MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

A Criança Mágica

Todos os dias, o sol raia com a mesma intensidade,
e lá longe, ouve-se o choro da criança, impartível, os gritos do choro sobrevoam o tempo.
Suja, sentada no chão, esquecida, sozinha e nua, chora.
A imagem perdura inexorável.
O universo estende-se sobre a sua solidão, o valor.... é inimaginável.
Porem, severamente, dá-se o silêncio,
esse ruído ensurdecedor que flagela a alma da criança.
Do outro lado do mundo, a cegueira ou a inconsciência
não responde á bravura do momento. Inóspita;
a criança, resiste corajosamente manifestando-se,
esta condição, única e não para todos,
suspensa sob um ar de depravação que gira em torno do universo humano,
conseguindo dessa forma tapar os ouvidos, tornando-os inolvidáveis.
O fechamento é simplesmente inesquecível e ao mesmo tempo implacável.

A borboleta sobrevoa o choro da criança, envolta dela poisa, a criança olha-a e sorri.

227

Poesias Inéditas


Cai misteriosa e esbelta,

Que iluminas todas as janelas,

Assombrosa nua e celta,

Trazes ao rubro toda a beleza singela.

Crescente e divinal na sua plenidão

Numa marcha lenta e libertina,

Nívea redonda bola suspensa de natrão.

E permaneço sentado á beira da janela

Olhando para ti, pura e bela.

162

O Ciclo

Perdi tudo, mais uma vez o ciclo se fechou,

Mais uma vez voltei ao inicio,

Mais uma vez tomei o nada como certo,

Mais uma vez o universo fez o seu ciclo normal,

E tudo voltou ao princípio como se nada se tivesse transformado;

E todas as barreiras voltaram a ser erguidas diante de uma

Visão que se toma.

O desvanecimento surge, e o amanhecer volta abrir excêntrico.

O tempo suprime-se, e nele se mascara a verdade escondida,

Por detrás da névoa que se apresenta.

Á parte isto, tudo se esfumara, e a poderosa sensação de vazio,

Torna-se real. O momento revela-se, e nele se pronuncia,

O estado, pois nele reside o todo que é tudo,

E nele se encosta a manhã prometida que desvaneceu,

Nas horas que se sucederam.

172

O Maquiavelismo Arquitectónico

Este ano, ainda em volta do bacalhau, podemos sorrir,
nem que seja por momentos,
podemos ainda partilhar este bocadinho quase proibido,
num país onde o excesso tomou lugar,
e as empresas tentam desta e daquela maneira tirar-nos o jubileu
ainda que com um sabor amargo.
No entanto, há quem não se permita que lhe tirem esse momento
cuja ostentação é reino do poder de quem quer a todo custo
subtrair-nos o ar e colocar- nos no calaboiço
para que a voz se cale perante um fascismo denunciado nos colarinhos doirados do poder politico e empresarial,
que caminham de braço dado negociando o destino de um povo rendido á miséria que lhes consome a alma.
Esta grotesca realidade, bate-nos á porta diariamente de forma repetitiva e maquiavélica,
incutindo-nos o aviso do caminho para o abismo.
Desta forma, eleva-se um poder eleito pelo povo soberano, subalterno espelhado no silêncio de uma nação
que já não se basta mas morre e mata-se num desequilíbrio propenso á fadiga mental
e consequente rendição sobre um estado fascista.

Perdoe-nos a inconsciência de uma sociedade esclerosada sobre todas as suas convicções e forças,
que se tornaram hoje, incapazes de resistirem ao flagelo,
cujo este único responsável pela destruição massiva, de uma nação
vendida a um estrangeirismo cooperativo
concebendo a sua grandeza através da guerra criando laços com o diabo.
E nós não menos responsáveis, subalternos a um imperialismo de extrema-direita.
181

O Intrinseco

Ah!... as palavras...amontoam-se no caderno,
seduzem, e jorram emoções no coração,
manifestam-se na mente e deslumbram pensamentos floridos.
Ah!... as palavras... essas belas frases projectadas
que se pronunciam e criam visões e sensações metamorficas.
Ah!... quantas vezes sentimos ausentes?...

...quantas vezes estrapolamos sensaçõe vadias?
Ah!...as sensações...esse estado onde nos sucumbimos...
Essa emoção que nos invade e nos toma por tolos.
Ah!... lembras-te...?
...e a razão? Essa efémera luta pela verdade.

Esse trajecto infindável.
Essa procura onde encontramos sempre a porta fechada,

mas resistimos e insistimos sem nada nos vencer.
E o silêncio manifesta-se...
Esse estado em que se encontra...

...esse mergulho interno que corroi a alma.
Essa busca em perpétuo movimento.

Esse insaciável caminho sob o estado,

que leva ao mais profundo de si.

Olho-te... toca e beijo-te.

Doce o sabor do desejo,

E entre o toque dos lábios...

Anseio-te na emotividade gerada.

Deslizo sobre ti o calor que transporto,

Perco-me no aroma do teu corpo,

E resvalo mil sensações por ele.

E no cruzamento dos corpos,

186

A Metamorfose

Contrariamente á filosofia ocidental, esta demarcada primeiramente pelo eu
como um estado de obscuridade mental, em que o espelho reflecte o
antagonismo da iluminação espiritual, temos então a filosofia oriental,
que exclui o eu num estado de serenidade e iluminação,
em que para a atingir tem como (veículos) a filosofia maiaana e hinaiana
finalizando na filosofia zen, ultima após vários aperfeiçoamentos da filosofia budista
a ser findada. E aqui ao atingir o estado zen, o ego fica num plano secundário
sendo substituído, pelo amor, tranquilidade, serenidade tolerância e compreensão.
O esvaziamento do cálice, símbolo do recomeço de aprendizagem e conhecimento adquirido,
num percurso constante, como o trabalhar da pedra,
este inicio, destina-se á percepção da importância do outro,
e em consequência, o esvaziamento do eu, tornando assim cada um capaz de atingir equilíbrio mental.
No Ocidente, o cálice, símbolo do nosso eu, convencido e preconceituoso,
farto de conceitos, depara-se num estado de ignorância,
cujo seu conteúdo demarcado pela ambição, pela cobiça e pela ganância,
factores que exercem uma força negativa sobre o ser,
incapaz de manter o equilíbrio emocional de si, tendo como filosofia o cristianismo
que se demarca e incute no espírito dos homens e das mulheres o bem e o mal
como causadores de todos os estados e circunstancias. Porém,
devemos ter como principio que o cálice constitui o eu e todo o seu conteúdo deve ser esvaziado.
- Temos como exemplo um copo de água, em que o copo simboliza o eu
e a água o convencimento das nossas certezas, preconceitos e conceitos no entanto,
se estamos em constante metamorfose, devemos perceber que afinal não temos certezas nenhumas,
e tudo aquilo que pensamos e que conhecemos afinal, não conhecemos e não passa senão do reflexo do espelho.
Assim sendo, para adquirirmos o conhecimento devemos esvaziar o copo de água
e voltar a enche-lo com conhecimento, talhando dia após dia a pedra para o nosso aperfeiçoamento.

192

A Ceifa

O corpo sucumbe-se diariamente, e nele se demarcam todas as derrotas,
todas as apostas perdidas, todas as traições á consciência.

Porem, por mais que as forças físicas apertem, a força intrínseca, intangível,
ergue-se diante de uma atmosfera obscura.
Esse recurso de resistência singular consegue ainda que volvendo-se em manifestações incorporadas no ser,
remeter-se a valores mais altos.

Qualidade que jamais qualquer circunstancia poderá modificar.

Recorrendo assim, ao fundo de si mesmo,
que se sobrepõe á magreza que o corpo (matéria) reflecte,
o ser depara-se com uma força inabalável, á qual nem a fome consegue ceifar.

É nessa natureza sublime, que reside toda a essência,
num rasgo de excentricidade única, que nos emerge do mais fundo dos poços.

Na aurora, o horizonte depara-se luminoso,
inteirado de uma fé que abraça o dia escuro que antecedeu,
nessa esperança, ergue-se o ser que avança sob o caminho feito de recuos e avanços,
numa procura constante; que lhe reserva o intimo.

181

Apoteose

A revelação, é imensa e intensa, proclamam-se verdades envelhecidas,
sentimentos vertidos no despoletamento das emoções encadeadas no mais belo dos sentimetos.
Sorris como se o mundo estivesse bordado de flores campestres,
sorris como se o dia de amanhã não fosse senão o principio,
e tudo voltasse ao principio e lá permanecesses naquele estado de manifestação de borboletas
que erradiam nos olhos que difundes encoberta pelo amor que enlaçamos.

Ah...quando te vejo!...

Quando os teus olhos brilham nos meus...quando o teu sorriso incandesce o meu sorriso...

Quando nos abraçamos e nos sentimos por dentro como se fosse a última vez,
como se não houvesse mais dia depois daquele dia...
como se todas horas fossem poucas e em nenhuma delas bastasse o que basta,
e proclamamos verdades presentes, revivemos momentos que jamais esqueceremos,
como se nos marcassem para sempre e não houvessem palavras que os pudessem descrever
e sucumbimos no silencio enquanto nos olhamos, e manifestamos palavras silenciadas que os olhos sabem ler.

195

O Mundo Oculto

O universo espelha-se sob uma realidade que nos mostra.

A visão que se toma, não é mais que o conforto de uns para a desgraça de outros.
Na verdade, o universo real está bem longe de ser aquele que aparenta,
pois é necessário o convencimento de uma imagem apocalíptica,
para que o universo humano se confunda e por sua vez,
não aguente as consequências dissimuladas sozinho.
Esta quimera que nos invade a casa, cria em cada um a sensação de um todo.
Com esta representação, podemos então, analisar e pressupor,
que afinal, aquilo que pensamos ser real, não é mais do que todos os sinais
que Jesus Cristo relatou referente ao apocalipse.
E por mais que nos tenham concebido este abismo,
existe intrinsecamente a esperança de que o caminho da luz tornará
e com isso um novo amanhecer.
Determinados, perante um irreal universo, tomamo-lo como certo,
e perante isto, antevemos o princípio do fim e o começo de um novo mundo.
A imagem perdura á séculos, e nela designa-se por ventura
o destino traçado da humanidade.

175

Poesias Inéditas

I

Trago comigo a verdade do pensamento,

Desencadeado no frescor da minha alma

Que corre como um rio isento,

Cheio de fado; cheio de palma.

A emoção contida na profundeza

Carrego-a para o fim do mundo,

Com a tamanha certeza de

Que morrerei bem lá no fundo.

Da janela te avistarei sombria,

Num quadro negro de ousadia.

As mãos que levarás ao peito

Sentir-se-ão carregadas do teu feito.

153

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