MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

O Ciclo

Perdi tudo, mais uma vez o ciclo se fechou,

Mais uma vez voltei ao inicio,

Mais uma vez tomei o nada como certo,

Mais uma vez o universo fez o seu ciclo normal,

E tudo voltou ao princípio como se nada se tivesse transformado;

E todas as barreiras voltaram a ser erguidas diante de uma

Visão que se toma.

O desvanecimento surge, e o amanhecer volta abrir excêntrico.

O tempo suprime-se, e nele se mascara a verdade escondida,

Por detrás da névoa que se apresenta.

Á parte isto, tudo se esfumara, e a poderosa sensação de vazio,

Torna-se real. O momento revela-se, e nele se pronuncia,

O estado, pois nele reside o todo que é tudo,

E nele se encosta a manhã prometida que desvaneceu,

Nas horas que se sucederam.

174

Poesias Inéditas

Sublime distância que me corrói,

No ventre do meu ser,

Pensando sempre me destrói

Em virtude de o ser e de não o ter.

Ah! Quanta coisa em mim desejei.

Quantas palavras em vão!?

Quantos mundos em mim criei?

E o velhote calmamente me observa até então...

Inerte e vigoroso sentado na pedra,

Calmamente pensante espera...

E sempre que a noite o abate medra,

Na nobre meditação que esmera.

148

Para ti...

quando chegas a casa...

procuro o carinho em ti,

e na minha inocencia,

cito frases que aprendi,


depois, levo-te comigo

para o meu mundo,

onde brincamos e sorrimos juntos,

jogamos e ganho sempre.

Envolvidos brincamos no meu universo,

Que partilhas com afecto,

Segredo-te ao ouvido a ternura que me entregas,

E ali desdobramo-nos em sorrisos

E palavras de liberdade,

Que nos estendem unidos.

154

A Flor de Lotús

Cumpre-se de forma inigualável, única e intangível,
os estados enquadrados num cenário de cumplicidade
que toca nos mais belos dos sentimentos, de forma tão profunda, e singular
que toma a noite que luz o sobreiro resplandecente, na sua forma tão peculiar.
Evidencias-te enquanto me olhas e tornas-te tão suave
que deslizas nas minhas mãos que te encobrem e protegem do frio que se apregoa.
Por vezes, foges para o teu mundo e lá permaneces calada,
enquanto respiras profundamente o beijo que me roubaste
naquela manhã em que o sol respirou a vida que no nosso ventre
partilhou a luz mística com que nos cobriu.
E mais uma vez, te deitas sobre o meu peito, aconchegada ao amor que transpiro,
relaxando-te na madrugada que se apresenta, com a lua a cobrir a janela
numa imensa chama que nos baptiza com o sentimento
que desce e manifesta no decorrer da noite que denuncia o beijo
agarrado ao abraço que incandesce a unicidade de um todo.
Lembras-te?...

191

A Alquimia

Rosto escondido, voz suave silencia,
Ternura apregoada na madrugada,
Tenra a voz que oiço nesta melodia,
Permite tecer a noite num dia.

Depois; invade o coração com subtileza,
Demonstra nas suaves palavras o amor escondido,
E entretanto; acaricia a alma num tom afectuoso
E foge como um relâmpago perdido.

Ao entardecer... de novo volta a chamar a noite,
E nela sobrevoam as palavras lunáticas;
Escondida por de trás da lua que encobre.
E nela se escreve em tons iluminados o sentimento.

Por momentos...vejo-te dentro dos meus olhos,
E com a suavidade da alma sossegas o coração,
E com o decorrer das horas deslizas palavras sob o limbo,
E nele te aconchegas iluminada.

A lua espreita imersa e intensa sobre a janela,
No teu corpo se reflecte em círculo luminoso,
E incandescente te uno ao beijo do momento.
O abraço intenso chama...

E por momentos o silêncio paira,
O sorriso escondido esbate-se no espírito
E envolve suspirando
E foges...mas como sempre voltas ao anoitecer.

187

Apoteose

A revelação, é imensa e intensa, proclamam-se verdades envelhecidas,
sentimentos vertidos no despoletamento das emoções encadeadas no mais belo dos sentimetos.
Sorris como se o mundo estivesse bordado de flores campestres,
sorris como se o dia de amanhã não fosse senão o principio,
e tudo voltasse ao principio e lá permanecesses naquele estado de manifestação de borboletas
que erradiam nos olhos que difundes encoberta pelo amor que enlaçamos.

Ah...quando te vejo!...

Quando os teus olhos brilham nos meus...quando o teu sorriso incandesce o meu sorriso...

Quando nos abraçamos e nos sentimos por dentro como se fosse a última vez,
como se não houvesse mais dia depois daquele dia...
como se todas horas fossem poucas e em nenhuma delas bastasse o que basta,
e proclamamos verdades presentes, revivemos momentos que jamais esqueceremos,
como se nos marcassem para sempre e não houvessem palavras que os pudessem descrever
e sucumbimos no silencio enquanto nos olhamos, e manifestamos palavras silenciadas que os olhos sabem ler.

199

O Silêncio

Não há palavras para descrever o estado que possuo.

Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,

Talvez só o universo compreenda, ou tu,

Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção

Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa

a verdade, e por isso não me permito faze-lo,

e terás que ler no intrínseco e intangível universo.

A luz espelhou-se entre dois universos,

E estenderam-se as palavras guardadas,

No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,

Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,

E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,

O toque, a insaciável procura,

E nele ficou manifestado o desejo.

Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,

As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,

E nele manifestas o desejo,

Agarras fortemente o corpo

e abandona-lo sem nada dizeres.

167

As Dicotomias


O bem e o mal. No Ocidente, estas duas vertentes, servem de argumentação
e pretexto para a salvação da consciência humana.
Verificamos que na falta de recursos pensantes, o ser depara-se num estado de imobilidade,
incapaz de analisar todas as questões que o cercam.
Desta forma, o último recurso que lhe resta é a redenção da sua consciência,
para tal, rege-se sobre conceitos místicos e ocultos,
na medida em que é necessário culpabilizar para que se sintam mais tranquilos consigo mesmo,
este tipo de pensamento advém do limite do ser,
quando este se depara numa circunstância em que não existe resposta para o momento.
As dicotomias servem então de consolo ao ser,
o que na verdade não consola mas alivia criando uma imagem
e um instante utópico sobre a verdadeira questão que o cerca.
E assume assim a desculpabilização do erro,
em virtude de este estar sobre alçada do ocultismo.
O caminho torna-se fácil, porem não soluciona as questões,
mas predispõe um estado emocional mais leve.
Este subterfúgio, não responde de forma concreta e absoluta ás necessidades do ser contudo,
alimenta a sua incapacidade de raciocinar de forma razoável mantendo-o enfraquecido e á mercê da sua crença.

196

Poesias Inéditas


Cai misteriosa e esbelta,

Que iluminas todas as janelas,

Assombrosa nua e celta,

Trazes ao rubro toda a beleza singela.

Crescente e divinal na sua plenidão

Numa marcha lenta e libertina,

Nívea redonda bola suspensa de natrão.

E permaneço sentado á beira da janela

Olhando para ti, pura e bela.

162

A Metamorfose

Contrariamente á filosofia ocidental, esta demarcada primeiramente pelo eu
como um estado de obscuridade mental, em que o espelho reflecte o
antagonismo da iluminação espiritual, temos então a filosofia oriental,
que exclui o eu num estado de serenidade e iluminação,
em que para a atingir tem como (veículos) a filosofia maiaana e hinaiana
finalizando na filosofia zen, ultima após vários aperfeiçoamentos da filosofia budista
a ser findada. E aqui ao atingir o estado zen, o ego fica num plano secundário
sendo substituído, pelo amor, tranquilidade, serenidade tolerância e compreensão.
O esvaziamento do cálice, símbolo do recomeço de aprendizagem e conhecimento adquirido,
num percurso constante, como o trabalhar da pedra,
este inicio, destina-se á percepção da importância do outro,
e em consequência, o esvaziamento do eu, tornando assim cada um capaz de atingir equilíbrio mental.
No Ocidente, o cálice, símbolo do nosso eu, convencido e preconceituoso,
farto de conceitos, depara-se num estado de ignorância,
cujo seu conteúdo demarcado pela ambição, pela cobiça e pela ganância,
factores que exercem uma força negativa sobre o ser,
incapaz de manter o equilíbrio emocional de si, tendo como filosofia o cristianismo
que se demarca e incute no espírito dos homens e das mulheres o bem e o mal
como causadores de todos os estados e circunstancias. Porém,
devemos ter como principio que o cálice constitui o eu e todo o seu conteúdo deve ser esvaziado.
- Temos como exemplo um copo de água, em que o copo simboliza o eu
e a água o convencimento das nossas certezas, preconceitos e conceitos no entanto,
se estamos em constante metamorfose, devemos perceber que afinal não temos certezas nenhumas,
e tudo aquilo que pensamos e que conhecemos afinal, não conhecemos e não passa senão do reflexo do espelho.
Assim sendo, para adquirirmos o conhecimento devemos esvaziar o copo de água
e voltar a enche-lo com conhecimento, talhando dia após dia a pedra para o nosso aperfeiçoamento.

194

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