Lista de Poemas
O Feitiço
Permite-me sentir esse teu calor que emanas,
Permite-me embalar-me nos teus braços,
E procurar em ti teus segredos,
Permite-me saciar o desejo de te sentir,
E poder tocar-te sem que as horas passem.
Permite-me sucumbir-me no teu desejo,
E respira-lo para que te conheça
E me possas culpabilizar de me amares.
Não julgues, sem antes me absorveres,
Não me olhes para que a vontade não desvaneça,
Deita-te no meu enlaço e permite-te saborear o momento,
Sem que deixes cair no esquecimento o abraço que antecedeu.
O Ciclo
Perdi tudo, mais uma vez o ciclo se fechou,
Mais uma vez voltei ao inicio,
Mais uma vez tomei o nada como certo,
Mais uma vez o universo fez o seu ciclo normal,
E tudo voltou ao princípio como se nada se tivesse transformado;
E todas as barreiras voltaram a ser erguidas diante de uma
Visão que se toma.
O desvanecimento surge, e o amanhecer volta abrir excêntrico.
O tempo suprime-se, e nele se mascara a verdade escondida,
Por detrás da névoa que se apresenta.
Á parte isto, tudo se esfumara, e a poderosa sensação de vazio,
Torna-se real. O momento revela-se, e nele se pronuncia,
O estado, pois nele reside o todo que é tudo,
E nele se encosta a manhã prometida que desvaneceu,
Nas horas que se sucederam.
O Mundo Oculto
O universo espelha-se sob uma realidade que nos mostra.
A visão que se toma, não é mais que o conforto de uns para a desgraça de outros.
Na verdade, o universo real está bem longe de ser aquele que aparenta,
pois é necessário o convencimento de uma imagem apocalíptica,
para que o universo humano se confunda e por sua vez,
não aguente as consequências dissimuladas sozinho.
Esta quimera que nos invade a casa, cria em cada um a sensação de um todo.
Com esta representação, podemos então, analisar e pressupor,
que afinal, aquilo que pensamos ser real, não é mais do que todos os sinais
que Jesus Cristo relatou referente ao apocalipse.
E por mais que nos tenham concebido este abismo,
existe intrinsecamente a esperança de que o caminho da luz tornará
e com isso um novo amanhecer.
Determinados, perante um irreal universo, tomamo-lo como certo,
e perante isto, antevemos o princípio do fim e o começo de um novo mundo.
A imagem perdura á séculos, e nela designa-se por ventura
o destino traçado da humanidade.
Poesias Inéditas
I
Trago comigo a verdade do pensamento,
Desencadeado no frescor da minha alma
Que corre como um rio isento,
Cheio de fado; cheio de palma.
A emoção contida na profundeza
Carrego-a para o fim do mundo,
Com a tamanha certeza de
Que morrerei bem lá no fundo.
Da janela te avistarei sombria,
Num quadro negro de ousadia.
As mãos que levarás ao peito
Sentir-se-ão carregadas do teu feito.
O Estado de Sentir-te
Afronta-me o desejo de te tocar,
Nesse corpo que é meu,
Sacio fortementre ânsia de beijar
Os lábios rasgados
No olhar que é teu.
Toma-me, e abafa em mim o desejo,
E sucumbamos nos nossos corpos unos
De ansejo, e proclamemos a união em nós.
Cala-me com um beijo,
Para que mergulhe no teu coração
E o ouça palpitar.
Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,
De te abraçar.
Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.
Cala-me!
A Flor de Lotús
os estados enquadrados num cenário de cumplicidade
que toca nos mais belos dos sentimentos, de forma tão profunda, e singular
que toma a noite que luz o sobreiro resplandecente, na sua forma tão peculiar.
Evidencias-te enquanto me olhas e tornas-te tão suave
que deslizas nas minhas mãos que te encobrem e protegem do frio que se apregoa.
Por vezes, foges para o teu mundo e lá permaneces calada,
enquanto respiras profundamente o beijo que me roubaste
naquela manhã em que o sol respirou a vida que no nosso ventre
partilhou a luz mística com que nos cobriu.
E mais uma vez, te deitas sobre o meu peito, aconchegada ao amor que transpiro,
relaxando-te na madrugada que se apresenta, com a lua a cobrir a janela
numa imensa chama que nos baptiza com o sentimento
que desce e manifesta no decorrer da noite que denuncia o beijo
agarrado ao abraço que incandesce a unicidade de um todo.
O Intrinseco
Ah!... as palavras...amontoam-se no caderno,
seduzem, e jorram emoções no coração,
manifestam-se na mente e deslumbram pensamentos floridos.
Ah!... as palavras... essas belas frases projectadas
que se pronunciam e criam visões e sensações metamorficas.
Ah!... quantas vezes sentimos ausentes?...
...quantas vezes estrapolamos sensaçõe vadias?
Ah!...as sensações...esse estado onde nos sucumbimos...
Essa emoção que nos invade e nos toma por tolos.
Ah!... lembras-te...?
...e a razão? Essa efémera luta pela verdade.
Esse trajecto infindável.
Essa procura onde encontramos sempre a porta fechada,
mas resistimos e insistimos sem nada nos vencer.
E o silêncio manifesta-se...
Esse estado em que se encontra...
...esse mergulho interno que corroi a alma.
Essa busca em perpétuo movimento.
Esse insaciável caminho sob o estado,
que leva ao mais profundo de si.
Olho-te... toca e beijo-te.
Doce o sabor do desejo,
E entre o toque dos lábios...
Anseio-te na emotividade gerada.
Deslizo sobre ti o calor que transporto,
Perco-me no aroma do teu corpo,
E resvalo mil sensações por ele.
E no cruzamento dos corpos,
...
Afronta-me o desejo de te tocar,
Nesse corpo que é meu,
Sacio fortementre ânsia de beijar
Os lábios rasgados
No olhar que é teu.
Toma-me, e abafa em mim o desejo,
E sucumbamos nos nossos corpos unos
De ansejo, e proclamemos a união em nós.
Cala-me com um beijo,
Para que mergulhe no teu coração
E o ouça palpitar.
Cala-me com um beijo para que pronuncie o desejo,
De te abraçar.
Cala-me com um beijo como se fosse a primeira vez.
Cala-me!
A Ceifa
O corpo sucumbe-se diariamente, e nele se demarcam todas as derrotas,
todas as apostas perdidas, todas as traições á consciência.
Porem, por mais que as forças físicas apertem, a força intrínseca, intangível,
ergue-se diante de uma atmosfera obscura.
Esse recurso de resistência singular consegue ainda que volvendo-se em manifestações incorporadas no ser,
remeter-se a valores mais altos.
Qualidade que jamais qualquer circunstancia poderá modificar.
Recorrendo assim, ao fundo de si mesmo,
que se sobrepõe á magreza que o corpo (matéria) reflecte,
o ser depara-se com uma força inabalável, á qual nem a fome consegue ceifar.
É nessa natureza sublime, que reside toda a essência,
num rasgo de excentricidade única, que nos emerge do mais fundo dos poços.
Na aurora, o horizonte depara-se luminoso,
inteirado de uma fé que abraça o dia escuro que antecedeu,
nessa esperança, ergue-se o ser que avança sob o caminho feito de recuos e avanços,
numa procura constante; que lhe reserva o intimo.
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