As palavras soltam-se devagarinho,
Rio de sentimentos que não se perdeu,
Falas de amor baixinho.
Soletram-se as palavras sufocadas
Que trazem com elas agarradas
O nobre receio de amar,
Fecundado na fragrância que contempla
o desígnio num desabrochar,
da paixão que nos atormenta.
O Silêncio
Não há palavras para descrever o estado que possuo.
Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,
Talvez só o universo compreenda, ou tu,
Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção
Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa
a verdade, e por isso não me permito faze-lo,
e terás que ler no intrínseco e intangível universo.
A luz espelhou-se entre dois universos,
E estenderam-se as palavras guardadas,
No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,
Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,
E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,
O toque, a insaciável procura,
E nele ficou manifestado o desejo.
Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,
As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,
E nele manifestas o desejo,
Agarras fortemente o corpo
e abandona-lo sem nada dizeres.
Poesias Inéditas
Cai misteriosa e esbelta,
Que iluminas todas as janelas,
Assombrosa nua e celta,
Trazes ao rubro toda a beleza singela.
Crescente e divinal na sua plenidão
Numa marcha lenta e libertina,
Nívea redonda bola suspensa de natrão.
E permaneço sentado á beira da janela
Olhando para ti, pura e bela.
Para ti...
quando chegas a casa...
procuro o carinho em ti,
e na minha inocencia,
cito frases que aprendi,
depois, levo-te comigo
para o meu mundo,
onde brincamos e sorrimos juntos,
jogamos e ganho sempre.
Envolvidos brincamos no meu universo,
Que partilhas com afecto,
Segredo-te ao ouvido a ternura que me entregas,
E ali desdobramo-nos em sorrisos
E palavras de liberdade,
Que nos estendem unidos.
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