MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

O Reinicio

Veste-me a alma de amor,
e no rebentar da aurora acorda-me com suaves carícias,
que permitem sorrir o olhar depois de uma noite de cansaço.
Toca-me nos lábios mas não me sacies o espírito,
deixa-me ver-te da cor da pele e tocar-te para que te lembres...
mas não me fales de amor, procura antes o rebento.
Que dentro de ti se esconde e fala como se o sentisses,
mas não me digas nada permite-me antes
escutar o som que dentro de ti ecoo-a.

Adeus...
Por fim, adeus.
Estas serão as últimas palavras,
Este será o último fruto do pensamento.
Estas as fáceis palavras até que um dia renasça.
Mas como isso não é possível fica o adeus,
Essa palavra amarga de sentimento,
Esse vazio inóspito, esse momento parado
Que fica como um peso na memória.
Esse fim em que tudo se parte e termina,
Essa réstia de segundos em que tudo se modifica.
Adeus.

153

O Feitiço

Permite-me sentir esse teu calor que emanas,

Permite-me embalar-me nos teus braços,

E procurar em ti teus segredos,

Permite-me saciar o desejo de te sentir,

E poder tocar-te sem que as horas passem.

Permite-me sucumbir-me no teu desejo,

E respira-lo para que te conheça

E me possas culpabilizar de me amares.

Não julgues, sem antes me absorveres,

Não me olhes para que a vontade não desvaneça,

Deita-te no meu enlaço e permite-te saborear o momento,

Sem que deixes cair no esquecimento o abraço que antecedeu.

180

O Encontro

Torna-se noite ao dia que antecedeu,

As palavras soltam-se devagarinho,

Rio de sentimentos que não se perdeu,

Falas de amor baixinho.

Soletram-se as palavras sufocadas

Que trazem com elas agarradas

O nobre receio de amar,

Fecundado na fragrância que contempla

o desígnio num desabrochar,

da paixão que nos atormenta.

164

Inside

A verdade sentida nas palavras, subscrevem as emoções proclamadas
no mais profundo dos sentimentos, este novelo de comoções,
enraizados na evocação de batimentos íntimos,
gerados no embalamento das palpitações que o coração manifesta na ternura do olhar,
que prolifera a verdade esculpida, na profunda imensidão de sensações,
criadas na proximidade empírica da inteireza, que se espelha num quadro amplo e transparente
de tudo o que a alma sente naquele momento singular de revelações,
as quais, jamais serão repetidas da mesma maneira por isso,
únicas, no instante em que são espelhadas sobre a nomenclatura e ensejo,
que faz reluzir o estado emocional sobre desejo.
Naquela circunstância tudo se renova,
o passado deixa de ser passado para passar a ser esquecido.

O momento é hora de renascimento, tudo é novo, agora,
é tempo da renovação instante protagonizado pela mera sensação do belo,
em que tudo parece ser perfeito, naquela circunstância de pureza,
o encaixe imediato revela a unicidade do sentimento e do elo que perfaz o amor incontestável.

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O Estado de Sentir-te

Afronta-me o desejo de te tocar,

Nesse corpo que é meu,

Sacio fortementre ânsia de beijar

Os lábios rasgados

No olhar que é teu.

Toma-me, e abafa em mim o desejo,

E sucumbamos nos nossos corpos unos

De ansejo, e proclamemos a união em nós.

Cala-me com um beijo,

Para que mergulhe no teu coração

E o ouça palpitar.

Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,

De te abraçar.

Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.

Cala-me!

182

A Nudez explicita

E estarei sempre ao teu lado,

Aconchegando-te...

Numa partilha constante,

Construindo um novo mundo,

Cujo o seu principio advem do sentimento,

Que possuimos como veiculo,

Para atingir o estado.

Expressando sempre e abertamente

o universo que nos une e edifica.

Toma em segredo o meu corpo, e talha-o...

Desliza as mãos sobre mim,

E cobre-me os sentidos.

A sensação que evocas, desliza sob o limbo

E manifesta em ti o prazer que me envolve.

Deixa-me respirar o teu corpo.

182

Poesias Inéditas

Sublime distância que me corrói,

No ventre do meu ser,

Pensando sempre me destrói

Em virtude de o ser e de não o ter.

Ah! Quanta coisa em mim desejei.

Quantas palavras em vão!?

Quantos mundos em mim criei?

E o velhote calmamente me observa até então...

Inerte e vigoroso sentado na pedra,

Calmamente pensante espera...

E sempre que a noite o abate medra,

Na nobre meditação que esmera.

148

A Alquimia

Rosto escondido, voz suave silencia,
Ternura apregoada na madrugada,
Tenra a voz que oiço nesta melodia,
Permite tecer a noite num dia.

Depois; invade o coração com subtileza,
Demonstra nas suaves palavras o amor escondido,
E entretanto; acaricia a alma num tom afectuoso
E foge como um relâmpago perdido.

Ao entardecer... de novo volta a chamar a noite,
E nela sobrevoam as palavras lunáticas;
Escondida por de trás da lua que encobre.
E nela se escreve em tons iluminados o sentimento.

Por momentos...vejo-te dentro dos meus olhos,
E com a suavidade da alma sossegas o coração,
E com o decorrer das horas deslizas palavras sob o limbo,
E nele te aconchegas iluminada.

A lua espreita imersa e intensa sobre a janela,
No teu corpo se reflecte em círculo luminoso,
E incandescente te uno ao beijo do momento.
O abraço intenso chama...

E por momentos o silêncio paira,
O sorriso escondido esbate-se no espírito
E envolve suspirando
E foges...mas como sempre voltas ao anoitecer.

186

O Silêncio

Não há palavras para descrever o estado que possuo.

Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,

Talvez só o universo compreenda, ou tu,

Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção

Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa

a verdade, e por isso não me permito faze-lo,

e terás que ler no intrínseco e intangível universo.

A luz espelhou-se entre dois universos,

E estenderam-se as palavras guardadas,

No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,

Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,

E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,

O toque, a insaciável procura,

E nele ficou manifestado o desejo.

Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,

As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,

E nele manifestas o desejo,

Agarras fortemente o corpo

e abandona-lo sem nada dizeres.

165

O ENDÓGENO








POESIA
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