Lista de Poemas

Controverso Sentimento

Não é possível amar uma verdade escondida,

Uma porta fechada com uma janela partida.

Não é possível carregar nele o sentimento perdido,

Num mundo onde o amor há ferido.

Temo até já ter desvanecido entre vós,

Coisa que nunca cheguei a estar,

Por mais que esteja já convencido.

Quis o universo ocultar a verdade esquecida,

Foste tão alma querida que permitiste,

Julgar-me defronte do espelho que concebeu

Em mim, o resultado de estar morto como um pedinte.

Não, não morri! Por mais que o tempo em mim se esgote,

Por mais que o mundo com o seu braço forte,

Me tente deter diante desta falsa façanha, que

Não é mais verdadeira que a morte.

Foi possível enquanto pude, deixar parte de mim,

Que jamais abrirá a janela que defronte da parede suporta.

168

O Maquiavelismo Arquitectónico

Este ano, ainda em volta do bacalhau, podemos sorrir,
nem que seja por momentos,
podemos ainda partilhar este bocadinho quase proibido,
num país onde o excesso tomou lugar,
e as empresas tentam desta e daquela maneira tirar-nos o jubileu
ainda que com um sabor amargo.
No entanto, há quem não se permita que lhe tirem esse momento
cuja ostentação é reino do poder de quem quer a todo custo
subtrair-nos o ar e colocar- nos no calaboiço
para que a voz se cale perante um fascismo denunciado nos colarinhos doirados do poder politico e empresarial,
que caminham de braço dado negociando o destino de um povo rendido á miséria que lhes consome a alma.
Esta grotesca realidade, bate-nos á porta diariamente de forma repetitiva e maquiavélica,
incutindo-nos o aviso do caminho para o abismo.
Desta forma, eleva-se um poder eleito pelo povo soberano, subalterno espelhado no silêncio de uma nação
que já não se basta mas morre e mata-se num desequilíbrio propenso á fadiga mental
e consequente rendição sobre um estado fascista.

Perdoe-nos a inconsciência de uma sociedade esclerosada sobre todas as suas convicções e forças,
que se tornaram hoje, incapazes de resistirem ao flagelo,
cujo este único responsável pela destruição massiva, de uma nação
vendida a um estrangeirismo cooperativo
concebendo a sua grandeza através da guerra criando laços com o diabo.
E nós não menos responsáveis, subalternos a um imperialismo de extrema-direita.
168

Apoteose

A revelação, é imensa e intensa, proclamam-se verdades envelhecidas,
sentimentos vertidos no despoletamento das emoções encadeadas no mais belo dos sentimetos.
Sorris como se o mundo estivesse bordado de flores campestres,
sorris como se o dia de amanhã não fosse senão o principio,
e tudo voltasse ao principio e lá permanecesses naquele estado de manifestação de borboletas
que erradiam nos olhos que difundes encoberta pelo amor que enlaçamos.

Ah...quando te vejo!...

Quando os teus olhos brilham nos meus...quando o teu sorriso incandesce o meu sorriso...

Quando nos abraçamos e nos sentimos por dentro como se fosse a última vez,
como se não houvesse mais dia depois daquele dia...
como se todas horas fossem poucas e em nenhuma delas bastasse o que basta,
e proclamamos verdades presentes, revivemos momentos que jamais esqueceremos,
como se nos marcassem para sempre e não houvessem palavras que os pudessem descrever
e sucumbimos no silencio enquanto nos olhamos, e manifestamos palavras silenciadas que os olhos sabem ler.

183

A Beleza do Todo

Mera a simplicidade com que o azul do céu

Transborda, essa magnitude que se torna,

Quase como as flores que me olham

De longe, naquele único momento.

A estrela solar brilha sobre um céu

Estonteante, a lua adormece na

Plenitude de um espaço aberto,

Numa criação de excêntricas vozes.

Há! Se tudo não fosse senão a passagem,

Se por momentos tudo se desvanecesse,

Na criação da fecunda oração templária,

Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.


Delirais da alma que vos atira sobre a utopia

Essa mágica sensação de romperdes o dia

Numa fusão de sentir o amanhecer, com

A ilusão de mais uma aurora, parecem as

Flores de um jardim coroado de botões a romper.

Essa permissão que da vossa vontade, esculpida

Numa tanta raridade da sucessão dos dias que

Em vós talhais de um sonegado abrir postado.

174

Incomensurável Estado Ladino

Mar repleto de gente; escadaria

Deslumbrante numa correria

Ofegante da pobreza esfomeada

De bocas alvas amargas.

Braços estendidos num atropelo

Do dia que se fazia da chegada

Esperada dos barcos encostada

Ás bermas do rio atalhados de

Riqueza que espantaria a fome

Que se fazia entranhados nos

Olhares da luz.

Nobre povo de feições enrugadas,

De vidas fatigadas na ascensão

Da aurora prometida de trabalhos

Cumprida, e a fome revestida de

Dissabores partilhados, da

Entrega não exercida depois de

Uma vida de trabalho oferecida

Dos barões concluída.

Fecho da luz, que trás o Douro,

Noite ruidosa de almas perdidas

No seio ofendidas, do mundo

Infesto de braço dado com a

Ostentação do alegado senhor

Professo que traz no bolso

Poder da razão.

Vagabundos escondidos por detrás

Do dique, á espera da hora pensada,

do flagrante empurrão Consumada, do roubo atroz visada,

Numa correria desalmada avistava

A tasca onde comeria a carne

Profanada.

A sirene tocava no alto da cidade,

Como um aviso á autoridade do

Roubo consagrado pelo mendigo,

Agora atulhado do pedaço de carne

Que havia disputado.

A autoridade tinha corrido toda a

Cidade onde o roubo havia

Acontecido, o mendigo já cansado,

Contemplava a cama que ninguém

Lhe tinha oferecido.

Neste entretanto, na sala dos

Barões dançavam a valsa das

Razões, de impérios concordantes

Lá fora aclamava-se a revolta da

Mundana gente incandescente

De gestos e faces pulverizados

Dos momentos acatados do calmo

E infamo tempo da fome

Proclamado.

O silencio na praça arrebatado,

O riso na sala dos barões

Promulgado; noite ingrata.

A voz que se fez ouvir, espalhada

Pelo povo firme e faminto,

A praça que há-de aludir a gente

Que travou a "guerra" que pelo

Pão lutou.

Já faz tempo que passou.

A história assim julgou, a noite

Que caiu, mais uma página

Pereceu do século que persistiu

Em manter a diferença do povo que

Lutou, e do barão que sorriu com

A razão que fingiu.

169

A Nudez explicita

E estarei sempre ao teu lado,

Aconchegando-te...

Numa partilha constante,

Construindo um novo mundo,

Cujo o seu principio advem do sentimento,

Que possuimos como veiculo,

Para atingir o estado.

Expressando sempre e abertamente

o universo que nos une e edifica.

Toma em segredo o meu corpo, e talha-o...

Desliza as mãos sobre mim,

E cobre-me os sentidos.

A sensação que evocas, desliza sob o limbo

E manifesta em ti o prazer que me envolve.

Deixa-me respirar o teu corpo.

167

O Encontro

Torna-se noite ao dia que antecedeu,

As palavras soltam-se devagarinho,

Rio de sentimentos que não se perdeu,

Falas de amor baixinho.

Soletram-se as palavras sufocadas

Que trazem com elas agarradas

O nobre receio de amar,

Fecundado na fragrância que contempla

o desígnio num desabrochar,

da paixão que nos atormenta.

155

O Silêncio

Não há palavras para descrever o estado que possuo.

Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,

Talvez só o universo compreenda, ou tu,

Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção

Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa

a verdade, e por isso não me permito faze-lo,

e terás que ler no intrínseco e intangível universo.

A luz espelhou-se entre dois universos,

E estenderam-se as palavras guardadas,

No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,

Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,

E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,

O toque, a insaciável procura,

E nele ficou manifestado o desejo.

Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,

As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,

E nele manifestas o desejo,

Agarras fortemente o corpo

e abandona-lo sem nada dizeres.

149

Poesias Inéditas


Cai misteriosa e esbelta,

Que iluminas todas as janelas,

Assombrosa nua e celta,

Trazes ao rubro toda a beleza singela.

Crescente e divinal na sua plenidão

Numa marcha lenta e libertina,

Nívea redonda bola suspensa de natrão.

E permaneço sentado á beira da janela

Olhando para ti, pura e bela.

151

Para ti...

quando chegas a casa...

procuro o carinho em ti,

e na minha inocencia,

cito frases que aprendi,


depois, levo-te comigo

para o meu mundo,

onde brincamos e sorrimos juntos,

jogamos e ganho sempre.

Envolvidos brincamos no meu universo,

Que partilhas com afecto,

Segredo-te ao ouvido a ternura que me entregas,

E ali desdobramo-nos em sorrisos

E palavras de liberdade,

Que nos estendem unidos.

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