MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

A Alquimia

Rosto escondido, voz suave silencia,
Ternura apregoada na madrugada,
Tenra a voz que oiço nesta melodia,
Permite tecer a noite num dia.

Depois; invade o coração com subtileza,
Demonstra nas suaves palavras o amor escondido,
E entretanto; acaricia a alma num tom afectuoso
E foge como um relâmpago perdido.

Ao entardecer... de novo volta a chamar a noite,
E nela sobrevoam as palavras lunáticas;
Escondida por de trás da lua que encobre.
E nela se escreve em tons iluminados o sentimento.

Por momentos...vejo-te dentro dos meus olhos,
E com a suavidade da alma sossegas o coração,
E com o decorrer das horas deslizas palavras sob o limbo,
E nele te aconchegas iluminada.

A lua espreita imersa e intensa sobre a janela,
No teu corpo se reflecte em círculo luminoso,
E incandescente te uno ao beijo do momento.
O abraço intenso chama...

E por momentos o silêncio paira,
O sorriso escondido esbate-se no espírito
E envolve suspirando
E foges...mas como sempre voltas ao anoitecer.

185

Poesias Inéditas


Cai misteriosa e esbelta,

Que iluminas todas as janelas,

Assombrosa nua e celta,

Trazes ao rubro toda a beleza singela.

Crescente e divinal na sua plenidão

Numa marcha lenta e libertina,

Nívea redonda bola suspensa de natrão.

E permaneço sentado á beira da janela

Olhando para ti, pura e bela.

160

O Ser Sentido

Tomei a tua noite, e nela nos cruzamos,

O teu coração sorri e nele se manifesta ausencia,

A vontade, e fluem em ti emoções que tomam o teu dia.

O sentimento sublime manifesta-se,

E nele mergulhamos intensamente.

É uma sensação mutua, num estado identico,

Manifestamente excentrico num estadio uno.

Cala-me a boca com um beijo!

Deixa-me mergulhar nas tuas emoções

E sentir o doce desejo de amar.

Cumpram-se os desejos, e as vontades que ansiamos,

E nos entrelaçaremos num estadio nosso do nosso sentimento.

Deixa-me beijar e saciar em ti esse desejo,

Desenhar no teu corpo o amor que se pronuncia,

Para na manhã seguinte te abraçar docemente,

Sob o véu do enlace numa respiração sôfrega de amor.

181

Controverso Sentimento

Não é possível amar uma verdade escondida,

Uma porta fechada com uma janela partida.

Não é possível carregar nele o sentimento perdido,

Num mundo onde o amor há ferido.

Temo até já ter desvanecido entre vós,

Coisa que nunca cheguei a estar,

Por mais que esteja já convencido.

Quis o universo ocultar a verdade esquecida,

Foste tão alma querida que permitiste,

Julgar-me defronte do espelho que concebeu

Em mim, o resultado de estar morto como um pedinte.

Não, não morri! Por mais que o tempo em mim se esgote,

Por mais que o mundo com o seu braço forte,

Me tente deter diante desta falsa façanha, que

Não é mais verdadeira que a morte.

Foi possível enquanto pude, deixar parte de mim,

Que jamais abrirá a janela que defronte da parede suporta.

179

...

Afronta-me o desejo de te tocar,

Nesse corpo que é meu,

Sacio fortementre ânsia de beijar

Os lábios rasgados

No olhar que é teu.

Toma-me, e abafa em mim o desejo,

E sucumbamos nos nossos corpos unos

De ansejo, e proclamemos a união em nós.

Cala-me com um beijo,

Para que mergulhe no teu coração

E o ouça palpitar.

Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,

De te abraçar.

Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.

Cala-me!

165

A Metamorfose

Contrariamente á filosofia ocidental, esta demarcada primeiramente pelo eu
como um estado de obscuridade mental, em que o espelho reflecte o
antagonismo da iluminação espiritual, temos então a filosofia oriental,
que exclui o eu num estado de serenidade e iluminação,
em que para a atingir tem como (veículos) a filosofia maiaana e hinaiana
finalizando na filosofia zen, ultima após vários aperfeiçoamentos da filosofia budista
a ser findada. E aqui ao atingir o estado zen, o ego fica num plano secundário
sendo substituído, pelo amor, tranquilidade, serenidade tolerância e compreensão.
O esvaziamento do cálice, símbolo do recomeço de aprendizagem e conhecimento adquirido,
num percurso constante, como o trabalhar da pedra,
este inicio, destina-se á percepção da importância do outro,
e em consequência, o esvaziamento do eu, tornando assim cada um capaz de atingir equilíbrio mental.
No Ocidente, o cálice, símbolo do nosso eu, convencido e preconceituoso,
farto de conceitos, depara-se num estado de ignorância,
cujo seu conteúdo demarcado pela ambição, pela cobiça e pela ganância,
factores que exercem uma força negativa sobre o ser,
incapaz de manter o equilíbrio emocional de si, tendo como filosofia o cristianismo
que se demarca e incute no espírito dos homens e das mulheres o bem e o mal
como causadores de todos os estados e circunstancias. Porém,
devemos ter como principio que o cálice constitui o eu e todo o seu conteúdo deve ser esvaziado.
- Temos como exemplo um copo de água, em que o copo simboliza o eu
e a água o convencimento das nossas certezas, preconceitos e conceitos no entanto,
se estamos em constante metamorfose, devemos perceber que afinal não temos certezas nenhumas,
e tudo aquilo que pensamos e que conhecemos afinal, não conhecemos e não passa senão do reflexo do espelho.
Assim sendo, para adquirirmos o conhecimento devemos esvaziar o copo de água
e voltar a enche-lo com conhecimento, talhando dia após dia a pedra para o nosso aperfeiçoamento.

190

Mãe...


Mãe! Embala-me o sono para adormecer,

As palavras brincam com so pensametos,

Que me trazem aurora a correr,

Fluem em mim como tormentos

Que me fazem padecer.

Mãe! Carrego em mim o sufoco respirado,

Que transporto diáriamente,

Como se o diabo me tivesse agarrado!

Exprimo na minha face o descontentamento

172

O Silêncio

Não há palavras para descrever o estado que possuo.

Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,

Talvez só o universo compreenda, ou tu,

Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção

Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa

a verdade, e por isso não me permito faze-lo,

e terás que ler no intrínseco e intangível universo.

A luz espelhou-se entre dois universos,

E estenderam-se as palavras guardadas,

No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,

Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,

E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,

O toque, a insaciável procura,

E nele ficou manifestado o desejo.

Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,

As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,

E nele manifestas o desejo,

Agarras fortemente o corpo

e abandona-lo sem nada dizeres.

163

A Beleza do Todo

Mera a simplicidade com que o azul do céu

Transborda, essa magnitude que se torna,

Quase como as flores que me olham

De longe, naquele único momento.

A estrela solar brilha sobre um céu

Estonteante, a lua adormece na

Plenitude de um espaço aberto,

Numa criação de excêntricas vozes.

Há! Se tudo não fosse senão a passagem,

Se por momentos tudo se desvanecesse,

Na criação da fecunda oração templária,

Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.


Delirais da alma que vos atira sobre a utopia

Essa mágica sensação de romperdes o dia

Numa fusão de sentir o amanhecer, com

A ilusão de mais uma aurora, parecem as

Flores de um jardim coroado de botões a romper.

Essa permissão que da vossa vontade, esculpida

Numa tanta raridade da sucessão dos dias que

Em vós talhais de um sonegado abrir postado.

185

O ENDÓGENO








POESIA
170

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