MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

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A Criança Mágica

Todos os dias, o sol raia com a mesma intensidade,
e lá longe, ouve-se o choro da criança, impartível, os gritos do choro sobrevoam o tempo.
Suja, sentada no chão, esquecida, sozinha e nua, chora.
A imagem perdura inexorável.
O universo estende-se sobre a sua solidão, o valor.... é inimaginável.
Porem, severamente, dá-se o silêncio,
esse ruído ensurdecedor que flagela a alma da criança.
Do outro lado do mundo, a cegueira ou a inconsciência
não responde á bravura do momento. Inóspita;
a criança, resiste corajosamente manifestando-se,
esta condição, única e não para todos,
suspensa sob um ar de depravação que gira em torno do universo humano,
conseguindo dessa forma tapar os ouvidos, tornando-os inolvidáveis.
O fechamento é simplesmente inesquecível e ao mesmo tempo implacável.

A borboleta sobrevoa o choro da criança, envolta dela poisa, a criança olha-a e sorri.

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A Ceifa

O corpo sucumbe-se diariamente, e nele se demarcam todas as derrotas,
todas as apostas perdidas, todas as traições á consciência.

Porem, por mais que as forças físicas apertem, a força intrínseca, intangível,
ergue-se diante de uma atmosfera obscura.
Esse recurso de resistência singular consegue ainda que volvendo-se em manifestações incorporadas no ser,
remeter-se a valores mais altos.

Qualidade que jamais qualquer circunstancia poderá modificar.

Recorrendo assim, ao fundo de si mesmo,
que se sobrepõe á magreza que o corpo (matéria) reflecte,
o ser depara-se com uma força inabalável, á qual nem a fome consegue ceifar.

É nessa natureza sublime, que reside toda a essência,
num rasgo de excentricidade única, que nos emerge do mais fundo dos poços.

Na aurora, o horizonte depara-se luminoso,
inteirado de uma fé que abraça o dia escuro que antecedeu,
nessa esperança, ergue-se o ser que avança sob o caminho feito de recuos e avanços,
numa procura constante; que lhe reserva o intimo.

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