Lista de Poemas

POETIZAR MONSARAZ

Avisto terras de Espanha
Um horizonte sem igual
O Alqueva que abraça e entranha
Belas vilas de Portugal

Fascínio para os artistas
Pintores, poetas, escritores
Um encanto para os turistas
Um recanto para os amores

Monsaraz tem a seus pés
Natureza inspiradora
As cores os sons e até
Tranquilidade apaziguadora

Maria Antonieta Matos
In "Poetizar Monsaraz"
930

FLORES

Flores de todas as cores

Como um arco-iris

Flores para todos os amores

Que estão a florir

Flores que dou e recebo

Colorindo amizade

Enfeitando a vida

De felicidade.


Maria Antonieta Matos 02-11-2010

594

CHEIA DE NADA ...

Cheia de nada…

Faço do sonho o recheio da vida

O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o gelo, me dão a guarida

No insano e sublime querer…

Busco alegria perdida…

E apago todas as lágrimas, riscando-as das páginas da vida

Serei o espectro que percorre a imensidão do espaço,

No romper da aurora, abrindo cores, cheiros e sabores

Erguendo-me ao vento que ao soprar, me afaga de abraços

No tom atinado, ao ouvido cochicha, me beija e desperta,

Respirando essa grandeza e fascino, que me liberta

Serei as veias correndo em cada braço de rio para o mar

Serpenteando as águas cristalinas, saltando a brincar

Sem fome, sem sede, sem dor, sem hora certa

Perfilhando cada dia, viventes do mundo, inteira para amar  

 

18-02-2014 Maria Antonieta Matos

In NPE " Sentir d'um Poeta"

590

ANDA UM BARCO A NAVEGAR

Anda um barco a navegar

À deriva no mar alto

Todos o estão a querer comprar

Porque está ao desbarato


Chamaram-lhe Portugal

Há tremenda confusão

Uns dizem que é imoral

Mas chega-se à conclusão

Serem os mesmos que lá estão

A causarem todo esse mal


Sacodem a água de cima

Para outro se molhar

E o seu nariz logo empina

Para nele descartar


Há piratas por todo o lado

Querendo o barco afundar

Tirar proveito deste estado

Pôr a gentes a mendigar


Parecem muito santinhos

Não tem nada a esconder

Fazem do povo parvinhos

Para tudo deles comer


Estão a esvaziar o barco

Atirando tudo pró mar

Mas lá vão enchendo o saco

Num fundo, querem guardar


Cá se fazem cá se pagam

E Deus está a mirar tudo

Sem esperar há uma viragem

E deixam de ser uns pançudos


07-01-2013 Maria Antonieta Matos

617

OLHAR A NATUREZA

Da aboboreira a observar,

Denso campo de carvalhos

Embrenhei-me como a sonhar

Por entre gotas de orvalho


Perfumes que respirei

Neste ambiente tão natural

Ninhos de águias, admirei

Com mochos, esquilos falei

Em puro meio ambiental


Vi lobos e vi libelinhas

Vi morcegos, formiguinhas

Corujas, cobras a rastejar

Muitos pássaros a voar

Musicando pr’a me saudar


Frondosas árvores centenárias

Imponentes e lendárias

Amieiros, salgueiros, freixos

Exemplares de azevinho

Aqui se aninham os passarinhos


O cuco, o pisco, a cotovia

Andorinas, rouxinóis

Sobem às plantas caracóis

Nesta paz e sintonia

Há romance, muita magia


O noitibó sai pelo escuro

Na noite vai disfarçado

O seu ninho fica seguro

No chão por folhas tapado


Se alimenta de mosquitos

Feliz sempre a saltitar

Pela mata de carvalhos

Leva a noite a festejar


O mocho em grande estilo

Sai da toca para cear

Com o fato de abas de grilo

Para o grilo ouvir cantar


Sobre folhas a deslizar

A lebre passa de repente

Fugindo duma serpente

Que se estava a aproximar

E ficou serenamente

De longe a observar


Este refúgio cheio de cor

A sombra é grandiosa

Focos de luz irradiam

Aquela vegetação viçosa


O milhafre e o açor

Esvoaçam pelo ar

O rio Ovil por ali passa

Abraçando este esplendor


Nas suas margens, as lontras

Melro, chapim, perdiz

Tranquilos livres, os encontras

Num ambiente muito feliz


Não faças mal à floresta

Que nos prima de beleza

Cheia de ar puro, mãe natureza

Saúda a vida sempre em festa


22-08-2013 Maria Antonieta Matos

581

PAI II

Tu que me deste o ser,

me afagaste quando insegura

e me fazias renascer com a mais doce brandura

Eras força, eras ternura, eras sorriso

Estavas sempre onde era preciso!

Mostravas o teu amor… à mãe sempre dizias,

Que a amavas todos os dias!

Brincavas e ensinavas, eras bom a matemática

Tu comigo desenhavas, contavas histórias de enfeitiçar

Ao teu colo eu ficava com a mana a cantarolar

As vezes … também te zangavas,

Quando estávamos na zombaria…

E aí te afirmavas…

Não querias rebeldia.

Sempre muito preocupado, com o nosso bom pensar

Sonhavas e muito trabalhavas para nada nos faltar

Aos teus netos davas carinho, fazias muitas piadas

Era tudo uma gracinha no meio de gargalhadas

Não desprezavas ninguém,

E em casa recebias bem

Os amigos ou conterrâneos

Todos te recordam e me falam do Gaspar

Que Deus tem

Estás no nosso coração

Em cada lugar és lembrado

Sinto tua mão na minha mão

Quando passeava a teu lado

 

19-03-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE "Eternamente Poeta"

605

MARCAS DO TEMPO

Inalou nos meus sentidos,

O cheiro a terra molhada,

E vi regatos refletidos,

Nas pedrinhas da calçada.


Casas ainda inacabadas,

Com suas vestes despidas,

Casas de branco, caiadas,

Pela chuva escurecidas,


Saudosas da velha gente,

Que os tempos viram passar,

Triste rua tão descontente,


Esperando os filhos para brincar,

Que se ocupam aferrolhados,

Deixando a vida passar.


22-08-2013 Maria Antonieta Matos  “ In Poetizar II”

511

TODO O SER (humano) É DIFERENTE

Todo o ser (humano) é diferente

No pensar e no falar

No agir e no tamanho

No sentir e no olhar


No pensar, um pensa assim

Outro pensa, e, diz que não

Outro não pensa mas diz

E há o que a tudo diz sim


No falar, um é tagarela

Outro esconde-se pr’a não falar

Outro fala para se mostrar

Há o mudo que não fala

Há quem fale a cantar

O que gagueja a falar

E o que fala a versejar


No agir, um diz que faz

Mesmo sem agir pra fazer

Outro diz não sou capaz

Há o que age, e, não quer dizer

O que não quer agir, pra fazer

E o que age, sem se aperceber


No tamanho um é pequeno

Outro é grande demais

E há pequeno que o tamanho

Não deixa que cresça mais

Outro é grande mas é pequeno

Os tamanhos são desiguais


No sentir, um tem sentimento

Outro o sentir é maldade

Há o que não quer sentir

Há o sentir de oportunidade

Há o que não diz, sentir

O que sente de verdade

E há o sentir só para rir


Um olhar, todo o tempo admira

Outro olhar, nada quer ver

Outro sonha, que está olhar

Há o que no olhar se afigura

E há muita arte no olhar

Há o olhar castigador

Que a todos discrimina

E olhar vencedor

Que só de olhar ilumina


Mas todo o ser tem seu direito

E dever para cumprir

Essa igualdade e respeito

Temos todos que admitir

Podemos ter sentimentos

Podemos ser diferentes 

Mas os deveres e os direitos

São metas intransigentes


Maria Antonieta Matos 26-09-201

602

MÃE

Minha mãe mesmo velhinha

Não se cansa nem um minuto

Cuida, protege, acarinha

Tudo faz sem contributo


Ativa, doce, criança

Sempre pronta a ajudar

Sonha, enche-me de esperança

Nada a afecta para amar


Se há algo que me atormenta

É motivo para não dormir

Se me zango, não se apoquenta

Em silêncio me sabe ouvir


Argumenta sabiamente

Cada dia a ensinar

Observa atentamente

Cada passo do meu andar


Adivinha-me o pensamento

Abdica do seu bem-estar

Sorri-me a cada momento

Os seus olhos, vejo brilhar


Percorreu longo caminho

No seu ventre fui protegida

Sofreu as dores com carinho

Com energia desmedida


Tens os cabelos branquinhos

Pele enrugada do tempo

Adoras os teus netinhos

Vives cada acontecimento


Surpreendes todos os dias

Mesmo com a mão a tremer

Tudo fazes com ousadia

Disfarças para ninguém perceber


Queres para todos o melhor

Sonhas com esperança o futuro

Minha mãe és a maior

A maior mãe do mundo


Maria Antonieta Matos 14-02-2013

580

PAI

Cheio de carinho e de humor

Encantavas todos nós

Esforçavas-te para conseguir

O que sem falar a viva voz

Sentias e davas a sorrir


Tenho presente o teu sorriso

As tuas preocupações

Ralhavas quando era preciso

E apaziguavas nossos corações


Foste um pai sempre presente

Bom marido e terno avô

Muito amigo do seu amigo

Ensinaste-me o que sou


Pai, recordo-te com carinho

Não me esquecerei de ti

Daqui mando um abracinho

Um dia estarei aí


Maria Antonieta Matos 19-03-2013

592

Comentários (2)

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namastibet

obrigado por me ler

Val
Val

Gostei , escreves bem :)

Maria Antonieta Rosado Mira Valentim de Matos - MARIA ANTONIETA MATOS, nasceu em 1949 em Terena, Concelho de Alandroal e reside em Évora, Alentejo, Portugal Aposentada da Função Pública
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão"  - Delírios de Outono" "Poesia na Escola"  Verso & Prosa 

https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra