Lista de Poemas

O Feitiço

Permite-me sentir esse teu calor que emanas,

Permite-me embalar-me nos teus braços,

E procurar em ti teus segredos,

Permite-me saciar o desejo de te sentir,

E poder tocar-te sem que as horas passem.

Permite-me sucumbir-me no teu desejo,

E respira-lo para que te conheça

E me possas culpabilizar de me amares.

Não julgues, sem antes me absorveres,

Não me olhes para que a vontade não desvaneça,

Deita-te no meu enlaço e permite-te saborear o momento,

Sem que deixes cair no esquecimento o abraço que antecedeu.

163

O Ciclo

Perdi tudo, mais uma vez o ciclo se fechou,

Mais uma vez voltei ao inicio,

Mais uma vez tomei o nada como certo,

Mais uma vez o universo fez o seu ciclo normal,

E tudo voltou ao princípio como se nada se tivesse transformado;

E todas as barreiras voltaram a ser erguidas diante de uma

Visão que se toma.

O desvanecimento surge, e o amanhecer volta abrir excêntrico.

O tempo suprime-se, e nele se mascara a verdade escondida,

Por detrás da névoa que se apresenta.

Á parte isto, tudo se esfumara, e a poderosa sensação de vazio,

Torna-se real. O momento revela-se, e nele se pronuncia,

O estado, pois nele reside o todo que é tudo,

E nele se encosta a manhã prometida que desvaneceu,

Nas horas que se sucederam.

160

O Mundo Oculto

O universo espelha-se sob uma realidade que nos mostra.

A visão que se toma, não é mais que o conforto de uns para a desgraça de outros.
Na verdade, o universo real está bem longe de ser aquele que aparenta,
pois é necessário o convencimento de uma imagem apocalíptica,
para que o universo humano se confunda e por sua vez,
não aguente as consequências dissimuladas sozinho.
Esta quimera que nos invade a casa, cria em cada um a sensação de um todo.
Com esta representação, podemos então, analisar e pressupor,
que afinal, aquilo que pensamos ser real, não é mais do que todos os sinais
que Jesus Cristo relatou referente ao apocalipse.
E por mais que nos tenham concebido este abismo,
existe intrinsecamente a esperança de que o caminho da luz tornará
e com isso um novo amanhecer.
Determinados, perante um irreal universo, tomamo-lo como certo,
e perante isto, antevemos o princípio do fim e o começo de um novo mundo.
A imagem perdura á séculos, e nela designa-se por ventura
o destino traçado da humanidade.

162

Poesias Inéditas

I

Trago comigo a verdade do pensamento,

Desencadeado no frescor da minha alma

Que corre como um rio isento,

Cheio de fado; cheio de palma.

A emoção contida na profundeza

Carrego-a para o fim do mundo,

Com a tamanha certeza de

Que morrerei bem lá no fundo.

Da janela te avistarei sombria,

Num quadro negro de ousadia.

As mãos que levarás ao peito

Sentir-se-ão carregadas do teu feito.

142

O Estado de Sentir-te

Afronta-me o desejo de te tocar,

Nesse corpo que é meu,

Sacio fortementre ânsia de beijar

Os lábios rasgados

No olhar que é teu.

Toma-me, e abafa em mim o desejo,

E sucumbamos nos nossos corpos unos

De ansejo, e proclamemos a união em nós.

Cala-me com um beijo,

Para que mergulhe no teu coração

E o ouça palpitar.

Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,

De te abraçar.

Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.

Cala-me!

168

A Flor de Lotús

Cumpre-se de forma inigualável, única e intangível,
os estados enquadrados num cenário de cumplicidade
que toca nos mais belos dos sentimentos, de forma tão profunda, e singular
que toma a noite que luz o sobreiro resplandecente, na sua forma tão peculiar.
Evidencias-te enquanto me olhas e tornas-te tão suave
que deslizas nas minhas mãos que te encobrem e protegem do frio que se apregoa.
Por vezes, foges para o teu mundo e lá permaneces calada,
enquanto respiras profundamente o beijo que me roubaste
naquela manhã em que o sol respirou a vida que no nosso ventre
partilhou a luz mística com que nos cobriu.
E mais uma vez, te deitas sobre o meu peito, aconchegada ao amor que transpiro,
relaxando-te na madrugada que se apresenta, com a lua a cobrir a janela
numa imensa chama que nos baptiza com o sentimento
que desce e manifesta no decorrer da noite que denuncia o beijo
agarrado ao abraço que incandesce a unicidade de um todo.
Lembras-te?...

175

O Intrinseco

Ah!... as palavras...amontoam-se no caderno,
seduzem, e jorram emoções no coração,
manifestam-se na mente e deslumbram pensamentos floridos.
Ah!... as palavras... essas belas frases projectadas
que se pronunciam e criam visões e sensações metamorficas.
Ah!... quantas vezes sentimos ausentes?...

...quantas vezes estrapolamos sensaçõe vadias?
Ah!...as sensações...esse estado onde nos sucumbimos...
Essa emoção que nos invade e nos toma por tolos.
Ah!... lembras-te...?
...e a razão? Essa efémera luta pela verdade.

Esse trajecto infindável.
Essa procura onde encontramos sempre a porta fechada,

mas resistimos e insistimos sem nada nos vencer.
E o silêncio manifesta-se...
Esse estado em que se encontra...

...esse mergulho interno que corroi a alma.
Essa busca em perpétuo movimento.

Esse insaciável caminho sob o estado,

que leva ao mais profundo de si.

Olho-te... toca e beijo-te.

Doce o sabor do desejo,

E entre o toque dos lábios...

Anseio-te na emotividade gerada.

Deslizo sobre ti o calor que transporto,

Perco-me no aroma do teu corpo,

E resvalo mil sensações por ele.

E no cruzamento dos corpos,

169

O ENDÓGENO








POESIA
156

...

Afronta-me o desejo de te tocar,

Nesse corpo que é meu,

Sacio fortementre ânsia de beijar

Os lábios rasgados

No olhar que é teu.

Toma-me, e abafa em mim o desejo,

E sucumbamos nos nossos corpos unos

De ansejo, e proclamemos a união em nós.

Cala-me com um beijo,

Para que mergulhe no teu coração

E o ouça palpitar.

Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,

De te abraçar.

Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.

Cala-me!

150

A Ceifa

O corpo sucumbe-se diariamente, e nele se demarcam todas as derrotas,
todas as apostas perdidas, todas as traições á consciência.

Porem, por mais que as forças físicas apertem, a força intrínseca, intangível,
ergue-se diante de uma atmosfera obscura.
Esse recurso de resistência singular consegue ainda que volvendo-se em manifestações incorporadas no ser,
remeter-se a valores mais altos.

Qualidade que jamais qualquer circunstancia poderá modificar.

Recorrendo assim, ao fundo de si mesmo,
que se sobrepõe á magreza que o corpo (matéria) reflecte,
o ser depara-se com uma força inabalável, á qual nem a fome consegue ceifar.

É nessa natureza sublime, que reside toda a essência,
num rasgo de excentricidade única, que nos emerge do mais fundo dos poços.

Na aurora, o horizonte depara-se luminoso,
inteirado de uma fé que abraça o dia escuro que antecedeu,
nessa esperança, ergue-se o ser que avança sob o caminho feito de recuos e avanços,
numa procura constante; que lhe reserva o intimo.

169

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